Pé na estrada!

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SÃO PAULO - Antes que me perguntem, não, não estou aqui em São Paulo para participar de manifestação alguma – embore apoie vivamente o que acontece no país recentemente. O Brasil está precisando de uma sacudida das grandes e, 21 anos depois do movimento dos “caras pintadas”, parece vir a caminho o movimento “almas lavadas”.

Enquanto isso, vou acompanhar pelo Fox Sports, com a colega Marina Ferrari e com o cinegrafista Lafayette Dias, meu velho conhecido de outras emissoras, a 3ª edição do Rali de Regularidade 1000 Milhas Históricas, que larga amanhã do Shopping Center Iguatemi e sai para mais de 1.600 km de prova, passando por várias cidades e começando para valer no Velo Cittá, em Mogi Guaçu, interior de São Paulo.

A caravana do Rali vai chegar a Águas de Lindóia amanhã, depois passando por Angra dos Reis, na quinta-feira, Itamonte, Pouso Alto e Caxambu na sexta, no famoso caminho da Estrada Real e Campos do Jordão no sábado, voltando a São Paulo no domingo.

Tem mais: eu vou participar das 1000 Milhas Históricas como navegador. A convite do Gustavo Leme, vou estar com ele a bordo de um Porsche 911 safra 1979, para sentir como é participar de um evento como este.

Sempre que puder, vou trazer relatos no blog. E pé na estrada!

Pequenas maravilhas – Especial 24 Horas de Le Mans – Lola T70 MK3B (1970)

index (1)SÃO PAULO - Da coleção do Caio Gruber, de Curitiba, o Lola T70 MK3B da Racing Team VDS, da Bélgica. Carro guiado em Sarthe na edição de 1970 das 24 Horas de Le Mans por Teddy Pilette e Gustav Gosselin. Largou em 27º no grid e abandonou com problemas de embreagem.

Equipes de Le Mans 2013 – Delta-ADR (LMP2)

SÃO PAULO - A união faz a força, diz o ditado. E foi nisso que pensou Simon Dowson e também seu parceiro Alan Docking, que fundaram ano passado a ADR-Delta, vice-campeã do WEC na classe LMP2. Desta vez, o time britânico resolveu fortalecer os laços com a petroleira russa Gazprom, através da marca G-Drive, para alinhar dois carros a tempo inteiro no Mundial de Endurance e nas 24 Horas de Le Mans.

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Nas duas primeiras corridas do ano, um dos dois Oreca 03 Zytek Nissan foi guiado pelo brasileiro Antonio Pizzonia. No entanto, o Jungle Boy não estará na tripulação do time em Sarthe. James Walker, eleito piloto reserva, tampouco. Vieram o experiente japonês Shinji Nakano e o novato britânico Archie Hamilton, neto de Duncan Hamilton, antigo vencedor das 24 Horas, para dividir o #25 com o único titular que restou, o tailandês Tor Graves.

Já no #26, o trio é o mesmo do início do ano, formado por Roman Rusinov, John Martin e Mike Conway.

Vamos ao perfil dos pilotos:

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Tor Graves
Data de nascimento: 26 de março de 1972 (41 anos)
Cidade natal: Torsak Lim
Participações nas 24 Horas de Le Mans: uma (2012)
Melhor resultado: 13º na geral em 2012, com Jan Charouz e John Martin
Melhor resultado em subclasse: 6º na LMP2 em 2012, com Jan Charouz e John Martin

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Archie Hamilton
Data de nascimento: 26 de março de 1991 (22 anos)
Cidade natal: Londres
Participações nas 24 Horas de Le Mans: nenhuma (estreante)

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Shinji Nakano
Data de nascimento: 1º de abril de 1971 (42 anos)
Cidade natal: Osaka
Participações nas 24 Horas de Le Mans: seis (2005-2008 e 2011-2012)
Melhor resultado: 14º na geral em 2011, com Nicolas de Crem e Jan Charouz
Melhor resultado em subclasse: 5º na LMP2 em 2011, com Nicolas de Crem e Jan Charouz

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Mike Conway
Data de nascimento: 19 de agosto de 1983 (29 anos)
Cidade natal: Bromley, Inglaterra
Participações nas 24 Horas de Le Mans: nenhuma (estreante)

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John Martin
Data de nascimento: 8 de julho de 1984 (28 anos)
Cidade natal: Gosford
Participações nas 24 Horas de Le Mans: uma (2012)
Melhor resultado: 13º na geral em 2012, com Jan Charouz e Tor Graves
Melhor resultado em subclasse: 6º na LMP2 em 2012, com Jan Charouz e Tor Graves

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Roman Rusinov
Data de nascimento: 21 de outubro de 1981 (31 anos)
Cidade natal: Moscou
Participações nas 24 Horas de Le Mans: três (2008-2009 e 2012)
Melhor resultado: 10º na geral em 2012, com Pierre Ragues e Nelson Panciatici
Melhor resultado em subclasse: 4º na LMP2 em 2012, com Pierre Ragues e Nelson Panciatici

Equipes de Le Mans – Gulf Racing Middle East (LMP2)

SÃO PAULO - Esta é a babel de Sarthe. Equipe de franceses, com apoio e sede nos Emirados Árabes Unidos. Eis a Gulf Racing Middle East que, ironicamente, não tem mais o patrocínio da petroleira, agora todo da Aston Martin Racing.

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A equipe, que tinha planos de inscrever dois carros no WEC, reduziu investimentos. Leva apenas um bólido para Sarthe e para o restante do ano. Também foi cancelado o projeto do Art Car. Mas os patrões-pilotos Fabién Giroix e Fréderic Fatien lá estarão ao lado da japonesa Keiko Ihara, que mais uma vez tenta a sorte nas 24 Horas de Le Mans. Não será fácil. A concorrência é muito forte e se o trio do carro #28 conseguir chegar ao fim da maratona, terá feito muito.

Eis os pilotos:

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Fréderic Fatien
Data de nascimento: 4 de maio de 1974 (39 anos)
Cidade natal: Dubai
Participações nas 24 Horas de Le Mans: nenhuma (estreante)

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Fabién Giroix
Data de nascimento: 17 de setembro de 1960 (53 anos)
Cidade natal: Saint-Maur
Participações nas 24 Horas de Le Mans: quatro (1995-1996 e 2011-2012)
Melhor resultado: 5º na geral em 1995, com Jean-Denis Délétraz e Olivier Grouillard
Melhor resultado em subclasse: 4º na LMGT1 em 1995, com Jean-Denis Délétraz e Olivier Grouillard

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Keiko Ihara
Data de nascimento: 4 de julho de 1973 (39 anos)
Cidade natal: Tóquio
Participações nas 24 Horas de Le Mans: uma (2012)
Melhor resultado: abandono em 2012, com Jean-Denis Délétraz e Marc Rostan
Melhor resultado em subclasse: abandono em 2012 na LMP2, com Jean-Denis Délétraz e Marc Rostan

Equipes de Le Mans 2013 – HVM-Status GP (LMP2)

RIO DE JANEIRO - A equipe HVM-Status GP, surgida da fusão dos times de Keith Wiggins e Mark Gallagher, que trabalharam juntos na Fórmula 1 com a Pacific, quase não disputou as 24 Horas de Le Mans neste ano. Problemas financeiros insolúveis atrapalharam os planos do time em disputar o WEC a tempo inteiro e a participação na corrida do ELMS em Imola trouxe a salvaguarda necessária para uma participação em Sarthe de forma decente.

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O carro é o mesmo do ano passado, o protótipo Lola B12/80 com motor Judd BMW, decorado com nova pintura. O trio também é novo: chegaram o suíço Jonathan Hirschi, o canadense Tony Burgess e o britânico Johnny Mowlem. Sem dúvida, fora do grupo de favoritos.

Confiram:

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Tony Burgess
Data de nascimento: 22 de agosto de 1955 (57 anos)
Cidade natal: Toronto
Participações nas 24 Horas de Le Mans: três (2004, 2007 e 2010)
Melhor resultado: 15º na geral em 2004, com Philip Collin e Andrew Bagnall
Melhor resultado em subclasse: 4º na LMGT em 2004, com Philip Collin e Andrew Bagnall

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Jonathan Hirschi
Data de nascimento: 2 de fevereiro de 1986 (27 anos)
Cidade natal: Saint Imier
Participações nas 24 Horas de Le Mans: três (2010-2012)
Melhor resultado: 22º na geral em 2011, com Johnny Mowlem e James Rossiter
Melhor resultado em subclasse: 7º na LMGTE-PRO em 2011, com Johnny Mowlem e James Rossiter

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Johnny Mowlem
Data de nascimento: 12 de fevereiro de 1969 (44 anos)
Cidade natal: Londres, Inglaterra
Participações nas 24 Horas de Le Mans: sete (2000-2001, 2003, 2006-2008 e 2011)
Melhor resultado: 11º na geral em 2006, com Terry Borcheller e Christian Fittipaldi
Melhor resultado em subclasse: 2º em 2000 na LMGT, com David Murry e Sascha Maassen

Equipes de Le Mans 2013 – Lotus Praga (LMP2)

RIO DE JANEIRO - O carro é um Lotus. Mas pode ser chamado de “Mini-Audi”. O protótipo T128 que leva o nome da lendária marca fundada por Colin Chapman foi construído pela ADESS em tempo recorde e chegou para ficar. A LMP2 ganhou mais um novo construtor e a Endurance agradece. O belo carro pintado na cor preta vem com dois exemplares para Sarthe. É ainda um projeto novo, que carece de desenvolvimento, mas que pode dar certo.

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Apesar do susto do acidente com o #32 guiado por Dominik Kraihamer nos treinos, o time coordenado por Romulus e Colin Kolles trabalhou bem e pôs o carro pronto para o desafio. O austríaco dividirá o carro com Jan Charouz, da República Tcheca e o gentleman driver estadunidense Kevin Weeda. No #31, o experiente Christophe Bouchut vem para sua 20ª participação em Sarthe, dividindo o carro com James Rossiter e o alemão Thomas Josef Holzer.

Eis os pilotos:

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Christophe Bouchut
Data de nascimento: 24 de setembro de 1966 (46 anos)
Cidade natal: Voiron
Participações nas 24 Horas de Le Mans: dezenove (1993-2005 e 2007-2012)
Melhor resultado: 1º em 1993, com Eric Hélary e Geoff Brabham
Melhor resultado em subclasse: 1º na C1 em 1993, com Eric Hélary e Geoff Brabham

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Thomas Josef Holzer
Data de nascimento: 27 de dezembro de 1985 (27 anos)
Cidade natal: Augsburg
Participações nas 24 Horas de Le Mans: uma (2012)
Melhor resultado: abandono em 2012, com Mirco Schultis e Luca Moro
Melhor resultado em subclasse: abandono na LMP2 em 2012, com Mirco Schultis e Luca Moro

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James Rossiter
Data de nascimento: 25 de agosto de 1983 (29 anos)
Cidade natal: Oxford, Inglaterra
Participações nas 24 Horas de Le Mans: uma (2011)
Melhor resultado: 22º na geral em 2011, com Jonathan Hirschi e Johnny Mowlem
Melhor resultado em subclasse: 7º na LMGTE-PRO em 2011, com Jonathan Hirschi e Johnny Mowlem

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Jan Charouz
Data de nascimento: 17 de julho de 1987 (25 anos)
Cidade natal: Praga
Participações nas 24 Horas de Le Mans: seis (2007-2012)
Melhor resultado: 4º na geral em 2009, com Tomas Enge e Stefan Mücke
Melhor resultado em subclasse: 2º na LMP2 em 2010, com Matthieu Lahaye e Guillaume Moreau

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Dominik Kraihamer
Data de nascimento: 29 de novembro de 1989 (23 anos)
Cidade natal: Oberndorf
Participações nas 24 Horas de Le Mans: duas (2011-2012)
Melhor resultado: abandono em 2011, com Alexandre Prémat e David Halliday e 2012, com Franck Montagny e Bertrand Baguette
Melhor resultado em subclasse: abandono em 2011 na LMP2, com Alexandre Prémat e David Halliday e em 2012 na LMP1, com Franck Montagny e Bertrand Baguette

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Kevin Weeda
Data de nascimento: (?)
Cidade natal: Los Angeles, California
Participações nas 24 Horas de Le Mans: nenhuma (estreante)

Bino, 50

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RIO DE JANEIRO – No último fim de semana, completou-se meio século de um triste acontecimento para o automobilismo brasileiro. Em 1963, durante a disputa da 31ª edição das 24 Horas de Le Mans, morria Christian Heins, o Bino. Piloto – e dos bons – ele foi o responsável pela implantação da equipe de competição da Willys no Brasil e inspiração para Luiz Antonio Greco, o inesquecível Trovão, que deu sequência a seu trabalho.

Nascido em 16 de janeiro de 1935 em São Paulo, começou no automobilismo em 1954, aos 19 anos, após passar sua adolescência na Alemanha. Seu primeiro apelido, “Bambino”, foi encurtado para “Bino”, como passou a ser eternamente conhecido. Com apenas 21 anos, foi destaque nas Mil Milhas Brasileiras que faziam sua primeira corrida em Interlagos. Dividindo um Volkswagen muito bem preparado por Jorge Lettry com Eugênio Martins, lutou de igual para igual com diversas Carreteras bem mais possantes e chegou em segundo. E só não venceram porque um cabo do acelerador se rompeu.

Tornou-se piloto da Porsche ao voltar à Europa e no fim dos anos 50, disputou pela primeira vez as 24 Horas de Le Mans e os 1000 km de Nürburgring. Mostrou também grande aptidão ao volante dos monopostos Fórmula Júnior, conseguindo expressivos resultados, à frente de gente que chegaria até a Fórmula 1, caso do italiano Lorenzo Bandini.

Em 1960, voltou para assumir a chefia da equipe DKW com apoio da concessionária Serva Ribeiro. Mas Heins se indispôs com Jorge Lettry e Bird Clemente entrou em seu lugar. Venceu as 1000 Milhas e as 24 Horas de Interlagos com um FNM JK ao lado de Chico Landi e, depois disto, foi convidado por William Max Pearce para assumir o Departamento de Competições da Willys-Overland do Brasil.

Primeiro começou como diretor e piloto, mas já planejava, com menos de 30 anos de idade, aposentar-se da segunda função. Estava casado e com uma filha e, ao mesmo tempo, oferecia espaço para jovens valores do automobilismo brasileiro, como José Carlos Pace, Luiz Pereira Bueno e Wilsinho Fittipaldi. Mas não recusou o convite da Alpine para guiar o M63 nas 24 Horas de Le Mans, dividindo o carro com o jornalista e piloto José Rosinski.

Heins era muito mais rápido que Rosinski a bordo do carro #48 preparado pela marca de Jean Rédelé e vinha liderando na classe de Protótipos até 1.000cc quando, na altura da 6ª hora de prova, em torno de 20h locais, o Aston Martin de Bruce McLaren explodiu o motor e derramou óleo na pista.

Os acidentes são inevitáveis. Roy Salvadori é o primeiro a bater e Jean-Pierre Manzon, a bordo de um René Bonnet, também se acidenta e seu corpo é ejetado para fora do carro. Bino vinha a mais ou menos 230 km/h, quando tentou desviar-se do corpo de Manzon e colidiu com o carro do francês e um poste. Houve incêndio e o piloto, com o corpo parcialmente carbonizado pelo fogo e com uma pancada violenta na cabeça, não resistiu e faleceu.

Christian “Bino” Heins foi enterrado em 27 de junho de 1963 no Cemitério do Redentor, em São Paulo. No fim de semana, uma missa foi rezada em sua homenagem. E depois de sua morte, só dez anos depois um outro piloto do país – José Carlos Pace – voltaria a disputar uma 24 Horas de Le Mans.