Saudosas pequenas – Osella, parte V

RIO DE JANEIRO – Em 1987, a Fórmula 1 voltava a conviver com os motores de aspiração normal, no início da transição que eliminaria de uma vez os propulsores com turbo, da categoria. Estes motores, limitados a quatro atmosferas de pressão, ainda eram maioria no grid – mas os Cosworth usados por Tyrrell, March, Larrousse e AGS surpreenderam pela confiabilidade e consistência, oferecendo resultados surpreendentes.

Ainda atrelada ao acordo com a Alfa Romeo para usar os velhos motores 890T de 1,5 litro, restava à Osella fazer um papel mais digno que o de 1986. Mas, com as limitações de pressão de turbo e também de consumo de combustível, cada vez maiores, nem mesmo um milagre salvaria a escuderia.

bc-100822-032Enzo Osella contava com o jovem e promissor Alex Caffi como único piloto para todo o ano, inscrevendo ainda um segundo bólido para Gabriele Tarquini e Franco Forini, que fizeram aparições fugazes ao longo da temporada. Com o dificil FA1I, Caffi até que mostrou algum potencial. Em Mônaco, colocou o carro na 16ª posição do grid e chegou ao décimo posto até abandonar. Só que, excetuando o 12º lugar obtido em San Marino, o piloto do carro #21 não conseguiu figurar entre os que terminaram em mais nenhuma outra ocasião. Problemas de motor, turbo, câmbio e suspensão não foram capazes, todavia, de esconder que ao volante da Osella havia um piloto com algum futuro. Tanto que no Anuário de Fórmula 1 editado pelo português Francisco Santos, Caffi ficou no top 10 dos melhores pilotos do ano.

O piloto foi para a Scuderia Italia e Enzo Osella contratou para 1988 mais um jovem piloto italiano: Nicola Larini, então com 23 anos, foi recrutado para guiar o único carro do time após uma fugaz estreia pela Coloni, em Jerez de la Frontera, no ano anterior. O novo carro, o FA1L, mais baixo que o antecessor, foi o primeiro projeto de Antonio Tomaini para a equipe de Volpiano, ainda usando o motor Alfa Romeo V8 Turbo, convivendo naquela temporada com a restrição de consumo de 150 litros por corrida.

Osella fa1lCom pouca potência podendo ser utilizada, o FA1L foi mais um fracasso tremendo da Osella na Fórmula 1. Larini ficou de fora de seis Grandes Prêmios e apesar do retrospecto sofrível, conseguiu um bom 14º lugar no grid do GP da Espanha, numa pista muito travada. Em corrida, salvou-se uma nona posição em Mônaco, um 12º posto em Portugal e só. Mais uma temporada sem pontos, a quarta consecutiva da história da equipe.

Com a volta definitiva dos motores de aspiração normal, a sorte sorriria para a Osella? Veremos o que o destino reservou à equipe nos seus últimos anos, em 1989 e 1990.

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2 respostas em “Saudosas pequenas – Osella, parte V

  1. FA1L , foi fail mesmo. O que mais me encanta nessas “pequenas saudosas” é o impeto garagista, bem diferente das nanicas atuais. Eram construtores de carros de corridas que tentaram a sorte na maior categoria. Claro, existia o interesse comercial, más a essência garagista é um diferencial, como na Orsella.

  2. Pingback: Saudosas pequenas – Osella, parte VI (final) | A Mil Por Hora

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