Saudosas pequenas – Minardi, parte X

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RIO DE JANEIRO – Novos ares à vista para a Minardi no Mundial de Fórmula 1 em 2001. Após um período como parceiro tecnológico da Tyrrell, o australiano Paul Stoddart, proprietário da European Aviation e patrocinador da Arrows na Fórmula 1 e no time júnior que corria a Fórmula 3000, tornou-se sócio de Giancarlo Minardi e assumiu o comando da equipe de Faenza. A equipe passava a se chamar European Minardi.

Mudava a razão social, mas não as influências de Flavio Briatore sobre o time, até porque o boquirroto dirigente da Benetton queria ter Stoddart, tão boquirroto quanto, como um aliado nas discussões das equipes com Bernie Ecclestone, que já transformara a FOCA (Formula One Constructors Association) em FOA (Formula One Association) e depois a rebatizaria como FOM (Formula One Management), que é como a conhecemos hoje.

Minardi 2001

Uma amostra desta influência foi a chegada de um jovem espanhol ao time: nascido em Oviedo, nas Astúrias, Fernando Alonso Díaz, garoto de apenas 19 anos de idade na época, vinha de uma temporada de Fórmula 3000 com direito a uma vitória categórica em Spa-Francorchamps, guiando para a equipe Astromega. Para ajudar o piloto em seu primeiro ano de Fórmula 1, Stoddart foi buscar Tarso Marques, que nos quatro anos posteriores à sua segunda passagem pelo time, fizera algumas corridas na Fórmula Indy, inclusive na Penske.

No primeiro teste de pista do PS01 em Fiorano, debaixo de um toró inominável, Fernando Alonso disse ao que veio e foi mais rápido que o experiente Tarso em condições completamente adversas. E já no treino classificatório do GP da Austrália, em Melbourne, largou três posições à frente do brasileiro, estreando com um razoável 12º lugar.

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Tarso conseguiu uma respeitável nona posição em Interlagos, sofrendo com as dimensões do carro projetado por Gustav Brunner e Gabriele Tredozi. Seus pés, de tamanho 43, quase não cabiam no cockpit em que Alonso caía como uma luva. E o garoto foi progredindo na categoria: de San Marino a Mônaco, Alonso conseguiu largar todas as provas em 18º lugar. Marques, em último. Mas somente em Barcelona, correndo em casa, Fernando conseguiu terminar, na 13ª posição.

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O brasileiro foi de novo nono colocado no Canadá e até a Alemanha os dois pilotos foram vistos regularmente largando da última fila do grid. Em todas as vezes, exceto Montreal, Alonso foi superior a Tarso e no GP da Inglaterra, em Silverstone, o brasileiro ficou fora dos 107% da pole, sem condições de disputar a corrida.

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Alonso impressionou outras duas vezes em qualificação, com o 18º posto em Hungaroring e a décima-sétima posição em Indianápolis. Pena que ele não tinha um carro à altura para fazer coisa melhor nas corridas. Seu melhor resultado do ano foi na Alemanha, com uma 10ª colocação. Tarso Marques despediu-se da Fórmula 1 em Spa, no GP da Bélgica e seu lugar passou a ser ocupado por um inexperiente malaio: Alex Yoong largou em último nas três corridas finais do ano e terminou somente no Japão, em décimo-sexto.

O espanhol foi guindado à condição de piloto-reserva da Renault em 2002 e a vaga de primeiro piloto da Minardi ficou aberta para mais uma negociata de Flavio Briatore com Paul Stoddart. Mas desta vez o australiano já conhecia o piloto em questão: era Mark Webber, a quem patrocinara na equipe Arrows Júnior de Fórmula 3000 em 2000 e era seu compatriota.

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O carro era o pior do ano: o modelo PS02 desenhado por Gabriele Tredozi e Loic Bigois, ex-engenheiro da Prost Grand Prix, tinha às costas o horroroso motor Asiatech 002 V10, o antigo Peugeot, com supostos 800 HP de potência. E para completar o orçamento do time com patrocínios oriundos da Malásia, Stoddart manteve o pouco competitivo Alex Yoong.

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Logo no GP da Austrália, uma surpresa: em decorrência de uma colisão múltipla no início da corrida e a uma quebradeira geral, Mark Webber estreou com o pé direito na Fórmula 1. Chegou em 5º lugar, emocionando Paul Stoddart a ponto do então dono da Minardi subir ao pódio e estourar champagne de tanta alegria. Afinal de contas, o resultado representava um desafogo nas finanças apertadas do time.

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Alex Yoong chegou em 7º em Melbourne e 13º no Brasil, onde Webber terminou a corrida em décimo-primeiro. Mas o malaio começou a mostrar que não era do ramo: não se qualificou em San Marino. Em Barcelona, a equipe não correu, pois os carros do time apresentavam uma grave falha estrutural na asa traseira. Por falta de segurança, Stoddart retirou seus carros do GP da Espanha.

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Webber era previsivel e frequentemente mais veloz que Yoong, que voltou a falhar uma qualificação em Silverstone, na Inglaterra e Hockenheim, na Alemanha. Como o rendimento do malaio não melhorasse, ele ficou ‘de castigo’ por duas corridas e Anthony Davidson, piloto de testes da BAR, estreou na Fórmula 1 em seu lugar.

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O britânico fez duas corridas – Hungria e Bélgica. Largou de último em ambas porque, piorar, impossível. Rodou em Hungaroring e bateu em Spa. Resultado: Yoong voltou ao cockpit do carro para as corridas finais da temporada.

Até o Japão, Yoong conseguiria apenas um 13º lugar em Monza, abandonando todas as demais corridas – saindo da última posição do grid, é claro. Webber ainda salvou uma décima posição em Suzuka e fechou o ano com saldo positivo, pois assinara com a Jaguar para disputar a temporada de 2003, enquanto o malaio nunca mais voltaria a guiar um Fórmula 1.

Amanhã, voltamos com o décimo-primeiro e penúltimo post da série.

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12 respostas em “Saudosas pequenas – Minardi, parte X

  1. Como sempre muito legal essa série. Mas tem algumas coisas aí de 2001 que não tão batendo. Em Suzuka já era o Yoong no segundo carro. O Tarso fez a última corrida em Spa, sendo substituído a partir de Monza. E o melhor resultado do Alonso foi na Alemanha, quando foi décimo. Abraço.

      • Opa, de nada. Você tem intenção de fazer uma série sobre equipes que tiveram um auge considerável e depois desapareceram? Como Tyrrell, Ligier, Benetton, Brabham? Acho que seria legal também.

      • Senhor Rodrigo Mattar, primeiramente gostaria de cumprimentar-lhe pela série “Saudosas Pequenas”. Adicionalmente, gostaria de lembrar que a European Aviation foi patrocinadora da Jordan em 1999, (observe o terceiro patrocinador na “faixa” abaixo do grande logo da Benson & Hedges: http://i.imgur.com/gRhvD.jpg).

  2. Stoddart substituiu o Yoong em 2002 para Hungria e Bélgica porque devia ter a certeza de que o malaio não iria se classificar para o grid. Curiosamente o Davidson foi o primeiro inglês a correr pela Minardi. E era para ter sido outro inglês nessas duas provas. O Justin Wilson. Só que o “baixinho” não coube no carro.

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