Junho, um mês para ser esquecido

RIO DE JANEIRO – Há muito tempo um mês não era marcado por tanta tristeza no esporte a motor.

Tivemos as perdas do argentino José Froilán González, que era o mais velho vencedor de uma corrida de Fórmula 1 ainda vivo, de Jason Leffler nos Estados Unidos, de Allan Simonsen nas 24 Horas de Le Mans, do desconhecido Wolf Sylvester numa prova do VLN em Nürburgring e de Cristiano “Padeiro” Ferreira na Moto 1000GP aqui no Brasil, em Interlagos.

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E logo no último dia de junho, mais uma tragédia: Andrea Mamè, gentleman driver italiano de 41 anos, empresário que tinha o automobilismo como hobby, morreu após um grave acidente sofrido na etapa de Paul Ricard do Blancpain Lamborghini Super Trofeo.

Uma pena que, mesmo em 2013, em tempos onde se discute tanto a segurança dos autódromos, ainda haja fatalidades do gênero. Automobilismo e Motociclismo são e sempre serão esportes de risco. Disso todos nós sabemos.

A nós, só resta lamentar que junho seja um mês a ser esquecido. Gostaria de fechar as postagens deste dia com uma boa notícia, mas infelizmente este post serve como um alerta para todo mundo.

Bis de Fittipaldi e Barbosa na Grand-Am

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RIO DE JANEIRO – O blogueiro costuma se vangloriar pouco do seu trabalho. Mas posso me permitir fazer uma observação: comentei duas corridas da Rolex Sports Car Series em transmissões ao vivo (Detroit foi em delay) no Fox Sports, onde trabalho há quase dois meses. E nas duas, venceu a mesma dupla: Christian Fittipaldi/João Barbosa. Primeiro, em Mid-Ohio. E hoje, de forma sensacional, nas 6 Horas de Watkins Glen, no tradicional circuito novaiorquino onde, há 43 anos, Emerson Fittipaldi, tio de Christian, venceu pela primeira vez na Fórmula 1.

A corrida teve todos os ingredientes possíveis: toques, rodadas, quebras de motor, bandeiras amarelas, rodadas, chuva forte e variáveis de estratégia que prenderam a atenção de todos na pista e na telinha. Ao fim de 171 voltas, prevaleceu o Corvette DP #5 da Action Express, com apenas 0″285 de vantagem para Michael Valiante/Stéphane Sarrazin, que chegaram em segundo. E tem um detalhe: João Barbosa foi prejudicado por uma rodada provocada pelo carro #3 da 8Star Motorsports, coincidentemente o de Valiante/Sarrazin, punido com um stop & hold de 60 segundos.

Com a vitória de Fittipaldi e Barbosa, o campeonato pegou fogo. Max Angelelli/Jordan Taylor, que tiveram um problema de transmissão logo na primeira volta e perderam seis voltas, imprimiram uma feroz recuperação para chegar em 10º lugar, descontando cinco das seis passagens perdidas. Mesmo assim, salvaram a liderança entre os pilotos, com 194 pontos, empatados com Alex Popow/Ryan Dalziel, que chegaram hoje em 8º, acompanhados do francês Sébastien Bourdais.

Christian chegou ao total de 190 pontos e está em 3º na classificação, um ponto à frente de Alex Gurney/Jon Fogarty e dois adiante de João Barbosa. O outro brasileiro na disputa, Oswaldo Negri, driblou um tornozelo ainda inchado no pé direito e fez uma corrida sensacional. Poderia ter completado uma histórica dobradinha de pilotos brasileiros em Glen, mas uma saída inesperada de pista, quando o piloto do Ford Riley evitou uma batida com o próprio compatriota, provocou um pit stop extra para a limpeza dos radiadores. Ozz e John Pew chegaram em 4º lugar.

Na classe GT, pela quarta vez no ano, triunfou o Camaro GT.R da Stevenson Motorsports, guiado por Robin Liddell/John Edwards, que completou 164 voltas e concluiu em 13º lugar na geral. A Ferrari F458 de Leh Keen/Anthony Lazzaro/Emil Assentato completou em segundo no grupo e em terceiro chegou o Porsche de John Potter/Richard Lietz/Andy Lally.

A classificação do campeonato apresenta Potter e Lally na liderança, agora com 199 pontos somados, contra 193 de Edwards/Liddell e do italiano Alessandro Balzan, que era o líder isolado e hoje foi apenas o 5º colocado. Lazzaro e Assentato ocupam o quarto posto, com 187 pontos.

Na GX, com três carros inscritos, somente o #00 de Joel Miller/Tristan Nunez/Yojiro Terada viu a quadriculada, chegando em 29º na geral. Apesar da quebra do motor do seu Porsche, Jim Norman ainda lidera com 233 pontos, contra 222 de Joel Miller e 215 de Tom Long/Sylvain Tremblay.

A próxima etapa da Rolex Sports Car Series será em Indianápolis, no circuito misto do templo sagrado do automobilismo estadunidense, dia 26 de julho.

Demolidor: Loeb destrói recorde de Pikes Peak

RIO DE JANEIRO – Sébastien Loeb é um monstro do automobilismo contemporâneo. Nove vezes campeão mundial de Rali, vice-campeão das 24 Horas de Le Mans, vencedor do X-Games e também no Race Of Champions (ROC), o piloto francês colocou mais uma nota positiva ao seu vasto e vitorioso currículo.

Hoje, o piloto de 39 anos foi um autêntico demolidor. A bordo do monstro que a Peugeot lhe preparou, com 875 HP de potência impulsionando um carro de 875 kg de peso – ou seja, com uma relação de um quilo por cavalo-força, Loeb pôs abaixo o recorde da tradicional subida de montanha de Pikes Peak, no Colorado.

Com o tempo de 8’13″878 (média de 140,743 km/h) para o percurso, o francês detonou em mais de um minuto e meio o recorde anterior, pertencente ao piloto neozelandês Rhys Millen, que a bordo de um Hyundai também superou a própria marca – só que, como todos os outros, foi humilhado por Loeb, já que ficou a 49 segundos do piloto do Peugeot 208 T16. O também francês Jean-Philippe Dayraut, com seu Mini Countrymen de mecânica Dacia, foi outro coadjuvante de luxo: acabou em 3º lugar, a 1’29” do compatriota.

Ao todo, 143 veículos, entre carros e motos, se apresentaram para a disputa do PPIHC. A realçar que Romain Dumas, 2º colocado no ano passado, enfrentou um problema elétrico a bordo do protótipo Norma M20FC PP e não completou o percurso. Simon Pagenaud, que estava inscrito com uma minivan Honda de motor central com 500 cavalos de potência, fez o tempo de 12’54″325.

O que importa, no fundo, é que Loeb faturou mais uma e mostrou o porquê de ser considerado um dos maiores pilotos de sua geração.

Chuva cancela qualificação em Glen e líderes partem da pole

RIO DE JANEIRO – A classificação para as 6 Horas de Watkins Glen, 7ª etapa da Rolex Sports Car Series, recebeu a visita da chuva, que cancelou as atividades de pista, especialmente na hora em que os DPs (Daytona Prototypes) iam fazer suas voltas de definição do grid de largada. Assim, com o treino cancelado, o grid será conhecido pela classificação dos pilotos no campeonato.

2013 Grand Am Mid Ohio

Isto posto, a pole position para a segunda corrida mais longa do ano, após as 24 Horas de Daytona, é de Jordan Taylor/Max Angelelli, com o Corvette (Dallara) #10 da escuderia Wayne Taylor Racing. Com 173 pontos, a dupla defende sua liderança na classificação, onde somam um ponto apenas de avanço para Jon Fogarty/Alex Gurney, que com o cancelamento do treino saem em segundo.

A terceira posição é do #2 da Starworks, que terá a bordo a dupla usual formada por Ryan Dalziel/Alex Popow, reforçados pelo francês Sébastien Bourdais. Christian Fittipaldi/João Barbosa, recém-vitoriosos em Mid-Ohio, sairão da 4ª posição, com Richard Westbrook/Ricky Taylor/Antonio Garcia em quinto e os atuais campeões Memo Rojas/Scott Pruett partindo de sexto.

2013 Grand Am Mid Ohio

Para Oswaldo Negri, 21º colocado no campeonato com apenas 43 pontos somados, não foi a melhor das notícias. O piloto do carro #60 tinha feito o melhor tempo na última sessão livre antes do classificatório e tinha ótimas expectativas. Só que além disso, os pontos de John Pew, décimo-sétimo com 90 unidades, não são suficientes para levar a dupla da Mike Shank Racing além da 13ª posição no grid de 14 protótipos da DP.

2013 Grand Am Mid Ohio

O grid das classes GT e GX foi definido, este sim, pelos tempos obtidos na classificação, uma vez que a chuva só caiu no finalzinho da sessão. A pole position ficou com o Camaro GT.R #57 de Robin Liddell, liderando os autênticos muscle cars estadunidenses na primeira fila da divisão, pois Eric Curran foi o segundo a bordo do Corvette C6-R (foto acima), ao marcar 1’52″781.

Em terceiro, ficou a Ferrari #61 de Max Papis/Jeff Segal/Toni Vilander, último carro a virar abaixo de 1’53” entre os bólidos da divisão de Grã-Turismo. O Audi #24 tripulado pelo português Filipe Albuquerque na qualificação ficou em quarto, seguido da BMW M3 de Bill Auberlen e da Ferrari F458 de Alessandro Balzan.

Na GX, Sylvain Tremblay sobrou, colocando 1″159 de frente para o Porsche de Spencer Pumpelly. O outro Mazda 6GX, guiado por Yojiro Terada, só completou duas voltas muito lentas e ficou com a última posição.

O Fox Sports transmite ao vivo as 6 Horas de Watkins Glen neste domingo a partir do meio-dia. Nas primeiras três horas, Hamilton Rodrigues narra e Thiago Alves comenta. As três últimas têm narração de Gustavo Villani e comentários do blogueiro que vos escreve.

Confira o grid completo:

1ª fila:

#10 Max Angelelli/Jordan Taylor (Wayne Taylor Racing/Corvette DP)
#99 Jon Fogarty/Alex Gurney (Gainsco-Bob Stallings Racing/Corvette DP)

2ª fila

#2 Alex Popow/Ryan Dalziel/Sébastien Bourdais (Starworks with Alex Popow/Ford Riley)
#5 Christian Fittipaldi/João Barbosa (Action Express Racing/Corvette DP)

3ª fila

#90 Richard Westbrook/Ricky Taylor/Antonio Garcia (Spirit of Daytona/Corvette DP)
#01 Memo Rojas/Scott Pruett (Chip Ganassi Racing/BMW Riley)

4ª fila

#42 Dane Cameron/Wayne Nonnamaker/Mark Wilkins (Team Sahlen/BMW Riley)
#9 Brian Frisselle/Burt Frisselle (Action Express Racing/Corvette DP)

5ª fila

#6 Gustavo Yacaman/Justin Wilson (Mike Shank Racing/Ford Riley)
#8 Brendon Hartley/Scott Mayer/Pierre Kaffer (Starworks Motorsport/Ford Riley)

6ª fila

#3 Enzo Potolicchio/Michael Valiante/Stéphane Sarrazin (8Star Motorsports/Corvette DP)
#43 Will Nonnamaker/Joe Nonnamaker/Joe Sahlen/Mark Wilkins (Team Sahlen/BMW Riley)

7ª fila

#60 Oswaldo Negri/John Pew (Mike Shank Racing/Ford Riley)
#4 Emilio Di Guida/Luis Diaz (8Star Motorsports/Corvette DP)

8ª fila

#57 Robin Liddell/John Edwards (Stevenson Motorsports/Camaro GT.R)
#31 Eric Curran/Boris Said (Marsh Racing/Corvette Z06 C6-R)

9ª fila

#61 Max Papis/Jeff Segal/Toni Vilander (R.Ferri/AIM Motorsport Racing With Ferrari/Ferrari F458 Italia Grand-Am)
#24 Felipe Albuquerque/Edoardo Mortara/Dion Von Moltke (Audi Sport Customer Racing/Audi R8 LMS Ultra Grand-Am)

10ª fila

#94 Bill Auberlen/Paul Dalla Lana/Billy Johnson (Turner Motorsport/BMW M3)
#63 Alessandro Balzan/Jeff Westphal/Craig Stanton (Scuderia Corsa/Ferrari F458 Italia Grand-Am)

11ª fila

#62 Andrew Davis/Jan Heylen/Madison Snow (Snow Racing/Wright Motorsports/Porsche 911 (997) GT3-R)
#73 Patrick Lindsey/Patrick Long/Bryan Sellers (Park Place Motorsports/Porsche 911 (997) GT3-R)

12ª fila

#69 Emil Assentato/Leh Keen/Anthony Lazzaro (AIM Motorsport Team FXDD With Ferrari/Ferrari F458 Italia Grand-Am)
#93 Pedro Lamy/Gunther Schaldach/Michael Marsal (Turner Motorsport/BMW M3)

13ª fila

#44 Andy Lally/Richard Lietz/John Potter (Magnus Racing/Porsche 911 (997) GT3-R)
#46 Al Carter/Charles Putman/Charlie Espenlaub (Fall-Line Motorsports/Audi R8 LMS Ultra Grand-Am)

14ª fila

#03 Guy Cosmo/Mike Hedlund/Johannes Van Overbeek (Extreme Speed Motorsports/Ferrari F458 Italia Grand-Am)
#18 Eduardo Costabal/Eliseo Salazar (Mühlner Motorsports America/Porsche 911 (997) GT3-R)

15ª fila

#55 Rui Águas/Robert Kauffmann (AF-Waltrip/Ferrari F458 Italia Grand-Am)
#80 Tom Haacker/Kelly Collins/Bryce Miller (TruSpeed Motorsports/Porsche 911 (997) GT3-R)

16ª fila

#70 Tom Long/Sylvain Tremblay/Andrew Carbonell (Speedsource/Mazda 6GX)
#38 Spencer Pumpelly/Jim Norman (BGB Motorsports/Porsche Cayman)

17ª fila

#00 Joel Miller/Tristan Nunez/Yojiro Terada (Visit Florida Racing/Speedsource/Mazda 6GX)

O CAMPEÃO VOLTOU!

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RIO DE JANEIRO – Quase três anos de jejum. Fazendo as contas na ponta do lápis, exatos 992 dias entre o dia 10 de outubro de 2010 e hoje, 29 de junho de 2013. Nesse período, Valentino Rossi, The Doctor, não conseguiu subir no topo do pódio.

Como convém a um mestre, a um dos maiores de sua especialidade – o maior de sua geração, sem nenhuma dúvida – coube a Rossi quebrar o incômodo tabu no templo sagrado do Mundial de Motovelocidade: o circuito holandês de Assen, chamado de “Catedral” por sua importância e por ser – durante muitos anos – uma das pistas mais seletivas e desafiadoras da modalidade.

Aos 34 anos, Rossi desafia o tempo e a si mesmo, provando a todos que ainda pode ser um vencedor. É claro que ele não tem mais o fulgor dos tempos em que enfileirou títulos e vitórias, da mesma maneira que colecionou desafetos ao longo dos anos. Mas ainda é o Doutor, o Cara, um homem a quem temos que respeitar por tudo o que fez numa modalidade tão competitiva quanto perigosa. Vale passou incólume pelas lesões durante muito tempo e em 2010, quando teve um acidente muito sério em Mugello, sua carreira começou a ser posta em dúvida. E ele deu bastante munição durante os dois anos de Ducati, pois sem uma motocicleta competitiva de fato, ele não pôde fazer muito.

O italiano é uma espécie de “tiozão” da MotoGP, se compararmos sua experiência e idade com Marc Márquez, por exemplo. A joia rara da Honda mal havia saído das fraldas, mamadeiras e chupetas e Rossi já brilhava na extinta classe 125cc. Existe um abismo entre eles, de experiência e idade. E por vezes, o fulgor adolescente pode ser superado sim pela tarimba, pela quilometragem, pelo currículo invejável do eterno campeão.

Valentino Rossi chegou hoje à sua 106ª vitória na carreira. Faltam dezesseis para igualar o recorde de Giacomo Agostini – que muitos torcem para que continue inalcançável. Sinceramente eu não sei mais se o italiano da moto #46 quer mesmo bater a marca histórica do seu compatriota. Hoje, isso não tem a menor importância perto da alegria que é, para todos nós, ver a figura dele no pódio, comemorando uma vitória depois de 992 dias.

O campeão voltou!

Viva o Doutor! Viva Valentino Rossi!

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A bela homenagem da equipe Belgian Audi Club Team WRT, feita neste fim de semana de Blancpain Endurance Series em Paul Ricard, em memória do dinamarquês Allan Simonsen, falecido na recente edição das 24 Horas de Le Mans. Clique muito oportuno de Laurent Mercier.