Ponto de ônibus (2)

CDO_RJ_RJ_TRESAMIGOS 0110RIO DE JANEIRO – Uma marca registrada do Rio de Janeiro dos anos 70/80 foram os ônibus especiais conhecidos como “Frescões”, porque tinham ar condicionado e poltronas confortáveis. Esse tipo de transporte chegou a movimentar uma média de 130 mil passageiros/mês. O auge durou até 1981, quando o metrô ganhou mais estações e o custo de manutenção dos ônibus encareceu por vários outros motivos.

Algumas empresas (como a Forte) fecharam, diversas desativaram suas linhas e outras seguiram operando os “Frescões” até meados da década de 80, enquanto Real, Pégaso e Redentor remaram contra a maré e seguem em atividade até hoje no ramo. Na foto, um ônibus da Viação Três Amigos (Área #6), que fazia a linha Castelo-Vicente de Carvalho. Carroceria Marcopolo II, produzida entre 1971 e 1975, com motor traseiro, provavelmente um Mercedes-Benz.

 

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Discos eternos – Disraeli gears (1967)

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RIO DE JANEIRO – Ahmet Ertegun, falecido em dezembro de 2006, tem como um de seus grandes méritos a influência direta na formação do power trio mais cool dos anos sessenta. Afinal de contas, foram três músicos com diferentes influências que, enquanto tocaram juntos, revolucionaram a música no seu tempo.

Senão vejamos: o guitarrista, um certo Eric Clapton, era um herdeiro direto das melhores tradições do blues, como já demonstrara no primeiro grupo em que tocou – os Yardbirds; Jack Bruce, o baixista, tinha formação de música indiana além de fortes raízes no jazz; e o baterista Peter “Ginger” Baker, um monstro no seu instrumento, guardou muito bem as lições que aprendeu com percussionistas africanos.

Desta união de três feras surgiu o Cream. E o grupo é pule de dez quando lembrado acerca de influências para diversos estilos musicais: o jazz-fusion, o hard rock e dizem, até, o rock progressivo.

O certo é que os três juntos formavam uma massa de esporro sonoro como nunca se vira na Atlantic Records até aquela época. Quando foram gravar Disraeli Gears em 1967, eles ligavam seus amplificadores Marshall a todo volume e faziam coisas que poucos artistas imaginaram ser possíveis. Efeitos psicodélicos, pedais wah-wah, bateria com dois bumbos, baixo distorcido… tudo valia a pena para se conseguir mais e melhores sons. Não é à toa que no DVD da série “Classic Albums”, Ahmet Ertegun creditava parte de sua surdez ao altíssimo volume que os três rapazes ingleses impunham aos seus instrumentos.

Grande parte do sucesso de Disraeli Gears pode e deve ser creditado ao trabalho do produtor Felix Pappalardi, baixista de outro lendário power-trio, o Mountain, que buscou dar ao trio uma cara mais comercial. E isto pôde ser sentido logo de cara, quando ele mudou a melodia de “Strange Brew”, a faixa de abertura, tornando-a pop e tremendamente palatável. Isto desagradou Eric Clapton na época – afinal ele e Gail Collins tinham escrito letra e melodia – porque o produtor achara que com a mudança de compassos, saindo do estilo do blues de raiz para uma “canção pop à Paul McCartney”, a coisa pegaria. E pegou.

Mas “Strange Brew” não é a música mais lembrada do álbum. Isto cabe a “Sunshine Of Your Love”, com uma linha de baixo inspiradíssima de Jack Bruce e letra brilhante de Pete Brown. A música é tão boa que até Jimi Hendrix a incluía nas jams que promovia em seus já impressionantes shows com o Experience.

O clima em Disraeli Gears varia de acordo com o teor das letras. Sexo e cabarés em “Dance The Night Away”. Engajamento político em “Take It Back”. Traição em “Outside Woman Blues”. Brigas de casal em “We’re Going Wrong”, para muitos a melhor música da carreira do Cream. Tudo pontuado por guitarras rascantes, os vocais de Jack Bruce e a bateria marcante de Ginger Baker.

Uma outra grande canção é “Tales Of Brave Ulysses”, cuja história é resumida pelo seguinte: o artista plástico australiano Martin Sharp, que comporia a capa do álbum usando colagens e gravuras de Albrecht Dürer, foi apresentado a Clapton num bar chamado Speakeasy, que ficava em Chelsea, por Charlotte Martin, uma linda francesa que namorava o guitarrista. Sharp não se fez de rogado: disse-lhe que tinha uma letra de música e que gostaria de oferecê-la ao grupo. Para sua sorte, ou por um daqueles acasos do destino, a letra que ele escrevera cabia perfeitamente numa melodia que EC tinha escrito junto com seus companheiros do Cream.

A se lamentar é que depois de um início tão promissor, o grupo tenha se desfeito. Ficaram na memória seus brilhantes discos e as memoráveis apresentações ao vivo, onde parecia que os três encarnavam o espírito de músicos históricos como Robert Johnson e Charlie “Bird” Parker.

Ficha Técnica de Disraeli Gears
Selo: Atlantic / Polydor
Produção: Felix Pappalardi
Gravado nos estúdios da Atlantic Records, nos EUA, em maio de 1967
Duração do álbum: 33’30”

Músicas:

1. Strange Brew (Eric Clapton-Gail Collins-Felix Pappalardi)
2. Sunshine Of Your Love (Jack Bruce-Pete Brown)
3. World Of Pain (Gail Collins-Felix Pappalardi)
4. Dance The Night Away (Jack Bruce-Pete Brown)
5. Blue Condition (Ginger Baker)
6. Tales Of Brave Ulysses (Martin Sharp-Eric Clapton)
7. Swlabr (Jack Bruce-Pete Brown)
8. We’re Going Wrong (Jack Bruce)
9. Outside Woman Blues (Arthur Reynolds)
10. Take It Back (Jack Bruce-Pete Brown)
11. Mother’s Lament (Traditional – Arr. Eric Clapton)

Revisão do BoP traz alterações para Aston Martin e Porsche no WEC

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RIO DE JANEIRO – A acirrada disputa pelo título das marcas na classe LMGTE-PRO do Campeonato Mundial de Endurance (WEC) terá um novo capítulo no próximo dia 1º de setembro com as 6 Horas de São Paulo. Porsche e Aston Martin se deram bem nas 24 Horas de Le Mans nas duas divisões da classe Grã-Turismo, enquanto Ferrari, Corvette e Viper, esta participando só de Sarthe, chuparam dedo.

A Federação Internacional de Automobilismo, que usa o chamado Balance of Performance (BoP) para equilibrar a competição entre as marcas, fez saber que os Porsches – tanto o modelo 991 novo quanto o antigo 997 – e todos os Aston Martin terão uma redução de 0,3 mm na entrada de ar dos motores. A bem da verdade, os modelos alemães voltam a ter a mesma restrição mecânica que sofriam até antes de Le Mans. Os carros britânicos só estavam com alterações no peso, até agora.

Para todas as Ferrari F458 Italia GTE e o Chevrolet Corvette C6-R da Larbre Competition, “tudo como dantes no quartel de Abrantes”. Nenhuma mudança para essas duas marcas, pelo menos para Interlagos.

Em tempo: a Porsche lidera entre as marcas da GTE com 118 pontos, contra 116 da Ferrari e 105 da Aston Martin.

Foto: Porsche e Aston Martin a caminho da curva Tertre Rouge em Le Mans 2013 (Julie Sueur)