Polêmica na Argentina: querem destruir o Autódromo de Buenos Aires

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RIO DE JANEIRO – Não é só no Brasil que políticos destroem autódromos a seu bel-prazer. Jacarepaguá, como todo mundo sabe, foi para o vinagre por conta da ganância das empreiteiras e de acordos espúrios com a prefeitura do Rio de Janeiro. Do outro lado do Rio da Prata, a coisa promete fervilhar: existe um plano para a demolição o templo do automobilismo argentino. O Autódromo de Buenos Aires – sede de 20 edições do GP da Argentina de Fórmula 1 entre 1953 e 1998 (naturalmente com interrupções) – corre risco de virar área de reciclagem de lixo.

A “ideia” brilhante é de Mauricio Macri e de seu partido, o PRO (Propuesta Republicana). O atual prefeito da capital federal da Argentina foi, aliás e a propósito, presidente do Boca Juniors entre 1995 e 2007. Com maiores ambições políticas, Macri, hoje com 54 anos, candidatou-se e venceu as eleições para a prefeitura. E desde então, já acumula dois mandatos – inclusive com a mudança da Constituição para permitir a sua reeleição.

A PRO tem 40 projetos cuja sanção está prevista para antes do fim de 2013. Um deles é o de demolir o Autódromo Oscar y Juan Gálvez, no bairro de Villa Riachuelo, transformando-o em usina de reciclagem de resíduos de lixo – e existem outros 17 pontos na capital que correm esse risco, porque o governo quer fazer cumprir a iniciativa da chamada Ley de Basura Cero (Lixo Zero) que rege a cidade de Buenos Aires desde 2007.

A iniciativa foi da chefe de comissão de planejamento urbano do Legislativo, Karina Spalla. E o presidente da Assembleia Legislativa, Cristian Ritondo, propõe simplesmente destruir o Autódromo e colocá-lo abaixo porque se pressupõe que as instalações do circuito estão em colapso total.

Logicamente a pretensão da PRO e do “Macrismo” já provocou reações nas redes sociais entre os amantes do automobilismo. As “tuercas” se manifestaram contrárias à demolição do Autódromo de Buenos Aires e pelo menos um dos ídolos locais, o ex-piloto Oswaldo “Cocho” López, fez críticas contundentes à ideia.

“A pessoa que escreveu o projeto não sabe nada da história do automobilismo argentino. Acho melhor que ela pense em outra alternativa para fazer a reciclagem de lixo. Quem sabe na frente de sua própria casa”, atacou “Cocho”. “Se os vizinhos não gostam da iniciativa, que busquem então outros lugares, mais longe do Autódromo e adequados para esse fim”, disse.

“O Autódromo Hermanos Gálvez é um ícone do esporte, conhecido pelos aficcionados como o ‘Luna Park do automobilismo’. O que querem fazer com a pista é algo parecido com a demolição de La Bombonera (estádio do Boca Juniors, presidido no passado por Mauricio Macri) para se erguer uma fábrica de sapatos”, finalizou “Cocho” em entrevista a rádio La Red.

Em tempo: cabe observar que o governo de Mauricio Macri à frente da prefeitura de Buenos Aires não é propriamente íntegro. Há várias queixas-crime de abuso de autoridade, fraude, coerção e corrupção. Não obstante, existem suspeitas de que a campanha do político tenha sido financiada pelo tráfico de drogas e pela rede de prostituição da capital. Também houve acusações de espionagem contra Sergio Burstein, líder da comunidade judaica que foi contrário à nomeação de Jorge Alberto Palacios como chefe de polícia de Buenos Aires, por conta de suas conexões com ataques terroristas.

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