30 anos do bi, parte XIV – GP da Europa de 1983

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RIO DE JANEIRO – A 35ª edição do Grande Prêmio da Europa foi a solução para cobrir uma brecha no calendário da temporada de 1983: com o cancelamento de uma corrida marcada para o Velho Continente, a FISA apelou para a realização de mais uma prova na Inglaterra, desta feita no Autódromo de Brands Hatch, que recebia nos anos pares o GP da Inglaterra, com seus 4,206 km de extensão.

Todo mundo no paddock sabia que esta seria uma corrida sob medida para as equipes com sede justamente em território inglês. E nada melhor para Nelson Piquet, a míseros cinco pontos de Alain Prost, do que derrotar o rival na reta final da temporada, que ainda teria sua última etapa em Kyalami, na África do Sul. A Brabham continuou o desenvolvimento do BT52B, incorporando à aerodinâmica do carro as mini-asas traseiras que a Ferrari já inaugurara desde o início da segunda metade do campeonato. A Renault fez o mesmo, mas o resultado foi bem distinto que o de sua rival.

Trinta carros foram inscritos, com a Williams dispondo de um terceiro veículo para Jonathan Palmer, campeão europeu de Fórmula 2 e do inglês de Fórmula 3. A Tyrrell colocou na pista o segundo chassi 012 para Danny Sullivan e a McLaren, que chegou a inscrever um MP4/1C para Stefan Bellof, mudou de idéia e assim foram 29 pilotos para os treinos oficiais.

Treinos

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Nem Brabham, nem Renault, muito menos Ferrari: a pole position foi da Lotus, com Elio de Angelis, que pela primeira vez se classificava na posição de honra do grid. Os pneus Pirelli renderam como nunca em Brands Hatch, proporcionando ao piloto italiano bater o compatriota Riccardo Patrese numa qualificação muito disputada: Elio virou em 1’12″092 contra 1’12″458 do piloto da Brabham.

Outra mostra do bom potencial do conjunto Lotus/Renault/Pirelli foi que Nigel Mansell fez o 3º tempo, dividindo a segunda fila com Nelson Piquet. Somente em quinto lugar é que vinha o primeiro dos rivais do brasileiro: René Arnoux, com Tambay em sexto e Alain Prost amargando o oitavo posto, surpreendentemente mais lento que o companheiro Eddie Cheever.

Nesta altura, com os motores turbo soberanos, a Williams anunciava para a última prova do ano a estréia dos motores Honda numa versão remodelada do FW08. Ainda com os motores convencionais, Keke Rosberg não foi além do 16º tempo, sendo o melhor da turma dos motores Cosworth, aos quais se juntava ainda o V12 da Alfa Romeo equipando os lentos Osella. Um deles, o de Corrado Fabi, não se classificou, junto com Kenny Acheson (o primeiro reserva, por menos de 1 décimo de segundo) e Jacques Laffite, que acabou de fora pela segunda corrida seguida – e desta vez com o 29º e último tempo. Raul Boesel colocou a sua Ligier na 23ª posição.

Corrida

Riccardo Patrese partiu melhor que Elio de Angelis e assumiu a liderança após a luz verde, com Mansell mantendo a 3ª posição adiante de Piquet. As surpresas foram Eddie Cheever e Manfred Winkelhock fechando os seis primeiros na primeira volta. Arnoux, Prost e Tambay vinham respectivamente em sétimo, oitavo e nono.

Mansell não tardou a perder rendimento em sua Lotus: foi superado por Piquet e depois perdeu posições para Cheever, Prost e Arnoux. Na dianteira, Patrese e de Angelis brigavam palmo a palmo e o brasileiro da Brabham vinha em terceiro, controlando a corrida dos rivais e esperando pacientemente a vez de assumir a liderança.

E isso aconteceu mais cedo do que se imaginava: na 11ª volta, de Angelis tentou uma manobra considerada ‘otimista demais’ de ultrapassagem e bateu com Patrese. Os dois rodaram e Piquet passou ileso pelo incidente, vindo para primeiro com Patrese, já com problemas, em segundo. Prost invertera posições com Cheever por ordens da equipe e era o terceiro. Arnoux vinha em quinto e Elio de Angelis caiu para sexto antes de desistir definitivamente.

Patrese não pôde conter a investida de Alain Prost por muito tempo: na 15ª passagem, a Renault amarela despontou em segundo, entre os dois pilotos da Brabham. Pouco depois, René Arnoux saiu completamente da disputa em razão de graves problemas mecânicos em sua Ferrari. O francês voltou à pista em décimo-nono, enquanto Nigel Mansell, em boa recuperação, herdava sua posição, à frente de Patrick Tambay.

Na volta 35, Cheever foi aos boxes para reabastecer e trocar pneus, voltando em sétimo. Patrese fez o mesmo três passagens mais tarde, mas sua parada foi muito complicada e o italiano regressou apenas em 10º lugar. Com 40 voltas completadas, Piquet liderava trazendo Prost em segundo, Mansell em terceiro, Tambay em quarto, Derek Warwick em quinto e Keke Rosberg em sexto.

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Prost fez seu pit na 42ª volta e uma volta depois, foi a vez de Mansell ingressar nos boxes para o trabalho dos mecânicos da Lotus, cedendo a quarta posição para Bruno Giacomelli, em sua melhor corrida de toda a temporada. Mas o italiano da Toleman não tardaria a parar, assim como Patrick Tambay. E pouco depois, Nelson Piquet, o líder absoluto, fazia seu reabastecimento para voltar à pista ainda em primeiro.

A corrida ainda reservaria uma reviravolta no resultado na sua reta final. Com as posições praticamente definidas após os pit stops, Piquet liderava sossegado, com Prost em segundo e Tambay controlando os ataques do impetuoso Nigel Mansell. Com este resultado, o francês da Ferrari ainda tinha chances matemáticas na disputa pelo título. Mas na 66ª volta, em razão de um problema de freios, Tambay perdeu a terceira colocação para Mansell e um pouco depois, ele perdia o controle do carro para bater forte, de frente, numa proteção de pneus.

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Isto possibilitou a Andrea de Cesaris subir para quarto, trazendo atrás de si os dois carros da Toleman, com Derek Warwick (que em 1982 fez uma corrida monumental em Brands Hatch) e Bruno Giacomelli. E ao fim de 76 voltas, Nelson Piquet chegava ao segundo triunfo consecutivo, subindo para 55 pontos – dois somente atrás de Alain Prost. Além deles, René Arnoux, com 49 pontos, era o único com chances matemáticas (mas meramente retóricas) de ser campeão mundial.

Um final eletrizante e uma reação impressionante de Nelson Piquet, que desconcertou os franceses, já resignados com as palavras confiantes do campeão mundial de 1981.

O resultado final do GP da Europa de 1983:

1. Nelson Piquet (Brabham BT52B BMW Turbo) – 76 voltas em 1h36min45s265, média de 198,254 km/h
2. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – a 6s571
3. Nigel Mansell (Lotus 94T Renault Turbo) – a 30s315
4. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – a 34s596
5. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – a 44s915
6. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – a 52s190
7. Riccardo Patrese (Brabham BT52B BMW Turbo) – a 1min12s684
8. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – a 1 volta
9. René Arnoux (Ferrari 126C3 Turbo) – a 1 volta
10. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – a 1 volta
11. Thierry Boutsen (Arrows A6 Cosworth) – a 1 volta
12. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – a 1 volta
13. Jonathan Palmer (Williams FW08C Cosworth) – a 2 voltas
14. Stefan Johansson (Spirit 201C Honda Turbo) – a 2 voltas
15. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – a 3 voltas
16. Patrick Tambay (Ferrari 126C3 Turbo) – AB/67 voltas/freios
17. Michele Alboreto (Tyrrell 012 Cosworth) – AB/64 voltas/motor
18. Pier Carlo Ghinzani (Osella FA1E Alfa Romeo) – 63 voltas (*)
19. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – AB/50 voltas/motor
20. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – AB/43 voltas/motor
21. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/39 voltas/embreagem
22. John Watson (McLaren MP4/1E TAG Porsche Turbo) – AB/36 voltas/acidente
23. Danny Sullivan (Tyrrell 012 Cosworth) – AB/27 voltas/incêndio
24. Niki Lauda (McLaren MP4/1E TAG Porsche Turbo) – AB/25 voltas/motor
25. Elio de Angelis (Lotus 94T Renault Turbo) – AB/12 voltas/acidente
26. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – AB/não completou a 1ª volta/caixa de câmbio

(*) não completou 90% da distância, mas recebeu a quadriculada

Classificação do Mundial de Pilotos: 1. Alain Prost – 57 pontos; 2. Nelson Piquet – 55; 3. René Arnoux – 49; 4. Patrick Tambay – 40; 5. Keke Rosberg – 25; 6. John Watson – 22; 7. Eddie Cheever – 21; 8. Niki Lauda – 12; 9. Jacques Laffite – 11; 10. Nigel Mansell e Michele Alboreto – 10; 12. Andrea de Cesaris – 9; 13. Derek Warwick – 6; 14. Riccardo Patrese e Marc Surer – 4; 16. Mauro Baldi – 3; 17. Danny Sullivan e Elio de Angelis – 2; 19. Bruno Giacomelli e Johnny Cecotto – 1 ponto.

Mundial de Construtores: 1. Ferrari – 89 pontos; 2. Renault – 78; 3. Brabham – 59; 4. Williams – 36; 5. McLaren – 34; 6. Alfa Romeo, Lotus e Tyrrell – 12; 9. Toleman – 7; 10. Arrows – 4; 11. Theodore – 1 ponto.

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9 respostas em “30 anos do bi, parte XIV – GP da Europa de 1983

  1. Quando tudo parecia perdido, o Brabham BT52B do Piquet começa a andar muito, deixando a francesada louca.

      • Obrigado! Já estava pensando que era a de 1983, tanto que a série está no final e não havaia sido comentado nada.

  2. E essa foi a última corrida da Theodore,apenas com Roberto Guerrero,já que por conta das dificuldades financeiras,Johhny Ceccoto acabou dispensado.

      • e essa também foi a última corrida do Guerrero na F1,em 84 passaria a correr na Indy e mais tarde na Nascar.

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