Vídeos históricos – a primeira dobradinha brasileira na F-1 (1975)

RIO DE JANEIRO – Mais um vídeo clássico com grandes recordações do GP do Brasil de Fórmula 1. Em 1975, a primeira dobradinha de pilotos do país. E logo em Interlagos.

José Carlos Pace venceu, pela primeira – e única – vez na categoria máxima, com Emerson Fittipaldi em segundo. O público explodiu em júbilo, um mar de braços e bandeiras num domingo histórico – 26 de janeiro.

Na narração, Luciano do Valle. E os comentários eram de José Maria “Giu” Ferreira. Aos que estranham, fica a dica: Reginaldo Leme só estrearia como comentarista na televisão no fim dos anos 70. À época, ele cobria a F-1 pelo Estado de S. Paulo.

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15 respostas em “Vídeos históricos – a primeira dobradinha brasileira na F-1 (1975)

  1. Muito legal ouvir a voz do Giu, meu professor na Escola de Pilotagem Santa Fúria, preciso como sempre, informando a marcha e a velocidade em cada trecho da pista.
    Nunca esqueço quando eu tava chateado e prá baixo depois de voar prá fora da pista e quebrar um Fitti-vê, e você me consolou, dizendo: “só acontece com quem acelera!” Esse era o Giu, grande cara. R.I. P., velho, saudades daqueles tempos…

    • Giu também comentou com grande categoria a temporada de 1980 na Bandeirantes. Saudade das informações precisas e dos comentários pertinentes.

    • Rs,rs. bons tempos mesmo, Alvaro.

      Falando em incidentes no autodromo, naquele tempo o Giu capotou o Fusca de uma amigo meu, dando cavalo de pau no patio de terra, em frente ao autodromo. Foi dar um cavalo de ré e caiu numa daquelas valas que tinha no estacionamento.
      Naquele dia o amigo do carro capotado treinou com a Berlinetta do Santa Furia, Ele nunca tinha guiado uma Berlinetta antes, e só tinha dado umas 10 voltas no traçado antigo, com o referido Fusca. Pra surpresa do Giu, depois de pouquíssimas voltas com o Interlagos, baixou – e muito – o tempo do Giu com aquele carro ! O Giu, sentado ao lado, desceu do carro impressionado com a tocada do cara. Era um bota, uma incrível habilidade natural, um diamante não lapidado, que ficou como potencial inexplorado. Chamava-se Antonio Moutinho, e fez apenas 11 corridas oficiais, muito espaçadas entre si, com carros não muito competitivos. Mas, nestas poucas provas, sempre impressionou pela tocada fortissima.

      Por uma dessas curiosidades da vida, ele e o Giu “foram embora” muito cedo, ambos com a mesma idade (50 anos) pela mesma doença, no mesmo orgão.

      Antonio

      • Tem certeza de que era uma Berlinetta ? Não era um puma vw ?

  2. Caramba, fui falar do amigo, não falei do assunto do post.
    Eu estava lá !!! Via a largada do alambrado entre a 1 e a 2, e pude ver que o Moco, que não tinha largado bem, vai por fora e ultrapassa uma Ferrari e uma McLaren, pra sair da 2 já em terceiro. Quando ele ultrapassou o Lole (que já tinha sido passado pelo Jarier) na freada da # Interlagos foi a loucura !
    Depois foi assistir a corrida solitária do Jarier, naquele foguete da Shadow que só foi rapido em 2 corridas (que dizer, na Argentina nem largou…), até quebrar. Outra vez Interlagos enlouqueceu.
    O Moco, que corria sozinho em segundo so teve de controlar o Emrson, que vinha acelerando muito no final, e ir pra bandeirada com boa vantagem.

    Naquele FDS Interlagos estava cheio de torcedores do Moco, tinha até uma torcida organizada, com camisetas e tudo. Era o dia dele. Tava um calor insuportavel, não tinha mais nem agua pra beber no autodromo, mas ninguém sentia sede, Ninguem queria ir embora, todo mundo so queria comemorar, cada um do seu jeito, a vitoria de um Grande !!!

    Eu já estava chorando desde a penúltima volta, pela antevisão da vitoria do Idolo maior da epoca (e até hoje, junto com Bird e Gilles!!!). Cronometrava em varios pontos por volta a diferença para o Emerson, que vinha caindo. Achava que os amortecedores traseiros do BT 44 tinham perdido a ação, achava que os pneus dianteiros já tinham acabado (defeito cronico do carro), via fantasmas onde não havia, e pedia a Deus que não deixasse a Brabham quebrar agora !!!! Era o pavor pelo famoso azar do Moco.

    Quando eu vi o autodromo entrar em ebulição, e o Pace surgir acenando pro publico entre a 1 e a 2, “desabei” de vez. eu chorava de soluçar, abraçado no pescoço da minha mulher, não tinha forças nem pra pular. Fui correndo pra area do podio, mas era tanta gente que eu não via nada.
    Mesmo assim não fui embora do autódromo, fiquei ali comemorando, como se, com a minha presença, pudesse partilhar da alegria e da comemoração (tardia demais, ele já devia ter ganho antes. E depois também) daquele Grande Piloto.
    O Luis Antonio Grecco disse uma vez que que só tinha visto 3 ET’s guiando, e que o Moco era um dos 3, junto com Clark e Senna (tá no You Tube). E o Trovão sabia das coisas !!! O Trovão conhecia a tocada do Moco desde os primórdios, e era abalizado o suficente pra avaliar.

    Pra mim o Moco foi um dos maiores de todos os tempos, um grande injustiçado, pela sorte e pela historia. Um dos pilotos mais “underrated” de todos os tempos, junto com Amon e Bellof.

    Eu não sabia, naquele dia, que seria a unica vitoria do Moco na F1 (algumas vitorias certas escaparam depois, injustamente, como na Argentina em 77). Nem que a proxima vez que eu iria chorar daquele jeito, por conta de um fato ligado a corridas de carros, seria 2 anos e 2 meses depois, no dia daquele estupido acidente de avião.

    Moco, o Campeão Mundial sem Titulo, não poderia haver titulomelhor para abigrafia dele. Leiam.

    Antonio

  3. A Globo abriu mão da f1 achando que estava acabada pro Brasil, a Band transmitiu todo campeonato com Galvão Bueno e Giu Ferreira, ainda bem porque vimos surgir o nosso campeão Nelson Piquet.

    • O que eu sei e compreendo da história da Globo e televisionamento de F1 é o seguinte : Após a massiva repercussão do primeiro título mundial de F1 do Emerson em 1972, a Globo enxergou a F1 como um produto valioso para exposição ao seu já enorme e massivo publico e para poder fechar seus acordos e contratos de televisionamento teve que ter o aval do orgão que regia o automobilismo. O presidente deste orgão não condicionou contratualmente a Globo a televisionar tambem e em paralelo uma ou duas categorias nacionais ( e êle fora orientado e alertado pelo realizador e visionário piloto/construtor campeão: O carioca Ricardo Achcar que o havia iniciado no automobilismo em 1967) e tínhamos naquele momento a efervescente e reluzente Formula Super Vê (uma verdadeira F3) e categoria FIA de onde saiu alguns anos depois campeão e bem preparado ninguem menos do que o Piloto Nelson Piquet que seguiu para a Inglaterra e alcançou se tornar Tri Campeão de F1 (resumindo). Estávamos em um patamar internacional na tecnologia de automobilismo no Brasil e aqui se construí-a monopostos em monocoque que derrotaram massivamente chassis de competição penta campeão europeu e tambem se realizou o primeiro (e até hoje único) projeto de F1 brasileiro :o Coopersucar e depois Skol dos corajosos irmãos Fittipaldi . Quatro décadas depois a Globo ganhou e continua ganhando bastante dinheiro com o maior publico televisivo de automobilismo de F1 e o automobilismo interno Brasileiro segue bem morimbundo, salvo alguns suspiros ali ou lá porque aqui no Rio, tambem outrora berço de muito acontecimento relevante e determinante, vislumbra-se que nunca mais . . . .

  4. Muito bom texto,
    Mas faltou algo, de 75 pra frente. Desde de a Argentina – rodou no pó quimico do extintor que apagou o incendio do Copersucar quando tinha passado o Lole e estava na liderança, e fez uma prova de recuperação fantastica, até a Brabham quebrar, o que fez os Argentinos criarem a alcunha de Pace Corazon – ele foi consistentemente mais rápido que o Reutemann, principalmente nas primeiras voltas de cada corrida, antes de os pneus dianteiros do Brabham BT44 irem pro vinagre, como de habito. O BT44 foi feito ao redor de Reutemann, e era um carro que tinha uma tendencia forte a sair de frente, fato que o Argentino adorava e o brasileiro detestava (normal, pra quem é bom de braço). Pace chegou a comentar que o carro, regulado para o jeito de guiar do Reutemann, era terrivel !!! Conforme ele foi entendendo o carro e ajustando essa tendencia, ele foi ficando mais rapido , e já antes do meio do ano o Status de primeiro piloto do Argentino já não era mais notado. Em Nurburgring Moco foi o único piloto com motor Ford a virar em 7 min. duro, colocando 1,3/1,4 seg nas Tyrrel, 1,8 na Mclaren de Mass e 2,7 na de Emerson, e, pasmem, 4 seg por volta no companheiro de equipe. Reutemann venceu pois foi o único piloto que nao furou pneus longe dos boxes…
    Em 76, Pace andou constantemente na frente do companheiro, com o “caminhão” que era o primeiro BT45, até o argentino desistir e deixar a Brabham. Mas foi um ano pessimo para a equipe, desenvolvendo o carro.
    Em 77 com o carro acertado, era pra ter vencido na Argentina. Liderou a maior parte da prova a mas passou a andar devagar nas ultimas 4-5 voltas, sendo ultrapassado por Scheckter , que vinha longe, com a estreante Wolff. Todo mundo achava que o carro tinha tido algum problema, mas não, era o Moco que tinha ficado desidratado e tonto, por conta do calor reinante. No Brasil, foram os pneus que não aguentaram o ritmo que o Moco imprimiu pra tentar segurar o Hunt, de McLaren M26 (campeão no final do ano), Todo mundo esperava que quando chegasse a temporada europeia, o com temperaturas mais baixas, o Moco fosse deslanchar e vencer de novo, só que o acidente de avião não deixou. Por capricho do destino, Watson venceu a Corrida dos Campeões com o carro, no dia da morte do Moco…
    As performances do Watson com o BT-45 mostraram o que poderia ter acontecido, se o Moco tivesse chegado a Europa. Era o ano dele…

    A falta de sorte foi um componente sempre presente na carreira do Moco…

    Antonio

    • Muito lindo de se ler esses seus comentários, Antonio. . .
      Mostram o tamanho de sua devoção (muito merecida), pelo grande José Carlos Pace.
      Abs.
      Zé Maria

  5. Jose Mauricio,

    Voce tem razao, a memoria me traiu: Watson não venceu. A noticia da morte do Moco chegou em Brands antes da largada da Corrida dos Campeões, onde Watson LARGARIA NA POLE com o BT-45 Alfa Romeo.

    Fiz confusão, desculpe.

    Antonio.

  6. Só para fazer justiça aos que participaram e êste tambem estava em uma categoria que foi muito importante para os pilotos brasileiros (a Formula Vê de 1967/68), pois foi dela que saiu a base dos pilotos (excetuando o grande Luiz Pereira Bueno) que foram os pioneiros e brilharam na Inglaterra (Formula Ford Inglesa) em 1968/69. O Marivaldo Fernandes andou várias vezes no bôlo da frente em 67, integrava o ” Fittipaldi Team ” da Vê em 67 e estava junto com o Môco naquele fatal acidente aéreo em aeronave de pequeno porte

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