Direto do túnel do tempo (146)

575391_10152463449214782_1772846685_nRIO DE JANEIRO – A bordo do Penske PC1 Cosworth #28 que ilustra essa foto, está aquele que é considerado um dos grandes pilotos da história do automobilismo dos EUA: Mark Donohue.

O “Capitain Nice” nasceu em New Jersey em 1937 e chegou tarde à Fórmula 1, aos 34 anos. Mas já nos anos 60, corria nas provas do Sports Car Club of America (SCCA), sendo requisitado também para andar no Ford GT40, no Lola T70 pintado com a característica cor azul-escura da Sunoco, com Ferrari 512 e também na Trans-Am.

Como piloto da equipe de Roger Penske, disputou cinco edições da Indy 500 entre 1969 e 1973, vencendo a prova em 1972 num McLaren M16 com motor Offenhauser. Também matou a tapa na Série Can-Am a bordo de uma lenda das pistas, o Porsche 917/30 com potência estimada em 1.100 HP em banco de provas.

Sua estreia na categoria máxima foi surpreendente: numa aparição isolada durante o GP do Canadá de 1971 com um McLaren M19 Cosworth, o piloto chegou em 3º no circuito de Mosport. Depois disto, só reapareceria no fim do Mundial de 1974, nos GPs do Canadá e EUA, já com o primeiro carro construído pela Penske e desenhado por Geoff Ferris.

Após marcar o 5º lugar com o PC1 no GP da Suécia, Mark Donohue passou a dispor de um March 751 modificado, que Roger Penske rapidamente passou a chamar de Penske PC2. Infelizmente foi a bordo desse carro em que o piloto sofreu um grave acidente em 17 de agosto, durante o warm up do GP da Áustria, em Zeltweg.

O piloto largaria da 20ª posição do grid e acertava o carro para as condições de pista no dia da corrida. Subitamente, algo aconteceu com um dos pneus do PC2 de Donohue e o piloto bateu forte na curva Hella-Licht, no fim da reta. O carro atravessou as telas de proteção e passou voando pelo guard-rail, caindo num barranco.

Donohue foi retirado lúcido e alerta dos destroços do carro – que provocaram inclusive a morte de um fiscal – mas o helicóptero que o levaria de Zeltweg a um hospital das proximidades, em Graz, não era pressurizado, o que complicou as coisas. Mark sentiu fortes dores de cabeça e começou a vomitar, um claro sinal de lesão cerebral. O piloto entrou em coma e, com hemorragia, morreu em 19 de agosto de 1975.

A viúva de Mark Donohue, Eden, entrou com uma ação contra a Goodyear, culpando o fabricante de pneu pela morte do marido. Foi uma longa batalha nos tribunais, que durou mais de uma década. Apenas em 10 de abril de 1986 o tribunal de Providence, no estado de Rhode Island, sentenciou a indenização que a Goodyear teria que pagar à viúva e aos dois filhos do piloto: US$ 9,6 milhões.

Há 38 anos, direto do túnel do tempo.

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