O fim de uma era

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RIO DE JANEIRO – Neste domingo, no Autódromo Internacional de Curitiba, em Pinhais, chega ao fim a trajetória de mais de duas décadas e meia do Campeonato Sul-Americano de Fórmula 3, cuja última edição foi uma das mais melancólicas de sua história.

Com gênese na Fórmula 2 Codasur, a F-3 continental estreou em 26 de abril de 1987, no Autódromo de Cascavel, com vitória do brasileiro Leonel Friedrich, que se consagraria campeão da primeira temporada. Eram tempos onde os argentinos, nossos eternos rivais, ainda davam as cartas.

A rivalidade existiu pelo menos até 1998, com o auge em 1993, quando num campeonato cheio de polêmicas – de todos os lados – Fernando Croceri ganhou de presente de seus compatriotas – Gabriel Furlán, Fabián Malta e Guillermo Kissling, dentre outros – o título que, por mérito, não seria dele e sim de Hélio Castroneves. Isso provocou a criação de uma Fórmula 3 brasileira em 1994 – e que será revivida em 2014.

Pelo menos é o que querem a Vicar e a CBA: a “nova” categoria oferece o mesmo pacote técnico – chassi Dallara F301 para a classe Light e os modelos F308/309 para a divisão principal, com custos entre R$ 195 e 450 mil.

Eu gostaria que desse certo, porque o automobilismo brasileiro está perdendo – se é que já não perdeu – sua vocação para celeiro de talentos do esporte a motor. Não somos mais o mesmo país que teve nesta Fórmula 3 continental nomes como o próprio Castroneves, Ricardo Zonta, Christian Fittipaldi, Bruno Junqueira, João Paulo de Oliveira, Oswaldo Negri, Affonso Giaffone Neto, Luiz Razia, Vítor Meira, Nelsinho Piquet, Lucas Di Grassi, Danilo Dirani e tantos outros. Sem contar Rubens Barrichello, que passou por lá, fez três corridas e venceu.

Neste ano, a categoria teve momentos tristíssimos, como a disputa de uma corrida na Argentina com apenas seis carros. Em Curitiba, na última rodada dupla, só nove pilotos participaram. Felipe Guimarães foi o campeão antecipado da divisão principal e o argentino Bruno Etman ganhou a classe Light. Se nós tivéssemos memória, o blog homenagearia com fotos todos os campeões da Fórmula 3 sul-americana desde 1987. Mas como isso será impossível, vamos registrar cada um dos vitoriosos.

Todos os campeões da F-3 Sul-Americana:

1987
Leonel Friedrich (Brasil)
INI Competición – Berta Volkswagen

1988
Juan Carlo Giacchino (Argentina)
Equipe Sommi-Zanon – Dallara Alfa Romeo

1989
Nestor Gabriel Furlán (Argentina)
Equipe Sommi-Zanon – Dallara Alfa Romeo

1990
Christian Fittipaldi (Brasil)
Fittipaldi Racing – Reynard Alfa Romeo

1991
Affonso Giaffone Neto (Brasil)
INI Competición – Ralt Volkswagen

1992
Marcos Gueiros (Brasil)
Cesário Fórmula – Ralt Mugen Honda

Suzane Carvalho (Brasil) *
Rullo Competición – Reynard Volkswagen

1993
Fernando Croceri (Argentina)
Cesário Fórmula – Ralt Mugen Honda

Milton Sperafico (Brasil) *
Sperafico Competições – Reynard Volkswagen

1994
Nestor Gabriel Furlán (Argentina)
GF Motorsport – Dallara Fiat

1995
Ricardo Zonta (Brasil)
Cesário Fórmula – Dallara Mugen Honda

Emiliano Spataro (Argentina) *
GF Motorsport – Dallara Fiat

1996
Nestor Gabriel Furlán (Argentina)
GF Motorsport – Dallara Fiat

Anibal Zaniratto (Argentina) *
RC Motorsport – Dallara Fiat

1997
Bruno Junqueira (Brasil)
PropCar Racing – Dallara Opel

Diego Chiozzi (Argentina) *
GF Motorsport – Dallara Fiat

1998
Nestor Gabriel Furlán (Argentina)
GF Motorsport – Dallara Mitsubishi HKS

Ramón Ibarra (Chile) *
Werner Competición – Dallara Fiat

1999
Hoover Orsi (Brasil)
Cesário Fórmula – Dallara Mugen Honda

João Paulo de Oliveira (Brasil) *
Cesário Fórmula – Dallara Mugen Honda

2000
Vítor Meira (Brasil)
Amir Nasr Racing – Dallara Mugen Honda

Martin Cánepa (Uruguai) *
Cesário Fórmula – Dallara Mugen Honda

2001
Juliano Moro (Brasil)
Amir Nasr Racing – Dallara Mugen Honda

Daniel Scandian (Brasil) *
Cesário Fórmula – Dallara Mugen Honda

2002
Nelsinho Piquet (Brasil)
Piquet Sports – Dallara Mugen Honda

Duda Azevedo (Brasil) *
Cesário Fórmula – Dallara Mugen Honda

2003
Danilo Dirani (Brasil)
Cesário Fórmula – Dallara Mugen Honda

Rodrigo Ribeiro (Brasil) *
Dragão Motorsport – Dallara Mugen Honda

2004
Xandinho Negrão (Brasil)
Piquet Sports – Dallara Mugen Honda/Dallara Berta

Marcos Guerra (Brasil) *
Cesário Fórmula – Dallara Mugen Honda

2005
Alberto Valério (Brasil)
Cesário Fórmula – Dallara Berta

Paulo Meyer (Brasil) *
Casagrande Racing – Dallara Mugen Honda

2006
Luiz Razia (Brasil)
Razia Sports – Dallara Berta

Caio Costa (Brasil) *
PropCar Racing – Dallara Opel

2007
Clemente de Faria Jr. (Brasil)
Cesário Fórmula – Dallara Berta

2008
Nelson Merlo Neto (Brasil)
Bassani Racing – Dallara Berta

2009
Leonardo Cordeiro (Brasil)
Cesário Fórmula – Dallara Berta

Henrique Martins (Brasil) *
Cesário Fórmula – Dallara Berta

2010
Bruno Andrade (Brasil)
Cesário Fórmula – Dallara Berta

Fernando “Kid” Rezende (Brasil) *
Cesário Fórmula – Dallara Berta

2011
Fabiano Machado (Brasil)
Cesário Fórmula – Dallara Berta

Bruno Bonifácio (Brasil) *
Cesário Fórmula – Dallara Berta

2012
Fernando “Kid” Rezende (Brasil)
Cesário Fórmula – Dallara Berta

Higor Hoffman (Brasil) *
Cesário Fórmula – Dallara Berta

2013
Felipe Guimarães (Brasil)
Hitech Racing – Dallara Berta

Bruno Etman (Argentina) *
Cesário Fórmula – Dallara Berta

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14 respostas em “O fim de uma era

  1. Uma correção: em 1994 o campeão foi Cristiano da Matta. Depois do final de campeonato espetacular de Heliocastroneves em 93, com quatro vitorias seguidas e a perda do título por causa do fato mencionado no post, Helinho iniciou o ano como favorito. Não contava com o desempenho soberbo de Cristiano, entao campeão da finada fórmula ford. Levou uma surra e novamente teve que se contentar com o vice.

    • Meu caro Pedro, você não entendeu: Cristiano da Matta foi campeão da Fórmula 3 BRASILEIRA. Nestor Gabriel Furlán ganhou sim o certame sul-americano, que aconteceu em 1994 e não teve a presença de pilotos brasileiros – exceto do Augusto Cesário.

  2. O Autódromo Internacional de Curitiba se localiza no Município de Pinhais, e não em São José dos Pinhais.
    Abraço.

  3. O Brasil plantando seu calvario no automobilismo mundial….bom a Alemanha demorou 45 anos para ter um Schumacher que digamos “”passou o bastao”” para Vettel…. 11 Titulos so os 2 tem 130 vitorias na F1 …..e o Brasil esta a passos largos de cair num esquecimento , na sucata do automobilismo mundial , podem chorar Sennistas , piquetistas , Fitiipaldistas o que for …. mas a realidade e clara nossos dirigentes, empresas e investidores disseram um” FODA se ” para a historia do Brasil no automobilismo mundial

  4. Quando eu fui na abertura da F3 Sudam em Brasilia, em 2009, e vi que só tinha eu e mais umas três famílias que estavam no autódromo que eram de torcedores e não de familiares de pilotos ou algo do tipo aí eu vi o tamanho da encrenca que é organizar a F3. Tinham que fazer isso mesmo. Boa sorte para eles.

  5. Rodrigo no facebook no grupo F3 SUDAM história eu postei fotos de todos os campeões, pega lá , tem ano a ano. Um abraço.

  6. Uma pena, mas parece que a F3 vai morrendo também na Inglaterra. A F3 open e a Euro F3 também não vejo grande futuro, mas é pena. Dos pilotos campeões gostei muito da pilotagem do Friedrich. O que é feito dele? Desculpem minha ignorância. Acho que a CBA podia pensar em criar uma categoria, se possível é claro, com estes novos carros da categoria LMP3. Estão dizendo que o custo vai rondar os €150000 com baixo custo de operação e manutenção. Isso dá uns R$450000 com custos de aquisição, mas o carro parece atraente para o público assistir, muita área para patrocínio. Sei lá. É só uma idéia. O ideal mesmo era que também criassem uma categoria “GP4” para os jovens, usando os mesmos carros da GP3, mas com uns motores mais baratinhos e com menos potência. Isso teria uma lógica de evolução natural para a GP3 series, que este ano até deu um piloto para a F1. E o que era ideal mesmo eram obras a sério nos autódromos brasileiros com dinheiro privado. Qualquer micareta, carnaval fora de época, buda lele, etc etc tem patrocinios milionários das empresas.

  7. Como o Fernando Lima citou lá em cima: tá na mão da Vicar. . .então já viram, né. . .socooooorro!!

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