Fim da linha para o Gran Turismo no Brasil

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RIO DE JANEIRO – Um passarinho acaba de me contar via Facebook algo que muita gente desconfiava que já estava encaminhado, mas pelo visto será oficial: não teremos mais corridas de Gran Turismo no Brasil em 2014.

A mim, só cabe lamentar. É mais uma competição que engrossa a lista das “finadas” na atual administração da Confederação Brasileira de Automobilismo. Mas, nesse caso, cabe eximir a CBA de culpa pelo fim desta competição. Os problemas vão muito além e se avolumaram ao longo deste ano. A categoria não conseguiu reunir interesse de muitas equipes, ninguém trouxe carros novos e – vamos e venhamos – a questão do regulamento foi um dos acontecimentos que mais interferiu no fim do Gran Turismo por essas plagas.

No começo, em 2007, quando o campeonato foi criado, ele seguia as normas de Balanço de Performance da SRO, que foi sócia do evento durante algum tempo. Quando a SRO foi jogada para escanteio, as coisas começaram a degringolar e era questão de tempo que o barco afundasse. A Loyal Sports, pelo visto, não soube segurar o rojão e o resultado está aí. Mais uma competição morta e enterrada no automobilismo brasileiro, onde os últimos campeões foram Marcelo Hahn (GT3), Pierre Ventura/Cristiano “Tigrinho” Almeida (GT Premium) e William Freire/Duda Oliveira (GT4).

É uma pena. Chegamos a ter 34 carros no grid de uma das corridas – eu, inclusive, estava presente nessa ocasião e em dois anos, tudo acaba. E pensar que muitos de nós envolvidos com o esporte achamos que esta categoria, um dia, bateria a Stock Car como a mais competitiva e espetacular do país.

À exceção honrosa da Fórmula Truck, muito bem conduzida pelos que herdaram o campeonato das mãos de Aurélio Batista Félix, caminhamos para a praga chamada monomarca em terras tupiniquins (e que fique claro que a Porsche Cup é uma exceção porque sua fórmula é idêntica a de campeonatos já existentes há pelo menos 20 anos) – e com cada vez menos gente envolvida no automobilismo e mais categorias nas mãos de um grupo restrito.

É uma vergonha que isso esteja acontecendo em tempos de diversidade no resto do mundo.

O Brasil é a vanguarda do atraso.

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31 respostas em “Fim da linha para o Gran Turismo no Brasil

  1. Pô, Mattar! É até sacanagem! Posta uma notícia de um grid de 70 carros GT em Dubai e logo em seguida outro post com o fim da GT Brasil…

    Vai bem o automobilismo brasileiro.

  2. “A categoria Stock Car está com seus dias contados”
    (Frase de abertura da matéria “Dias de trovão”, cuja pauta era o surgimento da GT3 Brasil. Publicada em Playboy, edição 390, novembro, 2007, página 152).

  3. Prezado Rodrigo, uma pena.
    Uma categoria que teve tudo para dar certo, mas como sempre, o amadorismo impera. Vou me limitar a estas linhas..

  4. Eu já tinha comentado em outro tópico deste sítio, os efeitos que a “Perestroika Collorida” (desenfreada, impensada e irracional) causaria no cenário industrial automotivo nacional (Algo mais ou menos na linha do “………eu te disse, eu te disse, eu te disse!….ou “Eu já sabia!”).

    Eu não ia citar,…………mas sou obrigado a lembrar os “agravantes” copa padrão FIFA e olimpíadas padrão “padrão COI”, (Não deveria ser assim, mas isso virou um rebanho de bodes expiatórios pra jogar

    A coisa funciona mais ou menos assim:
    – Alguns preferem gastar uns R$ 1.000,00 num único ingresso pra ver o Brasil jogar num estádio lotado pra diabo (porque é ao vivo e porque terá só aquela oportunidade) do que comprar um ingresso família por R$ 600,00 e ir a Interlagos, com mais conforto, e ter mais de 6 hs. de entretenimento.

    Copiar “a mãe Rússia” pela metade foi o desastre nacional.
    (Perestroika sem Glasnost é igual a importação do Paraguai,……sem mais meritíssimo!).

    Se é assim na política, diferente será no esporte a motor? #LutoGT3

  5. Apos ter sofrido nos ultimos 5 anos, tentando participar de campeonato brasileiro de endurance, tendo carro e patrocinio parado na garagem, mas nenhum campeonato serio acontecendo, o destino profissional me trouxe para Bogota – Colombia, e apos seguir o Campeonato Nacional de Velocidade de 2013, terei a oportunidade de neste proximo sabado estar participando das 6hs de Bogota, com 70 carros divididos em 5 categorias.
    E’ uma festa do automobilismo local e lembra muito as nossas populares, populosas e movimentadas Mil Milhas da epoca do Centauro MC.
    Fica aqui o meu adeus ao finado automobilismo brasileiro (em letras bem minusculas…)

  6. “O Brasil é a vanguarda do atraso.”

    Na mosca! A partir de 2002 aconteceu algo com esse país, a incompetência impera.

    • Na verdade esse país é comandado como se fosse um cabaré desde 1500. Só que desde 01/01/2013 entrou uma corja de ladrões que fariam Medici e seus asseclas corarem de vergonha se estivessem vivos.

  7. Eu tenho muitas coisas a dizer sobre o fim da GT Brasil, mas não iria adiantar de nada porque iria bater e xingar deus e o mundo. Como diz o Edgard de Mello Filho: “Eu não vou me irritar”.

  8. Calma gente,estamos no processo de virar uma Venezuela,e depois o triste fim é ser igual a Cuba.

  9. Em 2007, fui contratado pela Brunoro Sports cuja qual foi contratada pela SRO para fazer a implantação da GT no Brasil, empreitada esta que com poucas modificações do FIA GT, conseguimos executar.
    Em 2012 e 2013 fui contratado junto com Wilson Fittipaldi como consultor, com a tarefa de dar mais credibilidade ao evento………….já era tarde, a guerra de SUPER EGOS e o comportamento frágil de algumas pessoas da organização havia corroído totalmente a estrutura que havíamos montado e deixado em 2007.
    Coisas de Brasil.
    Abs.
    Flávio Trindade.

    • Flávio!!! Falou tudo! É exatamente isso, a falta de humildade e excesso de confiança deram o golpe final na morte da GT3 no Brasil. Infelizmente!!!

  10. Não foi esse campeonato que se dividiu, tal qual um embate Cart x IRL de pobres, a alguns anos atrás?

  11. Tenho muito orgulho do trabalho feito. Começamos bem, o equilíbrio de desempenho não foi o problema que acabou com a categoria. A análise é bem mais profunda. A Loyal já pegou agonizando,

    • De fato, o que arrebentou o campeonato foi o racha que aconteceu ao fim de 2011, só isso, guerra de égos?

    • A propósito, devo ao Ivo a oportunidade de ter conhecido a categoria, lá em 2008, em Santa Cruz, serei eternamente grato, tal oportunidade me proporcionou vários bons momentos, várias boas e novas amizades, obrigado Ivo !

    • Desculpa Ivo… mas isso foi culpa dos seus ex- chefes que dispensaram a Auto+ que levou todos os patrocínios e fez a categoria tomar uma outra projeção.
      Sem dinheiro não sobrevive uma corrida. e a Loyal e a SRO não tinham mais dinheiro pra segurar o rojão.

      • Desculpar eu desculpo mas não concordo. Foi um período falso – projetou sim não podemos negar- mas o tombo se delineava. Era irreal. A categoria não pode viver de patrocínio de participantes com interesses. Se acordo de mau humor, bye bye.

  12. Caro Rodrigo,

    Fui o diretor executivo da SRO de 2009 até janeiro de 2012, junto ao Ivo Sznelwar e à vários outros profissionais altamente competentes formamos o GTBrasil, criamos a Mercedes Benz Grand Challenge e inovamos levando a Superbike para correr em nossos eventos.

    Em 2009 o grupo Auto+ se associou à SRO, A SRO comandada por Antonio Herman e por mim ficou com a administração esportiva e a Auto+ com a parte promocional e marketing, trazendo o patrocínio da Itaipava, Dedini, Krones, Total, Petronas, Mercedes Benz entre vários outros bem como colocando as provas em cadeia nacional de TV aberta ao vivo. A formula funcionou durante três ótimos anos, Como você bem lembrou chegamos a ter 35 carros inscritos na GT, 22 Mercedes Benz e mais de 40 motos no grid se apresentando para um Interlagos Lotado.

    Nestes três anos CBA e o comitê técnico da SRO fizeram um excelente trabalho de equalização dos carros, adaptando os critérios FIA GT à realidade da frota GTBrasil. Parabéns aos Srs Clovis e Ivo.

    Por motivos pessoais o Antonio Herman se afastou da gestão da SRO em maio ou junho de 2011, passando seu comando ao sócio, um senhor sem predicados, que assumiu o comando da empresa quando o GTBrasil já estava em seu ápice. Uma vez no comando, resolveu que não queria mais os sócios da Auto+ (e a mim) e logo no início de 2012 colocou de escanteio todos que acrescentaram.

    Quem sabe um dia eu conte os detalhes (todos os detalhes) daqueles dias.

    O que se deu em 2012 foi um crime de lesa-automobilismo: desrespeito aos patrocinadores, desrespeito aos fornecedores, aos participantes e ingerências descabidas na parte técnica. Tudo isto administrado por pessoas novatas no automobilismo e de comprovada arrogância e incompetência.

    Deu no que deu, não havia outro resultado possível.

    Fica minha saudade de uma equipe de grandes profissionais, de eventos extremamente bem organizados e de excelentes resultados técnicos e comerciais.

    Fica meu pesar pelos quase dois mil profissionais que trabalhavam em cada uma das etapas do Itaipava GTBrasil.

    Kiko Barros

  13. Essa temporada de 2013 não existiu. Trocaram o nome ainda para “Sudamericano”, não Sulamericano, sendo o campeonato 100% de pilotos, equipes e organização nacional. Ficou feio. Eu mesmo não assisti uma única etapa.

    Lamento apenas pelos carros, realmente fantásticos, que deixarão de circular por aqui.

  14. Isso não é nem a ponta do iceberg do que aconteceu com a GT que ja iniciou essa temporada 2013 desenganada pelos médicos. Quem estava presente na etapa do Anhembi, quando a Loyal assumiu o campeonato, ja percebeu que a categoria tinha colocado a roda na areia movediça. São pilotos, mecânicos, chefes de equipe e dezenas de profissionais direta ou indiretamente ligados à GT que vão ter que se realocar em outras categorias e nem todos vão conseguir isso. Realmente, a GT vai fazer falta, e muita, por aqui.

    • Vou além…no ano passado, na etapa de Interlagos (a de Junho) fui ao evento e já estava muito menor…tudo estava precário, informações, praças de alimentação…em nada lembrava a corrida final de 2011, com 34 carros, excelente público, final de corrida espetacular entre 2 carros da GT3, corrida esta citada acima pelo Mattar…tanto que na etapa final do ano passado, também em Interlagos, nem perdi meu tempo de ir até lá…o desfecho (vergonhoso) desta prova todos conhecem.
      Apenas para constar, também estive no Anhembi e também tive a certeza da morte da categoria com o que vi lá…carros novos nada…ao contrário…carros velhos…a dupla Ricci/Derani, por exemplo, encostou a F458 ano 2011 para correr com o velho F430 2007, quando correram…os “campeões” de 2012 Cleber Faria/Duda Rosa sequer deram as caras para defender a taça, entre outros que abandonaram o barco.
      Enfim…foi uma categoria que curti bastante…sobretudo nas temporadas 2009, 2010 e 2011. Independente de fazerem anúncio oficial ou não, o fato de decretar o fim da temporada após a corrida na Argentina, cancelando a última programada para Interlagos (eu não iria mesmo…) sem sequer anunciar um calendário provisório da próxima temporada, já disse tudo.

      • Fernando,
        concordo contigo e coincidência ou não foi exatamente onde o pessoal do Auto+ ainda era sócio e cuidava de toda a divulgação.

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  16. Pingback: Luz no fim do túnel? | A Mil Por Hora

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