Copa do Mundo e F-1 fazem 6h de São Paulo ir para o fim do calendário do WEC

wec

RIO DE JANEIRO – Eis que, numa mudança surpreendente, o Mundial de Endurance (WEC) teve hoje definido o seu calendário para 2014. As 6 Horas de São Paulo, previstas para o fim de agosto, foram remanejadas para 30 de novembro e o que seria a 4ª etapa do campeonato, após as 24 Horas de Le Mans, ficou como a última do certame de oito corridas que se inicia em abril com as 6 Horas de Silverstone.

Segundo consta nos sites internacionais, a mudança teria sido feita a pedido do promotor nacional, o bicampeão mundial de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi, por dois motivos: a realização da Copa do Mundo, que polarizará as atenções no país e reduzirá drasticamente o investimento em quaisquer esportes neste ano de 2014, especialmente no automobilismo – e também pelas famosas obras de adequação do Autódromo José Carlos Pace para a disputa do Grande Prêmio do Brasil.

Aliás, falando em obras, pelo visto nada de boxes e paddock novos para a F-1 e tampouco para o WEC. Lá vamos nós ter que subir e descer escadas para a sala de imprensa. Pobres fotógrafos e profissionais do gênero…

As razões que fazem a corrida do Mundial de Endurance por aqui mudar para o fim do campeonato são, de certa forma, compreensíveis, mas trata-se de uma faca de dois gumes. Primeiro, porque as equipes reduzem seus investimentos após Le Mans e só virão os competidores fixos e/ou eventuais inscritos. E segundo, porque se o campeonato já estiver definido nas quatro subclasses, corremos um sério risco de ver uma corrida muito mais esvaziada do que nos dois últimos anos – e me vem à cabeça o fantasma de revivermos o que se viu nas Mil Milhas de 2007.

Espero estar errado.

E não há só isso: existe a chance de um desgaste muito grande de todos os envolvidos com a competição, posto que haverá nada menos que três etapas em novembro (China, Bahrein e Brasil), enquanto que, após Le Mans, o calendário terá nada menos que 95 dias sem qualquer corrida. De certo modo, uma mudança incompreensível.

Ah… e também foi confirmada a etapa dos Estados Unidos em 20 de setembro, no COTA, em Austin. Ela é que será a 4ª etapa do WEC e não as 6 Horas de São Paulo.

Eis as datas definitivas do Mundial de Endurance:

20 de abril – 6 Horas de Silverstone
3 de maio – 6 Horas de Spa-Francorchamps
1º de junho – Journée Test das 24 Horas de Le Mans
14 e 15 de junho – 24 Horas de Le Mans
20 de setembro – 6 Horas de Austin
12 de outubro – 6 Horas de Fuji
2 de novembro – 6 Horas de Xangai
15 de novembro – 6 Horas do Bahrein
30 de novembro – 6 Horas de São Paulo

Foto: John Dagys (Sportscar365.net)

Direto do túnel do tempo (167)

tumblr_n06iaqZOSm1qcgmxso1_1280RIO DE JANEIRO – Pioneiro entre os Passat na Divisão 3 e depois na Hot-Car. Eis o lendário carro vermelho #11 do Edson Yoshikuma patrocinado pelos jeans Marshall Lester que, enquanto não quebrava, dava um trabalhão para os Fuscas, especialmente os de Arturo Fernandes, Luiz Lara Campos Jr., Ricardo Mogames e Amadeo Campos.

Yoshikuma já tinha corrido na D-3 nos tempos em que os Opalas e Mavericks davam as cartas. Ele comprou o carro de Pedro Victor de Lamare e correu com as cores da Nissei e da Pioneer em 1974, antes de mudar para os monopostos. Na Fórmula Super Vê, sofreu um grave acidente em Interlagos e foi salvo por Raul Natividade Júnior. Felizmente recuperou-se e voltou às competições de turismo.

Com o fim da Divisão 3, Yoshikuma andou na Stock Car e no Brasileiro de Marcas posteriormente, antes de abandonar as pistas.

Há 34 anos, direto do túnel do tempo.

Primorosa

tumblr_my1hjyZU7z1qcgmxso1_1280RIO DE JANEIRO – Concordo ipsis litteris com o que está escrito na lataria desse FNM JK 2150: uma atravessada primorosa no que parece ser Tarumã. Quem terá sido o autor dessa manobra a bordo desse carro, que eu considero um dos mais elegantes já construídos no país?

Cartas para a redação.

Nascar confirma mudanças no Chase: 16 pilotos e mata-mata com quatro na decisão

original

RIO DE JANEIRO – Pela segunda vez desde sua criação, o Chase For The Championship da Sprint Cup Series é modificado pela alta direção da Nascar. E desta vez, radicalmente. O formato de disputa de título da principal categoria do certame terá 16 pilotos – sendo quinze vencedores em pelo menos uma etapa e o piloto com o maior número de pontos após a 26ª etapa e sistemas eliminatórios, avançando automaticamente os vencedores de cada corrida e eliminando os piores na pontuação a cada três corridas do playoff, sucessivamente, até sobrar quatro nomes para a última corrida do ano em Homestead. E quem chegar na frente, leva, independentemente da pontuação anterior no campeonato.

É algo que criará polêmica? Não restam dúvidas. O formato de qualificação já foi detestado por alguns pilotos (Kyle Busch, principalmente) e esse Chase, da forma como foi desenhado pela Nascar, vai provocar infindas discussões entre os fãs. E Jimmie Johnson, vencedor de seis dos últimos oito campeonatos, certamente não terá gostado da novidade anunciada nesta quinta-feira.

Esta é a quarta mudança nas regras do Chase, desde a criação do mesmo em 2004. Até 2006, eram classificados os dez melhores pilotos, obedecendo uma pontuação a partir de 5.050 pontos, decrescendo até o último dos qualificados. Em 2007, o total de pilotos subiu para 12 e a base de pontuação ficou em 5.000, mais bônus por vitórias conquistadas na chamada ‘temporada regular’ de 26 etapas.

A direção da Nascar modificou o formato mais uma vez em 2011: os doze classificados do Chase seriam conhecidos da seguinte forma – os dez melhores pilotos na pontuação do campeonato e mais dois wild-cards, entre a 11ª e 20ª posições, desde que tivessem conquistado uma ou mais vitórias no campeonato. Ano passado, por conta do escândalo da Michael Waltrip Racing, no chamado Richmondgate, o total de pilotos foi de 13 porque a Nascar decidiu não deixar de fora o tetracampeão Jeff Gordon por considerá-lo prejudicado pelo jogo de equipe que beneficiara Martin Truex Jr., posteriormente eliminado do Chase para que Ryan Newman pudesse brigar pelo título.

Em linhas gerais, se o formato do Chase que será adotado em 2014 tivesse sido aplicado ano passado, o campeão seria, pasmem, Dale Earnhardt Júnior. Os seis títulos de Jimmie Johnson seriam reduzidos pela metade e seu último campeonato teria sido o de 2010. Denny Hamlin teria sido campeão em 2006, Jeff Gordon em 2007, Kevin Harvick em 2008 e Kurt Busch em 2009.

A discussão está em aberto. Leitores, agora é com vocês.

MR03: demorou, mas apareceu

t_105280_marussia-demorou-para-conseguir-preparar-o-carros-para-primeiros-testes-foto-marussia

RIO DE JANEIRO – Foi apresentado enfim nesta quinta-feira o último dos 11 novos carros para a temporada 2014 do Mundial de Fórmula 1. O MR03 da Marussia chegou para os treinos coletivos em Jerez de la Frontera, na Espanha, com dois dias de atraso em relação ao previsto. A equipe era aguardada na pista para começar os testes já na terça-feira, mas o caminhão com o único carro do time só pegou a estrada ontem e chegou ao circuito hoje. Max Chilton foi o primeiro a andar com o bólido novo, equipado com motor Ferrari V6 Turbo.

A equipe não fez nenhuma apresentação formal do MR03 e o carro deu apenas cinco giros na Andaluzia, todos em voltas de instalação e checagem dos sistemas gerais do bólido.

À primeira vista, o novo Marussia tem um entre-eixos relativamente longo e um desenho sem muitas invencionices em relação às adversárias. Nem o bico tem muita ousadia: a pintura preta usada na dianteira disfarça a proeminência, que não é tão grande assim em relação aos projetos de McLaren, Toro Rosso, Caterham e Force India, por exemplo. Vamos ver se o time chefiado por John Booth consegue resultados mais aceitáveis com motor Ferrari substituindo o Cosworth para os pilotos Jules Bianchi e Max Chilton neste início de campeonato.

Toyota anuncia pilotos do Super GT e Super Formula no Japão

Present

RIO DE JANEIRO – Num ano de grandes novidades para o automobilismo japonês, a Toyota anunciou hoje o lineup de pilotos e equipes que participarão das temporadas do Super GT e da Super Formula (a antiga Fórmula Nippon). E com algumas – porque não dizer surpreendentes – caras novas.

No Super GT, o britânico Oliver Jarvis é a surpresa. Vinculado à Audi, o piloto assinou para disputar o competitivo certame na divisão GT500 pelo Team SARD, compondo dupla com Hiroaki Ishiura. A dupla campeã formada por Kohei Hirate/Yuji Tachikawa volta à carga no carro da equipe ZENT Cerumo, agora pintado com o número #1.

Vale lembrar que a Toyota terá um novo carro no Super GT na divisão principal: É o Lexus RC-F, que vem sendo exaustivamente testado desde a temporada passada e que tem um conceito mais próximo ao dos modelos usados no DTM na Europa. Na GT300, continua o desenvolvimento do modelo Prius com sistema de recuperação de energia cinética. O carro híbrido será pilotado mais uma vez por Morio Nitta/Koki Saga.

Na Super Formula, o ataque do fabricante nipônico será total, para recuperar o título perdido para a rival Honda no ano passado. Onze dos novos monopostos da Dallara, novo fabricante da categoria, serão equipados com o motor Toyota RI4A. Um deles será do brasileiro João Paulo de Oliveira, campeão da categoria em 2010 e que continuará defendendo as cores do Team Impul. A novidade está no parceiro de JP Oribeira: ao invés de Tsugio Matsuda, quem vem para o carro #20 é Narain Kartikheyan, que já esteve na Fórmula 1 e no ano passado andou na AutoGP World Series.

Campeão de 2012, Kazuki Nakajima continua na categoria, pela equipe Tom’s, que ainda terá o sempre favorito alemão Andre Lotterer. Outros estrangeiros da marca no certame são o francês Loïc Duval e o britânico James Rossiter. Como não há colisão de datas entre o FIA WEC e a Super Formula, os dois pilotos da Audi poderão cumprir toda a temporada de monopostos tranquilamente. Pior para os adversários…

Veja a relação de pilotos Toyota para 2014 no Super GT:

GT500

#1 LEXUS TEAM ZENT CERUMO
Lexus RC-F (Bridgestone)
Kohei Hirate/Yuji Tachikawa

#6 LEXUS TEAM LE MANS ENEOS
Lexus RC-F (Bridgestone)
Kazuya Oshima/Yuji Kunimoto

#19 LEXUS TEAM WEDS SPORT BANDOH
Lexus RC-F (pneus a definir)
pilotos a definir

#36 LEXUS TEAM PETRONAS TOM’S
Lexus RC-F (Bridgestone)
Kazuki Nakajima/James Rossiter

#37 LEXUS TEAM KEEPER TOM’S
Lexus RC-F (Bridgestone)
Andrea Caldarelli/Daisuke Ito

#39 LEXUS TEAM SARD
Lexus RC-F (Bridgestone)
Oliver Jarvis/Hiroaki Ishiura

GT300

#31 TEAM APR
Toyota Prius (pneus a definir)
Morio Nitta/Koki Saga

Veja agora a relação de pilotos Toyota na Super Formula:

#3 KONDO RACING
Dallara Toyota RI4A
James Rossiter

#7 TEAM LE MANS
Dallara Toyota RI4A
Ryo Hirakawa

#8 TEAM LE MANS
Dallara Toyota RI4A
Loïc Duval

#18 KCMG
Dallara Toyota RI4A
Yuichi Nakayama

#19 TEAM IMPUL
Dallara Toyota RI4A
João Paulo de Oliveira

#20 TEAM IMPUL
Dallara Toyota RI4A
Narain Kartikheyan

#36 PETRONAS TEAM TOM’S
Dallara Toyota RI4A
André Lotterer

#37 PETRONAS TEAM TOM’S
Dallara Toyota RI4A
Kazuki Nakajima

#38 TEAM CERUMO-INGING
Dallara Toyota RI4A
Hiroaki Ishiura

#39 TEAM CERUMO-INGING
Dallara Toyota RI4A
Yuji Kunimoto

#62 TOCHIGI LE BEAUSSET MOTORSPORTS
Dallara Toyota R14A
Koki Saga

Direto do túnel do tempo (166)

1794557_632862593415867_1364922652_nRIO DE JANEIRO – Foto postada pelo Jaime Boueri no Facebook, que faço questão de compartilhar aqui no blog. Essa é a famosa “empurrada amiga” do Renault ‘Rabo Quente’ do Élvio Ringel no Karmann Ghia Porsche #2 da Dacon, guiado por José Carlos Pace e Anísio Campos, nas 12 Horas de Interlagos de 1967.

Isso aconteceu porque o KG Porsche, que liderava, teve o diferencial quebrado na curva da Ferradura. Sem tração, não havia como o simpático carro da equipe chefiada por Paulo Goulart terminar a corrida na frente da Carretera Chevrolet Corvette de Camilo Christófaro, o Lobo do Canindé e de seu parceiro Eduardo Celidônio, que vinha em 2º lugar.

Segundo o mestre Jan Balder em seu delicioso livro “Histórias do Automobilismo Brasileiro”, Anísio e Paulo não tiveram dúvidas: pediram socorro ao Élvio Ringel, que de uma maneira sui generis, empurrou o KG Porsche até a bandeira quadriculada em preto e branco.

Surgiu a discussão: quem venceu? Pode ou não pode? Como não foi uma situação irregular, a vitória da Dacon foi confirmada, naquele que foi o canto do cisne de uma das equipes mais emblemáticas do nosso automobilismo nos anos 60, pelo seguinte: corriam com um Karmann-Ghia, modelo de origem alemã e desenhado pelos estúdios italianos Ghia, que no Brasil era distribuído pela Volkswagen. E na versão de corrida, os carros tinham poderosos motores Porsche – um de 2 litros e outro de 1,6 litros – tão fortes que o chassi não resistia e diversas vezes os carros da Dacon acabaram com trincas na plataforma, só corrigidas com muita solda.

A Dacon terminou porque Paulo Goulart não tinha como manter a equipe sozinho e a Volkswagen, na época, não investia em automobilismo, esquivando-se de que o Karmann-Ghia não era um produto totalmente VW e no jogo de empurra entre as duas, KG e VW, quem saiu perdendo foi o esporte, pois a equipe saiu de cena.

emerson e wilson - 6 horas de interlagos 1967

Emerson Fittipaldi e seu irmão Wilson adquiriram parte dos “restos mortais” da Dacon, vencendo inclusive as 6 Horas de Interlagos ainda no mesmo ano de 1967, e o outro carro foi comprado pelos irmãos Álvaro e Aílton Varanda, do Rio de Janeiro.

Há 47 anos, direto do túnel do tempo.