Mercedes e Petrov unem forças no DTM

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RIO DE JANEIRO – Fora das pistas desde que foi dispensado pela Caterham na Fórmula 1 após o fim do campeonato de 2012, o russo Vitaly Petrov finalmente conseguiu um cockpit para correr neste ano. E o refúgio do piloto de 29 anos será o mesmo de alguns outros adversários dele na categoria máxima, feito o escocês Paul Di Resta e o alemão Timo Glock. Sim: Petrov é o novo piloto do DTM, o Campeonato Alemão de Turismo.

Ele assinou um contrato com a Mercedes-Benz e é o quarto piloto confirmado pela marca da estrela de três pontas para a disputa da temporada de 2014. Além do próprio Di Resta, que regressou ao certame, o experiente Gary Paffett e a revelação espanhola Dani Juncadella, piloto de testes da Force India, já estão garantidos pelo construtor germânico.

Petrov fez um teste em janeiro no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão. E pelo visto, seu desempenho agradou aos engenheiros da AMG, que prepara os carros da Mercedes. A presença do piloto, que é o quarto estreante confirmado para este ano – além do belga Maxime Martin, do português Antônio Félix da Costa e do suíço Nico Müller – promete alavancar a bilheteria da etapa do DTM marcada para Moscou, no dia 13 de julho.

O russo correrá com o número #12 na próxima temporada do certame. Paul Di Resta vai com o número #6 e o outro piloto com numeração conhecida é o campeão Mike Rockenfeller, da Audi, que vai – evidentemente – com o #1 pintado em seu carro.

Fernando Rees é o novo piloto da Aston Martin no WEC

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RIO DE JANEIRO – O piloto brasileiro Fernando Rees, de 29 anos, é o novo piloto da Aston Martin para a temporada 2014 do Mundial de Endurance (WEC). Após duas temporadas a bordo da escuderia francesa Larbre Competition com o Corvette C6-R na divisão LMGTE-AM, ele desligou-se do time de Jack Lecomte em janeiro deste ano e rapidamente iniciou negociações para permanecer na competição. O desfecho foi o mais feliz possível para ele, que correrá agora na LMGTE-PRO.

Fernando guiará o Aston Martin Vantage V8 spec 2014 número #99, inscrito em parceria com a Bamboo Engineering, antiga escuderia do Campeonato Mundial de Carros de Turismo, o WTCC. Inclusive, seus companheiros de pilotagem vêm deste certame: serão o britânico Alex MacDowall, de apenas 23 anos e o representante de Hong Kong Darryll O’Young, que faz 34 no próximo dia 26 de março.

“Tornar-me um piloto de fábrica, em uma das marcas mais prestigiosas do FIA WEC, representa uma conquista enorme na minha carreira. Realmente é uma continuação da progressão que tenho feito nos últimos anos, passo a passo. Sei que será um desafio muito grande, mas estou muito motivado para sair da zona de conforto que eu tinha na LMGTE-AM. Será um ano especial, com um mix de novos desafios e novas lições. Estou preparado!”, afirmou Fernando em mensagem a este blogueiro.

MOTORSPORT : FIA WEC WORLD ENDURANCE CHAMPIONSHIP 6 HOURS OF BAHRAIN ROUND 8 11/28-30/2013

Será, também, a primeira vez em que Rees vai disputar as 24 Horas de Le Mans. Nas duas participações anteriores do carro da Larbre em Sarthe, ele foi substituído. Em 2012, por Pedro Lamy. Ano passado, por Ricky Taylor. Nessa prova, a AMR terá seis bólidos, pois além dos quatro fixos do WEC, foram inscritos mais dois. Num deles, estará outro brasileiro: Bruno Senna desta vez optou por não dar continuidade à sua participação full season no Mundial e por enquanto só participa da prova francesa no carro #89. O #96, da LMGTE-AM, teoricamente apresentava Richie Stanaway como único piloto confirmado, mas no comunicado oficial da equipe não consta o nome de ninguém.

O construtor britânico anunciou também as demais formações para a temporada do Mundial de Endurance. No carro #97, estará a velha dupla de sempre, formada pelo britânico Darren Turner e o alemão Stefan Mücke, parceiros desde a primeira temporada do WEC há duas temporadas. Os carros spec 2013, da classe LMGTE-AM, não estão 100% definidos. O #98, por exemplo, tem apenas o canadense Paul Dalla Lana confirmado. Em contrapartida, o #95 que vem novamente com o suporte da Young Driver, é todo de dinamarqueses: Kristian Poulsen, Christoffer Nygaard, Nicki Thiim e a novidade David Heinemeier-Hänsson. Os quatro vão se revezar ao volante do carro ao longo do campeonato.

A Aston Martin Racing confirmou também que estará presente nas 24 Horas de Nürburgring, com um Vantage V12 GT3 preparado para Pedro Lamy/Stefan Mücke/Darren Turner. Aparições esporádicas no Blancpain Endurance Series, a exemplo do ano passado, quando venceram em Silverstone e estiveram nas 24 Horas de Spa-Francorchamps, estão na pauta e não devem ser descartadas.

Duas poles para a Red Bull na Clipsal 500; Volvo impressiona

Jamie WhincupRIO DE JANEIRO – A Red Bull (ou melhor, a Triple 8 Race Engineering) começou bem a temporada 2014 do International V8 Supercars. Nos dois primeiros treinos classificatórios para as corridas de 39 voltas que serão disputadas neste sábado, abrindo a Clipsal 500 no circuito urbano de Adelaide, os dois Holden VF Commodore ficaram à frente no pelotão de 25 carros inscritos.

Jamie Whincup, o atual campeão, foi o mais veloz para a corrida #1 e seu companheiro de equipe Craig Lowndes acabou como o pole position da corrida #2. Sendo que, no grid da prova inaugural, os dois carros com o touro vermelho estarão monopolizando a primeira fila.

Whincup marcou o tempo de 1’20″584, abaixo do melhor tempo dos treinos livres, cortesia de Fabian Coulthard num outro Holden, inscrito pela Brad Jones Racing. Ele superou Lowndes por 0″151 e a terceira posição, a 0″235, ficou com Mark “Frosty” Winterbottom, do time oficial da Ford.

James Courtney, totalmente recuperado das fraturas sofridas num acidente fortíssimo ano passado em Phillip Island, colocou-se em quarto. A surpresa veio a seguir: o jovem Scott McLaughlin, revelação de 2013, classificou o estreante Volvo S60 da Garry Rogers Motorsport/Polestar Race na quinta colocação do grid. Um tremendo resultado, considerando que Robert Dahlgren, no segundo carro do time, ficou apenas em 21º.

O melhor Nissan Altima L33 ficou em 7º lugar com Todd Kelly, da equipe Jack Daniel’s. Já o Mercedes-Benz Erebus mais bem colocado foi o de Lee Holdsworth, qualificando-se na décima-sexta posição. Cabe observar que 20 dos 25 pilotos ficaram dentro do mesmo segundo no primeiro treino classificatório.

Scott McLaughlin

Na segunda bateria classificatória, que definiu o grid da corrida #2, McLaughlin voltou a surpreender com seu Volvo e fez o segundo melhor tempo, numa performance extraordinária do kiwi, imiscuindo-se entre os dois carros da Red Bull. O experiente Jason Bright foi bem e conseguiu a quarta posição, batendo o Ford de Mark Winterbottom, a Mercedes de Lee Holdsworth e o Nissan de Michael Caruso. As cinco marcas presentes no campeonato ficaram nas sete primeiras posições do grid. Nada mal.

Nas demais posições, destaque negativo para o 15º posto de Shane Van Gisbergen e o 16º posto de Fabian Coulthard, pois sempre espera-se muito de ambos os pilotos. O veterano Russell Ingall também não alcançou um bom tempo de classificação: foi o penúltimo, com Robert Dahlgren fechando a raia.

Pegadinha do Gordon!

RIO DE JANEIRO – O tetracampeão da Nascar Jeff Gordon, um dos maiores pilotos da história da categoria, foi protagonista de uma brincadeira patrocinada pela Pepsi, um dos apoiadores do piloto na Sprint Cup. A pegadinha consistia nas maiores barbaridades possíveis a bordo de um carro de passeio. Um jornalista ousou dizer que tudo não passava de mentira e aí, já viu… Era hora de provar que não.

Travis Okulski, do Jalopnik, recebeu o troco muito bem dado por Gordon numa segunda pegadinha onde o piloto travestiu-se de motorista de táxi – e, diga-se de passagem, foi brilhante no papel. Só vendo o vídeo para ver o desespero estampado no rosto de Okulski durante o “pega” entre o disfarçado Jeff e um carro de polícia.

Divirtam-se!

 

Dionisio Pastore (1957-2014)

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RIO DE JANEIRO – Triste dia para o automobilismo brasileiro, com a notícia surpreendente e inesperada da morte de Dionisio Pastore, um dos maiores kartistas da história do país. Um infarto nos separou de seu convívio nesta quinta-feira. Ele tinha 56 anos.

Nascido em 1957 no estado de São Paulo, formou-se em arquitetura e urbanismo. Mas foi nas pistas onde pôde mostrar seu talento. Teve que esperar até 1970, quando completou 13 anos, para poder competir. Ficaria nas pistas por quase uma década e meia e nesse período, conquistou títulos do Campeonato Paulista e do Brasileiro, além de disputar por duas vezes o Mundial de Kart.

Como orgulho de toda uma vida, Pastore competiu contra os grandes craques da modalidade: Carol Figueiredo, Waltinho Travaglini, René Lotfi, Zeca Giaffone, Antônio Lopes, Toninho da Matta, Manfredo Holschauer, Mário Sérgio de Carvalho, um certo Ayrton Senna e gringos como Terry Fullerton, Mike Wilson e Peter Koene, entre outros.

No Superkart, categoria que competiu antes de se despedir das pistas no início dos anos 80, teve como adversários nomes como Emerson Fittipaldi, Maneco Combacau, Lian Duarte, Totó Porto, Paulo Carcasci, Oswaldo Negri, Túlio Meneghini e Renato Russo. Recentemente, Pastore voltara a se envolver com a velha paixão dos anos 70, atuando como chefe de equipe, organizador e piloto da categoria “Vintage Kart”.

A toda família e amigos de Dionisio Pastore, enviamos os mais sinceros votos de pêsames através deste blog.

Tempo de escolha

RIO DE JANEIRO – Segundo o jornalista argentino Fernando Tornello, que acompanha a Fórmula 1 há muito tempo – e é colega do blogueiro no Fox Sports em seu país – a categoria máxima pode ter uma nova equipe anunciada amanhã para a temporada 2015.

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A FIA abriu uma espécie de “concorrência” para uma 12ª vaga, onde três candidatos se apresentaram: Gene Haas (foto acima), sócio de Tony Stewart numa equipe da Nascar; Zoran Stefanovic, o sérvio que já tentara há alguns anos meter o pé na porta e entrar na categoria a todo preço, adquirindo o espólio da Toyota; e Colin Kölles (foto abaixo), antigo chefe de equipe da Midland, Spyker e HRT. Mas, pelo que o Tornello escreveu em seu twitter, a disputa ficará restrita a Haas e Kölles.

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Opinião pessoal: se eu sou o responsável por essa seleção, não tenho dúvidas e coloco a Haas na brincadeira. É uma equipe capacitada, já ganhou a Nascar com Tony Stewart e para a categoria, seria muito interessante ter de novo uma escuderia com alma ianque. Em tempos idos, Dan Gurney (Eagle), Roger Penske, Parnelli Jones, Don Nichols (Shadow) e Carl Haas (Lola-Haas), estiveram envolvidos com a Fórmula 1. Algumas equipes duraram pouco. Shadow e Eagle venceram corridas, mas por diferentes razões, ficaram pelo caminho.

Mas é claro que a decisão não é minha. Reitero que é apenas uma opinião pessoal. A FIA tem inclusive a possibilidade de referendar a seriedade da intenção de ambos os candidatos e abrir o leque para que a Fórmula 1 tenha 13 equipes em 2015 – o que, cá para nós, seria até melhor para a categoria. Afinal de contas, já vivemos tempos com 26 carros e algumas equipes eram bem mambembes – AGS que o diga…

Cesar Ramos em dose dupla pela WRT

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RIO DE JANEIRO – O piloto gaúcho Cesar Ramos, de 24 anos, é o novo piloto da equipe belga WRT, que representa a Audi nas competições de Grã-Turismo na Europa. Após defender a Kessel Racing no Blancpain Endurance Series, ele vai continuar neste certame e também competirá no Blancpain Sprint Series, que sucede neste ano o FIA GT Series.

Cesar, nascido em Novo Hamburgo, terá como companheiro de equipe no carro #1 do time de Yves Weerts e Vincent Vosse o belga Laurens Vanthoor, uma das sensações do FIA GT Series no ano passado. Os dois também competirão juntos no BES, no qual terão o reforço do alemão Marc Basseng, um especialista em provas de Endurance.

A escuderia apresentou hoje o seu programa de motorsport para 2014, contemplando Blancpain Sprint Series, Blancpain Endurance Series e 24 Horas de Nürburgring. Nesta, vão alinhar um carro apenas, para Stéphane Ortelli/Edward Sändström/Roman Rusinov e um quarto piloto a ser ainda designado.

No Blancpain Sprint Series, além do carro de Ramos/Vanthoor, o time terá no Audi R8 LMS #2 a volta de Enzo Ide ao lado de René Rast. No carro #3, sob a égide da G-Drive Racing, Stéphane Ortelli e Roman Rusinov formam parceria. E no #4, uma dupla de novatos, formada pelo franco-polonês Mateusz Lisovski e por Vincent Abril, que vão competir na divisão Pro-Am.

A WRT vem com três carros no BES. O #1 com Ramos/Vanthoor/Basseng, o #3 terá Frank Stippler/Christopher Mies/James Nash – este último vindo do WTCC e o #4, que será inscrito na divisão Gentlemen Trophy, virá com Yves Weerts/Jean-Luc Blanchemain/Christian Kelders. Um quarto carro está certo para a disputa das 24 Horas de Spa-Francorchamps, a principal prova do campeonato.

Foto: arquivo (Correio do Povo)

“Ninguém ouviu… um soluçar de dor… num canto do Brasil…”

RIO DE JANEIRO – Não tenho o menor pudor em confessar que estou dominado pelo que se chama de TPC. O leitor ou a leitora que está aqui no blog há de se perguntar que diabos será essa TPC.

É a Tensão Pré-Carnaval, ora bolas. Como bom folião que sou, aguardo ansiosamente pelo momento de cair no samba, nas marchinhas e nos blocos – com moderação, é claro. Nada é bom quando feito com excesso.

Eu poderia logicamente fazer o que fiz noutras ocasiões: encher esse post com vídeos de desfiles de escola de samba que apresentaram sambas, no meu ver, antológicos ou significativos. Mas dessa vez, não.

Vou homenagear uma personagem que, se viva estivesse, com certeza seria ovacionada em sua passagem pela avenida: Clara Nunes.

A Guerreira, nascida em 1942 na cidade mineira de Cedro, hoje Caetanópolis, consolidou-se nos anos 70 como uma das maiores cantoras do país e uma vendedora de discos de mão cheia. Clara quebrou o tabu que mulher não vendia disco e se tornou uma das artistas mais queridas pelo povão. Abraçou a Portela, a cultura afro e foi abraçada pela escola, pelos compositores e sambistas, que a adoravam.

Incrivelmente, mesmo cantando em português, Clara Nunes fazia muito sucesso no exterior. Ela era idolatrada no Japão e em seus shows por lá, o público levava instrumentos de percussão para acompanhar o Conjunto Nosso Samba e demais músicos brasileiros. Uma loucura, como atestou o surdista Gordinho, um mestre na sua especialidade.

“Eles ficam na plateia tocando baixinho. Mas não são bobos, não. Estudaram, tocaram bem. Tinha um pandeirista e eu até brinquei com ele dizendo que não era japonês e sim brasileiro. Ele tocava bem o pandeiro e até rodava no dedo. Esperto, o cara”, conta. “No último espetáculo que fizemos no Japão, a gente pediu para ela (Clara) os deixar subirem no palco, pois ia ser uma loucura. Ela concordou, mas pediu que fosse ao final do show. Um grupo de mais de 15 pessoas subiu. Foi uma maluquice”, diverte-se Gordinho.

A prova do sucesso de Clara Nunes no Oriente está aqui no vídeo abaixo: uma apresentação da cantora para o canal NHK, em estúdio, onde ela e seus músicos arrebentam em “Canto das Três Raças” (Mauro Duarte/Paulo Cesar Pinheiro), um dos maiores sucessos da Sabiá. Reparem ao fim da apresentação que a cantora é entrevistada e responde em português com a maior naturalidade. No comecinho dos anos 80, os japoneses – esses danadinhos – já tinham inventado o ponto eletrônico, onde alguém traduzia as perguntas para Clara e ela respondia tudo direitinho.

“Canto das Três Raças” é o clip da semana.

Level 5 Motorsports abandona o TUSC; lista de Sebring baixa para 65 carros

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RIO DE JANEIRO – Por essa, muitos não esperavam. A equipe Level 5 Motorsports, campeã das 24 Horas de Daytona na classe GTD após uma disputa frenética com um Audi da Flying Lizard Motorsports, decidiu abandonar a temporada 2014 do Tudor United SportsCar Championship. E não tem choro, nem vela. A decisão é irreversível.

“A responsabilidade é minha”, afirmou o diretor esportivo David Stone. “Scott (Tucker, n. do blog: proprietário do time e piloto) colocou toda a parte operacional e as decisões nos meus ombros. E, na minha opinião, participar do Tudor United SportsCar Championship não é o melhor para a Level 5 neste momento.”

“Não estamos desmerecendo a competição. De forma alguma. Eles acham que fazem o que é melhor para eles. E nós, o que é melhor para o time”, afirmou o dirigente.

Segundo o site Sportscar 365.net, do jornalista estadunidense John Dagys, um dos muitos fatores que levaram à decisão de abandonar o certame foi a questão da polêmica penalização que chegou a ser imposta pelo diretor de prova das 24 Horas de Daytona, ao considerar ilegal a defesa de posição do piloto italiano Alessandro Pier Guidi, um dos tripulantes de uma das Ferrari F458 Italia GT3 da Level 5 Motorsports, na disputa contra o Audi R8 LMS guiado pelo alemão Markus Winkelhock.

Também terá causado espécie à equipe a decisão de impor um número de carros por categoria, o que levou a Level 5 a perder potenciais clientes na classe Prototype Challenge, onde tinham confirmado a inscrição de dois protótipos Oreca FLM09, que nunca foram vistos nas pistas – nem em testes de pré-temporada. Com uma Ferrari confirmada ao menos para toda a temporada da divisão GTD, para os pilotos Townsend Bell e Bill Sweedler, e a possibilidade de alinhar duas nas provas longas, nem assim a equipe se animou em dar sequência aos planos.

O caminho da Level 5 deve ser o Pirelli World Challenge, certame de Grã-Turismo disputado nos EUA, com várias provas acontecendo em paralelo com a Fórmula Indy. Pelo regulamento ser bastante semelhante, é bem possível que as Ferrari do time estejam na pista novamente neste ano.

Com a decisão da equipe de abandonar a temporada 2014, o grid das 12 Horas de Sebring perde dois carros na GTD. E a corrida terá também menos um concorrente na GTLM: o Aston Martin #97 inscrito pelo time oficial de fábrica foi retirado da lista oficial de inscritos por divergências no Balance of Performance (BoP) da subdivisão, que teria prejudicado o modelo do construtor britânico nas 24 Horas de Daytona. Como não houve uma decisão final a respeito do apelo da equipe, a AMR resolveu a situação da forma que achou mais conveniente.

Mais um? Sam Bird de olho no WEC e na AF Corse?

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RIO DE JANEIRO – Não para de crescer o leque de opções de pilotos para a AF Corse experimentar e, quem sabe, efetivar para a disputa do Mundial de Endurance (WEC) em 2014. A equipe italiana deve fazer um teste – se o tempo ajudar, é claro – no circuito de Vallelunga, nas proximidades da capital Roma, com uma Ferrari F458 Italia à disposição de Sam Bird e James Calado.

Cabe lembrar que Calado já fez um treino pela equipe de Amato Ferrari. Ele e o antigo titular da Marussia e também reserva da Lotus, Jerome d’Ambrosio, longe da Fórmula 1 desde 2012, tiveram a oportunidade de experimentar a máquina do construtor de Maranello no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão. Nada foi dito sobre o desempenho de ambos, mas se Calado voltará a treinar, é porque a equipe ficou satisfeita com sua performance – ou decidiu lhe oferecer uma segunda chance e compará-lo com o compatriota “Passarinho”.

Bird, que vem de um vice-campeonato na GP2 Series, tem colaborado com a Starworks Motorsport nos EUA em provas de Endurance. Fez as 24 Horas de Daytona e deve disputar as 12 Horas de Sebring. Se fizer um bom trabalho em Vallelunga, desde que o clima ajude, vai pôr uma tremenda dúvida na cabeça do dono do time que representa a Ferrari no WEC.

A equipe tem apenas três pilotos confirmados para o Mundial: Gianmaria Bruni, Toni Vilander e Davide Rigon. Com a volta de Kamui Kobayashi para a Fórmula 1 e a saída de Giancarlo Fisichella para o Tudor International SportsCar Championship, novas opções têm sido consideradas. Aguardemos pela decisão final.

Paco de Lucia (1947-2014)

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RIO DE JANEIRO – Choram de dor e tristeza as guitarras flamencas. Morreu nesta quarta-feira, aos 66 anos, um mito da música gitana. O espanhol Paco de Lucia sofreu um infarto fulminante em Cancún, no México, onde passava férias.

“Um músico que transcendeu fronteiras e estilos” – assim ele foi definido em 2004 ao ganhar o prêmio Príncipe das Astúrias, um dos mais prestigiosos de seu país. De fato, ele deixou sua Algeciras natal, próxima a Cádiz, para ganhar o mundo com seus violões e guitarras, tornando a música espanhola universal.

Estreou em disco em 1965 e logo se tornou um ícone do estilo flamenco, formando uma parceria com Camarón de la Isla, outro músico celebrado dentro da então nova geração. Fizeram juntos nove álbuns. Paco, que tinha também um sexteto no qual participavam seus irmãos Ramón e Pepe, desfilou sua competência em três álbuns gravados com outros craques dos violões e guitarras: Al Di Meola e John McLaughlin. Esses discos foram celebrados pelos jazzistas como dos maiores da história.

O músico também tocou na íntegra o “Concerto de Aranjuez”, obra-prima de Joaquín Rodrigo, com a Orquestra de Cadaques. A gravação arrancou rasgados elogios do autor, pela “entrega e intensidade” com que a peça clássica foi tocada por Paco de Lucia nas gravações.

Paco contribiu também para diversas trilhas sonoras de filmes – e fez aparições como em Carmen, do compatriota Carlos Saura. Foi dele o score de Vicky Cristina Barcelona, o elogiado filme de Woody Allen e ele também tocou a “Malagueña Salerosa” em “Kill Bill, vol. 1”, do grande Quentin Tarantino.

No Festival de Montreux, no qual esteve presente diversas vezes, estreitou amizade com músicos e produtores brasileiros. Um deles, Marco Mazzola, o convenceu a fazer a guitarra flamenca em “Oceano”, de Djavan. Ele era fã incondicional de Tom Jobim e João Gilberto, tocou com o prematuramente falecido (e brilhante violonista) Raphael Rabello, além de ter gravado músicas como “Tico-Tico no Fubá” e “Frevo Rasgado”.

Seus últimos shows por aqui foram no fim de 2013, após um intervalo de mais de uma década e meia, quando já vivia numa ponte-aérea entre Palma de Mallorca e Cuba. A prefeitura de Algeciras está tomando as providências necessárias para o traslado do corpo do músico, de Cancún para a Espanha.

Direto do túnel do tempo (175)

01-History-The-eternal-record-Rudolf-CaracciolaRIO DE JANEIRO – O carro de desenho futurista sugere que este instantâneo foi tirado recentemente, correto? Nada menos exato. O ano deste registro é 1938.

O carro que é visto na fotografia é a Mercedes-Benz W125 Rekordwagen, com sua aparência ultra-futurista, guiada pelo piloto alemão Rudolf Caracciola. Lenda do automobilismo, nascido em 1901, “Carratsch”  tinha 37 anos quando guiou esta máquina construída para bater o recorde de velocidade em linha reta no quilômetro lançado.

Na autobahn Frankfurt-Darmstadt, Caracciola levou o Streamliner do construtor alemão a inacreditáveis 432,7 km/h. Na época, existia uma desenfreada concorrência entre Mercedes e Auto Union em busca de vitórias nos primórdios da Fórmula 1 e principalmente de recordes de velocidade.

Horas depois, no mesmo dia, Bernd Rosemeyer entrou na autobahn com um carro preparado pela marca dos quatro anéis para superar a marca de “Carratsch”. Uma lufada de vento numa passagem de nível arremessou o Streamliner de Rosemeyer para fora da estrada, capotando duas vezes. Resultado: morte instantânea e o fim da busca insana por recordes.

Há 76 anos, direto do túnel do tempo.

Guia: carros, equipes e pilotos do International V8 Supercars 2014

RIO DE JANEIRO – O fim de semana momesco em terras brazucas será de velocidade pura do outro lado do planeta. Sábado e domingo, terá início o International V8 Supercars Championship, com a disputa da clássica Clipsal 500, nas ruas de Adelaide, as mesmas que sediaram o GP da Austrália de Fórmula 1 entre 1985 e 1995. Aliás, o circuito é praticamente o mesmo.

A corrida deste ano terá novidades. No sábado, ao invés de uma prova apenas de 250 km de duração, serão disputadas duas baterias de 39 voltas cada, com percurso de 125 km. O formato de treinos oficiais também será diferenciado em razão desta modificação no formato de disputa. Na sexta-feira, haverá duas sessões distintas com duração de 15 minutos, definindo o grid para a corrida #1 e também para a corrida #2 do sábado.

Para as 78 voltas de domingo, haverá também duas sessões classificatórias: uma qualificação de 20 minutos e um Shootout, com duração de meia hora, no qual só têm direito a entrar na pista os dez mais rápidos da sessão de 20 minutos, para a briga pela pole position.

A temporada 2014 será a primeira em muito tempo a reunir cinco marcas diferentes nas pistas de Austrália e Nova Zelândia. Após as estreias de Mercedes-Benz (leia-se Erebus) e Nissan, chegou a vez da Volvo, com a Polestar Racing associada à equipe Garry Rodgers Motorsport. No grid que terá 25 pilotos – três a menos que em 2013 – um único estreante: o sueco Robert Dahlgren, também o único estrangeiro inscrito.

Vamos aos carros, pilotos e equipes do International V8 Supercars para 2014:

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Red Bull Australia (Triple Eight Race Engineering)
Carro: Holden VF Commodore
Chefe de equipe: Adrian Burgess

#1 Jamie Whincup
Australiano, 31 anos

139 corridas disputadas
37 vitórias
51 pole positions
Cinco vezes campeão (2008/2009 e 2011/2013)

#888 Craig Lowndes
Australiano, 39 anos

220 corridas disputadas
43 vitórias
31 pole positions
Três vezes campeão (1996 e 1998/1999)

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Holden Racing Team (HRT)
Carro: Holden VF Commodore
Chefe de equipe: Ivan Krizman

#2 Garth Tander
Australiano, 36 anos

208 corridas disputadas
19 vitórias
29 pole positions
Campeão em 2007

#22 James Courtney
Australiano, 33 anos

112 corridas disputadas
4 vitórias
5 pole positions
Campeão em 2010

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Walkinshaw Racing (HRT)
Carro: Holden VF Commodore
Chefe de equipe: Mike Henry

#47 Tim Slade
Australiano, 28 anos

69 corridas disputadas
Nenhuma vitória
1 pole position
5º colocado na temporada 2012

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James Rosenberg Racing (HRT)
Carro: Holden VF Commodore
Chefe de equipe: James Rosenberg

#222 Nick Percat
Australiano, 25 anos

8 corridas disputadas
1 vitória
Nenhuma pole position
30º colocado na temporada 2011

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Erebus Motorsport
Carro: Mercedes-Benz E63 AMG
Chefe de equipe: Betty Klimenko

#4 Lee Holdsworth
Australiano, 31 anos

116 corridas disputadas
2 vitórias
4 pole positions
7º colocado na temporada 2010

#9 Will Davison
Australiano, 31 anos

116 corridas disputadas
8 vitórias
16 pole positions
Vice-campeão em 2009

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Ford Performance Racing
Carro: Ford FG Falcon
Chefe de equipe: Tim Edwards

#5 Mark Winterbottom
Australiano, 32 anos

138 corridas disputadas
13 vitórias
27 pole positions
Vice-campeão em 2008

#6 Chaz Mostert
Australiano, 21 anos

28 corridas disputadas
1 vitória
Nenhuma pole position
17º colocado em 2013

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Charlie Schwerkolt Racing (FPR)
Carro: Ford FG Falcon
Chefe de equipe: Charlie Schwerkolt

#18 Jack Perkins
Australiano, 27 anos

30 corridas disputadas
2 vitórias
1 pole position
26º colocado em 2009

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Rod Nash Racing (FPR)
Carro: Ford FG Falcon
Chefe de equipe: Darron Talt

#55 David Reynolds
Australiano, 28 anos

60 corridas disputadas
1 vitória
4 pole positions
9º colocado em 2012/13

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Jack Daniel’s Racing (Nissan Motorsport)
Carro: Nissan Altima L33
Chefe de equipe: John Kelly

#7 Todd Kelly
Australiano, 34 anos

185 corridas disputadas
9 vitórias
6 pole positions
4º colocado em 2005

#15 Rick Kelly
Australiano, 31 anos

165 corridas disputadas
5 vitórias
7 pole positions
Campeão em 2006

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Norton 360 Racing (Nissan Motorsport)
Carro: Nissan Altima L33
Chefe de equipe: Margaret Kelly

#36 Michael Caruso
Australiano, 30 anos

86 corridas disputadas
Nenhuma vitória
Nenhuma pole position
11º colocado em 2009/10

#360 James Moffat
Australiano, 29 anos

43 corridas disputadas
Nenhuma vitória
Nenhuma pole position
18º colocado em 2013

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Brad Jones Racing
Carro: Holden VF Commodore
Chefe de equipe: Chris Clark

#8 Jason Bright
Australiano, 40 anos

199 corridas disputadas
9 vitórias
14 pole positions
3º colocado em 2001 e 2004

#14 Fabian Coulthard
Neozelandês, 31 anos

102 corridas disputadas
1 vitória
2 pole positions
6º colocado em 2013

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Britek Motorsport (BJR)
Carro: Holden VF Commodore
Chefe de equipe: Jason Bright

#21 Dale Wood
Australiano, 30 anos

14 corridas disputadas
Nenhuma vitória
Nenhuma pole position
29º colocado em 2009

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Dick Johnson Racing
Carro: Ford FG Falcon
Chefe de equipe: Dick Johnson

#16 Scott Pye
Australiano, 24 anos

13 corridas disputadas
Nenhuma vitória
Nenhuma pole position
27º colocado em 2013

#17 David Wall
Australiano, 31 anos

33 corridas disputadas
Nenhuma vitória
Nenhuma pole position
21º colocado em 2013

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Lucas Dumbrell Motorsport
Carro: Holden VF Commodore
Chefe de equipe: Lucas Dumbrell

#23 Russell Ingall
Australiano, 50 anos

231 corridas disputadas
12 vitórias
1 pole position
Campeão em 2005

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Garry Rodgers Motorsport (Polestar Racing)
Carro: Volvo S60
Chefe de equipe: Kevin Shwayer

#33 Scott McLaughlin
Neozelandês, 20 anos

15 corridas disputadas
2 vitórias
Nenhuma pole position
10º colocado em 2013

#34 Robert Dahlgren
Sueco, 34 anos

Estreante no International V8 Supercars

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Tekno Autosports
Carro: Holden VF Commodore
Chefe de equipe: Stephen Webb

#97 Shane Van Gisbergen
Neozelandês, 24 anos

90 corridas disputadas
2 vitórias
4 pole positions
4º colocado em 2011

Regulamento do AsLMS é modificado para 2014

Dagys_-2013_214936RIO DE JANEIRO – Visando conquistar mais equipes e carros, o Asian Le Mans Series terá novo regulamento para a temporada 2014, que começa apenas no segundo semestre, precisamente em 20 de julho com uma corrida no Inje Autopia, na Coreia do Sul. A categoria contemplará três classes em disputa: LMP2, LMP3 e GT.

Os LMP2 obedecem ao mesmo regulamento do ACO/FIA. São os protótipos cost capped, que tanto na Ásia como na Europa são a categoria principal dos dois certames. Ano passado foram poucos os carros que competiram – dois no ano inteiro e três na última etapa em Sepang. Mas espera-se mais para este ano, até como prêmio pelo título, a equipe vencedora conquista uma vaga direta nas 24 Horas de Le Mans em 2015.

A LMP3 é composta pelos protótipos CN com mecânica 2 litros. A Wolf, da Itália, ganhou a primeira cliente – a Atlantic Racing foi a primeira escuderia a mostrar interesse em alinhar os novos carros, que também entrarão no campeonato europeu a partir do próximo ano. Já a GT será desmembrada, reunindo os diversos modelos de Grã-Turismo homologados para competição – GTE, GT3 e GT300 (do Super GT japonês) – além dos certames monomarca (Porsche Cup Asia, Ferrari Challenge Asia, Super Trofeo Lamborghini, Audi R8 LMS Cup Asia e Lotus Cup Asia), que formarão a divisão GT-AM. Os dois primeiros da categoria GT ganham acesso direto às 24 Horas de Le Mans.

As equipes têm até 31 de maio como data-limite para a inscrição do campeonato. Cada carro poderá ter de dois a três pilotos, desde que respeitando a regra de que um dos integrantes da tripulação tem que ser da Ásia ou da Australásia. A Michelin será a fornecedora exclusiva de pneus do AsLMS, com quatro jogos à disposição para os protótipos e cinco para os carros Grã-Turismo. Todas as corridas terão, como no ano passado, duração de 3 horas.

JV na Indy 500

JV95RIO DE JANEIRO – Bom dia, leitores. Ao olhar essa foto e ao saber da notícia que vou comentar agora, achei que estava em 1995. Mas não fui ao Túnel do Tempo dar um passeio. É que Jacques Villeneuve, aos 42 anos de idade, marca seu retorno às 500 Milhas de Indianápolis para o ano da graça de 2014.

O piloto canadense, campeão da prova justamente com o carro acima, um Reynard da equipe de Barry Green, no último ano antes da cizânia entre CART e IRL, já tem até equipe. Villeneuve acertou com a Schmidt Peterson Motorsports, que assim terá três carros na prova: um para Simon Pagenaud, outro para o russo Mikhail Aleshin e um terceiro para JV.

Oficialmente, o anúncio ainda não foi feito. Segundo o site Italiaracing.net, haverá uma coletiva nesta quarta-feira para a confirmação da participação do piloto na Indy 500. E, vamos e venhamos: o retorno do canadense vai roubar todas as atenções que seriam destinadas ao colombiano Juan Pablo Montoya, cuja ausência no mítico oval e em provas da Fórmula Indy já remonta a 13 anos.

Vai ser engraçado, isso…

Ponto de ônibus (37)

foto-726235RIO DE JANEIRO – Foto tão rara quanto histórica do interior da Rodoviária Novo Rio, em 1971. Construída seis anos antes pelo então governador Carlos Lacerda, substituiu o antigo Terminal Mariano Procópio, localizado na Praça Mauá. Porém, há quem diga que num futuro próximo o embarque e desembarque dos ônibus do Rio para outros municípios, estados e países será transferido para o Irajá, num terminal mais moderno. É esperar pra ver…

No instantâneo, quatro modelos diferentes de ônibus se sobressaem. Em primeiro plano, dois carros da Viação Cometa. O de trás é um Ciferal Turbo Jumbo e o da frente é também um Ciferal, mas o Flecha de Prata.

Na plataforma seguinte, vemos o famoso Caio Gaivota da linha Rio-São Paulo da Única e um dos primeiros modelos Nielson Diplomata encarroçados para o Expresso Brasileiro, que também fazia a rota Rio-São Paulo. Parcialmente encoberto pelo coletivo da Expresso Brasileiro, está um dos ônibus Mercedes-Benz monobloco da Viação Itapemirim.

Detalhe para três dos outdoors ao fundo, com propagandas dos cigarros LS (que fim deu?) e Hollywood, além dos aparelhos eletrônicos Telefunken.

Fim da linha para o “Red Dragon” em 2014

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RIO DE JANEIRO – Acabou a temporada da Gainsco/Bob Stallings Racing. É o que diz o sempre bem informado jornalista John Dagys no Sportscar365.net. A equipe do Texas, que tinha planos de fazer somente as quatro provas do Tequila Patrón North American Endurance Challenge (NAEC) do Tudor United SportsCar Championship, mais a etapa de Austin, decidiu por não correr mais neste ano.

Segundo as informações que vêm dos EUA, a prioridade para o time vem sendo a recuperação do piloto Memo Gidley, que sofreu severas lesões num braço e numa perna após o pavoroso acidente durante as 24 Horas de Daytona, onde o piloto do protótipo Corvette DP bateu na traseira da Ferrari F458 do italiano Matteo Malucelli.

A equipe decidiu amparar Gidley no que fosse preciso e a Gainsco/Bob Stallings, que podia optar por tentar trazer um novo chassis para substituir o Riley com carcaça de Corvette DP que foi inteiramente destruído, mudou seus planos para as 12 Horas de Sebring, próxima prova do TUSC e do NAEC, bem como o restante da temporada.

Os esforços do time serão concentrados para um retorno em 2015 a tempo inteiro na competição. Os fãs do “Red Dragon”, que hoje estão tristes, esperam ser amplamente recompensados no futuro.

Foto: Corvette DP da Gainsco/Bob Stallings em Daytona (John Dagys/Sportscar365.net)

Discos eternos – Tim Maia (1970)

Capa Tim Maia 1970

RIO DE JANEIRO – Enquanto nos anos 60, a Jovem Guarda dava seus últimos suspiros e Roberto Carlos partia célere para assumir o posto de artista mais popular do país, um mulato gordinho, que passou parte da adolescência nos EUA tentava a sorte na música cantando em inglês. E principalmente, investindo num gênero que ainda não tinha espaço por aqui: a Soul Music.

O mulato gordinho em questão era Tim Maia, nascido e criado na Tijuca, amigo de Erasmo Carlos, com quem trocava cartas entusiasmadas quando esteve fora do país. Um assinava “Tim Jobim” e o outro devolvia como “Erasmo Gilberto”. Mas enquanto Erasmo virava o Tremendão e amigo-de-fé-irmão-camarada de Roberto, Tim passava o pão que o diabo amassou. Foi preso, deportado e passou fome e frio em São Paulo até conseguir a indicação de Roberto para gravar na CBS.

Sob a produção do exigente Evandro Ribeiro, Tim não conseguiu fazer suas músicas saírem como queria. Brigou com geral na gravadora e virou persona non grata. Na RGE, para onde iria por intermédio de Erasmo, tentar fazer um compacto e depois o primeiro – e sonhado – disco, aconteceu a mesma coisa e Tim, sabendo que sua hora tinha chegado na música brasileira, ficava para trás.

Foi aí que a sorte lhe sorriu: uma fita levada por Jairo Pires, que o conheceu na CBS como técnico de gravação e que estreava na Philips como produtor, estourou como uma bomba numa das reuniões mensais. Nela estava gravada a sensacional “Primavera”, de Sílvio Rochael e Cassiano. Naqueles idos anos, nada parecido se ouvira por aqui.

Quando o inverno chegar… eu quero estar junto a ti… pode o outono voltar… eu quero estar junto a ti… porque… é primavera… te amo… é primavera… te amo… meu amor…

Nelson Motta, que ouviu a fita entusiasmado, sentiu “cheiro de gol” e pediu que Tim aparecesse na Philips. Ele foi, e mostrou outras músicas. Uma delas, a bossa-nova “These Are The Songs”, saiu em compacto com Elis Regina e Tim, aprovadíssimo pelos Mutantes (que os conheciam do programa Quadrado & Redondo, apresentado por Débora Duarte e Sérgio Galvão na Bandeirantes) e também por Erasmo Carlos, que saía da RGE nessa mesma época e mudava para a gravadora dirigida por André Midani, foi contratado para fazer seu primeiro disco.

Movido a combustíveis alternativos, Tim varou noites no Estúdio Scatena em São Paulo, junto com Jairo Pires e Arnaldo Saccomani, para conseguir que os músicos fizessem o som que queria, e que os maestros Waltel Branco, Waldyr Arouca Barros e Cláudio Roditi transcrevessem os arranjos que o cantor lhes passavam “de boca”.

Com o auxílio luxuoso do conjunto vocal Os Diagonais (que tinha Cassiano, guitarrista-base das gravações, além de Camarão, Marcos e Fernando) e de músicos como o lendário baixista Capacete, Paulinho Batera, Zé Carlos, Guilherme, Garoto e Carlinhos, Tim foi o responsável por um dos maiores petardos musicais do país nos anos 70.

O disco abre com “Coroné Antônio Bento”, uma brincadeira de Camarão, um dos vocalistas dos Diagonais, que caiu no gosto de Tim imediatamente. Nascia uma fórmula que o cantor exploraria nos seus primeiros trabalhos: o baião-soul.

“Cristina”, escrita em parceria com Carlos Imperial, teria sido uma homenagem a uma bela morena chamada… Cristina e que, segundo a lenda, tinha um bumbum descomunal, que enlouquecia o cantor. ‘Vou ver Cristina…’, cantarolava com cara safada, seguindo o rebolado de sua musa. Mas há quem diga, como o biógrafo de Imperial, Denílson Monteiro, que ‘Vou ver Cristina…’ era uma senha para sair do apartamento do compositor e ‘apertar um baseado’. Imperial era avesso a tóxicos e Tim Maia não dispensava um bauretezinho.

O funk “Jurema”, a terceira faixa, é uma menção à famosa entidade Cabocla Jurema, saudada como Joo-rey-mah Queen of The Jungle. Curtinha, mas muito bacana – tanto quanto “Padre Cícero”, uma das melhores do disco e cuja métrica Tim aproveitou para transformar a canção em “João Coragem”, tema do personagem homônimo da novela Irmãos Coragem, grande sucesso da televisão brasileira naquele ano.

Tim ainda gravou uma bonita canção de Natal – “Risos” (de Fábio e Paulo Imperial), “Eu Amo Você”, outra lindíssima composição de Cassiano e Sílvio Rochael, além da belíssima balada “Azul da Cor do Mar”, que teve como inspiração as inúmeras desilusões que o cantor, auto-intitulado preto, gordo e cafajeste, sofria com as meninas que iam para o apartamento onde morava, na Rua Real Grandeza, 171, em Botafogo, para ficar com o cantor Fábio e seu empresário, Glauco.

Com raiva e sentimento, Tim ligava o gravador e, acompanhado do violão, mandava ver.

Ah… se o mundo inteiro me pudesse ouvir… tenho tanto pra contar… dizer que aprendi… que na vida a gente tem que entender… que um nasce pra sofrer… enquanto o outro ri… mas quem sofre sempre tem que procurar… pelo menos vir achar… razão para viver… ter na vida um motivo pra sonhar… ter um sonho todo azul… azul da cor do mar…

Nascia assim o mestre da “cornitude” e Tim Maia começava, com este primeiro e fantástico disco, sua trajetória polêmica e ao mesmo tempo brilhante dentro do cenário musical brasileiro.

Ficha Técnica de Tim Maia
Selo: Polydor/Universal Music
Produção: Jairo Pires e Arnaldo Saccomani
Gravado nos Estúdios Scatena, em São Paulo, e no Cineac-Trianon, no Rio de Janeiro, em 1970
Tempo total de produção: 40’55″

Músicas:

1. Coroné Antônio Bento (Luiz Wanderley/João do Vale)
2. Cristina (Tim Maia/Carlos Imperial)
3. Jurema (Tim Maia)
4. Padre Cícero (Cassiano/Tim Maia)
5. Flamengo (Tim Maia)
6. Você Fingiu (Cassiano)
7. Eu Amo Você (Sílvio Rochael/Cassiano)
8. Primavera (Vai Chuva) (Sílvio Rochael/Cassiano)
9. Risos (Fábio/Paulo Imperial)
10. Azul da Cor do Mar (Tim Maia)
11. Cristina nº 2 (Carlos Imperial/Tim Maia)
12. Tributo a Booker Pittman (Cláudio Roditi)