Jan e o Esquife

tumblr_mwfz043ECV1qcgmxso1_1280RIO DE JANEIRO – A foto acima traz figura inconfundível do querido Jan Balder ao lado de um dos carros mais folclóricos do automobilismo brasileiro: a BMW que ganhou o apelido de Esquife Voador.

Originalmente, era uma BMW Schnitzer 2002 TI da equipe CEBEM (sigla para Companhia Brasileira de Empreendimentos), na qual o chefe de equipe era Aguinaldo de Góes. Foi o “Arguina”, com uma forcinha do Ciro Cayres, que com um arco de serra deu a partida para o corte das colunas da capota do carro bávaro, fazendo nascer o Esquife Voador, uma BMW sem capota, apenas com o espaço para o habitáculo e um arco de proteção para o piloto. O resto foi preenchido com folhas de alumínio e o carro, logicamente, precisou ter molas e suspensões recalibradas.

Jan, que participou de várias provas com a equipe CEBEM, tem entre seus orgulhos na carreira a vitória nos 1500 km de Interlagos, na reabertura do circuito paulistano, em 8 de março de 1970, em dupla com o próprio Ciro Cayres. Nessa corrida, inclusive, a equipe não dispunha de muitos pneus importados da marca Dunlop e Jan, com uma ajuda do chefe dele na Pirelli, o sr. Bernardini, conseguiu pneus nacionais Cinturato, que foram úteis para a vitória do Esquife Voador.

Na foto acima, envergando um belíssimo macacão duas peças, talvez um Les Leston, Jan aguarda para participar da prova Duas Horas de Curitiba, em 11 de outubro do mesmo ano.

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9 respostas em “Jan e o Esquife

  1. Curioso. . .sempre imaginei que a origem desse carro houvesse sido um monobloco, talvez de rua mesmo, acidentado na área da capota e posteriormente “convertido” pelo pessoal da CEBEM. . .
    Grande Jan, participou de várias fases do então grandioso automobilismo de competição que se fazia em terras brazucas. . .
    Abraços.
    Zé Maria

    • Muita gente acha que foi um carro capotado pelo Luiz Pereira Bueno numa corrida anterior, mas taí o Jan para esclarecer a situação.

  2. A história do corte num carro inteiro procede. Com relação à reabertura de Interlagos discordo: a primeira prova foi para a final do Torneio BUA de F Ford, evento que teve algumas preliminares de F-Brasil e outras categorias. Há quem diga que Interlagos jamais recebeu público igual. Eu estava lá e me lembro que já era noite e os caminhos de então continuavam congestionados.

  3. A idéia de Aguinaldo foi amplamente apoiada por Ciro Cayres que adorava vento na cara, dos tempos em que corria de Maserati e Ferrari Spyder e de monoposto Mecânica Continental.
    O carro passarinhava a frente, ou como se dizia na época catava frango na reta e em freada.
    Por ser monobloco, ao perder o teto perdeu também a rigidez estrutural, o que comprometia seu desempenho. Inicialmente, sem reforços estruturais no monobloco, apena chapas de carenagem no cockpit, era difícil de pilotar. Tive a oportunidade de ver sua estréia nos 1.500 Km de Interlagos em 1970, acampado na saída da curva 2. Ganhou fácil desde o começo da prova.

  4. Só vi esse carro correr uma vez, nos 500 km de Interlagos de 1971, pilotado pelo Paulão Gomes. Ia bem nas retas, o motor roncava bonito, mas nas curvas 1 e 2 inclinava bastante… Mesmo assim, chegou em quarto.

  5. e onde “KID CABELEIRA” entra nesta história ? Tenho revistas 4 rodas de 1969 ou dos anos 70(ok, ok… sou matusalem…) e é citado que o “tal (KID) cortou a capota com a serra ….a ideia era tentar acompanhar as Alfa ….
    abs a todos ….

  6. Bela história! Queria ter vivido essa época… hehehehe. Tem uma miniatura desse BMW Esquife na Automodelli que sou fissurado, o problema é o preço.

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