30 vezes DTM

RIO DE JANEIRO – O sempre interessante Deutsche Tourenwagen Masters (DTM) dá a largada para a 30ª temporada de sua história neste domingo. Será a primeira etapa de um total de 10 previstas para um campeonato cada vez mais atraente para pilotos, patrocinadores e público – desta vez com provas em cinco países: Alemanha (claro), Áustria, Hungria, Rússia e China, com direito a uma etapa em Guanghzou.

No plantel de inscritos, 23 carros – um número maior que no ano passado. Os pilotos inscritos terão que se adaptar a um novo regulamento de dois pit stops obrigatórios ao longo das corridas – sendo que nenhum deles poderá ser feito sob regime de Safety Car. Todavia, após cada período de neutralização, os pilotos serão obrigados a fazer suas paradas dentro de um prazo máximo de seis voltas.

A temporada tem algumas caras novas: o português Antônio Félix da Costa encontrou abrigo na BMW após ser preterido na Fórmula 1 por Daniil Kvyat na Toro Rosso. Outro novato na categoria é o russo Vitaly Petrov, que também ficou sem chance alguma na categoria máxima e fechou contrato com a Mercedes. O belga Maxime Martin e o suíço Nico Müller também farão seu primeiro ano no certame, que terá a volta de um antigo campeão: Paul Di Resta deixou a Force India e voltou à categoria em que levou o título em 2010.

O brasileiro Augusto Farfus vai para seu 3º ano no DTM, em busca de um troféu inédito para pilotos do país e também da América do Sul. Após uma grande performance em 2013, com direito ao vice-campeonato, o curitibano tem a difícil missão de interromper o domínio do alemão Mike Rockenfeller, da Audi.

Vamos aos pilotos:

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#1 MIKE ROCKENFELLER (Alemanha)
Idade: 30 anos (31/10/1983)
Equipe: Audi Sport Team Phoenix
Estreia no campeonato: 2007
Corridas: 71
Vitórias: 3
Pole positions: 3
Melhores voltas em corrida: 3
Campeão em 2013 com 142 pontos

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#2 TIMO SCHEIDER (Alemanha)
Idade: 35 anos (10/11/1978)
Equipe: Audi Sport Team Phoenix
Estreia no campeonato: 2000
Corridas: 128
Vitórias: 6
Pole positions: 11
Melhores voltas em corrida: 10
Campeão do DTM em 2008 e 2009; 10º colocado em 2013 com 37 pontos

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#3 AUGUSTO FARFUS (Brasil)
Idade: 30 anos (03/09/1983)
Equipe: BMW Team RBM
Estreia no campeonato: 2012
Corridas disputadas: 20
Vitórias: 4
Pole positions: 3
Melhores voltas em corrida: 1
Vice-campeão em 2013, com 116 pontos

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#4 JOEY HAND (EUA)
Idade: 35 anos (10/02/1979)
Equipe: BMW Team RBM
Estreia no campeonato: 2012
Corridas disputadas: 20
Vitórias: 0
Pole positions: 0
Melhores voltas em corrida: 1
12º colocado em 2013, com 32 pontos

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#5 CHRISTIAN VIETORIS (Alemanha)
Idade: 25 anos (01/04/1989)
Equipe: Original-Teile AMG Mercedes
Estreia no campeonato: 2011
Corridas disputadas: 30
Vitórias: 0
Pole positions: 1
Melhores voltas em corrida: 1
4º colocado em 2013, com 77 pontos

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#6 PAUL DI RESTA (Grã-Bretanha)
Idade: 28 anos (16/04/1986)
Equipe: AMG Mercedes
Estreia no campeonato: 2007
Corridas disputadas: 42
Vitórias: 6
Pole positions: 5
Melhores voltas em corrida: 7
Campeão em 2010

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#7 MATTIAS EKSTRÖM (Suécia)
Idade: 35 anos (14/07/1978)
Equipe: Audi Sport Team Abt Sportsline
Estreia no campeonato: 2001
Corridas: 133
Vitórias: 17
Pole positions: 17
Melhores voltas em corrida: 10
Campeão em 2004 e 2007; 7º colocado em 2013, com 68 pontos

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#8 MIGUEL MOLINA (Espanha)
Idade: 25 anos (17/02/1989)
Equipe: Audi Sport Team Abt Sportsline
Estreia no campeonato: 2010
Corridas: 41
Vitórias: 0
Pole positions: 2
Melhores voltas em corrida: 1
17º colocado em 2013, com 19 pontos

BMW M4 DTM 2014 #9 (Spengler) Front Side

#9 BRUNO SPENGLER (Canadá)
Idade: 30 anos (23/08/1983)
Equipe: BMW Team Schnitzer
Estreia no campeonato: 2005
Corridas disputadas: 93
Vitórias: 14
Pole positions: 16
Melhores voltas em corrida: 14
3º colocado em 2013, com 82 pontos

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#10 MARTIN TOMCZYK (Alemanha)
Idade: 32 anos (07/12/1981)
Equipe: BMW Team Schnitzer
Estreia no campeonato: 2001
Corridas: 131
Vitórias: 7
Pole positions: 8
Melhores voltas em corrida: 7
Campeão em 2011; 19º colocado em 2013, com 10 pontos

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#11 GARY PAFFETT (Grã-Bretanha)
Idade: 33 anos (24/03/1981)
Equipe: Euronics AMG Mercedes
Estreia no campeonato: 2003
Corridas disputadas: 102
Vitórias: 20
Pole positions: 10
Melhores voltas em corrida: 9
Campeão em 2005; 6º colocado em 2013, com 69 pontos

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#12 ROBERT WICKENS (Canadá)
Idade: 25 anos (13/03/1989)
Equipe: FREE MAN AMG Mercedes
Estreia no campeonato: 2012
Corridas disputadas: 20
Vitórias: 1
Pole positions: 1
Melhores voltas em corrida: 0
5º colocado em 2013, com 70 pontos

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#15 EDOARDO MORTARA (Itália)
Idade: 27 anos (12/01/1987)
Equipe: Audi Sport Team Abt
Estreia no campeonato: 2011
Corridas disputadas: 30
Vitórias: 2
Pole positions: 1
Melhores voltas em corrida: 0
21º colocado em 2013, com três pontos

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#16 ADRIEN TAMBAY (França)
Idade: 23 anos (25/02/1991)
Equipe: Audi Sport Team Abt
Estreia no campeonato: 2012
Corridas: 20
Vitórias: 0
Pole positions: 0
Melhores voltas em corrida: 0
14º colocado em 2013, com 30 pontos

BMW M4 DTM 2014 #17 (Glock) Side

#17 TIMO GLOCK (Alemanha)
Idade: 32 anos (18/03/1982)
Equipe: BMW Team MTEK
Corridas: 10
Vitórias: 1
Pole positions: 0
Melhores voltas em corrida: 0
9º colocado em 2013, com 40 pontos

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#18 ANTONIO FÉLIX DA COSTA (Portugal)
Idade: 22 anos (31/08/1991)
Equipe: BMW Team MTEK
Estreante no DTM
Campeão da Fórmula Renault 2.0 NEC em 2009; 3º colocado da World Series by Renault em 2013

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#19 DANIEL JUNCADELLA (Espanha)
Idade: 22 anos (07/05/1991)
Equipe: Petronas Mercedes AMG
Corridas: 10
Vitórias: 0
Pole positions: 0
Melhores voltas em corrida: 0
16º colocado em 2013, com 21 pontos

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#20 VITALY PETROV (Rússia)
Idade: 29 anos (08/09/1984)
Equipe: Mercedes AMG
Estreante no DTM
Vice-campeão da GP2 Series em 2009; disputou três temporadas no Mundial de F-1 entre 2010 e 2012

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#21 JAMIE GREEN (Grã-Bretanha)
Idade: 31 anos (14/06/1982)
Equipe: Audi Sport Team Rosberg
Estreia no campeonato: 2005
Corridas: 93
Vitórias: 8
Pole positions: 7
Melhores voltas em corrida: 13
11º colocado em 2013, com 35 pontos

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#22 NICO MÜLLER (Suíça)
Idade: 22 anos (25/02/1992)
Equipe: Audi Sport Team Rosberg
Estreante no DTM
Campeão da Fórmula Renault Suíça em 2009; 5º colocado da World Series by Renault em 2013

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#23 MARCO WITTMANN (Alemanha)
Idade: 24 anos (24/11/1989)
Equipe: BMW Team RMG
Corridas: 10
Vitórias: 0
Pole positions: 1
Melhores voltas em corrida: 2
8º colocado em 2013, com 49 pontos

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#24 MAXIME MARTIN (Bélgica)
Idade: 28 anos (20/03/1986)
Equipe: BMW Team RMG
Estreante no DTM
6º colocado no Mundial FIA GT1 em 2011; duas participações nas 24 Horas de Le Mans

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#25 PASCAL WEHRLEIN (Alemanha)
Idade: 19 anos (18/10/1994)
Equipe: Gooix Jewelry Mercedes AMG
Corridas: 10
Vitórias: 0
Pole positions: 0
Melhores voltas em corrida: 1
22º colocado em 2013, com três pontos

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Ratz

1994 Brazilian Grand Prix.

RIO DE JANEIRO – Ele foi um dos protagonistas do trágico fim de semana do GP de San Marino de 1994. Mas um protagonista que, ao longo de 20 anos, desempenhou um papel de segundo plano, face o fato de que, no dia seguinte à sua morte, faleceu ninguém menos que Ayrton Senna.

O austríaco Roland Ratzenberger, que perdeu a vida no treino de classificação daquela corrida, no dia 30 de abril, um sábado, nunca teve o reconhecimento merecido. Talvez porque sua carreira não fosse tão profícua quanto a do tricampeão do mundo. Muito provavelmente porque não passava de um novato de 33 anos pagando US$ 500 mil por uma vaga numa equipe tão estreante quanto ele, a Simtek.

O amigo Pedro Migão, dono do ótimo Ouro de Tolo, me pediu um texto sobre o piloto. Escrevi o artigo, publicado aqui. A ideia é alertar que, a cada ano que passa, mais exaltamos Senna e mais esquecemos de Ratzenberger  – o que faz muito sentido.

Mas, nesse ano, as lembranças do austríaco estão mais vivas do que nunca.

A galera do Grande Prêmio, com a revista eletrônica Warm Up, fez um material sensacional sobre o fim de semana fatídico de San Marino e o relato do pai de Roland, Rudolf Ratzenberger, é das coisas mais espetaculares que já vi. Recomendo vivamente.

Boa leitura.

Breve retorno

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RIO DE JANEIRO – O colombiano Juan Pablo Montoya voltará às provas da Nascar neste ano. A equipe Penske, que o contratou para disputar a temporada 2014 da Fórmula Indy, confirmou que o piloto de 38 anos estará a bordo de um terceiro Ford Fusion do time, que será inscrito com o número #12, para pelo menos duas corridas. E em circuitos ovais.

JPM será visto no Michigan Speedway, na etapa que acontecerá no dia 15 de junho e também na Brickyard 400, em Indianápolis, no mês seguinte – dia 27 de julho. Ambas as datas não têm corridas previstas no calendário da Fórmula Indy.

Interessante notar que não há, até este momento, qualquer menção a uma possível participação do sul-americano nas provas de misto, que são uma especialidade dele. Por enquanto, não há indícios de que ele correrá em Sonoma e Watkins Glen.

“Michigan e Indianápolis são duas provas importantes para a Penske. Nós sabemos que Juan tem habilidade para lutar por vitórias nesses eventos enquanto ainda se concentra em seu programa integral na Fórmula Indy”, afirmou o big boss da equipe, Roger Penske.

O colombiano está empolgado com a possibilidade de dar ao time uma vitória inédita.

“É difícil de acreditar, mas Roger Penske nunca venceu a Brickyard 400″, disse o colombiano, que venceu as 500 Milhas de Indianápolis com a Ganassi em 2000.

“Acho que Brad, Joey e eu vamos dar a Roger e à equipe Penske uma ótima oportunidade de eliminar isso da lista, e também deveremos ser fortes em Michigan”.

Outsiders: o versátil Gijs Van Lennep

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RIO DE JANEIRO – A carreira deste piloto, quando vista do ângulo da Fórmula 1, pode não ter sido das melhores. Mas a coisa muda de figura se analisadas as performances dele quando disputou provas de longa duração. O holandês Johnkeer Gijsbert Van Lennep, ou melhor, Gijs Van Lennep, merece a distinção de um dos mais versáteis competidores do automobilismo em todos os tempos.

Nascido em Aerdenhout, no dia 16 de março de 1942, Van Lennep iniciou sua carreira na Fórmula Vê, passando à Fórmula 3, como piloto da DAF, que chegou a fabricar monopostos de competição e hoje é mais conhecida pelos caminhões monstruosos que disputam o Rali Dakar.

Em 1966, tornou-se integrante do Racing Team Holland, participando com o irmão David de provas como os 1000 km de Spa-Francorchamps e Nürburgring. A dupla fraterna venceu ambas as provas na categoria Esporte até 2 litros, com um Porsche 906. .

Em 1967, disputou as 12 Horas de Sebring, dividindo um Porsche 906 E com Udo Schütz e Rolf Stommelen. O trio não chegou ao fim da disputa em decorrência de um acidente. Naquele mesmo ano, fez diversas outras corridas com os modelos da marca alemã, sem conseguir resultados de vulto.

Nos 1000 km BOAC de 1968, em Brands Hatch, disputados no mesmo dia da morte de Jim Clark, ocorrida em Hockenheim, Van Lennep dividia um Porsche 910 com o compatriota Ben Pon. O carro foi inteiramente destruído num forte acidente e Gijs voltaria às provas longas somente um ano mais tarde, a bordo de um Abarth em parceria com o também holandês Toine Hezemans. Acabaram em 23º lugar, com o motor do carro quebrado.

Em maio de 1969, experimentou um Alpine A220 durante os 1000 km de Spa (17º colocado, em dupla com Jean-Claude Andruet) e fez os 1000 km de Nürburgring num Abarth-Osella 2 litros. No fim do ano, voltou a andar de Porsche: a Racing Team Holland adquirira um novo 908/02 K e ele foi escalado junto a Toine Hezemans para competir nos 1000 km de Paris.

Com o carro alaranjado, a dupla marcou a pole position, mas acabou a prova na 4ª colocação. O resultado fez surgir um convite para Gijs ingressar no Racing Team AAW para a disputa do World Sportscar Championship de 1970.

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O começo não foi animador: abandonos em Daytona e Sebring. Mas vieram os 1000 km BOAC em Brands Hatch, um 4º lugar na geral e a vitória na categoria Esporte até 3 litros. Em 17 de maio, Van Lennep e seu parceiro Hans Laine estrearam o poderoso Porsche 917 K com motor 5 litros. Com ele, terminaram num honroso 5º lugar nos 1000 km de Spa-Francorchamps.

Van Lennep ainda correria pelo Racing Team AAW em duas provas da Intersérie: venceu uma bateria disputada no circuito citadino de Norisring, na Alemanha e foi segundo na outra. Acabou em 2º lugar na classificação geral. No circuito de Höckenheim, fechou em terceiro.

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Antes do fim do ano, o holandês assinou com uma nova equipe e ganhou um novo parceiro: Gérard Larrousse, competente piloto francês, estreou com Van Lennep a bordo nas 6 Horas de Watkins Glen, num fim de semana que tinha também uma prova da Can-Am, série estadunidense de protótipos.

Com o mesmo Porsche 917K da equipe Martini International, a dupla chegou em nono na prova do Mundial de Carros-Esporte e Van Lennep ainda seria 6º colocado no dia seguinte, na corrida da Can-Am. O cara era mesmo versátil…

Para fechar o ano, o holandês emendou participações numa prova de Esporte-Protótipo na Suécia, disputou os 1000 km de Paris e as 9 Horas de Kyalami, esta com um Porsche 908/02K, terminando em quarto lugar.

O ano de 1971 seria um dos mais movimentados da carreira de Gijs Van Lennep. Com um contrato para acelerar os Porsches da equipe Martini International, ele ainda encontrou fôlego para estrear na Fórmula 1 e andar de carros de Turismo.

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Em janeiro, lá estava o holandês em Daytona para competir ao lado de Vic Elford, outro dos mais versáteis pilotos de todos os tempos. A dupla largou em 11º nas 24 Horas, mas acabou vítima de um acidente. Com Larrousse, o holandês chegou em 9º lugar nos 1000 km BOAC em Brands Hatch e com Helmut Marko (sim, ele mesmo), abandonou em Monza, com um problema de cabo de acelerador.

Após um motor quebrado em Spa-Francorchamps, Van Lennep deu uma pausa com os Porsches e foi correr de Alfa Romeo T33/3 na lendária Targa Florio, nas estradas da Sicília. Chegou em 2º, correndo em dupla com Andrea de Adamich, outro que já foi visto na série dos Outsiders.

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Em 30 de maio, a bordo do novo 908/03 da Martini International, veio o primeiro pódio – 3º lugar nos 1000 km de Nürburgring. E no dia 13 de junho de 1971, a maior vitória da carreira de Gijs Van Lennep: a conquista das 24 Horas de Le Mans.

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A bordo do Porsche 917 K número #22 da lendária equipe do vermute italiano, Van Lennep e Helmut Marko foram absolutos: completaram mais de 5,3 mil km ao longo de um dia – distância que foi recorde absoluto em Sarthe por mais de quatro décadas. Não satisfeitos, completaram a prova na média horária de 222,304 km/h, que também foi recorde por longo período.

O holandês não parava e na semana seguinte, diante de seu público, encarou o desafio da estreia na Fórmula 1. Com um Surtees TS7 pintado de laranja, Gijs Van Lennep faria sua primeira prova na categoria máxima do automobilismo.

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Chovia no dia da corrida e o piloto largou da 21ª posição. A experiência em provas longas ajudou-o a encarar o rigor da disputa e Van Lennep, sem um equipamento competitivo, fez uma corrida excelente. Terminou em 8º lugar, muito próximo da zona de pontuação.

Após uma rápida experiência com a Alfa Romeo GTAm, que rendeu a ele e a Toine Hezemans um 2º lugar numa prova de Turismo disputada em Nürburgring, Van Lennep fez sua estreia na equipe John Wyer com a lendária pintura Gulf em seu carro.

Sucedendo Pedro Rodriguez, morto numa prova de Intersérie em Norisring semanas antes, o holandês dividiu a pilotagem com Jo Siffert nas 6 Horas de Watkins Glen. A dupla chegou em 2º lugar. Van Lennep fez ainda mais uma incursão na Can-Am, terminando em nono. Ele chegou a ser cotado para disputar o GP dos EUA de Fórmula 1, mas o Surtees reservado a ele ficou com Sam Posey. Nada mais importava: o ano de 1971 tinha sido excelente em todos os sentidos.

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O fim dos poderosos protótipos 5 litros dentro do regulamento do World Sportscar Championship provocou mudanças radicais e a Gulf-John Wyer, sem Pedro Rodriguez e também sem Jo Siffert, que morreu numa prova extracampeonato de F-1 em Brands Hatch, trocou tudo: veio o protótipo Gulf-Mirage MR6 com motor Ford Cosworth DFV e Van Lennep teria como novo colega de esquadra o britânico Derek Bell.

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Num ano amplamente dominado pela Ferrari, tudo o que eles conseguiram foi um 4º lugar nos 1000 km de Spa-Francorchamps. Mas Van Lennep não guiou apenas para John Wyer: voltou a colaborar com a Autodelta, competindo – e abandonando – na Targa Florio junto com Vic Elford e fez as 24 Horas de Le Mans com um Lola T280 da Écurie Bonnier Switzerland, do antigo piloto de Fórmula 1 Joakim Bonnier.

Infelizmente, a corrida terminaria de forma trágica para ele e seu outro parceiro, Gérard Larrousse. Quando Jo Bonnier estava a bordo do carro número #8, na 18ª hora de corrida, houve uma colisão com a Ferrari 365 GTB/4 do piloto Florian Vetsch. Na batida, Bonnier varou o guard-rail e o Lola T280, destruído, tinha o corpo do piloto sueco inerte e muito ferido. Bonnier morrera, aos 42 anos de idade.

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Campeão europeu de Fórmula 5000, categoria de monopostos que ganhava bastante popularidade pelo seu custo baixo e potência próxima dos Fórmula 1, Van Lennep voltou a guiar um Porsche com as cores da Martini International. Com um 911 Carrera RSR, venceu a Targa Florio em dupla com o suíço Herbert Müller e foi 4º colocado nas 24 Horas de Le Mans.

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O holandês voltou a sentar num Fórmula 1 para três corridas a bordo dos Iso-Rivolta IR patrocinados pela Marlboro e alinhados pela equipe de Frank Williams. Em seu retorno às pistas da categoria, cravou logo um 6º lugar em Zandvoort, numa corrida tristíssima – a da morte de Roger Williamson. Foi nono no GP da Áustria e abandonou no GP da Itália, por problemas de superaquecimento no motor Cosworth de seu carro.

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A temporada seguinte marcou a continuidade do binômio Porsche-Van Lennep nas provas de Endurance. Desta vez, a Martini Racing Team tinha um novo “brinquedinho”: um Porsche 911 Carrera RSR Turbo, com motor 2,1 litro equipado com turbina KKK, capaz de fazer o carro atingir mais de 500 HP de potência. Com ele, Van Lennep e Herbert Müller chegaram em 5º nos 1000 km de Monza e em Brands Hatch, 3º em Spa, 6º em Nürburgring, 2º nas 24 Horas de Le Mans e nas 6 Horas de Watkins Glen.

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Em paralelo, o holandês fez mais uma aparição na Fórmula 1, novamente pela Iso de Frank Williams. Ele foi chamado para disputar o GP da Bélgica, no circuito de Nivelles-Baulers, substituindo o antigo titular, Richard Robarts. Mesmo partindo da penúltima posição de um grid de 31 carros, Van Lennep conseguiu um razoável 14º lugar. Convocado de novo para guiar em casa, no GP da Holanda, desta vez o piloto não conseguiu um lugar no grid e ficou fora daquela corrida.

O ano de 1975 seria menos profícuo para o piloto nas provas de Endurance: o Porsche 908/03 com motor turbo, embora muito possante, não era ainda confiável e competitivo para derrotar as Alfa Romeo do time de Willi Kauhsen, que levaram de vencida o World Sportscar Championship daquele ano. O jeito, então, foi concentrar um pouco mais as atenções na Fórmula 1.

Naquela temporada, uma empresa holandesa, a HB Bewaking, fabricante de sistemas de alarme, patrocinava a pequena escuderia inglesa Ensign, do antigo piloto e então engenheiro Morris Nunn, que construía seus próprios carros. Era um time de estrutura precária, mas com muita garra e vontade de progredir na categoria máxima. O problema era que o piloto contratado para o Mundial, o também holandês Roelof Wunderink, era muito lento e muito inexperiente.

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Van Lennep, com sua experiência, foi chamado para ajudar e, mesmo sem nenhum treino a bordo do modelo N174, fez o que pôde no GP da Holanda, para o qual a presença do carro com as cores da HB era fundamental – assim o patrocínio poderia permanecer até o resto do campeonato.

Mais uma vez, foi uma corrida com chuva em Zandvoort, pelo menos no início e o piloto chegou a andar em 11º no início, antes da pista secar totalmente e os carros trocarem para pneus slicks. Van Lennep completou num razoável 10º lugar.

Em Paul Ricard, o piloto estreou o novo carro, o N175. Projeto de Dave Baldwin, tinha linhas mais harmoniosas que o antecessor e frente em cunha. A falta de treinos fez Van Lennep chegar em 15º no GP da França. Após não correr em Silverstone, lá foi o holandês para a disputa do GP da Alemanha, em Nürburgring.

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Largando de 24º (penúltimo) no grid, o holandês fez o que lhe foi possível nas primeiras voltas, guiando com máxima prudência e poupando o carro. Em meio à quebradeira geral, após a metade da prova Van Lennep já estava em sétimo. Quando o Hesketh de James Hunt, que vinha em segundo, desistiu, espanto geral: o Ensign N175 estava na zona de pontuação!

Van Lennep levou o carro com o máximo de cuidado. Cinco minutos após a passagem do vencedor Carlos Reutemann, ele cruzou a linha de chegada, conquistando o 6º lugar e entrando para a história como o primeiro piloto do Team Ensign a pontuar na Fórmula 1.

Embora tenha alcançado um feito importante para o time, Morris Nunn optou por não precisar mais dos serviços de Van Lennep. De mais a mais, com 33 anos, o piloto holandês não tinha pretensão de seguir carreira na categoria máxima. E ele também sentiu que seu tempo no automobilismo estava chegando ao fim.

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Assim foi: em 1976, aos 34 anos, Johnkeer Gijsbert Van Lennep despediu-se das pistas de forma clássica: a bordo de um Porsche 936 Turbo, venceu as 24 Horas de Le Mans pela segunda vez na carreira, ao lado da lenda Jacky Ickx. Missão mais do que cumprida.

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Hoje, aos 72 anos, Van Lennep curte uma merecida aposentadoria. Em 1999, mereceu do Real Automóvel Clube Holandês a distinção de “Maior Piloto Holandês” do Século XX, superando os compatriotas Carel Godin de Beaufort, Jan Lammers, Toine Hezemans e Jos Verstappen, entre outros.

Braço duro é isso aí…

RIO DE JANEIRO – O vídeo acima é uma aula de “como não fazer” no automobilismo. As imagens falam por si só o que foi o verdadeiro show de horror perpetrado por Vadim Kogay durante a primeira etapa do Blancpain Endurance Series em Monza, no começo deste mês.

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Kogay, para quem não sabe, é um piloto radicado na Rússia, mas nascido em Karaganda no Cazaquistão, e tem 45 anos de idade. É o moço da foto aí acima e como bem lembrou o meu camarada Verde, do ótimo blog Bandeira Verde, os cazaques étnicos têm cara de japa. E ele deve ter dinheiro bastante para brincar de piloto de competição.

No ano passado, dividiu um Porsche 911 (997) GT3-R da equipe Rinaldi Racing com o alemão Marco Seefried no International GT Open. Não marcou nenhum ponto no campeonato – chegou duas vezes em 12º lugar como melhor resultado. Agora, pela mesma Rinaldi, corre de Ferrari F458 Italia GT3 no Blancpain Endurance Series, na classe Pro-Am Cup.

Pior: o coitado do Seefried continua na equipe, que agora tem um outro piloto russo, Rinat Salikhov. Em Monza, como as imagens denunciam, Kogay fez coisas tenebrosas no cockpit do carro #333 (já sei… já sei… vão dizer que é a ‘meia-besta’) a ponto de John Watson, comentando a transmissão, dizer em tom de galhofa que a fumaça branca que saía do carro era um ‘sinal divino’ para que a demonstração de incompetência de Vadim Kogay fosse interrompida – o que de fato aconteceu: o carro tinha um pneu furado e o russo deu lugar a outro piloto.

Imaginem só o que pode acontecer nas 24 Horas de Spa-Francorchamps se ele continuar a bordo deste carro? Deus me livre…

Alguém sabia disso?

10156139_494833273952132_8867956799480155567_nRIO DE JANEIRO – Via Facebook, o João Marcon me mandou essa e perguntou se eu conhecia algo a respeito de um autódromo em Adrianópolis, um bairro do município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Esse projeto, que nunca saiu do papel, foi matéria da revista Quatro Rodas em sua edição de abril de 1964.

Aí eu pergunto: alguém sabia disso? Alguém tinha ideia que existiu um projeto de autódromo fora da capital?