Sinal de alerta

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RIO DE JANEIRO – A crise recorrente envolvendo Rússia e Ucrânia pela posse da Crimeia pode trazer sérias consequências para o investimento de um grupo russo no automobilismo. Informa o piloto e diretor esportivo da SMP Racing Sergey Zlobin que as contas bancárias do time estão bloqueadas.

A SMP Racing é do banqueiro Boris Rotemberg, cuja fortuna, avaliada em US$ 1,7 bilhão pela Forbes o deixa entre as principais pessoas físicas mais ricas do mundo. Além do investimento no esporte a motor, uma paixão do argentário – que é inclusive amigo pessoal do presidente russo Vladimir Putin, Rotemberg tornou-se o acionista majoritário do Dynamo Moscou, tradicional clube de futebol de seu país. A SMP Racing surgiu há dois anos e vem conquistando espaço nas provas de Endurance – tanto que dois carros com as cores vermelha, azul e branca estão inscritos e prontos para a disputa das 6 Horas de Silverstone na abertura do WEC, no próximo domingo. Isso sem contar quatro Ferrari F458 Italia, três na LMGTC e uma na LMGTE, para a temporada do European Le Mans Series.

Por conta do bloqueio das contas internacionais dos russos, imposto pela União Europeia e pelo governo de Barack Obama como uma forma nada sutil de pressão pelo fim da ação militar da Rússia em território ucraniano – e que pode acabar numa guerra civil, um promissor programa de motorsport pode ir por água abaixo, sem mais nem menos.

A área de ação de Rotemberg no esporte contempla inclusive a Fórmula Indy. A SMP Racing estampa suas cores num dos carros do time de Sam Schmidt, conduzido por Mikhail Aleshin. Também são eles quem pagam as contas de Sergey Sirotkin como piloto reserva e de testes da Sauber, além da participação do jovem piloto na World Series by Renault.

Mas há ainda que se pagar fornecedores, funcionários e o aluguel das garagens nas quais estão os carros do WEC e ELMS. A AF Corse é um exemplo de credora da SMP Racing e se falhar o pagamento, os protótipos Oreca 03 Nissan LMP2 poderão não ser mais vistos nas pistas em breve.

Dentro do prisma atual, é bem difícil que o esporte seja usado como massa de manobra para que uma situação grave como esta seja solucionada. É algo que vai além da esfera automobilística. Envolve ego e poder. Mas pode custar caro, muito caro.

Os aficionados esperam por uma resolução rápida e pacífica desta crise. Caso contrário, a debandada da SMP Racing será terrível para o desenvolvimento do automobilismo russo, para os empregados do time e também para os pilotos – quer sejam daquele país ou os estrangeiros que foram contratados para 2014.

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4 respostas em “Sinal de alerta

  1. Quem dera tivéssemos aqui no Brasil um grupo empresarial ou um empresário que fosse tão disposto a investir em automobilismo, e em diversas categorias de GT, monopostos e protótipos. E, sem querer defender uma parte e/ou criticar a outra, é estranho vermos a postura da União Européia e de Washington, uma vez que a separação da região em questão foi vontade dos moradores locais, que decidiram , aparentemente, democraticamente, sobre o assunto.

  2. É algo que vai além da esfera automobilística que envolve algo que vai além de ego e poder, e sim a sobrevivência de um país diante de um governo imperialista que tenta subjugar seus vizinhos.

    Ou seja, questões geopolíticas, que são muito mais importantes que investimentos bancários ou competições automobilísticas.

  3. Para piorar a situação, a equipe Millennium estará fora da primeira etapa do WEC em Silverstone por desentendimentos financeiros.

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