Legado

RIO DE JANEIRO – O xará Rodrigo Borges fez uma excelente análise do quanto a morte de Ayrton Senna mexeu – mal – com o automobilismo brasileiro. No blog Esporte fino, ele elencou 20 fatos do esporte ocorridos após 1994. Garanto que muitos deles realmente são consequência do fatídico 1º de maio.

Quer conferir? Então clique aqui e leia.

Alguém sabia disso?

10156139_494833273952132_8867956799480155567_nRIO DE JANEIRO – Via Facebook, o João Marcon me mandou essa e perguntou se eu conhecia algo a respeito de um autódromo em Adrianópolis, um bairro do município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Esse projeto, que nunca saiu do papel, foi matéria da revista Quatro Rodas em sua edição de abril de 1964.

Aí eu pergunto: alguém sabia disso? Alguém tinha ideia que existiu um projeto de autódromo fora da capital?

Tem um buraco no meio do caminho…

10259975_10152138366277736_4439390292278740235_nRIO DE JANEIRO – Esta, meus caros leitores e leitoras, é o que dizem ser a pista de rolamento dos boxes do Autódromo Nelson Piquet, em Brasília. O mesmo que, segundo consta, dizem que receberá verba pública para uma reforma que o credencie a sediar uma prova da MotoGP.

Em tempo: tem corrida da Stock Car neste fim de semana, lá mesmo na Capital Federal, no traçado externo de 2,919 km.

Como sempre digo, parabéns aos envolvidos.

Reprodução do instagram do Rian Assis.

Últimos suspiros

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RIO DE JANEIRO – Eu bem que avisei aqui no blog, tanto que, com 27.543 cliques, é o post mais visitado da história do A Mil Por Hora em sua nova fase. Na época, lembro que muitos desdenharam do que eu havia escrito e ninguém deu muito crédito.

Só que é hora de aproveitar, enquanto há tempo: o Autódromo Internacional de Curitiba exala seus últimos suspiros, de fato, neste ano de 2014. No ano que vem, ele deixa de existir e em seu lugar, como a postagem linkada aqui acima já tinha dito, o terreno servirá para a especulação imobiliária e a consequente construção de condomínios residenciais.

Aos fãs do esporte, só resta lamentar. Jacarepaguá, pelo visto, ganha ilustre companhia no rol dos circuitos nacionais que viraram pó e servirão ao bel-prazer das empreiteiras. Triste saber, também, que diversos pilotos e equipes sediadas em Curitiba e adjacências perdem uma pista que, desde 1989, tornou-se uma das mais importantes do esporte a motor do país após sua reinauguração.

Um novo capítulo de uma triste história, contribuindo para ferir de morte mais uma vez o automobilismo brasileiro.

Saudoso Trovão

521273_577871685559891_1695632241_nRIO DE JANEIRO – O ano era 1992. Tinha sido, inclusive, uma temporada especial para Luiz Antonio Greco porque, com a chancela da Fiat, ele e seu filho Fábio criaram a Fórmula Uno, de imenso sucesso nas pistas Brasil afora. Um campeonato que começou com 20 carros em Tarumã e fechou com mais de 50 na finalíssima em Interlagos jamais pode ser chamado de fracasso.

Porém, no dia 23 de dezembro, quando passava merecidas férias em Miami, na Flórida (EUA), o Trovão passou mal de repente e morreu, jovem ainda. 57 anos de intensa vida. Ficou o vazio e a saudade de um dos homens mais importantes da história do automobilismo brasileiro.

Podemos dizer que o profissionalismo do esporte por aqui teve em Greco um de seus alicerces. Tão jovem quanto nos deixou, ele foi alçado à condição de diretor da equipe Willys quando Christian Heins morreu tragicamente nas 24 Horas de Le Mans de 1963. Passou para o outro lado do balcão e teve sob sua condução alguns dos maiores pilotos do nosso país. Não havia prova que as Berlinetas Interlagos não fossem favoritas. Uma tradição que passou por carros feito o Mark I, o Bino e os lendários Maverick Divisão 1 e Divisão 3 de sua equipe.

Em meados dos anos 70, Greco deu um tempo das pistas, mas o lendário chefe de equipe voltou em 1984, com direito inclusive à retomada da parceria com Luiz Pereira Bueno. Com Lian Duarte e Fábio Greco, o Trovão teve a alegria suprema de um título do Brasileiro de Marcas, a bordo de outra lenda: o Ford Escort com a indefectível decoração do carro da foto acima. Em 1991, preparou os modelos Voyage, da Volkswagen. Foi sua única experiência com esse carro, pois logo criou a Fórmula Uno antes de nos deixar fisicamente.

Mas a sua história, Greco… ah! Essa história é eterna, saudoso Trovão. Felizmente você nos deixou algo a que podemos nos apegar e rememorar.

Deu MC Tubarão na abertura do Gaúcho de Endurance

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RIO DE JANEIRO – Quarenta carros na pista e um festival de sons e cores. Assim foi a primeira etapa do Campeonato Gaúcho de Endurance, disputada em prova de 3 horas de duração no tradicional Autódromo de Tarumã, em Viamão. Um velho conhecido das provas do certame levou a melhor na corrida inaugural: o MC Tubarão de Tiel de Andrade resistiu brilhantemente ao rigor da disputa e faturou a vitória após 137 voltas percorridas no circuito de 3,016 km de extensão.

Quem disputou a vitória palmo a palmo com o #5 foi o protótipo MRX número #12 de Jindra Kraucher/Luciano Cardoso, recuperado após um acidente na qualificação. A dupla brigou o quanto pôde pelo primeiro posto, mas acabou mesmo em 3º lugar, uma volta atrás do vencedor. A segunda posição foi do MRX #65 de Nílson Ribeiro/José Cintra Ribeiro: os sul-matogrossenses chegaram a 15″186 do MC Tubarão e faturaram o primeiro lugar na subclasse II de protótipos.

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Pole position, o MR18 Audi Turbo dos irmãos Felipe e Vinícius Roso, ajudados pelo sempre rápido Cláudio Ricci, enfrentou alguns problemas. Tanto que ao fim da primeira hora, o carro #4 estava atrasado quatro voltas em relação aos líderes, desvantagem que subiu para 10 passagens ao fim da segunda hora. Refeitos dos percalços, ainda conseguiram levar o carro ao 6º posto na geral e quarto na subclasse I.

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Outro favorito, o MRX #10 de Tigrinho Almeida/Machão Cardoso/Vicente Orige também não teve chances de repetir seus desempenhos de outras provas. A exemplo do #4, tiveram problemas e perderam 10 voltas já ao fim da primeira hora de disputa. Recuperaram duas passagens apenas e terminaram em oitavo na classificação final.

Na classe III, o melhor dos inscritos (todos protótipos Spyder Race), foi o #2 de Sandro Loff/Igor Eberle. A dupla acabou, contudo, em 25º na geral, com 23 voltas a menos que o MC Tubarão. Entre os inscritos da classe IV, a principal dos modelos Turismo, com um velho Maserati Trofeo, Fernando Poeta, Gustavo e Vicente Daudt levaram a melhor: acabaram em 10º lugar na geral, único carro do gênero em meio aos protótipos que dominaram as nove primeiras posições.

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Cléber e Celso Schuler fizeram excelente corrida com o Fiat Linea Turbo e conseguiram o primeiro posto entre os carros da subclasse V, chegando em 12º lugar. Com um carro idêntico, o trio Oppelt/Rodrigues/Silveira foi o segundo no grupo, seguidos por Martin/Souza/Bacher, num antigo Aldee RTT 2 litros.

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Na divisão VI, o Volvo C30 de Lemke/Bacher/Cícero foi o melhor na disputa, completando a prova num razoável 14º lugar na geral. O Gol de Délcio, Marcelo e Renato Dornelles chegou em segundo e a terceira posição foi dos Halmenschlager, noutro VW Gol. E, por fim, na classe VII, triunfo de Rafael Apolo/Daniel Elias, num VW Gol.

O resultado final das 3 Horas de Tarumã:

1º #5 Tiel de Andrade
Protótipo MC Tubarão – categoria I
137 voltas em 2h59min42seg918, média de 139 km/h

2º #65 Nílson Ribeiro/José Cintra Ribeiro
Protótipo MRX Ford Duratec – categoria II
a 15seg186

3º #12 Jindra Kraucher/Luciano Cardoso
Protótipo MRX Audi Turbo – categoria I
a 1 volta

4º #98 Guaracy Costa/Luiz Fernando Costa/Rafael Costa
Protótipo Tornado Hayabusa – categoria II
a 3 voltas

5º #26 Marco Garcia/Oswaldo Scheer Fº
Protótipo MRX Opel Turbo – categoria I
a 7 voltas

6º #4 Felipe Roso/Vinícius Roso/Cláudio Ricci
Protótipo MR18 Audi Turbo – categoria I
a 7 voltas

7º #31 Luiz Carlos Crestani
Protótipo Tornado Hayabusa – categoria II
a 8 voltas

8º #10 Tigrinho Almeida/Machão Cardoso/Vicente Orige
Protótipo MRX Audi Turbo – categoria I
a 8 voltas

9º #19 Jorge Machado
Protótipo Spyder Race – categoria I
a 8 voltas

10º #18 Fernando Poeta/Vicente Daudt/Gustavo Daudt
Maserati Trofeo – categoria IV
a 9 voltas

Show de Endurance!

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RIO DE JANEIRO – Começa hoje em Tarumã o melhor campeonato de Endurance do país. Já que, repito, não temos um certame nacional por inépcia, desinteresse de muitos, revanchismo ou tudo isso junto e mais um pouco, a turma do Rio Grande do Sul dá mais uma aula de como fazer automobilismo.

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Não obstante o que acontece com as categorias Fórmula Júnior e Fórmula Gaúcha, que mostraram crescimento evidente em 2013 e bom nível técnico, a Endurance impressiona por tudo: o colorido dos carros, a qualidade dos equipamentos, a diversidade de categorias e, principalmente, um grid espetacular.

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Era para ser 45 carros, mas um Opala que voltava às pistas bateu num treino e não pôde ser reparado. O MRX #80 da equipe Power Imports explodiu o motor e não larga. Também um Gol inscrito por um pessoal de Guaporé e aguardado em Tarumã, não compareceu. O #12 de Jindra Kraucher/Luciano Cardoso sofreu um acidente e seria reparado para que pudesse alinhar. Caso o time não consiga pôr o carro na pista a tempo, mesmo assim é um plantel de respeito. Afinal, que campeonato hoje neste país coloca 41 carros numa mesma pista?

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A pole position, na ausência do MRX “foguete” normalmente guiado por Juliano Moro, foi do novo protótipo MR18 dos gêmeos Felipe e Vinícius Roso, mais Cláudio Ricci. Com sua aparência de Peugeot 908 HDi FAP LMP1, o protótipo made in Rio Grande cravou 1’01″627, média de 177,52 km/h. A seu lado, na primeira fila, figura o MRX #10 de Cristiano Tigrinho Almeida/Machão Cardoso/Vicente Orige. Tiel de Andrade pôs o MC Tubarão com o terceiro tempo e os sul-matogrossenses Nilson e José Ribeiro qualificaram o MRX com motor Ford Duratec em quarto – pole da categoria II. Serão, aliás, sete classes na pista.

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O site da Cronomap, do querido amigo Aldo Pastore, terá o live timing das 3 Horas de Tarumã, a primeira corrida do Gaúcho de Endurance 2014.

Enquanto isso, em Tarumã…

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RIO DE JANEIRO – O Brasil não aproveita o potencial de seu automobilismo para ter um campeonato de Endurance forte. Azar de quem não sabe fazê-lo, pois a turma do Rio Grande do Sul faz. E com grande competência. A abertura do Campeonato Gaúcho de Endurance é neste fim de semana. E o grid é disparadamente superior a qualquer tentativa feita a nível nacional nos últimos anos.

Vocês duvidam? Pois o Niltão Amaral traz a boa nova. Quase 40 carros inscritos para a primeira prova da temporada. Uma pena que uma das atrações, o Opalão prometido para Marcos Voges/Ramiro Tissot/Paulo Machado sofreu um forte acidente durante os treinos livres e dificilmente reunirá condições de competir.

A temporada 2014 da Endurance gaúcha compreende sete classes em disputa – três de protótipos e quatro para carros de turismo – divididas pelas características mecânicas e também de peso de cada veículo. Os destaques, claro, são os seis protótipos da categoria I, que prometem bastante. O novo MR18 Audi Turbo, que fez sua estreia nas 12 Horas de Tarumã e abandonou cedo com problemas mecânicos, agora teve tempo para ficar ‘no ponto’ e poder lutar contra os MRX e o MC Tubarão que compõem o restante do plantel.

O Niltão estará na pista a bordo do Passat “Canhão” número #81 que ele irá dividir com Cleiton Krause na primeira prova do ano.

As 3 Horas de Tarumã largam domingo a partir de 12h30 de Brasília. Os treinos classificatórios acontecem neste sábado.

Eis a lista completa de inscritos:

Categoria I:
#4 – MR18 Audi Turbo – Vinícius/Felipe Roso/Cacau Ricci
#5 – MC Tubarão – Tiel de Andrade
#10 – MRX Audi Turbo – Machão Cardoso/Tigrinho
#12 – MRX Audi Turbo – Luciano Cardoso/Jindra Kraucher
#26 – MRX Opel Turbo – Osvaldo Scheer/Marco Garcia
#80 – MRX Duratec Turbo – Alexandre Finardi/Felipe Bertuol

Categoria II:
#33 – Tornado Hayabusa – Cali Crestani
#65 – MRX Duratec – Nilson Ribeiro/José Ribeiro
#98 – Tornado Hayabusa – Guaracy/Luiz Fernando/Rafael Costa

Categoria III:
#2 – Spyder VW – Sandro Loff/Moisés Rosemberg
#8 – Spyder VW – Pedro Ávila/Carlos Rabello Neto
#16 – Spyder  – Irineu Camargo
#47 – Aldee VW – Regis Boessio/Rodrigo Messa/Clauber Chisté
#91 – Spyder – Jorge Machado/Maninho Cardoso
#199 – Spyder VW – Gabriel Matzenbacher

Categoria IV:
#6 – Maserati Trofeo – L. Fernando/L. Augusto Bassani
#9 – Maserati Trofeo – Ivo Siviero/Daniel Scarton
#13 – Maserati Trofeo – Tiago Marchesini/Adio Garda
#17 – Montana Stock –
#18 – Maserati Trofeo – Fernando Poeta

Categoria V:
# 1 – Linea Turbo – Celso/Cleber Schuler
#44 – Linea Turbo – Severino O./JB Rodrigues/Zureia
#69 – Audi A3 Turbo – Bacher/Julio Martini/Kauê Souza
#91 – BMW V8 – Jorge/Rui Machado
#143 – Opala 6 cil. – Marcos Voges/Ramiro Tissot/Paulo Machado

Categoria VI:
#3 – Gol G3 – Delcio/Marcelo/Renato Dornelles
#7 – Gol G5 2.0 16v – Aldoir Sette
#41 – Gol G4 – Alexandre/Bruno Romanzini/Everton Poletto
#51 – Escort – Telmo Jr./Vinetou Zambon
#81 – Passat Canhão – Niltão Amaral/Cleiton Krause
#88 – Gol G3 – Ricardo/Juarez Terres
#177 – Volvo C30 – Rodrigo Bacher/Rodrigo Lemke/Cícero Paiva
#222 – Gol G4 – Reinaldo/Ike Halmenschlager

Categoria VII:
#11 – Polo – Airton/Isadora Diehl/Bruno Razia
#21 – Corsa – Jean Elias/Alexandre Steffenon/Bujão
#52 – Corsa – Tamar Peretti
#53 – Gol – Márcio Martins
#63 – Fiesta – Scomazzon/Ed/Erico Postal
#77 – Gol G3 – Daniel Elias

Há algo podre no reino olímpico…

1393578_731388743558291_1314725608_nRIO DE JANEIRO – Foto enviada pelo parceiro Diego Ximenes, que mostra o terreno do antigo Autódromo de Jacarepaguá, dois anos antes dos Jogos Olímpicos de 2016, totalmente devastado e sem absolutamente nada erguido. Cabe lembrar que o circuito foi extinto sob a desculpa de construção do Parque Olímpico e posterior especulação imobiliária do terreno, mais valorizado do que nunca por estar num zoneamento hoje pertencente à Barra da Tijuca, graças ao prefeito maluquinho Cesar Maia, autor da mudança por decreto municipal.

O Comitê Olímpico Internacional não deve estar nem um pouco satisfeito com o que (não) tem visto. Não deve e nem pode. Ninguém cumpre com suas obrigações e ninguém tem palavra. Basta lembrar do que foi dito sobre um circuito substituto da pista desativada e que funcionava exatamente aí como mostra a foto. O automobilismo carioca e brasileiro caiu no conto da carochinha.

O jornal O Globo traz a matéria assinada por Gilberto Scofield Jr. ressaltando a insatisfação tremenda do COI com União, estado e prefeitura, tudo de uma vez. E fica a pergunta:

Será que o COI realmente tinha ideia com quem estava se metendo?

Ingo

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RIO DE JANEIRO – O maior campeão da história do automobilismo brasileiro ganha uma homenagem à altura de tudo o que fez no esporte desde 1972, quando estreou no famoso Festival do Ronco, com um Fuscão. Ingo Hoffmann, que ano passado foi homenageado neste espaço com inteira justiça quando completou 60 anos de idade, virou livro.

A biografia da vida e da carreira do Alemão foi escrita pelo jornalista Tiago Mendonça, que fez um minucioso trabalho de descrição, com muitos e interessantes detalhes, de todos os fatos envolvendo Ingo Hoffmann, passando pela ascensão meteórica à Fórmula 1 até a Stock Car, na qual o piloto agarrou-se com unhas e dentes para defender seu ganha-pão a partir de 1979 – e por lá, ele ficaria por quase 30 anos, ganhando nada menos que DOZE títulos. Um recorde difícil de ser superado.

O lançamento oficial da obra editada pela AutoMotor, do mestre e querido amigo Reginaldo Leme, é nesta segunda-feira, em São Paulo, na Av. Juscelino Kubitschek, 2041, na Livraria da Vila localizada no Shopping JK – a partir de 18h30.

Eu já recebi o meu exemplar (com dedicatória) via correio e agradeço penhoradamente ao Tiago pela deferência. Não poderei comparecer ao evento, por motivos profissionais, mas quem estiver por Sampa, compareça. Ingo Hoffmann certamente estará nesse evento, para sessões de autógrafos.

Ah… e a propósito: o livro é bom demais!

Passou rápido

RIO DE JANEIRO – Peço perdão ao amigo e colega de Fox Sports Flavio Gomes por ser tão pouco criativo. É que o momento não requer isso e sim a lembrança saudosa de quem marcou a história do automobilismo brasileiro e mundial.

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Neste 11 de março, completou-se exatamente um ano da morte do “Barão” Wilson Fittipaldi. O homem que foi pioneiro das narrações no rádio, promotor das Mil Milhas Brasileiras e pai de dois pilotos igualmente pioneiros não só no Brasil como também na Fórmula 1, como únicos construtores da categoria máxima na história da América do Sul, esteja onde estiver, deve estar muito triste com os rumos que o esporte vem tomando por aqui.

E assim como o FG, deixo aqui o link do blog de efemérides do Fernando Figueiredo Mello, que este blogueiro passa a seguir a partir de agora.

Um ano… passou rápido. Até demais.

Dionisio Pastore (1957-2014)

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RIO DE JANEIRO – Triste dia para o automobilismo brasileiro, com a notícia surpreendente e inesperada da morte de Dionisio Pastore, um dos maiores kartistas da história do país. Um infarto nos separou de seu convívio nesta quinta-feira. Ele tinha 56 anos.

Nascido em 1957 no estado de São Paulo, formou-se em arquitetura e urbanismo. Mas foi nas pistas onde pôde mostrar seu talento. Teve que esperar até 1970, quando completou 13 anos, para poder competir. Ficaria nas pistas por quase uma década e meia e nesse período, conquistou títulos do Campeonato Paulista e do Brasileiro, além de disputar por duas vezes o Mundial de Kart.

Como orgulho de toda uma vida, Pastore competiu contra os grandes craques da modalidade: Carol Figueiredo, Waltinho Travaglini, René Lotfi, Zeca Giaffone, Antônio Lopes, Toninho da Matta, Manfredo Holschauer, Mário Sérgio de Carvalho, um certo Ayrton Senna e gringos como Terry Fullerton, Mike Wilson e Peter Koene, entre outros.

No Superkart, categoria que competiu antes de se despedir das pistas no início dos anos 80, teve como adversários nomes como Emerson Fittipaldi, Maneco Combacau, Lian Duarte, Totó Porto, Paulo Carcasci, Oswaldo Negri, Túlio Meneghini e Renato Russo. Recentemente, Pastore voltara a se envolver com a velha paixão dos anos 70, atuando como chefe de equipe, organizador e piloto da categoria “Vintage Kart”.

A toda família e amigos de Dionisio Pastore, enviamos os mais sinceros votos de pêsames através deste blog.

Bigodinho de Zorro

1619453_613841568688373_819770484_nRIO DE JANEIRO – Acredite quem quiser, mas o rapaz aí da foto é ninguém menos que o tricampeão mundial de Fórmula 1 Nelson Piquet, em 1974. Aos 21 anos, ele corria com o sobrenome “Piket”, para não desagradar ao pai, o austero ex-ministro Estácio Souto Maior, que morreria naquele mesmo ano, durante o fim de semana da 3ª etapa do Campeonato Brasileiro de Fórmula Super Vê, que Nelson disputava com um Polar azul-escuro preparado por ele mesmo e patrocinado pela oficina mecânica Ideal e pela Induspina.

Agora… e esse visual do Piquet com o bigodinho hein? Lembra o Zorro, ou não?

Jan e o Esquife

tumblr_mwfz043ECV1qcgmxso1_1280RIO DE JANEIRO – A foto acima traz figura inconfundível do querido Jan Balder ao lado de um dos carros mais folclóricos do automobilismo brasileiro: a BMW que ganhou o apelido de Esquife Voador.

Originalmente, era uma BMW Schnitzer 2002 TI da equipe CEBEM (sigla para Companhia Brasileira de Empreendimentos), na qual o chefe de equipe era Aguinaldo de Góes. Foi o “Arguina”, com uma forcinha do Ciro Cayres, que com um arco de serra deu a partida para o corte das colunas da capota do carro bávaro, fazendo nascer o Esquife Voador, uma BMW sem capota, apenas com o espaço para o habitáculo e um arco de proteção para o piloto. O resto foi preenchido com folhas de alumínio e o carro, logicamente, precisou ter molas e suspensões recalibradas.

Jan, que participou de várias provas com a equipe CEBEM, tem entre seus orgulhos na carreira a vitória nos 1500 km de Interlagos, na reabertura do circuito paulistano, em 8 de março de 1970, em dupla com o próprio Ciro Cayres. Nessa corrida, inclusive, a equipe não dispunha de muitos pneus importados da marca Dunlop e Jan, com uma ajuda do chefe dele na Pirelli, o sr. Bernardini, conseguiu pneus nacionais Cinturato, que foram úteis para a vitória do Esquife Voador.

Na foto acima, envergando um belíssimo macacão duas peças, talvez um Les Leston, Jan aguarda para participar da prova Duas Horas de Curitiba, em 11 de outubro do mesmo ano.

Tanto Faz

TANTO FAZ.jpg2RIO DE JANEIRO – Em ação nas Mil Milhas Brasileiras de 1961, eis um carrinho dos mais simpáticos que já correram por estas plagas: este é o protótipo Tanto Faz, um carro que, visto de um ângulo desfavorável, poderia confundir perfeitamente traseira com dianteira e vice-versa.

Mario Olivetti

Por sugestão do petropolitano Mário Olivetti, que muito fez pelo automobilismo brasileiro e carioca, Renato Peixoto, o saudoso “Martelinho de Ouro”, foi quem transformou um FNM JK batido neste bólido, 350 kg mais leve que o modelo original e muito, muito rápido, já que conservava a mecânica 2 litros. O Tanto Faz era um foguete, mas não fazia curva alguma. Só rodopiava feito pião. O problema foi resolvido de maneira prosaica com um lastro incomum: um saco de areia de 60 kg.

Consta que Olivetti e Peixotinho, após um festival de rodadas ao testar o carro, se aperceberam que ele não tinha nome e soltaram a frase lapidar: “Tanto faz, estamos em teste”. Assim, veio o nome do insólito protótipo.

Olivetti e o também carioca Aílton Varanda se inscreveram para a VI Mil Milhas Brasileiras, disputadas em 25 e 26 de novembro de 1961 e, para espanto geral, terminaram em 3º lugar na classificação geral, com 195 voltas percorridas. A vitória foi dos gaúchos Orlando Menegaz/Ítalo Bertão, numa Carretera Ford número #9, após pouco mais de 15h de disputa. Em segundo, chegaram Christian “Bino” Heins e Chico Landi, aí sim num FNM JK.

Eis o resultado final das Mil Milhas de 1961:

1º #9 Orlando Menegaz/Ítalo Bertão
Carretera Ford – 201 voltas

2º #1 Christian “Bino” Heins/Chico Landi
FNM JK – 201 voltas

3º #5 Mário Olivetti/Aílton Varanda
Protótipo Tanto Faz – 195 voltas

4º #37 José Asmuz/Aristides Bertuol
Carretera Ford – 193 voltas

5º #2 Ivo Rizzardi/Caetano Damiani
Carretera Chevrolet – 192 voltas

6º #10 Mário César Camargo Filho/Bird Clemente
DKW – 191 voltas

7º #11 Luiz Antônio Greco/Juvenal Terra
DKW – 190 voltas

8º #58 Antônio Carlos Avallone/Antônio Carlos Aguiar
Carretera Chevrolet – 189 voltas

9º #44 Valdemar Costa/Valdemar Costa Filho
Simca – 185 voltas

10º #45 Ciro Cayres/Danilo de Lemos
Simca – 183 voltas

Fúria Fenemê

tumblr_n088t3wCum1qcgmxso1_1280RIO DE JANEIRO – Este foi sem dúvida um dos carros que marcou a história do automobilismo brasileiro. Projeto de Toni Bianco, o Fúria vermelho número #26 correu com motor FNM 2 litros do JK durante o ano de 1970, sempre com excelentes resultados.

Quem desfilava sua competência a bordo do protótipo era Jayme Silva, que durante muito tempo foi piloto Simca, ao lado de Ciro Cayres, Fernando “Tôco” Martins e Pedro “Jaú” Aguera. A partir de 1968, com o fim da Simca no país, já que a marca francesa foi absorvida pela Chrysler, Jaime mudou para os carros da “Fenemê”, com mecânica italiana da Alfa Romeo.

Quando o Fúria, um herdeiro direto do conceito do protótipo Bino Ford, foi concebido, Jaime foi a escolha natural para guiá-lo nas corridas de média e curta duração, tendo Ugo Gallina como parceiro nas provas longas como os 1000 km de Brasília e as Mil Milhas.

Mas foi nos eventos em que Jayme guiou sozinho que o carro brilhou: o Fúria FNM foi 2º colocado nos 500 km de Interlagos após uma briga fortíssima com o Bino de Luiz Pereira Bueno, com direito à melhor volta da corrida, na média horária de 176,802 km/h. E na inauguração do Autódromo de Tarumã (foto acima), em 8 de novembro de 1970, Jaime derrotou não só o Bino do “Peroba” como também uma série de outros excelentes carros.

Jayme correu ainda com versões do Fúria equipadas com motores BMW e Lamborghini. E tempos depois, ao deixar o volante, se tornaria um dos mais respeitados preparadores do automobilismo brasileiro, fazendo motores campeões na Stock Car para os irmãos Giaffone.

Primorosa

tumblr_my1hjyZU7z1qcgmxso1_1280RIO DE JANEIRO – Concordo ipsis litteris com o que está escrito na lataria desse FNM JK 2150: uma atravessada primorosa no que parece ser Tarumã. Quem terá sido o autor dessa manobra a bordo desse carro, que eu considero um dos mais elegantes já construídos no país?

Cartas para a redação.

A união faz a força

1620344_661361980593310_1659536087_nRIO DE JANEIRO – Este é o logotipo – cortesia, aliás, do craque Bruno Mantovani – de um novo campeonato que, esperamos, traga fôlego para o combalido automobilismo brasileiro.

Todo mundo sabe de que forma terminou a última temporada do Brasileiro de Grã-Turismo, que foi travestido de Sul-Americano: um certame inacabado, repleto de incertezas com relação ao seu futuro e a categoria praticamente morta, entregue ao “Deus dará”.

Chegamos a imaginar que os carros dos sonhos estariam fora de nossas pistas em 2014, mas foi feito um trabalho de bastidores onde uma das personagens mais importantes nesse processo foi o sr. Johnny Weisz, que iniciou gestões para a sobrevivência do campeonato. Deu certo.

A união fez a força – perdoem pelo dito popular batidíssimo – e a presidente da Fórmula Truck Neusa Navarro Félix confirmou a parceria com o novo campeonato GT Pro, que terá um calendário de seis rodadas duplas e 12 corridas, começando em 17 e 18 de maio com a etapa programada para Interlagos, em São Paulo. Também haverá corridas em Goiânia, Guaporé, Cascavel, Brasília e mais um autódromo no Rio Grande do Sul  – Tarumã ou Santa Cruz do Sul, a definir.

Os fãs até podem não entender como duas categorias tão díspares de conceito poderão conviver nos mesmos autódromos neste ano. A situação do automobilismo brasileiro, repito, está longe de ser a melhor. Mas nem tudo está perdido: a Fórmula Truck agrega a ela o público da GT Pro e vice-versa. Todos sairão ganhando. É o que se espera a partir de agora.

Sucesso à GT Pro nessa união com a Truck. Que renda muitos frutos para todos!

Parabéns aos envolvidos

912550_10201106392170427_373689555_nRIO DE JANEIRO – Como costuma dizer o mequetrefe do Victor Martins em seu blog, é a várzea sobre rodas atacando novamente por estas plagas. A matéria publicada n’O Globo em sua edição do último sábado expõe mais uma ferida do automobilismo brasileiro, em que a CBA e a prefeitura de Ribeirão Preto estão envolvidas numa denúncia de desvio de verbas. Foram repassados R$ 7 milhões, via Ministério do Turismo, para a promoção de cinco corridas de Stock Car naquela cidade do interior paulista. Só que, ao que se sabe, a prestação de contas foi rejeitada.

Além de mais um escândalo, é claro que a matéria aproveitou para mexer com mais outra ferida: a da “construção” do “novo” Autódromo do Rio de Janeiro, sucessor do Autódromo de Jacarepaguá, que até agora é conto de fadas. Ampliem a imagem acima e saberão que teoricamente a obra para a “nova” pista custará R$ 300 milhões. No país dos superfaturamentos, podem ter certeza que esse valor, caso a obra seja feita um dia, vai ser muito mais do que isso.

E o presidente da CBA é o mesmo que disse noutra matéria não saber ao certo se a Fórmula 1 é a melhor opção para os pilotos do país. Pode não ser a melhor, mas ainda é uma das mais importantes.

Parabéns aos envolvidos.

Emilio Zambello

1551711_634039279993280_418499367_nRIO DE JANEIRO – Falar de Emilio Zambello e do que ele representou para o automobilismo brasileiro é chover no molhado. Num país sem memória como o nosso, preservar o legado de quem tanto fez pelo esporte é uma tarefa das mais hercúleas. Felizmente, ainda existe gente – e posso dizer que me incluo no rol – que reverencia a história de tanta gente boa.

Infelizmente, o velho Emilio não resistiu e nos deixou na última quarta-feira. O homem que fez história com as Alfa Romeo da não menos lendária equipe Jolly-Gancia, quer fosse as Zagato ou as inconfundíveis e inesquecíveis GTA, modernizando nosso automobilismo quando os carros importados ainda eram permitidos.

Missão cumprida, Zambello vai deixar os papos sobre o esporte que tanto amamos bem mais animados lá em cima. Já antevejo a cena: ele chegando e sendo recebido de braços abertos pelo Barão Fittipaldi, por Eloy Gogliano, Piero Gancia, Peroba, Marivaldo Fernandes, Moco e também pelo Zampa. E por tantos outros que deixaram saudade na gente.

À família Zambello e aos amigos, todo o nosso respeito e carinho diante de uma perda inestimável para o automobilismo brasileiro.