Holden anuncia fim das operações na Austrália

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RIO DE JANEIRO – Uma bomba recai sobre o mercado australiano de carros. Presente naquele país desde 1908, a General Motors, através da sua subsidiária Holden, vai encerrar a fabricação de automóveis em 2017. A notícia afeta também o futuro do International V8 Supercars, posto que a Holden é a principal marca na competição, tendo vencido a maioria das corridas neste ano e o título de pilotos com Jamie Whincup.

Segundo informações, com o fim das operações da Holden na Austrália, quase 3 mil postos de trabalho serão afetados nos próximos quatro anos. A alta do dólar australiano, o mercado pouco fragmentado e o alto custo de produção dos veículos terão sido apontados como os principais responsáveis por esta decisão que trará graves consequências para a economia australiana.

O primeiro-ministro Tony Abbott diz que é um “dia negro” para a produção industrial do país. “Teremos melhores dias pela frente”, declarou em comunicado ao Parlamento. O político está na África do Sul, participando do memorial a Nelson Mandela, que faleceu na última quinta-feira.

O setor de autopeças sofrerá também com a decisão do fim das atividades da Holden na Austrália. Serão 33 mil empregos em risco até 2017. E a Toyota, que pelo visto deverá ficar como única montadora com fábrica no país, afirma que colocará uma “pressão sem precedentes” para incrementar a sua capacidade de construção de veículos para atender à demanda da população.

A história do Democrata

RIO DE JANEIRO – Há menos de 10 dias, o Flavio Gomes postou em seu blog sobre o Democrata, falando que os irmãos Finardi ficaram com várias carrocerias e que elas permaneceram anos num terreno ao lado da oficina deles em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Tem mais: pode ser que alguém finalmente tenha comprado uma. O que é aguardado faz pelo menos sete anos.

Eu falei a respeito, inclusive, no meu primeiro e mais antigo blog, o Saco de Gatos, no dia 8 de março de 2006, num texto que reproduzo ipsis litteris aqui abaixo.

Hoje cedo, abrindo O Globo para a leitura diária, me deparei com uma interessante reportagem de capa no caderno Carro e Etc. sobre um automóvel que nunca foi fabricado em série no Brasil: o Democrata (foto abaixo).

Lembro de ter comprado uma Quatro Rodas bem antiga, acho que de 1968, num sebo da Praça Tiradentes. E essa revista trazia fotos e uma matéria sobre o carro, totalmente difamatória, dizendo que ele não existia.

O Democrata foi fruto de uma ideia ambiciosa do empresário Nelson Fernandes, à época proprietário de um clube de campo e de um hospital em São Paulo. Ele queria fabricar automóveis modernos e nacionais, diferentemente dos carros defasados ou licenciados por montadoras estrangeiras que aqui existiam. Num terreno de 300.000 metros quadrados em São Bernardo do Campo, ele fundou aIndústria Brasileira de Automóveis Presidente (IBAP).

Em plena 1964, um carro Democrata produzido por uma indústria de nome Presidente soava bastante irônico. A princípio, a empresa produziria três tipos de automóveis: um de apelo popular, com um pequeno motor de até 0,5 litro; o Democrata, em versões coupé duas portas e sedan de quatro portas; e um utilitário.

Contrariando o cronograma, o Democrata começou a ser “produzido” pela IBAP, para mostrar aos céticos e detratores que era possível a existência do modelo. Nelson idealizara, também, um sistema de cotas para que o projeto fosse adiante e ele precisava de pelo menos 87 mil acionistas. E de alguns carros rodando.

Os primeiros exemplares impressionaram pelas linhas modernas, inspiradas nas maiores tendências americanas e europeias da época. Em especial com o Chevrolet Corvair, onde os detratores viam a notável semelhança entre os dois modelos.

Comentou-se à época que os primeiros protótipos teriam sido montados sobre chassis e motores do Corvair – embora em alguns carros roncasse um motor italiano V-6 de 2,5 litros com cabeçote e bloco de alumínio (requinte absoluto para a época) e 120 HP. Isto faria do Democrata o carro mais potente e veloz do país.

Nelson Fernandes conseguira 50 mil acionistas à época em que a imprensa deflagrou uma feroz campanha contra o Democrata e a IBAP. As promessas de construção de 350 carros/dia e o baixo preço de venda prometido deixaram muita gente com a pulga atrás da orelha.

Tentando o salto maior, o empresário propôs a compra da FNM. Mas foi impedido e a Fábrica Nacional de Motores foi absorvida pela Alfa Romeo. A pá de cal aconteceu quando o Banco Central fez uma devassa na IBAP e mostrou, via laudo, que a empresa não possuía condições idôneas e técnicas para construir automóveis. Trocando em miúdos: crime contra a economia popular.

Nelson Fernandes desistiu do empreendimento em fins de 1968 e hoje, aos 75 anos de idade, é dono de um cemitério vertical no Paraná. E provavelmente ele ficará muito feliz em saber que um entusiasta pelos carros que nunca existiram quer reviver os Democrata: Alvaro Negri, paulista de São Bernardo do Campo, aliou-se ao mecânico José Luiz Finardi e, juntos, reformaram um dos coupés – que é sensação nas exposições de automóveis antigos.

Ainda existem três protótipos semidesmontados e 21 carrocerias que nunca receberam chassis e motores, esperando para ganharem vida. Alvaro está buscando interessados em ratear os custos da reconstrução dos carros – que devem sair por cerca de R$ 40 mil cada.

Raridades que, com certeza, terão um valor inestimável para todos os seus proprietários.

Bola dentro

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RIO DE JANEIRO – Sentei-me ontem em frente à televisão para prestigiar a estreia de um novo programa que vai abordar o maravilhoso universo dos carros – universo que faz parte da minha vida há anos. E com que surpresa vi realmente um novo programa, com uma linguagem diferente, tratando o espectador como tem que ser, sem ser piegas ou coxinha, sem nenhum intervalo comercial e mantendo o pique durante os 52 minutos em que esteve no ar.

O canal +Globosat, da TV fechada, trouxe para o seu público o Oficina Motor, que tem gente da pesada nos bastidores e na apresentação. Sou suspeito para falar, mas o diretor da atração, Alexandre Moreira Leite, é meu velho conhecido desde que trabalhamos juntos por alguns anos, de 1998 a 2003. Neste último ano, a produtora dele, a MidMix, intermediou a vinda da Nascar de volta à telinha e eu tive o privilégio de comentar, até 2005, várias corridas da categoria estadunidense. Devo muito disso ao Alê e ao Ricardo Porto – e indiretamente ao Gualter Salles, que naquela época voltava ao automobilismo para correr na ChampCar.

O Alê está muito bem cercado: o camarada Alexandre “Kaká” Kacelnik cuida da redação do Oficina Motor, com os textos que serão lidos por três apresentadores: o carioca Henrique Koifman, que não conheço pessoalmente, mas de quem li algumas matérias assinadas por ele em Manchete Ele & Ela; o paulistano Lipe Paíga, que assim como eu trabalha frequentemente com automobilismo e nos autódromos; e a paulista Michelle de Jesus – que é piloto – e vai trazer um olhar feminino dentro de um universo tido como machista.

A julgar pelo primeiro programa, o Oficina Motor tem tudo para cair no gosto de quem curte os automóveis, sua história, seus desempenhos e características. Eu adorei. Bola dentro do Alê, da rapaziada do programa e do canal +Globosat.

Parabéns a todos. Ganharam um assíduo telespectador. A atração vai ao ar de forma inédita todas as segundas, no horário de 21h – com reprises ao longo da semana.

Os carrões da vez

RIO DE JANEIRO – Duas marcas que são verdadeiros ícones da história automobilística apresentaram quase que simultaneamente dois modelos de carros esporte fora de série que são capazes de deixar leitores e leitoras do blog de queixo caído.

O Salão de Genebra, na Suíça, viu oficialmente o lançamento do modelo mais poderoso – e mais caro – da história da Lamborghini. Talvez seja um dos carros mais caros de todos os tempos.

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Também pudera: o Lamborghini Veneno sai por R$ 9,2 milhões. O novo carro com a marca do touro miúra estampada na dianteira é praticamente exclusivo. Serão confeccionadas apenas três unidades. E todas já foram vendidas.

O carro tem um motor V12 de 750 HP de potência, capaz de fazê-lo chegar a incríveis 354 km/h. Seu chassi é de fibra de carbono, derivado do modelo Aventador, de quem conserva algumas características, juntando também outros dois modelos, o Sesto Elemento e o Countach 5000QV.

Já a Ferrari produziu uma nova máquina, menos exclusivista que o Lambo Veneno, mas que também não será feita em larga escala – o que aliás é praxe na Casa de Maranello. Somente 499 unidades serão produzidas e o preço é menos assustador que o do carro acima: € 1 milhão, cerca de R$ 2,56 milhões pela cotação do euro deste dia.

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Batizada de LaFerrari, a sucessora do modelo Enzo é cinco segundos mais rápida que o antecessor, em medição feita durante testes realizados no circuito de provas da marca, em Fiorano. O carro esporte tem uma novidade: a adoção de um motor elétrico. O KERS da LaFerrari faz a potência do bólido, estimada em 800 HP (o motor é V12 de 6,3 litros) saltar para incríveis 963 HP!

Com tamanha potência, o carro chega de 0-100 km/h em menos de três segundos e leva menos de um quarto de minuto para atingir 300 km/h. Uma “besta-fera” talvez mais veloz que a Lamborghini Veneno – e que cuja produção de 499 unidades já está encomendada, de acordo com o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, presente ao lançamento do novo modelo, na Suíça.

E aí: entre o mais caro e o mais possante, quem vocês escolheriam se pudessem? Veneno ou LaFerrari? Disputa dura, no ótimo sentido, não é mesmo?

O reencontro

RIO DE JANEIRO – Uma velha rivalidade volta à tona sob o pretexto do lançamento de um novo carro. A Ford convocou para garotos-propaganda do modelo Fusion Grand Prix dois campeões mundiais de Fórmula 1: ninguém menos que Nelson Piquet e Nigel Mansell.

Hoje foi divulgado no YouTube o primeiro vídeo da campanha, que vinha sendo ansiosamente esperado. Segundo meu brother Flávio Gomes, os dois foram levados ao Velopark para a gravação desta campanha em dezembro do ano passado.

Ao que consta, pois logicamente houve testemunhas, o tricampeão de 81/83/87 e o campeão de 92 e da Fórmula Indy em 93 andaram detonando alguns dos carros usados nas filmagens.

Promete ser divertido… e será que veremos alguma peça publicitária na televisão?

Só o tempo dirá.