Um novo recorde para o tetracampeão

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RIO DE JANEIRO – Sebastian Vettel fechou da melhor forma possível uma temporada perfeita para o piloto alemão, num GP do Brasil mediano e com o pior público presente a Interlagos desde, sei lá eu, 1992. O tetracampeão (peço desculpas aos leitores por ter escrito que o piloto é penta – ainda não é, claro), que já fizera misérias no treino classificatório ao marcar a 46ª pole da carreira metendo um temporal nos adversários, ganhou praticamente de ponta a ponta em Interlagos, para igualar um feito de 60 anos.

Em 21 de junho de 1953, Alberto Ascari alcançou a bordo de uma Ferrari a vitória no GP da Bélgica em Spa-Francorchamps, a sua nona vitória em corridas consecutivas de que participou, excluindo-se da relação, é claro, as 500 Milhas de Indianápolis. Hoje, em 24 de novembro, Vettel repete o feito de Ascari – com uma ressalva: o alemão venceu nove vezes seguidas neste ano. O italiano fez a primeira da série no mesmo circuito de Spa e no mesmo GP da Bélgica, um ano antes.

Não obstante, Vettel também chegou ao mesmo número de vitórias de seu compatriota Michael Schumacher – treze no total. O antigo campeão da Fórmula 1, porém, teve melhor aproveitamento: quando atingiu esta marca em 2004, eram 18 etapas. A temporada deste ano teve uma corrida a mais. Mas isso não ensombra, de forma alguma, o feito do “Colosso de Heppenheim”.

Outra que entra para a história: Vettel somou 397 pontos ao fim do campeonato. A Mercedes, nova vice-campeã mundial de Construtores, fez 360. A Ferrari, terceira colocada, 354. Podemos então brincar que, se Vettel fosse um construtor, sozinho, ele seria campeão mundial de Fórmula 1 também.

Quanto à corrida, como disse, foi mediana. Salvaram-se alguns momentos de disputas encarniçadas e a expectativa quanto a uma chuva que no fim das contas não veio, após dar as caras e as cartas nos treinos livres e na qualificação.

O GP do Brasil foi de várias despedidas. Os motores V8 aspirados de 2,4 litros saem de cena, para dar lugar aos motores 1,6 litro com alimentação por turbocompressores. A Fórmula 1 volta à chamada “Era Turbo” após 26 anos na próxima temporada. Também Mark Webber deixou a categoria neste fim de semana, com um 2º lugar que merece ser registrado pelo empenho do piloto australiano na pista, pela ótima disputa com Fernando Alonso e pela volta final de desaceleração, onde tirou o capacete para levar o vento na cara, tal como Didier Pironi fez diversas vezes nos anos 80 e Gerhard Berger repetiu o feito no GP de Portugal de 1989.

Aliás, nos vídeos abaixos, eis as respostas a quem disse que era “inédita” a manifestação de Webber ao tirar seu capacete ainda dentro do carro.

Tirando a dobradinha da Red Bull. o que existiu de positivo no GP do Brasil de fato foi a boa performance da dupla da McLaren. Jenson Button, com a classe de sempre, chegou em quarto e Sergio Pérez, em sua última corrida pela escuderia de Woking, foi o sexto, tendo Nico Rosberg de recheio entre eles. O desempenho de Button, pasmem, foi o melhor dele em 2013, o que dá uma medida do quão abaixo da crítica foi a temporada do time de Ron Dennis e Martin Whitmarsh. A equipe conquistou um obscuro 5º posto no Mundial de Construtores com quase três vezes menos pontos que a Lotus, quarta colocada. Button foi nono no Mundial de Pilotos e Pérez, 11º colocado.

A corrida também teve algumas punições. Uma, nem um pouco surpreendente, para Giedo Van der Garde, que ignorou as bandeiras azuis, algo com que o holandês da Caterham estava bastante acostumado a ver ao longo do campeonato. Também sobrou para Felipe Massa, que chegou em 7º lugar e Lewis Hamilton, que foi nono.

Ao brasileiro, foi o fim de uma remota possibilidade de pódio e da certeza de terminar seu GP caseiro num razoável 4º posto, após uma boa largada e uma corrida boa até o momento em que foi punido. Segundo os comissários da FIA, Massa “cortou” a linha branca de entrada dos pits com seu carro, o que segundo se avisou no briefing da direção de prova com os pilotos, não seria permitido. Não houve choro nem vela. Embora reclamasse no rádio com a equipe dizendo que a punição era “inaceitável”, Massa ainda chiou na passagem pelos boxes para um drive through. Voltou fora da zona de pontos e ainda chegou em sétimo.

Já Hamilton foi punido em razão de um incidente com Valtteri Bottas, onde o britânico invadiu a linha do finlandês da Williams, provocando o contato com o carro do nórdico, a perda do pneu e o abandono do rival. Para muitos, uma punição justa porque pareceu um erro de Hamilton. Achei, porém, que Bottas foi otimista demais ao tentar uma ultrapassagem por fora sobre o piloto da Mercedes, que nunca saberemos se acabaria concretizada. Os comissários viram culpa em Hamilton e o piloto, que também teve um pneu dechapado em razão do contato, acabou bem longe do pódio.

De resto, vimos Hülkenberg de novo nos pontos com o 8º lugar e Daniel Ricciardo, em sua despedida da Toro Rosso, marcando o último ponto de 2013. No total, 19 pilotos viram a quadriculada e pelo menos um deles, o britânico Max Chilton, da Marussia, notabilizou-se por conseguir terminar todas as corridas do ano – mesmo que entre os últimos ou em último na maioria das ocasiões.

É isso. Termina mais um Campeonato Mundial de Fórmula 1. A categoria volta em 2014 com muita coisa nova. Carros com motores turbo e pouca quantidade de combustível darão as cartas. Há quem duvide que Vettel será capaz de manter sua hegemonia com o novo regulamento técnico. Mas quanto a isso, só saberemos se irá acontecer de fato a partir de 16 de março do próximo ano, quando o GP da Austrália dará a largada para a 65ª temporada da história, em Melbourne.

Mais um recorde para Vettel

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RIO DE JANEIRO – Oito vitórias consecutivas, 200 pontos nas últimas corridas antes do encerramento do campeonato em Interlagos. Não é brincadeira não: isso foi o que Sebastian Vettel conseguiu a partir do GP da Bélgica, após a interrupção do calendário da Fórmula 1 para um período de férias de verão. Daí em diante, foi uma sova do alemão em cima da concorrência, a conquista do tetracampeonato com boa antecedência e a quebra de mais um recorde na carreira do piloto alemão: com o oitavo triunfo seguido do ano, ele deixou para trás Michael Schumacher, que vencera sete vezes consecutivas em 2004. Alberto Ascari, o grande campeão italiano dos anos 50, também ganhou sete seguidas, mas em anos diferentes, precisamente 1952/53.

O segundo GP dos EUA disputado no belíssimo COTA em Austin, capital do Texas, conseguiu ser pior que o do ano passado. Nem a entrada do Safety Car em decorrência de um prematuro abandono do alemão Adrian Sutil, da Force India, foi capaz de ajudar a trazer alguma emoção a esta etapa do campeonato. Vettel não deixou e nem Romain Grosjean, que liderou momentaneamente a corrida, também não se esforçou para tentar estragar a festa do tetracampeão.

A nota positiva do fim de semana ficou por conta da performance de Nico Hülkenberg, outra vez levando a Sauber aos pontos com um bom 6º lugar e a excelente corrida de Valtteri Bottas, que completou em oitavo. O nórdico entrou para os compêndios: é o 323º piloto da história da Fórmula 1 a pontuar. A Finlândia, inclusive, nos oferece uma interessante estatística: com nove pilotos inscritos para pelo menos um GP na história, oito deles competiram (a exceção foi Mikko Kozarowitzky, em 1977). Desses oito, sete – agora com Bottas – pontuaram. O único que correu e não pontuou foi Leo Kinnunen, lenda da Endurance dos anos 70, que fez uma corrida apenas em 1974, na Bélgica.

Com relação à corrida de Felipe Massa, pouco há a ser dito, uma vez que após largar na segunda metade do pelotão, o brasileiro acabou vítima de uma estratégia que o fez parar duas vezes – a primeira para tentar se livrar de Jenson Button – e que não deu certo. O piloto cruzou em 13º na quadriculada, mas ganhou uma posição no resultado final porque Jean-Eric Vergne, da Toro Rosso, foi punido com acréscimo de 20″ ao seu tempo total de corrida por um incidente com Esteban Gutiérrez.

Fernando Alonso chegou em quinto e somou pontos importantes para ainda manter viva a briga da Ferrari pelo vice-campeonato. Para sorte da equipe italiana, a Mercedes somou apenas 14 pontos em Austin. Só que a Lotus fez 18 com Grosjean e, embora tenha esperado fazer mais com Kövalainen, outro que também se deu mal ao fazer duas trocas de pneus no GP dos EUA, acabou por reduzir um pouco a diferença que a separa da turma de Maranello. Faltando a última corrida no Brasil, está assim: Mercedes com 348 pontos, Ferrari com 333 e Lotus com 315.

No Mundial de Pilotos, nenhuma dúvida: Alonso vice-campeão e Hamilton, que está em 3º com 187 pontos, ainda tem que se preocupar. Mark Webber, quinto com 181, reúne chances matemáticas para superar o britânico. Räikkönen, que caiu para quarto com 183 (porque não correu neste fim de semana e não correrá mais em 2013), bem que podia estar nessa briga aí, não é não?

Ele, de novo

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RIO DE JANEIRO – Já não é mais segredo para ninguém que Sebastian Vettel, tetracampeão consecutivo da Fórmula 1, busca a quebra de todos os recordes possíveis e imagináveis. Um deles é bem difícil de ser batido, mas o “Colosso de Heppenheim” segue tentando. Hoje em Austin, o alemão cravou a oitava pole position dele em 2013 e a quadragésima-quarta na carreira, liderando mais um 1-2 da Red Bull em qualificação e evidenciando o favoritismo dos carros do time rubrotaurino.

Com o cronômetro já zerado, Vettel superou o tempo de Mark Webber, marcando 1’36″338, um décimo de segundo melhor que o australiano – que em suas duas voltas rápidas no Q3 chegou a ficar com a pole provisória. Mas é praticamente impossível superar o alemão em condições normais e assim veio mais um temporal do alemão, que comemorou à moda Shake and Bake, como no filme “Talladega Nights: the ballad of Ricky Bobby”.

A segunda fila terá um Romain Grosjean cada vez melhor a bordo da Lotus E21 e Nico Hülkenberg, valorizando ainda mais seu passe para 2014. O piloto da Sauber continua sendo um dos mais cobiçados para a próxima temporada e a Lotus tem como meta sua contratação – mas a situação só se resolverá quando o dinheiro do Grupo Quantum der as cartas. Por enquanto, Hulk vai dando seu recado (e muito bem) com seu C32.

Após cravar um tempo medíocre durante a primeira volta rápida no Q3, Lewis Hamilton ainda levou a Mercedes ao quinto posto no grid, suplantando Fernando Alonso – que mais uma vez andou muito mais do que o carro que tem em mãos. O espanhol passou para a última fase do treino classificatório com um impressionante 3º tempo no Q2, enquanto Felipe Massa, que já passara do Q1 na bacia das almas, sucumbiu na segunda parte da sessão. O brasileiro largará em 14º porque Jenson Button, 13º após o Q2, foi punido com a perda de três posições no grid em razão de uma irregularidade num dos treinos livres.

Por falar em McLaren, o demitido Sergio Pérez aproveitou a ocasião em que corre “em casa”, pois o Texas, estado onde foi erigido o circuito de Austin, é bem pertinho do México, para ficar com a 7ª posição do grid, à frente de Heikki Kövalainen, o substituto de Räikkönen no segundo carro da Lotus. Valtteri Bottas deu uma sova incrível em Pastor Maldonado e colocou a Williams no Q3 com o nono tempo, abrindo a quinta fila na companhia de Esteban Gutiérrez.

No mais, afora as ótimas performances da dupla da Sauber, de Bottas e de Grosejan e o mau resultado de Massa, a grande decepção da qualificação em Austin talvez tenha sido a performance de Nico Rosberg, que não conseguiu fazer absolutamente nada produtivo com sua Mercedes e ficou em décimo-quarto, subindo apenas uma posição com a punição a Button.

E é tudo. Dessa vez, ninguém se deu mal com o GP dos EUA, não é mesmo? E meu palpite para amanhã é o de sempre: Vettel na cabeça. E o de vocês, leitores e leitoras?

O demolidor

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RIO DE JANEIRO – Ele já é tetracampeão, mas a sanha de Sebastian Vettel em busca de recordes e mais recordes na Fórmula 1 não pára. O piloto da Red Bull conquistou hoje no GP de Abu Dhabi talvez a sua mais enfática vitória em 2013, a sétima consecutiva na atual temporada, igualando a marca histórica do compatriota e multicampeão Michael Schumacher. Foi a 37ª vez em que o “Colosso de Heppenheim” chegou ao topo do pódio, a quatro vitórias da marca de Ayrton Senna.

Mais: trata-se do sexagésimo pódio do piloto em toda a sua carreira de 118 GPs, igualando Nelson Piquet – só que na razão de um para cada duas corridas. Querem mais? Foi o 100º pódio da história da Red Bull, hoje a equipe a ser superada na categoria. Os rubrotaurinos celebraram também a 15ª dobradinha da dupla Vettel-Webber. Talvez as parcerias Prost-Senna nos anos de ouro da McLaren e Schumacher-Barrichello na Ferrari tenham sido tão ou mais profícuas que esta que reporto agora, mas a memória não me é amiga neste momento.

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E quando falo que a vitória de Vettel foi enfática na antepenúltima corrida do campeonato, basta olhar a diferença que o separou de Webber na quadriculada. Exatos 30″829, praticamente um terço da distância da pista de Yas Marina. E ainda há quem diga que só o carro faz a diferença em favor do tetracampeão. Ok, então… podem continuar acreditando nessa ladainha.

O piloto da Red Bull voltou a comemorar com estilo e deu os “zerinhos” com que celebrou o tetra em Buddh, na semana passada. Desta vez, sem a interferência da FIA, que na ocasião passada multou a equipe porque Vettel parou o carro longe do parque fechado. Agora foi diferente e ele passou incólume de uma nova reprimenda da entidade máxima do desporto automobilístico.

A corrida, em si, foi desprovida de grandes emoções diante de mais um massacre de Vettel. Nem Kimi Räikkönen, cuja participação foi posta em sérias dúvidas diante da falta de pagamento por parte da Lotus, conseguiu dar algum brilho ao GP de Abu Dhabi, como era esperado: o vencedor do ano passado largou de último em razão de uma irregularidade em seu carro e logo na primeira volta pegou uma Caterham pela proa. Fim de prova prematuro para o finlandês, que não quis nem saber: fardou-se de roupa comum, com direito a prosaicos chinelos de dedo e foi para o hotel, provavelmente chorar as mágoas dos mais de € 13 milhões que a equipe lhe deve abraçado com uma “marvada”.

Na briga pelos milhões da receita auferida às equipes pela classificação do Mundial de Construtores, a Mercedes construiu mais alguns tijolinhos de vantagem em relação à Ferrari. Com o pódio de Nico Rosberg e a apagada 7ª colocação de Lewis Hamilton, a equipe alemã chegou ao total de 334 pontos contra 323 da Ferrari, que chegou hoje ao total de sessenta e cinco corridas consecutivas com pelo menos um carro na zona de pontuação – novo recorde histórico na Fórmula 1.

A performance da equipe italiana foi mediana, mais uma vez. Massa até figurou por oito voltas em 2º lugar e Alonso andou, no máximo, na 3ª posição, vindo de décimo no grid. Mas a estratégia de tentar fazer uma só parada não deu certo para o brasileiro, que acabou na oitava posição. Alonso, que largou com pneus macios, também trocou duas vezes e no fim, fez as voltas mais rápidas da corrida. Envolvido em mais uma polêmica na Fórmula 1 – já que voltou perigosamente dos boxes após sua última parada, investindo furiosamente para cima da Toro Rosso de Jean-Eric Vergne, com direito a uma “pisada” na linha dos boxes – o espanhol ficou livre de uma punição que o teria derrubado substancialmente na classificação final da corrida. Acabou em 5º lugar, a quilométricos 1’07″181 de Vettel. A Ferrari, como dizem por aí, é apenas e tão somente uma equipe histórica.

Os demais destaques foram o ótimo 4º lugar de Romain Grosjean (quarta corrida seguida nos pontos); a Force India com seus dois carros na zona de pontuação – pela segunda corrida consecutiva, aliás, o que não acontecia desde o GP da Inglaterra; e mais uma vez Sergio Pérez salvando a honra da McLaren num dos piores anos da história do time.

E foi tudo. Agora é esperar por Austin e pela movimentação no mercado de pilotos. Hoje, o oráculo finalmente admitiu o que já se sabe há alguns dias, acerca do futuro de Felipe Massa ligado à Williams. Também saberemos se Räikkönen e a Lotus vão chegar finalmente a um acordo e se o finlandês vai de fato correr no Texas e em Interlagos, nas duas corridas finais da Fórmula 1.

Um título histórico

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RIO DE JANEIRO – Que Sebastian Vettel seria o campeão mundial de Fórmula 1 em 2013, todo mundo sabia. A dúvida era sobre quando e onde isso iria acontecer. Pois bem: a dúvida caiu por terra. Neste domingo, 27 de outubro, no circuito de Buddh, na Índia, o piloto alemão de 26 anos conquistou seu quarto título consecutivo na categoria máxima do automobilismo.

É a coroação e a confirmação do trabalho fantástico de uma grande dupla que se formou: na pista, Vettel conduz seu carro com grande competência e isto traz a confiança de toda a equipe Red Bull – que tem um gênio fora das pistas, chamado Adrian Newey. O engenheiro britânico, com seus carros acima da média, também contribui para as históricas conquistas do piloto alemão.

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Vettel é, a partir de agora, o piloto mais jovem a conquistar quatro títulos em sequência na Fórmula 1. Superou Michael Schumacher, que chegou ao 6º título da carreira (o quarto consecutivo) em 2003, quando tinha 34 anos. Juan Manuel Fangio, ao levar a taça em 1956, tinha 46 anos. É mais um recorde que o “Colosso de Heppenheim” trucida. Sabe-se lá quantos outros virão para serem batidos e conquistados.

E este tetracampeonato seguido talvez tenha sido o mais gostoso dos títulos que ele conquistou – mais até do que os dificílimos feitos de 2010 e do ano passado. Vettel teve um ano perfeito. Dez vitórias – seis consecutivas – doze pódios, sete pole positions, seis voltas mais rápidas em prova, 504 voltas na liderança (o segundo tem 104) e 2.730 km percorridos em primeiro lugar (o segundo tem 447 km somente). Um massacre.

Muito bem: encerrada a luta pelo título de pilotos – e também pelo de Construtores, pois a Red Bull foi igualmente campeã de forma antecipada, a pergunta fica no ar: com a mudança de regulamento, que traz de volta os motores turbo e a economia de combustível, será que ainda veremos a parceria Vettel-Newey de novo vitoriosa em 2014?

No que depender da combinação de genialidade e talento, sim. Mas se isso será capaz de ofertar ao piloto alemão um pentacampeonato, veremos no correr do próximo ano.

A dois passos do paraíso

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RIO DE JANEIRO – Olha… foi animado esse GP do Japão hein? Tudo bem que Vettel venceu mais uma, a 35ª de sua espetacular carreira e o alemão está cada vez mais perto do tetracampeonato, que pode – ou não – ser sacramentado no GP da Índia. Mas a corrida desta madrugada (para nós) em Suzuka foi acima da média.

Um dos pontos que contribuiu para isso foi a liderança inicial do franco-suíço Romain Grosjean. Com uma excelente largada, o piloto da Lotus andou muito bem no primeiro estágio da corrida, à frente do pole Webber (como sempre largando muito mal) e de Vettel, que também não teve um arranque dos melhores e, por consequência disso, envolveu-se num contato imediato com a Mercedes de Lewis Hamilton, furando o pneu traseiro direito do bólido do britânico, que pouco depois abandonaria.

Grosjean, com um carro mais afeito a desgastar menos os pneus, seguiu à risca a estratégia de duas paradas. A Red Bull manteve o seu plano para Webber, pondo o australiano numa janela de três pits – mas para Vettel a estratégia foi diferente, e decisiva. O alemão ficou mais tempo na pista e embora não tenha voltado da sua segunda e última parada à frente de Grosjean, o que me parece que era o planejado, isto não foi empecilho para ele.

Vettel trucidou a diferença que o separava do piloto da Lotus e a vitória, que seria a primeira de Grosjean na Fórmula 1, miou. Com a terceira parada, Webber caiu para terceiro e demorou para superar o rival que vinha em segundo, evidenciando a diferença de braço entre ele e o alemão. A manobra só aconteceu na penúltima volta, dando à Red Bull apenas a sua segunda dobradinha em 2013. A primeira, vocês se lembram, foi na Malásia. Aquela mesma que torrou o saco do Webber de tal forma que ele decidiu ali sair da categoria e ir para o WEC, assinando com a Porsche.

Pódio formado, e o resto? Vamos lá, então.

Fernando Alonso salvou a sua pele com um quarto lugar, anos-luz atrás da Red Bull. Sem um carro à altura, é o máximo que o espanhol pode conseguir. Apesar da equipe ter trabalhado bem nos boxes, o espanhol teve muito trabalho para chegar nessa posição, especialmente com Nico Hülkenberg. Esse alemão tem feito corridas excepcionais com a Sauber e será uma peça importantíssima no mercado de pilotos para 2014. Acho até que a Lotus vai marcar uma bobeira enorme se não contratá-lo.

Räikkönen chegou em 5º e com o abandono de Hamilton, mantém-se em terceiro no campeonato. E numa prova de que a performance da Sauber tem evoluído a cada corrida, Estebán Gutiérrez teve ótima atuação em Suzuka e marcou seus primeiros pontos. Com o 7º lugar, o mexicano entrou para os compêndios como o 322º a pontuar na Fórmula 1, o quinto entre os pilotos do seu país, após os hermanos Ricardo e Pedro Rodríguez, Hector Rebaque e Sergio Pérez.

Num fim de semana muito ruim para a Mercedes, além do abandono de Hamilton, Nico Rosberg teve que pagar um drive through porque no seu primeiro pit os mecânicos o devolveram à faixa de rolamento de forma perigosa, quase provocando uma colisão com a McLaren de Sergio Pérez. Outro que também foi punido, mas por excesso de velocidade, foi Felipe Massa, que mais uma vez ficou muito abaixo do que sua posição de largada poderia supor. O brasileiro, de novo, seguiu à risca as declarações de sua entrevista onde afirmou que “não ajudaria” Fernando Alonso. E entre os dois punidos, terminou Jenson Button, salvando mais um medíocre fim de semana da McLaren.

Então é isso: com a quinta vitória seguida em 2013, nona da temporada, Sebastian Vettel chega a 297 pontos. Fernando Alonso tem 207. Noventa pontos de diferença em 100 possíveis? É… não é impossível que as coisas se decidam na Índia e tudo está nas mãos do piloto da Ferrari. Vettel, a dois passos do paraiso. Ou melhor: do tetracampeonato.

Um ano depois, Webber na pole

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RIO DE JANEIRO – Num fim de semana triste para a Fórmula 1 com a notícia da morte da espanhola Maria de Villota, o GP do Japão tem pelo menos uma boa novidade. Pela primeira vez em um ano, Mark Webber – que se retira da categoria ao fim desta temporada – conseguiu uma pole position. É a 12ª do australiano em 210 GPs disputados. Um alento para uma corrida onde muita gente temia por mais uma pole de Vettel e um dominio acachapante do alemão.

A 43ª pole do líder do campeonato e atual tricampeão não veio porque simplesmente o carro #1 teve problemas com o KERS que minaram suas possibilidades de ampliar sua expressiva marca. Vettel bem que tentou, mas conformou-se com um lugar na primeira fila. A Red Bull também mostrou de novo que está pelo menos um nível acima das outras equipes.

A Mercedes-Benz tem vindo bem desde os treinos livres e talvez seja a única equipe que pode assustar um pouco na corrida. Lewis Hamilton foi de novo melhor que Nico Rosberg e pôs seu carro com o terceiro tempo no Q3. Na Lotus, Romain Grosjean continua muito rápido e de novo o franco-suíço foi melhor que Räikkönen em qualificação.

Na Ferrari, Fernando Alonso continua insatisfeito com o rendimento do carro. A princípio, com o 8º lugar no grid, o espanhol não tem muitas chances de ir mais à frente, mas em se tratando do bicampeão mundial, tudo é possível. Para manter suas possibilidades remotas de título ainda vivas, ele precisa terminar entre os oito primeiros neste domingo e, preferencialmente, torcer para que Vettel não amplie tanto a diferença entre os dois. Já Felipe Massa fez um bom papel, foi suficientemente veloz e conseguiu a 5ª posição no grid, superando não só Alonso como também Räikkönen e a Mercedes de Rosberg.

Nico Hülkenberg continua em alta: foi o 7º mais rápido no Q3, em mais uma excelente performance do piloto da Sauber. E Jenson Button, que ainda conseguiu levar sua McLaren para a última parte do treino, fez o que estava ao seu alcance. Sergio Pérez, com o outro carro do time britânico, foi o primeiro a ser alijado na zona de “nocaute” do Q2 para o Q3. Além dele, dançaram Paul Di Resta, Valtteri Bottas, Estebán Gutiérrez, Pastor Maldonado e Daniel Ricciardo.

Gutiérrez, aliás, quase virou churrasquinho no Q1: um vazamento de gasolina em sua Sauber, dentro dos boxes do time helvético, provocou algumas labaredas e assustou toda a equipe. Felizmente o fogo foi logo controlado. Outro carro que também sofreu problemas do gênero foi a Toro Rosso do francês Jean-Eric Vergne: os discos de freio se incendiaram, o carro soltou muita fumaça e os bombeiros rapidamente entraram em ação. A direção de prova chegou a acenar a bandeira vermelha, interrompendo o treino. Para nenhuma surpresa, Vergne figurou entre os seis eliminados na primeira parte da sessão, bem com o o alemão Adrian Sutil, da Force India – e os suspeitos de sempre: as duplas de Marussia e Caterham.

Sutil, penalizado em cinco posições, terá que largar em 20º e a última fila terá Pic e Bianchi, que perderam dez posições em punições retroativas ao GP da Coreia, quando ambos desrespeitaram zonas de bandeiras amarelas em Yeongnam.