Um novo recorde para o tetracampeão

s1_1

RIO DE JANEIRO – Sebastian Vettel fechou da melhor forma possível uma temporada perfeita para o piloto alemão, num GP do Brasil mediano e com o pior público presente a Interlagos desde, sei lá eu, 1992. O tetracampeão (peço desculpas aos leitores por ter escrito que o piloto é penta – ainda não é, claro), que já fizera misérias no treino classificatório ao marcar a 46ª pole da carreira metendo um temporal nos adversários, ganhou praticamente de ponta a ponta em Interlagos, para igualar um feito de 60 anos.

Em 21 de junho de 1953, Alberto Ascari alcançou a bordo de uma Ferrari a vitória no GP da Bélgica em Spa-Francorchamps, a sua nona vitória em corridas consecutivas de que participou, excluindo-se da relação, é claro, as 500 Milhas de Indianápolis. Hoje, em 24 de novembro, Vettel repete o feito de Ascari – com uma ressalva: o alemão venceu nove vezes seguidas neste ano. O italiano fez a primeira da série no mesmo circuito de Spa e no mesmo GP da Bélgica, um ano antes.

Não obstante, Vettel também chegou ao mesmo número de vitórias de seu compatriota Michael Schumacher – treze no total. O antigo campeão da Fórmula 1, porém, teve melhor aproveitamento: quando atingiu esta marca em 2004, eram 18 etapas. A temporada deste ano teve uma corrida a mais. Mas isso não ensombra, de forma alguma, o feito do “Colosso de Heppenheim”.

Outra que entra para a história: Vettel somou 397 pontos ao fim do campeonato. A Mercedes, nova vice-campeã mundial de Construtores, fez 360. A Ferrari, terceira colocada, 354. Podemos então brincar que, se Vettel fosse um construtor, sozinho, ele seria campeão mundial de Fórmula 1 também.

Quanto à corrida, como disse, foi mediana. Salvaram-se alguns momentos de disputas encarniçadas e a expectativa quanto a uma chuva que no fim das contas não veio, após dar as caras e as cartas nos treinos livres e na qualificação.

O GP do Brasil foi de várias despedidas. Os motores V8 aspirados de 2,4 litros saem de cena, para dar lugar aos motores 1,6 litro com alimentação por turbocompressores. A Fórmula 1 volta à chamada “Era Turbo” após 26 anos na próxima temporada. Também Mark Webber deixou a categoria neste fim de semana, com um 2º lugar que merece ser registrado pelo empenho do piloto australiano na pista, pela ótima disputa com Fernando Alonso e pela volta final de desaceleração, onde tirou o capacete para levar o vento na cara, tal como Didier Pironi fez diversas vezes nos anos 80 e Gerhard Berger repetiu o feito no GP de Portugal de 1989.

Aliás, nos vídeos abaixos, eis as respostas a quem disse que era “inédita” a manifestação de Webber ao tirar seu capacete ainda dentro do carro.

Tirando a dobradinha da Red Bull. o que existiu de positivo no GP do Brasil de fato foi a boa performance da dupla da McLaren. Jenson Button, com a classe de sempre, chegou em quarto e Sergio Pérez, em sua última corrida pela escuderia de Woking, foi o sexto, tendo Nico Rosberg de recheio entre eles. O desempenho de Button, pasmem, foi o melhor dele em 2013, o que dá uma medida do quão abaixo da crítica foi a temporada do time de Ron Dennis e Martin Whitmarsh. A equipe conquistou um obscuro 5º posto no Mundial de Construtores com quase três vezes menos pontos que a Lotus, quarta colocada. Button foi nono no Mundial de Pilotos e Pérez, 11º colocado.

A corrida também teve algumas punições. Uma, nem um pouco surpreendente, para Giedo Van der Garde, que ignorou as bandeiras azuis, algo com que o holandês da Caterham estava bastante acostumado a ver ao longo do campeonato. Também sobrou para Felipe Massa, que chegou em 7º lugar e Lewis Hamilton, que foi nono.

Ao brasileiro, foi o fim de uma remota possibilidade de pódio e da certeza de terminar seu GP caseiro num razoável 4º posto, após uma boa largada e uma corrida boa até o momento em que foi punido. Segundo os comissários da FIA, Massa “cortou” a linha branca de entrada dos pits com seu carro, o que segundo se avisou no briefing da direção de prova com os pilotos, não seria permitido. Não houve choro nem vela. Embora reclamasse no rádio com a equipe dizendo que a punição era “inaceitável”, Massa ainda chiou na passagem pelos boxes para um drive through. Voltou fora da zona de pontos e ainda chegou em sétimo.

Já Hamilton foi punido em razão de um incidente com Valtteri Bottas, onde o britânico invadiu a linha do finlandês da Williams, provocando o contato com o carro do nórdico, a perda do pneu e o abandono do rival. Para muitos, uma punição justa porque pareceu um erro de Hamilton. Achei, porém, que Bottas foi otimista demais ao tentar uma ultrapassagem por fora sobre o piloto da Mercedes, que nunca saberemos se acabaria concretizada. Os comissários viram culpa em Hamilton e o piloto, que também teve um pneu dechapado em razão do contato, acabou bem longe do pódio.

De resto, vimos Hülkenberg de novo nos pontos com o 8º lugar e Daniel Ricciardo, em sua despedida da Toro Rosso, marcando o último ponto de 2013. No total, 19 pilotos viram a quadriculada e pelo menos um deles, o britânico Max Chilton, da Marussia, notabilizou-se por conseguir terminar todas as corridas do ano – mesmo que entre os últimos ou em último na maioria das ocasiões.

É isso. Termina mais um Campeonato Mundial de Fórmula 1. A categoria volta em 2014 com muita coisa nova. Carros com motores turbo e pouca quantidade de combustível darão as cartas. Há quem duvide que Vettel será capaz de manter sua hegemonia com o novo regulamento técnico. Mas quanto a isso, só saberemos se irá acontecer de fato a partir de 16 de março do próximo ano, quando o GP da Austrália dará a largada para a 65ª temporada da história, em Melbourne.

Mais um recorde para Vettel

4242020131118000211

RIO DE JANEIRO – Oito vitórias consecutivas, 200 pontos nas últimas corridas antes do encerramento do campeonato em Interlagos. Não é brincadeira não: isso foi o que Sebastian Vettel conseguiu a partir do GP da Bélgica, após a interrupção do calendário da Fórmula 1 para um período de férias de verão. Daí em diante, foi uma sova do alemão em cima da concorrência, a conquista do tetracampeonato com boa antecedência e a quebra de mais um recorde na carreira do piloto alemão: com o oitavo triunfo seguido do ano, ele deixou para trás Michael Schumacher, que vencera sete vezes consecutivas em 2004. Alberto Ascari, o grande campeão italiano dos anos 50, também ganhou sete seguidas, mas em anos diferentes, precisamente 1952/53.

O segundo GP dos EUA disputado no belíssimo COTA em Austin, capital do Texas, conseguiu ser pior que o do ano passado. Nem a entrada do Safety Car em decorrência de um prematuro abandono do alemão Adrian Sutil, da Force India, foi capaz de ajudar a trazer alguma emoção a esta etapa do campeonato. Vettel não deixou e nem Romain Grosjean, que liderou momentaneamente a corrida, também não se esforçou para tentar estragar a festa do tetracampeão.

A nota positiva do fim de semana ficou por conta da performance de Nico Hülkenberg, outra vez levando a Sauber aos pontos com um bom 6º lugar e a excelente corrida de Valtteri Bottas, que completou em oitavo. O nórdico entrou para os compêndios: é o 323º piloto da história da Fórmula 1 a pontuar. A Finlândia, inclusive, nos oferece uma interessante estatística: com nove pilotos inscritos para pelo menos um GP na história, oito deles competiram (a exceção foi Mikko Kozarowitzky, em 1977). Desses oito, sete – agora com Bottas – pontuaram. O único que correu e não pontuou foi Leo Kinnunen, lenda da Endurance dos anos 70, que fez uma corrida apenas em 1974, na Bélgica.

Com relação à corrida de Felipe Massa, pouco há a ser dito, uma vez que após largar na segunda metade do pelotão, o brasileiro acabou vítima de uma estratégia que o fez parar duas vezes – a primeira para tentar se livrar de Jenson Button – e que não deu certo. O piloto cruzou em 13º na quadriculada, mas ganhou uma posição no resultado final porque Jean-Eric Vergne, da Toro Rosso, foi punido com acréscimo de 20″ ao seu tempo total de corrida por um incidente com Esteban Gutiérrez.

Fernando Alonso chegou em quinto e somou pontos importantes para ainda manter viva a briga da Ferrari pelo vice-campeonato. Para sorte da equipe italiana, a Mercedes somou apenas 14 pontos em Austin. Só que a Lotus fez 18 com Grosjean e, embora tenha esperado fazer mais com Kövalainen, outro que também se deu mal ao fazer duas trocas de pneus no GP dos EUA, acabou por reduzir um pouco a diferença que a separa da turma de Maranello. Faltando a última corrida no Brasil, está assim: Mercedes com 348 pontos, Ferrari com 333 e Lotus com 315.

No Mundial de Pilotos, nenhuma dúvida: Alonso vice-campeão e Hamilton, que está em 3º com 187 pontos, ainda tem que se preocupar. Mark Webber, quinto com 181, reúne chances matemáticas para superar o britânico. Räikkönen, que caiu para quarto com 183 (porque não correu neste fim de semana e não correrá mais em 2013), bem que podia estar nessa briga aí, não é não?

Ele, de novo

Vettel-TEX-13-640x448

RIO DE JANEIRO – Já não é mais segredo para ninguém que Sebastian Vettel, tetracampeão consecutivo da Fórmula 1, busca a quebra de todos os recordes possíveis e imagináveis. Um deles é bem difícil de ser batido, mas o “Colosso de Heppenheim” segue tentando. Hoje em Austin, o alemão cravou a oitava pole position dele em 2013 e a quadragésima-quarta na carreira, liderando mais um 1-2 da Red Bull em qualificação e evidenciando o favoritismo dos carros do time rubrotaurino.

Com o cronômetro já zerado, Vettel superou o tempo de Mark Webber, marcando 1’36″338, um décimo de segundo melhor que o australiano – que em suas duas voltas rápidas no Q3 chegou a ficar com a pole provisória. Mas é praticamente impossível superar o alemão em condições normais e assim veio mais um temporal do alemão, que comemorou à moda Shake and Bake, como no filme “Talladega Nights: the ballad of Ricky Bobby”.

A segunda fila terá um Romain Grosjean cada vez melhor a bordo da Lotus E21 e Nico Hülkenberg, valorizando ainda mais seu passe para 2014. O piloto da Sauber continua sendo um dos mais cobiçados para a próxima temporada e a Lotus tem como meta sua contratação – mas a situação só se resolverá quando o dinheiro do Grupo Quantum der as cartas. Por enquanto, Hulk vai dando seu recado (e muito bem) com seu C32.

Após cravar um tempo medíocre durante a primeira volta rápida no Q3, Lewis Hamilton ainda levou a Mercedes ao quinto posto no grid, suplantando Fernando Alonso – que mais uma vez andou muito mais do que o carro que tem em mãos. O espanhol passou para a última fase do treino classificatório com um impressionante 3º tempo no Q2, enquanto Felipe Massa, que já passara do Q1 na bacia das almas, sucumbiu na segunda parte da sessão. O brasileiro largará em 14º porque Jenson Button, 13º após o Q2, foi punido com a perda de três posições no grid em razão de uma irregularidade num dos treinos livres.

Por falar em McLaren, o demitido Sergio Pérez aproveitou a ocasião em que corre “em casa”, pois o Texas, estado onde foi erigido o circuito de Austin, é bem pertinho do México, para ficar com a 7ª posição do grid, à frente de Heikki Kövalainen, o substituto de Räikkönen no segundo carro da Lotus. Valtteri Bottas deu uma sova incrível em Pastor Maldonado e colocou a Williams no Q3 com o nono tempo, abrindo a quinta fila na companhia de Esteban Gutiérrez.

No mais, afora as ótimas performances da dupla da Sauber, de Bottas e de Grosejan e o mau resultado de Massa, a grande decepção da qualificação em Austin talvez tenha sido a performance de Nico Rosberg, que não conseguiu fazer absolutamente nada produtivo com sua Mercedes e ficou em décimo-quarto, subindo apenas uma posição com a punição a Button.

E é tudo. Dessa vez, ninguém se deu mal com o GP dos EUA, não é mesmo? E meu palpite para amanhã é o de sempre: Vettel na cabeça. E o de vocês, leitores e leitoras?

O demolidor

4222620131103163231

RIO DE JANEIRO – Ele já é tetracampeão, mas a sanha de Sebastian Vettel em busca de recordes e mais recordes na Fórmula 1 não pára. O piloto da Red Bull conquistou hoje no GP de Abu Dhabi talvez a sua mais enfática vitória em 2013, a sétima consecutiva na atual temporada, igualando a marca histórica do compatriota e multicampeão Michael Schumacher. Foi a 37ª vez em que o “Colosso de Heppenheim” chegou ao topo do pódio, a quatro vitórias da marca de Ayrton Senna.

Mais: trata-se do sexagésimo pódio do piloto em toda a sua carreira de 118 GPs, igualando Nelson Piquet – só que na razão de um para cada duas corridas. Querem mais? Foi o 100º pódio da história da Red Bull, hoje a equipe a ser superada na categoria. Os rubrotaurinos celebraram também a 15ª dobradinha da dupla Vettel-Webber. Talvez as parcerias Prost-Senna nos anos de ouro da McLaren e Schumacher-Barrichello na Ferrari tenham sido tão ou mais profícuas que esta que reporto agora, mas a memória não me é amiga neste momento.

1457731_661050290594607_1140392283_n

E quando falo que a vitória de Vettel foi enfática na antepenúltima corrida do campeonato, basta olhar a diferença que o separou de Webber na quadriculada. Exatos 30″829, praticamente um terço da distância da pista de Yas Marina. E ainda há quem diga que só o carro faz a diferença em favor do tetracampeão. Ok, então… podem continuar acreditando nessa ladainha.

O piloto da Red Bull voltou a comemorar com estilo e deu os “zerinhos” com que celebrou o tetra em Buddh, na semana passada. Desta vez, sem a interferência da FIA, que na ocasião passada multou a equipe porque Vettel parou o carro longe do parque fechado. Agora foi diferente e ele passou incólume de uma nova reprimenda da entidade máxima do desporto automobilístico.

A corrida, em si, foi desprovida de grandes emoções diante de mais um massacre de Vettel. Nem Kimi Räikkönen, cuja participação foi posta em sérias dúvidas diante da falta de pagamento por parte da Lotus, conseguiu dar algum brilho ao GP de Abu Dhabi, como era esperado: o vencedor do ano passado largou de último em razão de uma irregularidade em seu carro e logo na primeira volta pegou uma Caterham pela proa. Fim de prova prematuro para o finlandês, que não quis nem saber: fardou-se de roupa comum, com direito a prosaicos chinelos de dedo e foi para o hotel, provavelmente chorar as mágoas dos mais de € 13 milhões que a equipe lhe deve abraçado com uma “marvada”.

Na briga pelos milhões da receita auferida às equipes pela classificação do Mundial de Construtores, a Mercedes construiu mais alguns tijolinhos de vantagem em relação à Ferrari. Com o pódio de Nico Rosberg e a apagada 7ª colocação de Lewis Hamilton, a equipe alemã chegou ao total de 334 pontos contra 323 da Ferrari, que chegou hoje ao total de sessenta e cinco corridas consecutivas com pelo menos um carro na zona de pontuação – novo recorde histórico na Fórmula 1.

A performance da equipe italiana foi mediana, mais uma vez. Massa até figurou por oito voltas em 2º lugar e Alonso andou, no máximo, na 3ª posição, vindo de décimo no grid. Mas a estratégia de tentar fazer uma só parada não deu certo para o brasileiro, que acabou na oitava posição. Alonso, que largou com pneus macios, também trocou duas vezes e no fim, fez as voltas mais rápidas da corrida. Envolvido em mais uma polêmica na Fórmula 1 – já que voltou perigosamente dos boxes após sua última parada, investindo furiosamente para cima da Toro Rosso de Jean-Eric Vergne, com direito a uma “pisada” na linha dos boxes – o espanhol ficou livre de uma punição que o teria derrubado substancialmente na classificação final da corrida. Acabou em 5º lugar, a quilométricos 1’07″181 de Vettel. A Ferrari, como dizem por aí, é apenas e tão somente uma equipe histórica.

Os demais destaques foram o ótimo 4º lugar de Romain Grosjean (quarta corrida seguida nos pontos); a Force India com seus dois carros na zona de pontuação – pela segunda corrida consecutiva, aliás, o que não acontecia desde o GP da Inglaterra; e mais uma vez Sergio Pérez salvando a honra da McLaren num dos piores anos da história do time.

E foi tudo. Agora é esperar por Austin e pela movimentação no mercado de pilotos. Hoje, o oráculo finalmente admitiu o que já se sabe há alguns dias, acerca do futuro de Felipe Massa ligado à Williams. Também saberemos se Räikkönen e a Lotus vão chegar finalmente a um acordo e se o finlandês vai de fato correr no Texas e em Interlagos, nas duas corridas finais da Fórmula 1.

Um título histórico

4211920131027121432

RIO DE JANEIRO – Que Sebastian Vettel seria o campeão mundial de Fórmula 1 em 2013, todo mundo sabia. A dúvida era sobre quando e onde isso iria acontecer. Pois bem: a dúvida caiu por terra. Neste domingo, 27 de outubro, no circuito de Buddh, na Índia, o piloto alemão de 26 anos conquistou seu quarto título consecutivo na categoria máxima do automobilismo.

É a coroação e a confirmação do trabalho fantástico de uma grande dupla que se formou: na pista, Vettel conduz seu carro com grande competência e isto traz a confiança de toda a equipe Red Bull – que tem um gênio fora das pistas, chamado Adrian Newey. O engenheiro britânico, com seus carros acima da média, também contribui para as históricas conquistas do piloto alemão.

4211420131026114843

Vettel é, a partir de agora, o piloto mais jovem a conquistar quatro títulos em sequência na Fórmula 1. Superou Michael Schumacher, que chegou ao 6º título da carreira (o quarto consecutivo) em 2003, quando tinha 34 anos. Juan Manuel Fangio, ao levar a taça em 1956, tinha 46 anos. É mais um recorde que o “Colosso de Heppenheim” trucida. Sabe-se lá quantos outros virão para serem batidos e conquistados.

E este tetracampeonato seguido talvez tenha sido o mais gostoso dos títulos que ele conquistou – mais até do que os dificílimos feitos de 2010 e do ano passado. Vettel teve um ano perfeito. Dez vitórias – seis consecutivas – doze pódios, sete pole positions, seis voltas mais rápidas em prova, 504 voltas na liderança (o segundo tem 104) e 2.730 km percorridos em primeiro lugar (o segundo tem 447 km somente). Um massacre.

Muito bem: encerrada a luta pelo título de pilotos – e também pelo de Construtores, pois a Red Bull foi igualmente campeã de forma antecipada, a pergunta fica no ar: com a mudança de regulamento, que traz de volta os motores turbo e a economia de combustível, será que ainda veremos a parceria Vettel-Newey de novo vitoriosa em 2014?

No que depender da combinação de genialidade e talento, sim. Mas se isso será capaz de ofertar ao piloto alemão um pentacampeonato, veremos no correr do próximo ano.

A dois passos do paraíso

11out2013---piloto-alemao-sebastian-vettel-da-red-bull-dirige-seu-carro-durante-a-segunda-sessao-de-treinos-para-o-gp-de-formula-1-no-circuito-de-suzuka-no-japao-1381510659205_956x500

RIO DE JANEIRO – Olha… foi animado esse GP do Japão hein? Tudo bem que Vettel venceu mais uma, a 35ª de sua espetacular carreira e o alemão está cada vez mais perto do tetracampeonato, que pode – ou não – ser sacramentado no GP da Índia. Mas a corrida desta madrugada (para nós) em Suzuka foi acima da média.

Um dos pontos que contribuiu para isso foi a liderança inicial do franco-suíço Romain Grosjean. Com uma excelente largada, o piloto da Lotus andou muito bem no primeiro estágio da corrida, à frente do pole Webber (como sempre largando muito mal) e de Vettel, que também não teve um arranque dos melhores e, por consequência disso, envolveu-se num contato imediato com a Mercedes de Lewis Hamilton, furando o pneu traseiro direito do bólido do britânico, que pouco depois abandonaria.

Grosjean, com um carro mais afeito a desgastar menos os pneus, seguiu à risca a estratégia de duas paradas. A Red Bull manteve o seu plano para Webber, pondo o australiano numa janela de três pits – mas para Vettel a estratégia foi diferente, e decisiva. O alemão ficou mais tempo na pista e embora não tenha voltado da sua segunda e última parada à frente de Grosjean, o que me parece que era o planejado, isto não foi empecilho para ele.

Vettel trucidou a diferença que o separava do piloto da Lotus e a vitória, que seria a primeira de Grosjean na Fórmula 1, miou. Com a terceira parada, Webber caiu para terceiro e demorou para superar o rival que vinha em segundo, evidenciando a diferença de braço entre ele e o alemão. A manobra só aconteceu na penúltima volta, dando à Red Bull apenas a sua segunda dobradinha em 2013. A primeira, vocês se lembram, foi na Malásia. Aquela mesma que torrou o saco do Webber de tal forma que ele decidiu ali sair da categoria e ir para o WEC, assinando com a Porsche.

Pódio formado, e o resto? Vamos lá, então.

Fernando Alonso salvou a sua pele com um quarto lugar, anos-luz atrás da Red Bull. Sem um carro à altura, é o máximo que o espanhol pode conseguir. Apesar da equipe ter trabalhado bem nos boxes, o espanhol teve muito trabalho para chegar nessa posição, especialmente com Nico Hülkenberg. Esse alemão tem feito corridas excepcionais com a Sauber e será uma peça importantíssima no mercado de pilotos para 2014. Acho até que a Lotus vai marcar uma bobeira enorme se não contratá-lo.

Räikkönen chegou em 5º e com o abandono de Hamilton, mantém-se em terceiro no campeonato. E numa prova de que a performance da Sauber tem evoluído a cada corrida, Estebán Gutiérrez teve ótima atuação em Suzuka e marcou seus primeiros pontos. Com o 7º lugar, o mexicano entrou para os compêndios como o 322º a pontuar na Fórmula 1, o quinto entre os pilotos do seu país, após os hermanos Ricardo e Pedro Rodríguez, Hector Rebaque e Sergio Pérez.

Num fim de semana muito ruim para a Mercedes, além do abandono de Hamilton, Nico Rosberg teve que pagar um drive through porque no seu primeiro pit os mecânicos o devolveram à faixa de rolamento de forma perigosa, quase provocando uma colisão com a McLaren de Sergio Pérez. Outro que também foi punido, mas por excesso de velocidade, foi Felipe Massa, que mais uma vez ficou muito abaixo do que sua posição de largada poderia supor. O brasileiro, de novo, seguiu à risca as declarações de sua entrevista onde afirmou que “não ajudaria” Fernando Alonso. E entre os dois punidos, terminou Jenson Button, salvando mais um medíocre fim de semana da McLaren.

Então é isso: com a quinta vitória seguida em 2013, nona da temporada, Sebastian Vettel chega a 297 pontos. Fernando Alonso tem 207. Noventa pontos de diferença em 100 possíveis? É… não é impossível que as coisas se decidam na Índia e tudo está nas mãos do piloto da Ferrari. Vettel, a dois passos do paraiso. Ou melhor: do tetracampeonato.

Um ano depois, Webber na pole

4188620131012081656

RIO DE JANEIRO – Num fim de semana triste para a Fórmula 1 com a notícia da morte da espanhola Maria de Villota, o GP do Japão tem pelo menos uma boa novidade. Pela primeira vez em um ano, Mark Webber – que se retira da categoria ao fim desta temporada – conseguiu uma pole position. É a 12ª do australiano em 210 GPs disputados. Um alento para uma corrida onde muita gente temia por mais uma pole de Vettel e um dominio acachapante do alemão.

A 43ª pole do líder do campeonato e atual tricampeão não veio porque simplesmente o carro #1 teve problemas com o KERS que minaram suas possibilidades de ampliar sua expressiva marca. Vettel bem que tentou, mas conformou-se com um lugar na primeira fila. A Red Bull também mostrou de novo que está pelo menos um nível acima das outras equipes.

A Mercedes-Benz tem vindo bem desde os treinos livres e talvez seja a única equipe que pode assustar um pouco na corrida. Lewis Hamilton foi de novo melhor que Nico Rosberg e pôs seu carro com o terceiro tempo no Q3. Na Lotus, Romain Grosjean continua muito rápido e de novo o franco-suíço foi melhor que Räikkönen em qualificação.

Na Ferrari, Fernando Alonso continua insatisfeito com o rendimento do carro. A princípio, com o 8º lugar no grid, o espanhol não tem muitas chances de ir mais à frente, mas em se tratando do bicampeão mundial, tudo é possível. Para manter suas possibilidades remotas de título ainda vivas, ele precisa terminar entre os oito primeiros neste domingo e, preferencialmente, torcer para que Vettel não amplie tanto a diferença entre os dois. Já Felipe Massa fez um bom papel, foi suficientemente veloz e conseguiu a 5ª posição no grid, superando não só Alonso como também Räikkönen e a Mercedes de Rosberg.

Nico Hülkenberg continua em alta: foi o 7º mais rápido no Q3, em mais uma excelente performance do piloto da Sauber. E Jenson Button, que ainda conseguiu levar sua McLaren para a última parte do treino, fez o que estava ao seu alcance. Sergio Pérez, com o outro carro do time britânico, foi o primeiro a ser alijado na zona de “nocaute” do Q2 para o Q3. Além dele, dançaram Paul Di Resta, Valtteri Bottas, Estebán Gutiérrez, Pastor Maldonado e Daniel Ricciardo.

Gutiérrez, aliás, quase virou churrasquinho no Q1: um vazamento de gasolina em sua Sauber, dentro dos boxes do time helvético, provocou algumas labaredas e assustou toda a equipe. Felizmente o fogo foi logo controlado. Outro carro que também sofreu problemas do gênero foi a Toro Rosso do francês Jean-Eric Vergne: os discos de freio se incendiaram, o carro soltou muita fumaça e os bombeiros rapidamente entraram em ação. A direção de prova chegou a acenar a bandeira vermelha, interrompendo o treino. Para nenhuma surpresa, Vergne figurou entre os seis eliminados na primeira parte da sessão, bem com o o alemão Adrian Sutil, da Force India – e os suspeitos de sempre: as duplas de Marussia e Caterham.

Sutil, penalizado em cinco posições, terá que largar em 20º e a última fila terá Pic e Bianchi, que perderam dez posições em punições retroativas ao GP da Coreia, quando ambos desrespeitaram zonas de bandeiras amarelas em Yeongnam.

Cada vez mais perto do tetra

4179020131006095729

RIO DE JANEIRO – Cada corrida que termina, fica a certeza de que o tetracampeonato está cada vez mais próximo de Sebastian Vettel na Fórmula 1. O alemão continua com a doce (para ele, lógico) rotina de triunfos na temporada 2013. Hoje, no GP da Coreia do Sul, em Yeongnam, o piloto da Red Bull chegou à oitava vez no topo do pódio e ao quarto “Grand Slam” da carreira – o que significa fazer a pole, marcar a melhor volta e vencer. De ponta a ponta, naturalmente.

Se mais uma vez Vettel faz tudo ser muito mais fácil, já que ele tem também um grande carro em mãos e tira partido dele como ninguém, é necessário ressaltar que a corrida teve outros grandes destaques. Kimi Räikkönen foi de novo fabuloso, partindo de nono para chegar em segundo – e muito beneficiado pelas duas entradas do Safety Car ao longo da corrida.

A 3ª posição foi de Romain Grosjean, num desempenho meritório do franco-suíço, que alcançou seu terceiro pódio num campeonato até aqui menos competitivo em termos de resultados que no ano passado, mas muito mais eficiente porque o piloto da Lotus não tem se envolvido em tantas confusões. Mérito dele, é claro.

Tão bom quanto a dupla da Lotus foi esse Nico Hülkenberg, que de repente despertou em 2013 – assim como a Sauber. Conseguiu pontuar em três GPs consecutivos e igualou o melhor resultado da carreira – 4º lugar, que ele obtivera ano passado com o carro da Force India. O resultado obtido neste domingo na Coreia é ainda mais expressivo, considerando que o C32 da Sauber não foi competitivo em grande parte deste campeonato e que o alemão do carro #11 segurou no braço ninguém menos que Lewis Hamilton e Fernando Alonso. É mais um desempenho que dá muito o que pensar acerca de seu futuro dentro da Fórmula 1.

Agora distante 77 pontos de Vettel, Fernando Alonso sente que suas chances diminuem corrida após corrida. Não por culpa dele: o espanhol tenta o máximo, sempre. O problema está no mau rendimento da Ferrari, que realmente perdeu o fio da meada ao longo do campeonato e não parece ter condições de se reuperar. Maranello pode jogar a toalha a qualquer momento e passar o foco para 2014, onde entra em jogo o novo regulamento com motor turbo.

No mais, a Mercedes conseguiu se aproximar da Ferrari com os 16 pontos somados por seus dois pilotos, reduzindo a apenas um a diferença entre ambas no Mundial de Construtores. Felipe Massa, que novamente teve uma corrida irregular, contribuiu com um esquálido 9º lugar – muito pouco para ajudar Alonso e sua futura ex-equipe. E a McLaren, aos pouquinhos, consegue abrir vantagem em relação à Force India, naquela que é talvez a pior temporada do time desde 1996.

E é isso. Até que a corrida da Coreia não foi tão ruim quanto se supunha. Duro foi ter que aturar comparações, ‘viagens’ e outras pérolas desferidas durante a transmissão da corrida.

Vettel, fácil, pela 42ª vez

4177020131005081323

RIO DE JANEIRO – Foi uma barbada. Bem mais fácil do que se imaginava, inclusive. E estamos sem assunto: Sebastian Vettel, que marcha para o quarto título consecutivo na Fórmula 1, chegou hoje à 42ª pole da carreira em seu 115º GP, no horroroso circuito sul-coreano de Yeongnam.

O piloto da Red Bull não precisou de muito: apenas uma volta rápida bastou. Com 1’37″202, ele foi avisado pelo rádio de que Lewis Hamilton, uma das poucas ameaças ao seu tempo no Q3, não tinha sido suficientemente rápido, o alemão tirou o pé e levou o carro “para casa”. Aliás, ele foi um dos que menos voltas completou em todas as fases do treino classificatório – foram 13 no total. Sim, existe a questão da ridícula economia de pneus que norteia a Fórmula 1. Mas é também uma amostra da sobra do carro do touro vermelho em relação ao resto.

Entretanto, parece que a Mercedes de fato constitui-se numa pequena ameaça ao favoritismo do alemãozinho de Heppenheim. Hamilton fez o segundo tempo e Nico Rosberg o quinto – que virou quarto com a punição a Mark Webber, que fez o 3º tempo e largará dez posições além, por conta da terceira advertência recebida quando da ‘carona’ dada por Fernando Alonso no recente GP de Cingapura.

A boa surpresa foi o quarto tempo de Romain Grosjean, outro que andou quase tantas poucas voltas quanto Vettel e Webber – dentre os que passaram ao Q3, claro – e, se corresponder, o francês pode ser uma das apostas dos franco-atiradores neste domingo. Já a Ferrari fez o de sempre: o carro não vem bem mesmo e Alonso, por menos de um décimo de segundo em relação a Felipe Massa, assegurou o sexto posto que virou quinto na punição ao australiano da Red Bull.

Nas demais posições dentro do top 10, a destacar a sólida performance dos dois Sauber C32 com motor Ferrari. O carro do time helvético parece ter encontrado um bom caminho, pois desde Monza, tanto Nico Hülkenberg quanto Estebán Gutiérrez têm sido mais consistentes. Será que o dinheiro russo que salvou a equipe da iminente bancarrota já chegou por lá?

Kimi Räikkönen ficou com o 10º tempo e, pensando bem, não poderia se esperar muito dele. O finlandês continua com dores nas costas e, para piorar, acidentou-se num dos treinos livres ontem. Com um carro inteiramente refeito, até que foi lucro ter chegado ao Q3 – coisa que a McLaren, de novo, não atingiu.

É impressionante a fase ruim do time de Ron Dennis: nem Jenson Button e muito menos Sergio Pérez têm tido sucesso no afã de fazer o carro melhorar de rendimento. É uma das temporadas mais pífias da McLaren desde, talvez, o longínquo ano de 1996, na última oportunidade em que vimos a equipe ‘vestida’ de Marlboro.

No mais, poucas surpresas: a Toro Rosso ficou misturada com a Force India na degola do Q2 e na primeira fase do treino, além dos suspeitos de sempre de Caterham e Marussia, a dupla da Williams dançou. O detalhe é que Valtteri Bottas foi mais rápido que Pastor Maldonado desta vez – e não foi pouco.

Para finalizar, quero deixar aqui um registro. Dois, aliás:

Acho a pista de Yeongnam ridícula. Não tem sentido um país como a Coreia do Sul, sem tradição alguma no automobilismo, figurar no calendário da Fórmula 1. Sim, sabemos que Bernie Ecclestone vai onde o dinheiro está, porque ele tem nos olhos o cifrão. Mas, para felicidade geral da nação, parece que os dias desse traçado no que tange a futuro, estão contados.

E falando de futuro, parece – eu não sei qual o motivo da citação, mas enfim… – que em dado momento da transmissão do treino oficial falou-se em Jacarepaguá e no “crime” que foi a destruição de parte da história do automobilismo brasileiro.

Muito bem: quase um ano depois do desaparecimento triste e traumático de Jacarepaguá é que o sr. Galvão Bueno vem falar algo ao microfone? Logo ele, que se jacta dos seus 40 anos de Fórmula 1 e tem justamente no seu instrumento de trabalho uma poderosa arma para cobrar empenho dos dirigentes e vergonha na cara em prol do esporte cujos filhos dele tiram o seu ganha pão? Por que demorou tanto para marcar uma posição?

E outra: por que Galvão não aproveitou a ocasião para chutar o pau da barraca, falar da vergonha que é o Rio sem autódromo, a lengalenga, o lero-lero da prefeitura, da CBA e a história – mais uma – envolvendo a questão do EIA para o “futuro” traçado de Deodoro?

Não seria mais adequado do que, por exemplo, fazer as ridículas comparações entre Felipe Massa e Fernando Alonso, que já deram o que tinha que dar?

É isso.

Diga 33

4156220130922160737

RIO DE JANEIRO – Estamos sem manchete, dirão alguns. E estamos mesmo. Tive que apelar para um procedimento médico das antigas para poder tornar um post sobre uma corrida insuportavelmente chata algo divertido de se ler. O GP de Cingapura foi a polaroide em cores vivas do que, aliás, tem sido a temporada 2013 do Mundial de Fórmula 1.

Foi uma corrida sacal do começo ao fim, em que pese as trocas circunstanciais de posições no fim da disputa. Sebastian Vettel, que não tem nada a ver com isso – ou tudo a ver, dependendo do ponto de vista, claro – venceu pela 33ª vez na carreira, dando mais um largo passo rumo ao tetracampeonato consecutivo do Mundial de Pilotos. Com vantagem de 60 pontos para o vice-líder Fernando Alonso, o alemãozinho da Red Bull continua triturando a concorrência e conquistando mais e mais resultados que o deixam no panteão dos principais nomes da categoria.

Alonso mais uma vez se superou: largou em sétimo e chegou em segundo, pondo mais 18 pontos na conta. Porém, como Vettel e sua Red Bull formam uma combinação quase inatingível, o espanhol não tem como ficar tão triste assim com seu desempenho no circuito Marina Bay.

E o que dizer de Kimi Räikkönen, novamente espetacular? Infiltrado de Voltaren, com dores fortíssimas nas costas, o Iceman mostra de novo porque fez por merecer regressar à Ferrari. O finlandês fez uma grande corrida vindo do meio do pelotão e beliscou, com uma manobra belíssima para cima de Jenson Button, o último lugar do pódio neste domingo.

 De resto, pouco – ou nada a dizer. Felipe Massa cumpriu prontamente o que tinha dito no início da semana – de que não ajudaria Fernando Alonso. E não ajudou mesmo. Chegou em 6º lugar, atrás da dupla da Mercedes-Benz, com Rosberg à frente de Hamilton. E poderia ter sido um pouquinho pior, se não fosse a quebra do câmbio do carro de Mark Webber na última volta.

Até nisso o Vettel tem sorte…

E vamos nos preparar porque vem por aí uma das mais chatas corridas do ano: o GP da Coreia do Sul, na inócua pista de Yeongnam. Eu, se pudesse escolher, não teria dúvidas e limaria essa corrida do calendário da Fórmula 1. Como não tenho poderes, segue o parador.

O velho novo campeão

Italy F1 GP Auto Racing.JPEG-08691

RIO DE JANEIRO – Podem entregar a taça para o #1 de cabelo loiro e que pilota o carro do touro vermelho na Fórmula 1.

Acho que não há mais dúvidas quanto a isso: Sebastian Vettel vai ser de novo campeão mundial. E provavelmente com muito mais facilidade que no ano passado. O piloto da Red Bull está em fase espetacular e a equipe, que convive com muito menos problemas técnicos e extrapista do que Ferrari e Lotus, só para citar estas duas, trabalha com o objetivo de colocar o alemão de 26 anos no topo novamente.

A corrida do último domingo, uma das primeiras que confesso ter visto na sua totalidade em algum tempo, foi pobre em emoções. Vettel dominou como quis a situação desde os treinos. Fez a pole position e venceu com sobras, deixando claro que se existe alguém para ser batido, esse alguém é ele. Com três vitórias nas últimas quatro corridas, além de quebrar uma incômoda maldade de seus detratores – que enchiam o saco porque o piloto não tinha vencido uma única corrida em território europeu ano passado – Vettel ganhou em casa e em dois templos do automobilismo: Spa-Francorchamps e Monza, mesma pista onde venceu pela primeira vez na carreira.

Os números não mentem: Vettel será o tetracampeão mais jovem da história da Fórmula 1 e poderá superar Fernando Alonso em número de vitórias na carreira. O asturiano, que vive entre a cruz e a espada, pois o clima na Ferrari não lhe é favorável, ao mesmo tempo em que ainda reúne chances esparsas de ser campeão, também tem as mesmas 32 vitórias que o rival e corre sérios riscos de perder a supremacia de triunfos entre os pilotos atuais da categoria máxima. Ambos estão empatados em 4º lugar no ranking de conquistas em GPs, só que Vettel tem um aproveitamento muito maior – 28,32% contra 15,31% do espanhol. É a tal média de uma vitória a cada quatro corridas – ou menos.

A luta quase desigual pelo título passa a ser entre o alemão da Red Bull e Fernando Alonso. Uma pena que Kimi Räikkönen tenha sido alijado tão cedo da contenda, por uma série de fatores: problemas financeiros da Lotus e a negociação empreendida pelo finlandês e seu empresário para sair da equipe dirigida por Eric Boullier influenciaram fortemente para que o nórdico não fosse capaz de brigar pelo campeonato.

_63777950_63775280

Aliás, sobre Kimi na Red Bull, todo mundo soube: houve mesmo tratativas para que o campeão mundial de 2007 engrossasse as fileiras do time do touro vermelho, mas houve uma pressão extremamente grande de Helmut Marko para que Daniel Ricciardo fosse escolhido como o segundo piloto e há quem diga que não teria sido uma sábia decisão do austríaco em promover o australiano, hoje na Toro Rosso, para o lugar do compatriota Webber. Há quem ache esta opção um erro e só o tempo dirá.

Goradas as negociações com os rubro-taurinos, veio a chance do regresso de Räikkönen a Maranello. É uma boa para ambas as partes, embora Kimi tenha saído meio chamuscado da equipe quando aceitou ganhar dinheiro sem correr e a Ferrari trouxe Fernando Alonso para seu lugar. A Lotus até se movimenta nos bastidores para evitar o inevitável, mas a equipe dos carros pretos e dourados deve dinheiro ao finlandês e há aquela velha história: “no money, no race”.

fernando-alonso_2518030b

Talvez, com a chegada de um companheiro de equipe mais forte, Fernando pare de chororô e volte a ser Fernando Alonso, não se transformando numa espécie de Alain Prost. 

Por que comparo o espanhol ao tetracampeão francês? Simples: Alonso gosta de se impor no jogo político, tal qual Alain fez inúmeras vezes. É chorão, como Prost muitas vezes mostrou na Fórmula 1. E ambos contaram com grande beneplácito da FIA: Prost foi claramente beneficiado em 1989 no polêmico episódio entre ele e Senna em Suzuka. Alonso ganhou o salvo conduto da entidade duas vezes, no escândalo da espionagem entre McLaren e Ferrari e depois no lamentável acontecimento de Cingapura, onde a carreira e a imagem de Nelsinho Piquet foram devidamente incineradas e ele saiu, como sói, ileso.

Felipe_Massa_2370259b

Com a possibilidade cada vez mais clara de um regresso de Kimi a Maranello, parece óbvio que Felipe Massa vai sobrar na Ferrari. E já não é sem tempo. Não é porque é brasileiro que temos que defender os pilotos brasileiros. Alguns deles, inclusive, passaram em brancas nuvens na Fórmula 1 e nem merecem ser lembrados, principalmente porque não tiveram uma atenuante dentro do automobilismo que possa absolvê-los (não vou citar nomes, esqueçam). Massa é uma pálida sombra daquele piloto que em 2008 quase foi campeão mundial e que não abraçou aquela chance que lhe sorriu porque não teve sorte em alguns momentos, porque lhe faltou competência em algumas outras ocasiões e principalmente pela postura quase infantil em imputar ao episódio de Cingapura a perda do título de pilotos daquele ano para Lewis Hamilton.

Os dados estão aí para serem jogados e rolarem. O que vai acontecer a Alonso, Massa e Kimi, só o tempo dirá. E por falar em tempo, é uma questão dele agir para que Vettel seja consagrado, mais uma vez, campeão mundial de Fórmula 1.

Empurra-empurra

Lewis-Hamilton-Exploded-Tyre-Silverstone_2965882

RIO DE JANEIRO – Falar de e sobre Fórmula 1 está ficando cada vez mais chato. A categoria, outrora inovadora, não tem mais novidade técnica nenhuma, os carros se parecem uns com os outros, o ronco dos motores é uniforme demais e, para completar, num campeonato onde as atrações deveriam ser os pilotos e as equipes, desfilando tecnologia, o cerne do debate está nos pneus. De novo.

Alvo de severas críticas desde que voltou à categoria como fornecedora única dos compostos que equipam os carros da Fórmula 1, a Pirelli foi metralhada, talvez sem muita culpa, por tudo o que aconteceu no recente GP da Inglaterra. É claro que o histórico do fabricante depõe contra: a pedido de Bernie Ecclestone, os italianos produziram pneus macios que mal duram dez voltas e duros que duram pouco mais do que isso. A justificativa é aumentar o número de paradas de box e provocar alternativas às corridas. Só que o público se cansa de ver carros entrando nos pits como ratos em tocas e a imagem da Pirelli está seriamente manchada pelo conjunto da obra.

Formula One World Championship, Rd8, British Grand Prix, Race Day, Silverstone, England, Sunday 30 June 2013.

Mas é bom prestar atenção ao seguinte: os quatro pilotos que tiveram pneus furados – Lewis Hamilton, Felipe Massa, Jean-Eric Vergne e Sergio Pérez – durante o GP da Inglaterra, podem ter sido vítimas da configuração das zebras do circuito de Silverstone. É sabido que, no automobilismo, as zebras são usadas para o apoio dos carros nas curvas e também para ganhar tempo. Porém, algumas podem ter quinas que danificam os pneus e é bem possível que eles não tenham resistido. É muita coincidência que tenham sido todos na roda traseira esquerda, não é mesmo?

A Pirelli teve sua parcela de culpa no episódio. Num comunicado um tanto quanto malcriado, Paul Hembery, diretor da marca para a Fórmula 1, meteu a boca nas equipes. Além da questão das zebras, incluiu no lote de problemas em Silverstone a baixa pressão dos pneus, a cambagem excessiva e até a montagem errada dos mesmos nas rodas traseiras. O fabricante se defendeu dizendo que os pneus são assimétricos e, portanto, não são intercambiáveis.

Após o mal-entendido, a Pirelli desculpou-se e disse em outro comunicado que tem o “apoio” das equipes da categoria. Já quanto aos pilotos, não se pode dizer o mesmo. Fernando Alonso diz que “apenas podemos confiar” no fabricante quanto a mudanças nos pneus. A falta de garantias quanto a uma melhora na construção e no desempenho dos compostos deixa a turma com uma pulga atrás da orelha.

Com toda razão.

O que não pode acontecer é esse empurra-empurra. A Pirelli errou ao culpar as equipes. E as equipes erraram ao culpar a Pirelli. Talvez todos tenham errado. Ou o problema seja apenas e tão somente com as zebras de Silverstone.

Enfim, vai saber…

Reitero o que disse: está cada vez mais chato falar de e sobre Fórmula 1. Se nada mudar, dificilmente o blogueiro vai dar espaço para a categoria nos próximos posts.

Um Rosberg no pódio, 30 anos depois

Nico-Rosberg_treinos_livres_monaco_2013-600x288-561x288

RIO DE JANEIRO – O GP de Mônaco desse ano dividiu-se em duas partes: chato, muito chato no início e animado do meio para o fim. Teve de tudo. Batidas, barbaridades, bandeira vermelha, algumas boas ultrapassagens e – sim, senhores! – uma vitória da Mercedes. Os leões de treino superaram a fama adquirida nas corridas anteriores e chegaram lá no Principado. E, trinta anos depois do pai, Nico Rosberg vence num dos circuitos mais tradicionais da Fórmula 1.

Ok… a corrida foi atípica e a Mercedes respondeu rápido. Só não fez a dobradinha porque Hamilton acabou prejudicado na primeira das duas entradas do Safety Car. Caiu para quarto e por lá ficou. Acabou atrás do líder do campeonato Sebastian Vettel e de Mark Webber, que conquistou seu quarto pódio nas cinco últimas edições da corrida do Principado. O alemão, líder do campeonato e atual tricampeão, continua sem vencer em território europeu. Isso parece não preocupá-lo – muito menos que o fato de que a Red Bull, mesmo comandando o Mundial de Construtores com 164 pontos, não tem mais o carro de outro planeta que teve noutros tempos.

Continuar lendo

Primeira fila prateada… de novo

23mai2013---nico-rosberg-contorna-uma-das-curvas-do-circuito-de-rua-de-monte-carlo-durante-os-treinos-livres-para-o-gp-de-monaco-1369303065319_956x500

RIO DE JANEIRO – Ninguém se surpreende mais com os leões de treino da Fórmula 1: a Mercedes continua com fome e abocanha mais uma pole position de forma consecutiva na temporada 2013. É a quarta da estrela de três pontas e a terceira em sequência cravada por Nico Rosberg, que pelo visto tomou gosto pela coisa. Só não pode fazer comemorações estranhas como a de hoje. O resto tá valendo.

O treino foi interessante pelas condições em que aconteceu. Choveu entre a terceira sessão livre e a qualificação, o que tornou as coisas mais complicadas para alguns. Paul Di Resta e Estebán Gutiérrez, por exemplo, passaram pelo vexame de sequer avançarem do Q1 para o Q2. Mas o pior, mesmo, aconteceu com Felipe Massa.

Continuar lendo

Em casa é mais gostoso

3983120130512154857

RIO DE JANEIRO – Apesar da demora em comentar sobre o Grande Prêmio da Espanha, claro que assisti a corrida deste domingo disputada em Barcelona. E até que, para um circuito taxado de “monótono”, a pista da Catalunha teve uma boa corrida e, depois de 17 anos, um carro que não largou na primeira fila venceu. Cortesia de Fernando Alonso, que enlouqueceu a torcida com um início de corrida avassalador a bordo de sua Ferrari. Início este que foi decisivo para o 32º triunfo de Don Alonso de las Asturias, que o deixa como o quarto maior vencedor, de forma isolada, da Fórmula 1.

A minha aposta pessoal foi em Kimi Räikkönen – e não foi muito em vão, visto que só Alonso chegou à frente do finlandês da Lotus, que agora está a apenas quatro pontos de Sebastian Vettel no Mundial de Pilotos. O Iceman teve um desempenho muito consistente com o E21 equipado com pneus macios e se valeu disto para parar uma vez menos que todos os principais adversários e ampliar seu recorde pessoal para 22 corridas consecutivas na zona dos pontos – duas a menos que a marca absoluta e histórica pertencente a (evidentemente) Michael Schumacher.

Continuar lendo

Mercedes faz 1-2 em Barcelona

d13mal25791-640x427

RIO DE JANEIRO – Ainda tem quem se surpreenda. Mas a Fórmula 1 é assim. Cheia de franco-atiradores falando o que querem. Só que a Mercedes não é mais surpresa – pelo menos em ritmo de qualificação. Os carros prateados voltam a monopolizar uma primeira fila após um hiato de 58 anos. Em Monza, no GP da Itália de 1955, quando largavam três (às vezes quatro) carros na linha de frente, Juan Manuel Fangio, Stirling Moss e Karl Kling fizeram o 1-2-3 dos W196, as legítimas Flechas de Prata.

Tá: antes que alguém se apresse e venha aqui me corrigir e dizer que estou errado, no ano passado Rosberg e Schumacher largaram da primeira fila no GP da China. Só que Hamilton, o segundo mais rápido, foi punido. Em termos de desempenho puro, na pista, não é para mim uma primeira fila de direito e fato. Hoje, foi a vez de Nico Rosberg e Lewis Hamilton fazerem as honras da casa de Stuttgart.

Continuar lendo

O senhor do deserto

3954720130421154556

RIO DE JANEIRO – Para quem ainda tinha dúvidas do quanto Sebastian Vettel ainda pode fazer na Fórmula 1, eis que o alemão da Red Bull emplaca sua segunda vitória na temporada. E, ao contrário do ocorrido na Malásia, quando a tônica foram caras amarradas e trombas enormes, o piloto sorri aliviado desta vez. Dominante quase do começo ao fim, Vettel venceu com sobras e já alcança 77 pontos na liderança do campeonato.

Foi também a 28ª conquista do piloto em 105 corridas que disputou na categoria. De acordo com as efemérides, Vettel é o sexto maior vencedor da história da Fórmula 1, ultrapassando Jackie Stewart, com quem estava empatado. À frente dele, dos atuais, só Alonso, com 31 triunfos. Os quatro maiores vencedores são Mansell, também com 31, Senna com 41, Prost com 51 e Schumacher, recordista absoluto com 91.

Continuar lendo

Brilhante Alonso

13abr2013---fernando-alonso-contorna-uma-das-curvas-do-circuito-de-xangai-durante-o-treino-de-classificacao-para-o-gp-da-china-1365833936875_956x500

RIO DE JANEIRO – O melhor piloto da safra atual da Fórmula 1 voltou a brilhar: Fernando Alonso acertou em cheio na pista e na estratégia e venceu o  GP da China, conquistando o 31º triunfo de sua carreira exatamente no 200º Grande Prêmio que disputou desde sua estreia em 2001. O campeonato de 2013 começa com três equipes diferentes vencendo as três primeiras corridas do ano – Lotus na Austrália, Red Bull na Malásia e agora Ferrari na China.

Bem promissor, não?

A corrida deste domingo teve um pódio 100% de campeões do mundo, pois Räikkönen chegou em segundo (vigésima corrida consecutiva nos pontos, aliás) com este excelente E21 que parece ser um dos carros que melhor se entende com os pneus Pirelli – com qualquer tipo de composto, aliás; e Lewis Hamilton foi o terceiro. Notável a melhora dos carros prateados. Pole position na véspera para o britânico e um pódio. E ele não está tão distante assim do líder do campeonato. Acredito que ele poderá fazer muito mais com seu carro até o fim da temporada – principalmente ganhar corridas.

Quem também fez o que se pode chamar de “negócio da China” foi Sebastian Vettel, que saiu no lucro com a mudança de estratégia. Preferiu optar por não usar os pneus macios na classificação – aliás, nem treinou no Q3 – guardando os médios para usar em grande parte da corrida. O alemão fez uma prova de ataque e liderou circunstancialmente por seis voltas. Saiu de Xangai com o 4º lugar e a liderança do campeonato ainda é dele.

Outro que não pode se queixar de nada é Jenson Button, que com sua categoria consegue ‘empurrar’ a McLaren para posições mais à frente do que o potencial do MP4-28 pode supor. O britânico também fez uma corrida pautada pela tática diferenciada e com uma boa ultrapassagem sobre Felipe Massa acabou em 5º enquanto o brasileiro, que de novo não se entendeu nem com a estratégia e tampouco com os pneus, acabou em sexto.

Nos demais lugares pontuáveis, Daniel Ricciardo fez uma excelente corrida com o Toro Rosso STR8 e destacou-se entre os pilotos dos times médios. Chegou em 7º, à frente de um combativo Paul Di Resta, que salvou o dia da Force India. Um discretíssimo Romain Grosjean, nono colocado, antecedeu Nico Hülkenberg, outro destaque por ter liderado oito voltas durante a disputa – mesmo que de forma circunstancial.

Mais uma vez a decepção ficou por conta dos pilotos mexicanos: Sergio Perez ficou fora dos pontos com a McLaren, ao terminar em 11º e Estebán Gutiérrez atropelou a Force India de Adrian Sutil numa freada, terminando com a corrida dos dois. E entre as nanicas, nenhuma surpresa: Bianchi de novo na frente de Chilton, Pic e Van Der Garde, com a melhor volta do francês sendo quatro décimos melhor que a do companheiro de equipe em ritmo de corrida. A Caterham, com os pilotos que tem, já parece conformada em ser a pior equipe do ano.

Semana que vem tem o GP do Bahrein no circuito de Sakhir. Num país onde grassa o ódio e o ressentimento, esperamos que esses sentimentos sejam deixados de lado na pista e que a corrida seja interessante. Afinal de contas, um ano que começa com quatro campeões do mundo nas quatro primeiras posições e com 12 pontos apenas de diferença entre eles, não pode ser tão ruim assim.

Vendetta?

Vettel1

RIO DE JANEIRO – Cada vez menos escrevo sobre a Fórmula 1 dos dias atuais. O blog tem se limitado às resenhas de treinos e corridas. Até porque, na minha opinião, tem gente mais abalizada para dar opinião a respeito sobre a categoria e o viés do A Mil Por Hora tem sido abrir o leque para outras categorias tidas como ‘pouco importantes’, mas que têm ganho relevância face as mudanças que temos visto ultimamente.

2013_f1_malasia_vettel_webber_wall

Mas um assunto que deu o que falar, como a história do “jogo de equipe” da Red Bull no GP da Malásia, não pode ser esquecido, ainda mais porque, antes da corrida deste fim de semana na China, Sebastian Vettel soltou o verbo e praticamente decretou o fim do ciclo de Mark Webber como seu companheiro de equipe. Abro aspas para o piloto tricampeão do mundo (declarações retiradas do site Grande Prêmio).

“Tendo entendido a mensagem e tendo pensado sobre isso, refletido sobre isso, pensei no que o time queria que eu fizesse, deixasse Mark vencer e ficar no segundo lugar… Acho que teria pensado sobre isso e, provavelmente, feito a mesma coisa”, explicou. “Ele não merece isso.” 

“Há um conflito, pois, por um lado, eu sou o tipo de cara que respeita as decisões do time e, por outro, provavelmente Mark não fosse o tipo de cara que merecia isso no momento”, avaliou. “Eu nunca tive apoio do lado dele. Tenho muito apoio do time e o time nos apoia da mesma maneira”, defendeu.
 
Fecha aspas.
 
wm-640x480-529e357f2ea2ee057ded37d68bae92a9
 
Está claro pelas palavras duras do alemão o seguinte: ele não confia em Mark Webber. E não confiando no próprio companheiro de equipe, o clima dentro do time austríaco – que já não era dos mais saudáveis – azedou de vez. E não adianta Helmut Marko vir agora dizer que “não existe mais ordem”. Mesmo que tivesse, Vettel deixou claro que nesse terreiro do touro vermelho quem manda é ele.
 
E vamos combinar uma coisa: já deu pro Mark Webber, não acham? O tempo dele na Fórmula 1 durou mais até do que o que se previa. E o futuro do australiano pode atender pelo nome de Mundial de Endurance. Dizem por aí que ele já estaria em negociações com a Porsche visando uma vaga na LMP1 em 2014.
 
Voltando ao assunto que me moveu a escrever este post: o sentimento de ‘vingança’ que fez o tricampeão a tomar a atitude que tomou em Sepang não o difere de muitos outros grandes nomes da Fórmula 1 dos últimos 30 anos que foram vitoriosos – talvez Räikkönen, por seu savoir faire incomum, seja excluido do grupo dos ‘filhos da puta’ da categoria máxima, assim como Mika Häkkinen, Lewis Hamilton e, vá lá, Damon Hill e Jacques Villeneuve – que fora das pistas, mostrou-se um boquirrroto de mão cheia.
 
Mas é sempre bom lembrar: Schumacher, Senna, Prost, Piquet, Alonso e até Mansell fazem parte deste lote onde, agora, Vettel chegou com louvor. Essa turma toda, se pudesse, diria ao alemão, que de santo só tem a cara, pelo visto: “Bem-vindo ao clube.”