Tranquilo e sereno

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RIO DE JANEIRO – Ninguém incomodou Lewis Hamilton neste domingo de GP da China. O piloto da Mercedes, pole position, fez o seu papel com competência – como, aliás, tem sido desde a Malásia. Por isso, chegou a três vitórias consecutivas em quatro corridas disputadas do Mundial de Fórmula 1, o que o deixa a quatro pontos do líder e companheiro de equipe Nico Rosberg.

Numa vitória em que o domínio do piloto do carro #44 foi tranquilo e sereno, Hamilton consegue igualar as 25 vitórias de Jim Clark e Niki Lauda, tornando-se o único piloto britânico da atualidade com número de triunfos suficiente para inclusive ultrapassar o recorde (de um piloto escocês ou inglês, evidentemente) de 31 vitórias, pertencente a Nigel Mansell desde 1994.

E foi mais fácil do que o previsto, porque Nico Rosberg só assumiu a 2ª posição na 43ª volta, após remar bastante vindo da 6ª posição. Quarto no grid, o alemão largou mal e teve que empreender uma recuperação que pelo menos o mantém na liderança do campeonato – com margem cada vez menor para “Comandante Hamilton”.

O GP da China, aliás, nos deu a certeza que a prova do Bahrein foi um ponto fora da curva da atual temporada, que começa com a imensa maioria de corridas desprovidas de emoção. É verdade que alguns fatos pontuaram este domingo, mas dar uma nota acima de 6 seria muito injusto com a corrida de Xangai.

Um fato foi a ótima atuação de Fernando Alonso. Como eu disse no post sobre o treino, mais uma vez o asturiano fez valer a competência para operar ‘pequenos milagres’ e desta vez ele conseguiu o pódio, o primeiro dele em 2014, que o levou ao 3º lugar no Mundial de Pilotos, bem longe da dupla da Mercedes. Marco Mattiacci, já apelidado de “Mister M” no paddock da Fórmula 1, deve ter gostado do que viu. Homem de poucas palavras, sério e sisudo, é ele quem comandará a equipe num processo de reconstrução da imagem vitoriosa de Maranello. Até Räikkönen mostrou algum espírito de luta e motivação, embora não tenha sido tão brilhante quanto Alonso. O finlandês pontuou com a 8ª colocação.

Outro evento digno de nota foi Daniel Ricciardo à frente de Sebastian Vettel. O “Risada” tem feito a alegria dos que detestam o alemãozinho tetracampeão e hoje foi a vez do atual número #1 da categoria ouvir um “Ricciardo is faster than you” – não com essas letras, é claro, mas vocês entenderam bem o que estou falando. Vettel nem tinha como segurar o ímpeto do companheiro de equipe que, repito, Helmut Marko não vai conseguir domesticar tão cedo.

E houve ainda a patuscada da Williams, errando tudo no primeiro pit stop do Felipe Massa e jogando o brasileiro lá pro fim da fila, em último. Claro que, por conta de um toque na largada com Fernando Alonso, lá foram os teóricos da conspiração começar a dizer que a roda traseira esquerda – que engastalhou na parada – foi a que tocou no carro do espanhol. Nada menos exato, pois o toque é de roda dianteira com roda dianteira. A FIA não considerou o incidente ilícito e segue o parador…

Massa, claro, não gostou do ocorrido nos boxes e, insatisfeito e frustrado, acabou em 15º lugar, bem distante do bravo Valtteri Bottas. Nico Hülkenberg, que começa muito bem a temporada com a Force India, terminou em sexto.

Aliás, no duelo doméstico, o alemão enquadrou mais uma vez o mexicano Sergio Perez, 9º na China, após levar um “couro” firme do parceiro de time no Bahrein. Daniil Kvyat pontuou pela terceira vez em quatro provas e já igualou Jean-Eric Vergne em pontos no Mundial.

Medíocre, mesmo, foi a McLaren. Totalmente perdida, a equipe de Ron Dennis ficou em branco de novo. O bom começo na Austrália, pelo visto, foi ilusão. Já são duas corridas seguidas fora dos pontos e a equipe volta a figurar em quinto no Mundial de Construtores, com menos pontos que a Force India, acredite quem quiser.

Agora a Fórmula 1 (graças a Deus) dá um tempo nas corridas de madrugada e volta ao horário “normal” das manhãs de domingo. No próximo dia 11, vai começar a fase europeia com o GP da Espanha, em Barcelona. E fica a pergunta: existirá alguém capaz de incomodar a supremacia da Mercedes?

Cartas para a redação.

Comandante Hamilton

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RIO DE JANEIRO – Em pista seca, úmida ou molhada, ainda não tem para ninguém na Fórmula 1 em 2014. A Mercedes segue absoluta nas primeiras provas da temporada e em qualificação, todas as provas tiveram um carro prateado na pole position. Num chuvoso treino para o GP da China, em Xangai, na nossa madrugada de sábado, Lewis Hamilton mostrou que vive excelente momento e se tornou o britânico com o maior número de pole positions da história da categoria.

Dominante no Q3, o piloto do carro #44 conquistou a terceira posição de honra dele em quatro provas, a segunda em condições adversas. Lewis cravou 1’53″860 na fase decisiva do treino classificatório e foi muito superior à concorrência. E surrou Nico Rosberg, mais uma vez, no duelo interno de qualificação. Placar: 3 x 1 pró-Comandante Hamilton.

A surpresa é que, desta vez, LH não terá o alemão como parceiro de primeira fila. A honra cabe a Daniel Ricciardo e, volto a repetir o que disse a um leitor do blog, será difícil a Red Bull domesticar esse cara. O australiano não é um “mosca morta” e vai mostrando qualidades, além de fazer muita gente começar a duvidar da capacidade de Sebastian Vettel. Fato é que o australiano foi bem no treino classificatório e conseguiu o 2º tempo. O tetracampeão larga em terceiro.

Fernando Alonso fez seus pequenos milagres de sempre. Até andou bem em treinos livres, mas estes treinos hoje pouco ou nada representam de parâmetro para o desempenho de um carro durante um fim de semana de corridas – exceto ganhar quilometragem, pois na Fórmula 1 quase não se testa mais. O espanhol parece estar enfadado dentro da escuderia de Maranello e suas palavras sobre a chegada do novo chefão Marco Mattiacci foram apenas comedidas. Diante das circunstâncias, um 5º posto está bom demais da conta.

Cá pra nós, o que Alonso tem feito neste início de campeonato é um tremendo contraste com a falta de tesão do Räikkönen. O finlandês parece aéreo, acomodado e infeliz. E mais indiferente do que o companheiro de equipe com a troca de comando. Será que Mattiacci não vai dar uma sacudida no Iceman? Parece que é o que o finlandês precisa, mais do que nunca.

Enquanto isso, nas hostes da turma de Grove, a sexta e sétima posições de Felipe Massa e Valtteri Bottas são motivo de comemoração, pois o carro não é dos melhores em pistas molhadas pela chuva. O brasileiro, temos que reconhecer, fez mais um bom trabalho a bordo de seu carro e voltou a superar o finlandês. Aos poucos, o episódio da Malásia – ainda bem – vai ficando em segundo plano. Tudo o que Felipe precisa é confiança e tranquilidade para desempenhar um bom papel na pista.

Nico Hülkenberg conseguiu se destacar novamente ao levar sua Force India ao Q3 – aliás, 50% dos carros tinham motor Mercedes na fase final do treino – e o alemão obteve o oitavo tempo, à frente de Jean-Eric Vergne e Romain Grosjean.

No sábado de Aleluia, comemorado pelos cristãos, foi notória a recuperação do E22 da Lotus. O malogrado carro, que parecia ser o pior do ano – pelo menos começou de forma tenebrosa na Austrália – começa a evoluir. Mas há um ponto contra: Pastor Maldonado destoa completamente da proposta da equipe. É outro que começa a dar adeus à Fórmula 1 aos poucos. Foi protagonista de um acidente constrangedor no segundo treino livre. Larga de último porque seu carro teve problemas e dificilmente escaparia do fim do grid, pois tem uma punição retroativa à capotagem que provocou no Bahrein, quando fez de seu carro catapulta da Sauber do mexicano Estebán Gutiérrez.

E a McLaren? É, leitores… parece haver – de novo – algo errado no reino do Ron Dennis. Não adiantou trocar Martin Whitmarsh por Eric Boullier, mudar a parte técnica, trazer Sam Michael, se o carro não consegue vir no mesmo ritmo das demais. Só a estratégia e a finesse de Jenson Button poderão render frutos nesse fim de semana. Kevin Magnussen, após uma boa estreia na Austrália, desaponta um pouco na comparação, por exemplo, com Daniil Kvyat, que tem feito um início de carreira na Fórmula 1 bastante correto.

De resto, o de sempre: a Sauber não se encontrou ainda no começo do ano, Caterham e Marussia continuam emboladas e sempre nocauteadas no Q1. Meu palpite para hoje: chovendo ou no seco, dá Hamilton, na cabeça.

E vocês?

Nada feito

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RIO DE JANEIRO – A equipe Red Bull foi derrotada no tribunal da Corte de Apelação da FIA, o que significa que a desclassificação de Daniel Ricciardo no GP da Austrália, quando o piloto da casa chegou em 2º lugar, está mantida.

A desclassificação do piloto se deveu ao fato de que o fluxômetro de combustível acusou uma medida superior aos 100 kg/hora impostos pelo novo regulamento técnico. A equipe sustentou que não violou o artigo 5.1.4, mas os dados em posse dos homens da FIA provaram que realmente houve violação do limite de fluxo de gasolina.

Um júri formado por cinco integrantes do Conselho Mundial – Philippe Narmino, Jan Stovicek, Rui Botica Santos, Antonio Rigozzi e Harry Dujim analisou o recurso durante seis horas e decidiu-se por manter a desclassificação, assim comunicada pela entidade.

“O Tribunal, ouvidas as partes e analisados os seus comentários, decidiu manter a decisão do Colégio de Comissários Desportivos, que decidiram excluir o carro #3 da Infiniti Red Bull Racing dos resultados do 2014 Australian Grand Prix.”

Corrida extraordinária

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RIO DE JANEIRO – Na semana que antecedeu ao GP do Bahrein, o escriba aqui cometeu a pachorra de dizer que a pista-sede da corrida #900 da história da Fórmula 1 fazia jus ao momento atual da categoria. Também pudera: as provas iniciais na Austrália e na Malásia tinham sido pouco entusiasmantes e todo mundo só fazia críticas ao barulho dos novos motores V6 Turbo.

Quebrei a cara. Que bom! E dentre as etapas ‘centenárias’ que assisti, a partir de 1984, essa entra no ranking das melhores. O GP 500, de 1990, é o meu favorito, por motivos óbvios e o segundo, claro, é o GP 700, aquele da tromba d’água de Interlagos, em 2003. Duas provas épicas às quais se junta a de hoje.

A corrida, primeira disputada à noite no sultanato do Oriente Médio, foi extraordinária. Esqueçamos por um tempo que o barulho dos motores dos carros não tem graça nenhuma. O que se viu em Sakhir foram disputas excepcionais por posições e talvez uma das maiores atuações de um piloto nos últimos tempos.

Lewis Hamilton venceu sua segunda corrida consecutiva e foi soberbo, absurdo. Teve, na minha opinião, a melhor atuação de toda sua carreira de piloto de Fórmula 1. Correu como um autêntico campeão do mundo e derrotou o alemão Nico Rosberg como tem que ser. Sem ordem de equipe, sem palhaçada de rádio, na pista, no puro talento. Acredito que o companheiro do britânico, após uma disputa épica pela liderança, tenha ‘afinado’ um pouco em busca do segundo lugar que lhe mantém em primeiro do Mundial de Pilotos com 61 pontos.

Aliás, o GP do Bahrein deixa claro mais uma vez que a Mercedes-Benz segue furos acima das outras equipes. E que a Red Bull continua remando contra a maré. O construtor alemão, como sabido, fornece motores para outras três equipes e em determinado momento, seis carros com os propulsores da estrela de três pontas estavam nas seis primeiras posições. Um massacre para deixar Renault e Ferrari coradas de inveja e vergonha…

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E quem brilhou no best of the rest foi a Force India. Quem diria! O time de Vijay Malliya tem um ótimo início de temporada e Sergio Pérez deu logo em sua terceira prova pela escuderia um tapa com luva de pelica na McLaren. Alcançou o quarto pódio na carreira e o segundo da história da equipe – o primeiro fora em 2009, com Giancarlo Fisichella, no GP da Bélgica. Nico Hülkenberg, de quem sempre se espera os melhores desempenhos do time, andou bem mas teve problemas de pneus e terminou em quinto.

Quem sorri discretamente, em algum lugar do planeta, é Martin Whitmarsh. Nem preciso dizer o porquê, não é mesmo?

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Lembro que um leitor escreveu na área de comentários do post sobre o GP da Malásia que Helmut Marko não terá dificuldade em “domesticar” Daniel Ricciardo na Red Bull. Comentei que tinha minhas dúvidas e que o australiano não é nenhuma mosca morta. E o resultado está aí: quarto lugar para o canguru, à frente de Sebastian Vettel, fragorosamente ultrapassado pelo companheiro de equipe – e sem nenhuma contestação. “Multi 21”? É… dessa vez, isso não aconteceu.

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A Williams novamente pôs seus carros na zona de pontuação e Felipe Massa deu a impressão de que brigaria lá na frente, após uma largada fantástica vindo de sétimo para terceiro. Porém, o Safety Car que foi acionado após uma capotagem do mexicano Estebán Gutiérrez, cortesia do sempre tresloucado Pastor Maldonado, deitou por terra não só as chances do brasileiro como também de Valtteri Bottas. Pelo menos, desta vez, Massa não passou pelo desplante de ter que ouvir ordens do time sugestionando uma inversão de posições e o piloto levou seu carro ao fim, em 7º lugar.

Parêntese para o chamado “Enigma Tostines”, sobre Pastor Maldonado e o acidente com Estebán Gutiérrez:

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O venezuelano comeu criança quando era merda ou comeu merda quando era criança? O que ele fez com Gutiérrez é inadmissível. E a FIA, que é tão rigorosa com alguns pilotos, dessa vez baixou as calças e deu apenas um stop & go de 10 segundos para o representante da Lotus.

Sei lá… acho que falta coragem a esses comissários. No meu tempo, por muito menos, como dar marcha a ré nos boxes, Nigel Mansell levou bandeira preta de desclassificação. E ainda por cima, a Fórmula 1 inventa um sistema coxinha ao estilo Detran, com “perda de pontos na carteira”. Vamos parar de palhaçada: Maldonado tinha que ser punido com bandeira preta e um tribunal deveria julgá-lo e suspendê-lo por, no barato, uma corrida. Ponto final.

Fecha o parêntese. Voltemos à corrida, que é o que interessa.

E a Ferrari, hein? Levou um ferro abissal no Bahrein. Deu pena de Fernando Alonso e Kimi Räikkönen, que foram ultrapassados várias vezes, em diferentes pontos da pista, das mais variadas formas. Os carros vermelhos, de tão lentos em relação aos adversários, pareciam mais uns Fórmula 3. Estranho foi Alonso ‘comemorar’ um triste 9º lugar. Será porque chegou à frente do Iceman? É bem possível, não se surpreendam.

Pelo visto, Maranello continua com a impressionante vocação de construir carros mal nascidos e não ter como reverter o quadro. Muita gente credita as constantes derrotas da Ferrari ao fato de que Stefano Domenicali não merece estar no posto que ocupa e as más línguas, hoje, resolveram pôr a culpa do fracasso na corrida barenita em Luca di Montezemolo, que estava in loco em Sakhir.

E a McLaren, hein? Bem… seus dois pilotos nem chegaram perto da zona de pontos. Aliás, abandonaram. Notaram também que foram cinco equipes apenas com carros entre os dez primeiros? Pois é.

Mais: Max Chilton, sempre na base do “devagar eu chego lá”, completou em 13º lugar. Com esta, são 22 corridas do britânico recebendo consecutivamente a quadriculada. Abandonos: nenhum.

A realidade é a seguinte: Mercedes na frente e o resto, muito atrás. Querem uma prova? Nos Construtores, a marca lidera com 111 pontos. A Force India, vice-líder, soma 44, quase três vezes menos. A Red Bull, grande dominadora da Fórmula 1 (quem diria…), amarga um quarto lugar com 35 pontos, oito atrás da McLaren. E não há indícios de que as coisas mudem a tempo para o GP da China, no dia 20 de abril.

Pelo visto, se alguém quer esperar por reação de alguém, somente a partir do GP da Espanha. Até lá, é Mercedes na cabeça e o pessoal que corra atrás do prejuízo, que pode ser enorme.

Fórmula Mercedes

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RIO DE JANEIRO – Três corridas, três pole positions. Uma superioridade até aqui incontestável. A Mercedes-Benz sobra na turma enquanto a Fórmula 1 não chega à Europa e a tendência é que até antes de Barcelona o panorama não sofra alterações. Azar dos adversários: os carros prateados deram mais um banho em qualificação, desta vez no GP do Bahrein, pela primeira vez disputado em horário noturno.

Após duas poles de “Comandante Hamilton”, foi a vez de Nico Rosberg. O alemão, sempre rápido durante todo o fim de semana do evento, cravou o companheiro de escuderia por quase três décimos de segundo. E ele nem precisou se esforçar muito para garantir a posição de honra, naquela que é a quinta pole do piloto em 149 GPs na carreira – igualando o pai Keke Rosberg. O campeão mundial de 1982 disputou, aliás, 114 corridas – menos que o filho.

Com os “Flechas Prateadas” em um plano muito superior aos demais carros da Fórmula 1, o best of the rest na teoria foi Daniel Ricciardo, da Red Bull, com o 3º tempo no Q3. Na prática, a história é outra. Punido com a perda de 10 posições por um erro da equipe num pit stop em Sepang (ah, os comissários…), o australiano perdeu a posição e quem abre a segunda fila é… Valtteri Bottas.

Como é que é? O “frangote” largando em terceiro? E quase três décimos abaixo da marca de Felipe Massa? Pois foi exatamente isso o que aconteceu. E aposto com qualquer um de vocês, leitores, que o finlandês será alçado num piscar de olhos à condição de novo vilão do automobilismo. Porque na visão errônea de alguns, os pilotos brasileiros são perfeitos, inatacáveis, inatingíveis.

E a situação pode não ficar boa para Felipe Massa. Foi superado pelo companheiro de equipe em todas as fases da qualificação e há mais um agravante: Bottas teve menos tempo de pista que o companheiro de Williams, já que cedeu seu assento para a estreia de Felipe Nasr. Complicado…

Voltemos ao grid: Sergio Pérez pôs as manguinhas de fora, finalmente, na Force India. O mexicano conseguiu um excelente quinto tempo no Q3, transformado em quarto com a punição de Ricciardo, deixando quatro carros com motores Mercedes-Benz, de três equipes diferentes, nas duas primeiras filas.

Na verdade, poderiam ter sido seis carros em sequência, só que Kimi Räikkönen, com uma tremenda volta, acabou com a brincadeira. O finlandês, cuja postura neste início de campeonato já sofria algumas críticas, resolveu mostrar que a Ferrari não o recontratou por acaso. Embora o carro não seja lá essas coisas, o Iceman fez algo bem significativo: enfiou seis décimos goela abaixo em Fernando Alonso. Que outro colega de equipe do espanhol fez isso nos últimos tempos na Fórmula 1?

A McLaren teve Button pondo ordem na casa e se qualificando à frente de Kevin Magnussen, com os dois avançando ao Q3 – ao contrário do que ocorreu com o atual tetracampeão Sebastian Vettel. É claro que um 11º lugar, transformado em décimo com a punição a Ricciardo, não é o lugar que um piloto com tantos títulos e vitórias costuma frequentar. Mas é a realidade do alemão, que não vem mostrando muita satisfação com seu carro e com os motores Renault. Estranho é que no carro de Ricciardo, nada é motivo de problema (pelo menos nos treinos) e, exceto na Malásia, onde andou bem, Vettel só teve dissabores em qualificação.

De resto, a ausência de Nico Hülkenberg no Q3 também foi outra surpresa. Daniil Kvyat à frente de Jean-Eric Vergne na hierarquia da Toro Rosso não é novidade. Nem Romain Grosjean melhor que Pastor Maldonado, de novo fora no Q1, junto a Adrian Sutil (outro que ainda não se achou com a Sauber) e aos suspeitos de sempre, com Koba e Bianchi batendo mais uma vez seus colegas de infortúnio.

Então é isso: só uma quebra ou um acidente é capaz de parar qualquer um dos dois pilotos da Mercedes-Benz no GP do Bahrein. Ainda aposto em Hamilton como favorito à vitória. E vocês?

O grid:

1. fila
Nico Rosberg (Mercedes W05) – 1’33″185 – Q3
Lewis Hamilton (Mercedes W05) – 1’33”464 – Q3
2. fila
Valtteri Bottas (Williams FW36-Mercedes) – 1’34″247 – Q3
Sergio Perez (Force India VJM07-Mercedes) – 1’34”346 – Q3
3. fila
Kimi Raikkonen (Ferrari F14-T) – 1’34″368 – Q3
Jenson Button (McLaren MP4/29-Mercedes) – 1’34″387 – Q3
4. fila
Felipe Massa (Williams FW36-Mercedes) – 1’34″511 – Q3
Kevin Magnussen (McLaren MP4/29-Mercedes) – 1’34″712 – Q3
5. fila
Fernando Alonso (Ferrari F14-T) – 1’34″992 – Q3
Sebastian Vettel (Red Bull RB10-Renault) – 1’34″985 – Q2
6. fila
Nico Hulkenberg (Force India VJM07-Mercedes) – 1’35″116 – Q2
Daniil Kvyat(Toro Rosso STR9-Renault) – 1’35″145 – Q2
7. fila
Daniel Ricciardo (Red Bull RB10-Renault) – 1’34″051 – Q3  (*)
Jean-Eric Vergne (Toro Rosso STR9-Renault) – 1’35″286 – Q2
8. fila
Esteban Gutierrez (Sauber C33-Ferrari) – 1’35″891 – Q2
Romain Grosjean (Lotus E22-Renault) – 1’35”908 – Q2
9. fila
Pastor Maldonado (Lotus E22-Renault) – 1’36”663 – Q1
Kamui Kobayashi (Caterham CT05-Renault) – 1’37”085 – Q1
10. fila
Jules Bianchi (Marussia MR03-Ferrari) – 1’37″310 – Q1
Marcus Ericsson (Caterham CT05-Renault) – 1’37”875 – Q1
11. fila
Max Chilton (Marussia MR03-Ferrari) – 1’37″913 – Q1
Adrian Sutil (Sauber C33-Ferrari) – 1’36″840 – Q1 (**)

(*) perda de 10 posições por irregularidade no GP da Malásia

(**) perda de 5 posições por bloquear Romain Grosjean no treino classificatório

Sobrando na turma

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RIO DE JANEIRO – A Mercedes sobra na turma neste começo de temporada na Fórmula 1. Duas vitórias do construtor alemão, de forma enfática e com um domínio incontestável. Na Austrália, deu Nico Rosberg na cabeça e, desta vez, o triunfo – praticamente de ponta a ponta – foi do pole position Lewis Hamilton, que tinha o carro mais rápido da pista sem nenhuma discussão. Esta é a 23ª vitória da carreira do britânico, que assim iguala o número de triunfos do tricampeão mundial Nelson Piquet.

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A exemplo da prova de abertura do campeonato, o GP da Malásia foi parco em emoções. As primeiras posições praticamente se definiram na largada e o único senão na turma da frente foi o sem-fim de problemas enfrentados por Daniel Ricciardo com sua Red Bull. Não obstante a desclassificação na Austrália, o piloto do carro #3 voltou a ter “problemas” com o fluxômetro do combustível – para muitos, uma desculpa esfarrapada para evitar que o piloto atacasse o 3º lugar de Sebastian Vettel quando o carro do australiano estava melhor no começo da corrida.

Mais tarde, somaram-se a uma corrida desastrosa um problema num pit stop, uma asa dianteira quebrada e uma punição de 10 segundos aplicada ao piloto pelo erro da equipe justamente no pit para troca de pneus. Com a corrida comprometida, Ricciardo acabou abandonando após ficar duas voltas atrás dos líderes. Agora chega a informação que ele sofreu uma punição retroativa de 10 posições, por conta do pit stop em que Daniel foi liberado sem a asa dianteira estar devidamente fixada, para a próxima etapa. Que fase!

Somente isto, além da estratégia da Force India, possibilitou a Fernando Alonso a hipótese de chegar em 4º lugar numa Ferrari lenta e sem ritmo. O carro do construtor italiano é tão deficiente que Kimi Räikkönen, vítima de um furo num pneu traseiro direito logo no início, penou para passar os mais lentos e, no fim da disputa, sequer superou a medíocre Lotus de Romain Grosjean.

Com um pit stop a menos que os rivais, Nico Hülkenberg chegou num ótimo 5º lugar. É a segunda prova consecutiva do alemão na zona de pontos – pelo visto é ele quem carregará o time de Vijay Malliya nas costas neste ano. Sergio Pérez, coitado, nem largou neste domingo…

A McLaren desta vez não foi tão bem quanto na Austrália, mas seus dois pilotos pontuaram: o jovem Kevin Magnussen foi, no meu entendimento, injustamente punido por um toque com Räikkönen. Mas ainda recuperou-se para chegar em nono. Jenson Button, com classe, defendeu-se muito bem dos ataques de Felipe Massa, que chegou a se aproximar para tentar ganhar a posição e foi o 6º colocado.

Felipe Massa… pois é… logo na segunda corrida do piloto brasileiro na Williams, um velho pesadelo voltou. Ordens de rádio, do tipo “Bottas está mais rápido que você, deixe-o passar”. Dèja vu total, lembrando o que aconteceu a ele na Alemanha. Diferentemente de quatro anos atrás, Massa não estendeu tapete vermelho ao finlandês e não cedeu a posição. Simplesmente fez o que tinha que fazer – e, na verdade, fez o que deveria ter feito em 2010.

E Bottas esperava mesmo que Massa facilitasse? Por mais que o finlandês fique uma arara com o desrespeito à ordem de equipe, que certamente ele invocará em reuniões com o time britânico, há alguns fatores a serem considerados: nem com o uso da asa móvel ele ameaçou de fato a posição do companheiro de equipe; e também havia um alegado problema com a temperatura do motor Mercedes, que já atingia níveis estratosféricos com o desgaste proporcionado por uma prova disputada num país quente como a Malásia.

Aliás, Bottas andar no mesmo nível do brasileiro não é o fim do mundo. O piloto conhece a equipe e é mesmo muito rápido. O fim do mundo, entretanto, seria Massa ceder às ordens do time e deixar o finlandês passar. Seria caso até de pegar o boné e ir embora pra casa.

Voltando à corrida, na qual os pneus Pirelli inclusive se portaram bem, em que pese o asfalto áspero e abrasivo do circuito de Sepang, mais uma vez o estreante russo Daniil Kvyat mostrou qualidades, concluindo na zona de pontuação pela segunda prova consecutiva. E entre os que não marcaram nada, até que a Caterham merece algum destaque: os dois carros verdes chegaram ao fim e Kamui Kobayashi vez ou outra apareceu na zona de pontuação quando havia rodadas de pit stop.

Fica claro que o time malaio até pode fazer corridas honestas com o CT05 neste ano. E Max Chilton, devagar e sempre, conseguiu ampliar seu recorde para 21 corridas consecutivas sem qualquer abandono na carreira na Fórmula 1.

Muito bem: já no próximo fim de semana, ao meio-dia de Brasília, os carros voltam para a 3ª etapa no Bahrein, no inócuo circuito de Sakhir. A atração desta vez será o fato de que a corrida será noturna, beneficiando o desempenho dos carros por conta da temperatura mais baixa. Será que a Mercedes continuará seu domínio avassalador das duas primeiras provas?

Respostas, domingo que vem.

Hamilton e Mercedes: os alvos do momento

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RIO DE JANEIRO – Como todo mundo sabe, nesta época do ano chove  –  e muito – na Malásia. São as chamadas monções tropicais, quase sempre com hora marcada. Bernie Ecclestone, teimoso como ele só, na busca de agradar a audiência europeia, coloca treino e corrida da 2ª etapa do Mundial de Fórmula 1 num horário não muito agradável – especialmente para o público sul-americano.

Resultado: choveu, como é de hábito. E o treino, com início às 5h de Brasília, teve o início adiado em 50 minutos. E haja paciência para aturar fofocas e outras bobagens.

O que vale a pena dizer é que, no seco ou no molhado, a Mercedes está à vontade. E Lewis Hamilton, mais ainda. O piloto britânico foi o melhor em todas as partes do treino classificatório e colocou seu bólido prateado na pole position. É a 33ª vez em que Lewis sai na frente numa corrida de Fórmula 1, o que o credencia a superar a marca do compatriota Nigel Mansell, que dividia com ele a primazia do britânico com o maior número de posições de honra na história. As 33 poles o deixam empatado com Jim Clark e Alain Prost e, na média, Hamilton fez uma pole a cada quatro corridas na carreira. Nada mal…

Apesar do aparente domínio dos carros do construtor alemão até agora neste fim de semana, a Red Bull pelo visto pôs as manguinhas de fora. O tetracampeão Sebastian Vettel, que parecia morto e enterrado – e muitos até queriam vê-lo assim – conseguiu um lugar na primeira fila, desbancando Rosberg e perdendo a pole por apenas 0″055. Desvantagem ínfima em relação a Hamilton, considerando que só os dois primeiros baixaram da casa de 2 minutos no Q3.

Fernando Alonso, apesar de um erro terrível dele e da equipe no Q2, quando o espanhol tocou na Toro Rosso do novato Daniil Kvyat, ainda conseguiu um brilhante quarto lugar. A bandeira amarela que se seguiu ao contato entre o piloto da Ferrari e o jovem russo foi de colher para que os mecânicos consertassem um braço de suspensão da F14-T em tempo recorde. E o piloto compensou com um belo resultado na pista, duas posições à frente de Kimi Räikkönen.

Bacana ver Nico Hülkenberg mais uma vez no Q3 com a Force India. O alemão segue como um dos bons valores da categoria e fez o 7º tempo, classificando-se com enorme tranquilidade à frente do companheiro de equipe Sergio Pérez. Também Jean-Eric Vergne foi bem e obteve a nona posição com seu Toro Rosso.

As decepções do treino foram McLaren e Williams, com erros de avaliação no uso dos pneus para as condições de pista molhada em Sepang. A McLaren errou nas duas fases decisivas da qualificação e foi por pouco que seus dois pilotos não avançaram ao Q3. Na briga pela Superpole, Kevin Magnussen esteve longe do brilhantismo do treino do GP da Austrália e Button, insistindo com pneus intermediários num piso muito molhado, só poderia terminar onde terminou: em décimo.

Já a Williams deitou por terra qualquer possibilidade de Felipe Massa e Valtteri Bottas em obter um bom resultado. Some-se a isso o agravante da chuva não favorecer o FW36, que é um carro “traseiro” e com enorme tendência a não conseguir uma boa performance em piso molhado. Por mais que os pilotos se esforçassem, não deu para conseguir uma sequência de voltas que garantisse ambos no Q3. A opção por pneus intermediários revelou-se um erro. Massa ficou apenas com a 13ª posição e Bottas foi o décimo-quinto. Depois, o finlandês acabou penalizado pelos comissários por bloquear a volta rápida de Daniel Ricciardo. Valtteri perdeu três posições no grid e larga em décimo-oitavo.

De resto, o treino mostrou também que a Sauber permanece na zona da marola e a Lotus, embora ainda tecnicamente bem desorganizada, evoluiu alguma coisa. Tanto que Romain Grosjean avançou para o Q2 e o carro de Maldonado pelo menos saiu do lugar, com o venezuelano ficando em 18º após o Q1, no qual também ficaram fora – como sempre  – os dois pilotos da Marussia e os dois da Caterham, com Jules Bianchi e Kamui Kobayashi não encontrando nenhum problema para superar seus companheiros de equipe.

Extra-oficialmente, o grid de largada do GP da Malásia é este:

1. fila
Lewis Hamilton (Mercedes W05) – 1’59″431 – Q3
Sebastian Vettel (Red Bull RB10-Renault) – 1’59″486 – Q3
2. fila
Nico Rosberg (Mercedes W05) – 2’00″050 – Q3
Fernando Alonso (Ferrari F14-T) – 2’00″175 – Q3
3. fila
Daniel Ricciardo (Red Bull RB10-Renault) – 2’00″541 – Q3
Kimi Raikkonen (Ferrari F14-T) – 2’01″218 – Q3
4. fila
Nico Hulkenberg (Force India VJM07-Mercedes) – 2’01″712 – Q3
Kevin Magnussen (McLaren MP4/29-Mercedes) – 2’02″213 – Q3
5. fila
Jean-Eric Vergne (Toro Rosso STR9-Renault) – 2’03″078 – Q3
Jenson Button (McLaren MP4/29-Mercedes) – 2’04″053 – Q3
6. fila
Daniil Kvyat (Toro Rosso STR9-Renault) – 2’02″351 – Q2
Esteban Gutierrez (Sauber C33-Ferrari) – 2’02″369 – Q2
7. fila
Felipe Massa (Williams FW36-Mercedes) – 2’02″460 – Q2
Sergio Perez (Force India VJM07-Mercedes) – 2’02″511 – Q2
8. fila
Romain Grosjean (Lotus E22-Renault) – 2’02″885 – Q2
Pastor Maldonado (Lotus E22-Renault) – 2’02″074 – Q1
9. fila
Adrian Sutil (Sauber C33-Ferrari) – 2’02″131 – Q1
Valtteri Bottas (Williams FW36-Mercedes) – 2’02″756 – Q2 (*)
10. fila
Jules Bianchi (Marussia MR03-Ferrari) – 2’02″702 – Q1
Kamui Kobayashi (Caterham CT05-Renault) – 2’03″595 – Q1
11. fila
Max Chilton (Marussia MR03-Ferrari) – 2’04″388 – Q1
Marcus Ericsson (Caterham CT05-Renault) – 2’04″407 – Q1

(*) punido com perda de três posições por bloquear Ricciardo

Treino nota 10, corrida nota 6

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RIO DE JANEIRO – O GP da Austrália mostrou evidentes contrastes entre um sábado de emoções no Albert Park e uma corrida que chegou a ser sonolenta no domingo. Depois de um treino nota 10, a prova de abertura do Mundial de Fórmula 1 em 2014 merece uma modesta nota 6, por tudo o que esperávamos acontecer – e não aconteceu.

Bem, a vitória da Mercedes era esperada. Meu favorito era Lewis Hamilton, em quem claramente apostei no BRV. Pole e vitória. Só acertei o pole. Não faz mal. Os alemães do time dirigido por Toto Wolff ganharam de qualquer jeito, graças a um Nico Rosberg que foi excepcional do começo ao fim. Ótima largada, domínio absoluto. O carro de Hamilton teve um problema técnico logo no comecinho e a equipe mandou recolher. Fica para a próxima.

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Na campeã Red Bull, o fim de semana que começou tão bem com o 2º posto de Daniel Ricciardo no grid e na corrida acabou em pesadelo. Vettel também durou pouco na pista do Albert Park. Seu carro também deu chabu cedo, assim como o de Hamilton. O australiano de nariz grande e sorriso largo fez seu papel na pista e foi ao pódio. Delírio da torcida. Mas a festa durou pouco e Ricciardo acabou excluído do resultado final.

Explico: existe uma imposição do regulamento na qual os carros da Fórmula 1 têm que respeitar uma vazão de combustível equivalente a 100 kg/hora. Pelo visto essa regra não foi respeitada pela Red Bull e o consumo de gasolina foi considerado ilegal pelos comissários. Como efeito, o piloto foi desclassificado. A equipe promete recorrer da decisão, naquele que é o pior domingo da turma do touro vermelho desde o GP da Itália de 2012 – a última vez em que nenhum dos dois carros com o logotipo Red Bull figurou na zona de pontuação.

Quem deve estar muito orgulhoso – aliás, orgulhosos – são papai Magnussen e Ron Dennis. Este último, mais do que nunca, deve estar celebrando até agora sua nova joia. O campeão da World Series by Renault estreou com o pé direito na Fórmula 1, mostrando ao próprio Ron que a decisão de dar bilhete azul a Sergio Pérez não causará constrangimentos posteriores. Jan Magnussen, que estreou pela própria McLaren no GP do Pacífico, em Aida, no distante ano de 1995, com certeza também está feliz pelo que Kevin Magnussen fez em sua estreia – aliás, mais do que o antigo piloto de McLaren e Stewart. Um pódio, transformado em 2º lugar? Que mais ele poderia querer?

Bem… Jenson Button já percebeu que vai ter trabalho com o guri nórdico. Mas o britânico, que ficara pelo caminho no treino classificatório, fez uma boa corrida. E com a desclassificação de Ricciardo, de quarto foi para terceiro. Impulsionada pelo motor Mercedes no último ano de acordo entre equipe e fabricante, a McLaren aparenta começar 2014 muito melhor que no ano passado.

Quem fez uma corrida chinfrim foi a Ferrari. Alonso fez o que lhe foi possível, chegando em quinto na pista, subindo para quarto com a eliminação do piloto da Red Bull. Kimi Räikkönen foi muito discreto. Até demais. Acabou em 7º, um resultado abaixo do que muitos esperavam.

Nota positiva também para a ótima corrida do finlandês Valtteri Bottas, que mesmo lambendo o muro com uma roda traseira de sua Williams – o que provocou a quebra da mesma e a entrada do Safety Car – ainda lutou com garra para ser premiado com a quinta posição. Nico Hülkenberg fez igualmente boa corrida e concluiu em 6º lugar. A dupla da Toro Rosso foi regular durante todo o GP da Austrália e o russo Daniil Kvyat (pronuncia-se Quíviat) entrou para a história nos compêndios da Fórmula 1: aos 19 anos, 10 meses e 18 dias, tornou-se o mais jovem piloto de todos os tempos a pontuar na categoria máxima, superando o recorde de… Sebastian Vettel, que estreou de BMW Sauber no GP de Indianápolis, em 2007, pontuando aos 19 anos, 11 meses e 14 dias.

Kvyat e Magnussen engrossam igualmente o total de pilotos que pontuaram em pelo menos uma das 898 provas disputadas na Fórmula 1 desde 1950. Agora, são 325. O último estreante que marcara pontos tinha sido Valtteri Bottas, com o 7º lugar do GP dos EUA em Austin, ano passado.

De resto, quem chegou ao fim depois dos 10 primeiros, rezou para não quebrar e as notas negativas do GP da Austrália vão para a equipe Lotus, envolta numa densa nuvem negra de crise técnica, com um E22 pífio e pouco competitivo, que inclusive quebrou nas mãos de Grosjean e Maldonado e também para Kamui Kobayashi, que em sua volta à categoria enfrentou um problema com o sistema eletrônico dos freios traseiros e bateu na Williams de Felipe Massa.

O otimismo do brasileiro, mesmo após o 9º lugar nos treinos classificatórios, era evidente e o potencial do carro em corrida pôde ser mostrado pelo que Bottas fez ao longo do GP da Austrália. Sem chance de ir ao pódio, no que era o seu grande objetivo, Felipe fez duras críticas ao piloto da Caterham e pediu uma dura punição a Kobayashi – que usou as redes sociais para pedir, humildemente, desculpas à equipe e principalmente a Felipe pelo erro. Uma atitude que poucos têm hoje na Fórmula 1.

 

Melhor do que o esperado

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RIO DE JANEIRO – A Fórmula 1 insiste em nos surpreender. Confesso que eu esperava um treino sem graça, com um monte de quebras, chato toda vida. Mas felizmente virou tudo pelo avesso. A começar que choveu. E chovendo, a coisa fica bem mais interessante. Por isso o que se viu na madrugada deste sábado foi sensacional. Eu gostei demais da qualificação para o GP da Austrália, abertura do campeonato – embora ainda tenha restrições ao barulho dos motores na nova configuração V6 1,6 litro com turbocompressor.

O treino foi surpreendente e movimentado do início ao fim. Uma novidade foi a mudança de divisão de tempo entre as três fases qualificatórias: agora o Q1 tem 18 minutos e não vinte e o Q3, a Superpole, doze ao invés de 10 minutos. É estranho, mas funcionou para a maioria.

Não para a Lotus, o desastre completo deste fim de semana até aqui. O E22 mal andou: Pastor Maldonado não completou sequer uma volta e quando tentava fazer tempo, choveu. E deu pena do desespero e do desalento do Romain Grosjean, que ficou com a 21ª posição (20º depois da punição por troca de câmbio ao mexicano Estebán Gutiérrez).

Por sinal, o cucaracha da Sauber caiu fora logo no Q1 junto com a dupla da Lotus e o estreante Marcus Ericsson, da Caterham. A dupla da Marussia também ficou pelo caminho, com Max Chilton mais rápido que Jules Bianchi – coisa rara.

Aí, com a pista já molhada pela chuva, os 16 pilotos que avançaram para o Q2 montaram pneus intermediários em seus carros. E foi um tal de esterçar na saída de curva quando os pilotos davam gás em baixa rotação que era uma beleza de se ver. Esses novos motores têm muito torque e quando os pilotos aceleram no molhado, o risco de um erro é grande. Não à toa, Kimi Räikkönen bateu após uma rodada e ficou de fora da briga pela pole.

O finlandês não esteve sozinho em matéria de campeões do mundo fora do Q3. Para espanto geral, Sebastian Vettel, lutando contra o próprio carro, ficou apenas com o 13º tempo. Desempenho e resultado que levaram os torcedores australianos, sedentos de vingança por tudo o que o alemão fez com o compatriota deles, Mark Webber, no passado, ao delírio. A Red Bull contratou outro australiano – Daniel Ricciardo que, correndo em casa, deu tudo de si e levou o carro #3 para a disputa pela pole. Jenson Button, com a McLaren, também não avançou e ainda viu Kevin Magnussen, o melhor estreante do fim de semana, ter excelente desempenho.

Favorita nas circunstâncias de piso seco, a Mercedes-Benz passou a ser dúvida para a pole quando o asfalto ficou molhado pela chuva – que no começo do Q3 caiu ainda mais forte. Hamilton e Rosberg montaram os pneus com faixa azul, os full wets e a concorrência, os intermediários. Mesmo com os pneus com mais ranhuras, os pilotos da marca da estrela de três pontas foram para a briga. E Ricciardo foi junto.

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Os três se revezaram, cronômetro já zerado, na pole position. Rosberg foi o primeiro. Ricciardo fez uma volta monstruosa e roubou a pole do alemão. Mas Lewis Hamilton frustrou todo mundo – menos a si próprio e a equipe – para conquistar sua 32ª pole position na carreira, igualando a marca do Leão Nigel Mansell.

Felipe Massa avançou ao Q3, mas o desempenho de sua Williams não correspondeu às expectativas. O brasileiro penou para superar o companheiro de equipe Valtteri Bottas e obteve o nono tempo. Um pouco frustrante, eu diria. Mas foi importante não começar perdendo no confronto interno com o colega e rival – assim como Vettel, Kimi e Button em relação aos respectivos companheiros de boxe. Bottas é outro que terá que largar cinco posições atrás, pela troca do câmbio de sua FW36, o que eleva Vettel à 12ª posição do grid.

Foi um treino ótimo. Tomara que a corrida seja assim. Preparem o café, o energético e a pipoca. O GP da Austrália, pelo visto, promete. E muito.

Eis o grid:

1. fila
Lewis Hamilton (Mercedes W05) – 1’44″231 – Q3
Daniel Ricciardo (Red Bull RB10-Renault) – 1’44″548 – Q3
2. fila
Nico Rosberg (Mercedes W05) – 1’44″595 – Q3
Kevin Magnussen (McLaren MP4/29-Mercedes) – 1’45″745 – Q3
3. fila
Fernando Alonso (Ferrari F14-T) – 1’45″819 – Q3
Jean-Eric Vergne (Toro Rosso STR9-Renault) – 1’45″864 – Q3
4. fila
Nico Hulkenberg (Force India VJM07-Mercedes) – 1’46″030 – Q3
Daniil Kvyat (Toro Rosso STR9-Renault) – 1’47″368 – Q3
5. fila
Felipe Massa (Williams FW36-Mercedes) – 1’48″079 – Q3
Jenson Button (McLaren MP4/29-Mercedes) – 1’44″437 – Q2
6. fila
Kimi Raikkonen (Ferrari F14-T) – 1’44″494 – Q2
Sebastian Vettel (Red Bull RB10-Renault) – 1’44″668 – Q2
7. fila
Adrian Sutil (Sauber C33-Ferrari) – 1’45″655 – Q2
Kamui Kobayashi (Caterham CT05-Renault) – 1’45″867 – Q2
8. fila
Valtteri Bottas (Williams FW36-Mercedes) – 1’48″147 – Q3 **
Sergio Perez (Force India VJM07-Mercedes) – 1’47″293 – Q2
9. fila
Max Chilton (Marussia MR03-Ferrari) – 1’34″293 – Q1
Jules Bianchi (Marussia MR03-Ferrari) – 1’34″794 – Q1
10. fila
Marcus Ericsson (Caterham CT05-Renault) – 1’35″157 – Q1
Romain Grosjean (Lotus E22-Renault) – 1’36″993 – Q1
11. fila
Pastor Maldonado (Lotus E22-Renault) – no time – Q1
Esteban Gutierrez (Sauber C33-Ferrari) – 1’35″117 – Q1 **

** penalizados com a perda de cinco posições por troca de câmbio

Começou na Austrália!

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RIO DE JANEIRO – A Fórmula 1 está de volta. Muito aguardada, a temporada 2014 dá sua largada neste fim de semana com o GP da Austrália, no circuito urbano de Albert Park, em Melbourne, para a sua nova fase com carros equipados de motor turbo 1,6 litro V6. Quem assistiu aos treinos ontem – desculpem, mas eu não consegui, por puro cansaço – afirmou que o ronco dos motores não é lá dos mais agradáveis.

A julgar pelo vídeo abaixo, realmente não é legal, não.

Bom, vamos ao que interessa: Mercedes-Benz e Ferrari ficaram à frente, uma em cada sessão. Fernando Alonso andou mais rápido de manhã e Lewis Hamilton de tarde. O que talvez tenha surpreendido aos mais pessimistas foi a performance da Red Bull, que aos poucos parece ter se acertado. A Williams, de Felipe Massa, privilegiou performance de corrida a ritmo de treino de classificação, o que faz sentido num treino no qual normalmente não há grandes parâmetros para o dia seguinte e a pista ainda está pouco emborrachada. Já Lotus e Caterham sofreram. E devem continuar assim durante todo o fim de semana.

Convido vocês, leitores do blog, a acompanhar na Revista Warm Up, dos parceiraços do Grande Prêmio, o guia da temporada 2014, com a apresentação das equipes, os pilotos e a análise sobre o que pode ser a Fórmula 1 neste ano. Material de primeiríssima qualidade. Recomendo vivamente.

E, last but not least, o caprichado Spotter Guide. Cortesia de Andy Blackmore.

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20 anos

mp429mobilRIO DE JANEIRO – A parceria tecnológica entre a McLaren e o grupo EXXON, dono da marca Mobil 1, chega neste ano a duas décadas. É muito tempo, em se tratando de Fórmula 1, ainda mais 20 anos consecutivos, sem interrupções. O time de Ron Dennis, inclusive, aproveitou o ensejo para apresentar a pintura do MP4-29 para o GP da Austrália, que abre neste fim de semana a temporada 2014 – com os primeiros treinos livres acontecendo a partir da noite de hoje, pelo horário brasileiro.

É bem uma maneira de disfarçar o fato histórico de que, após mais de 40 anos, a McLaren começa um campeonato sem ter um patrocinador principal – como o foram a Yardley entre 1972/73, a Marlboro de 1974/96, a West entre 1998/2005 e desde 2006 até o ano passado, a Vodafone.

Sei não, mas eu preferia o visual dos testes da pré-temporada, com o carro todo prateado, lindo.

Enfim… gosto é gosto.

O carro mais bonito do ano

4371920140306152910RIO DE JANEIRO – O tão esperado resgate de uma das pinturas mais icônicas do automobilismo mundial finalmente aconteceu. A Williams confirmou nesta quinta-feira o patrocínio da Martini & Rossi em seus carros que disputarão a temporada da Fórmula 1 em 2014.

Sem dúvida é o visual mais bonito do ano, não só na categoria de monopostos como em qualquer outra. O único detalhe é que nem todos os países do calendário permitem a propaganda de bebida alcoólica e o patrocínio será substituído pelas tradicionais listras em vermelho e branco.

A pintura do FW36 lembra demais a do Brabham BT44 de José Carlos Pace e Carlos Reutemann, principalmente pela predominância do branco, lembrando também que a Martini teve pintura vermelha nos carros da equipe então de propriedade de Bernie Ecclestone entre 1976 e 1977.

A Martini & Rossi regressa ao automobilismo após quase 20 anos. A última vez que o patrocínio aparecera foi nos carros da Alfa Romeo no DTM e no ITC. Antes, os protótipos e carros de Rally da Lancia e também os Porsche de Endurance foram, durante anos, pintados nas cores do vermute hoje fabricado pelo grupo Bacardi.

Terra de Felipes

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RIO DE JANEIRO – A Williams virou porto seguro dos pilotos brasileiros na Fórmula 1. Felipe Massa foi contratado como piloto titular para a temporada 2014 e na noite de sexta-feira, no que o pessoal do jornalismo chama comumemente de “fode lide”, Felipe Nasr foi anunciado como o novo piloto reserva e de testes para o time britânico.

Mas é naquela base: numa categoria onde pouco se testa, Nasr vai fazer mais quilometragem no simulador do que propriamente dentro do carro, embora o contrato assinado com o time de Grove preveja uma participação do piloto radicado em Brasília em pelo menos cinco treinos livres de sexta-feira. Além de três períodos de teste, é claro.

O piloto vai levar consigo o apoio do Banco do Brasil, que junto com a Petrobras serão dois dos patrocinadores da equipe britânica neste ano. Muito se fala do sponsor principal, há quem garanta que é a Martini & Rossi, mas teremos que esperar até 6 de março para ver o novo visual do FW36.

Tão logo assinou o contrato, Nasr viajou para Manama, capital do Bahrein e de lá foi para Sakhir, testar pela primeira vez o novo carro da Williams. E não fez feio: completou 87 voltas e foi o quarto mais rápido – 1’37″569. Mesmo ficando a quatro segundos do temporal marcado por Nico Rosberg a bordo da Mercedes, o brasileiro ganhou rasgados elogios dos engenheiros do time. Rod Nelson, que coordenou os testes, estava muito satisfeito.

“Ele tem um bom feedback, trabalhou bem com os engenheiros e sobretudo é um piloto rápido. Não poderíamos querer mais”, disse.

A Williams, aliás, fecha os treinos do Bahrein com saldo altamente positivo: a equipe foi a que mais quilometragem percorreu  em Sakhir, completando 322 voltas contra 315 da Mercedes e 296 da McLaren. Três equipes com o propulsor germânico, evidenciando a velocidade e a confiabilidade dos V6 construídos pela marca da estrela de três pontas.

No último dia de atividades barenitas, Rosberg quebrou os cronômetros: fez 1’33″283, estabelecendo o melhor tempo de todos os quatro dias de treino, um segundo e sete décimos abaixo do britânico Jenson Button, da McLaren. Kimi Räikkönen foi o terceiro mais veloz, em 1’36″781.

O único carro com motor Renault que conseguiu alguma quilometragem no sábado foi o Lotus E22, com Pastor Maldonado a bordo. Ele completou 59 voltas. Os carros pretos e dourados do time dirigido por Olivier Quesnel já conseguiram percorrer 111 giros na pré-temporada (vale lembrar que a Lotus não andou em Jerez) – quatro vezes mais do que o problemático MR03 da Marussia e apenas cinco voltas atrás da Red Bull.

É, leitores… a coisa está preta para os lados de Milton Keynes. O RB10 não consegue andar direito e o desempenho do motor Renault continua muito abaixo dos rivais. A partir da próxima bateria de testes, marcada também para o Bahrein e que acontecerá de 27 de fevereiro a 2 de março, vamos ver em que patamar a Red Bull chegará na Austrália.

Uma coisa é certa: milagres não vão acontecer em quatro dias. Pode ser que o tetracampeão Sebastian Vettel tenha que amargar um resultado muito abaixo das expectativas na abertura do campeonato em Melbourne. Mas convém não nos precipitarmos: tem muita gente esfregando as mãos de ansiedade para trucidar a Red Bull em manchetes e matérias jornalísticas. Num ano de mudanças radicais de regulamento, nem todo mundo consegue se adaptar rápido a elas. Mas a turma liderada por Adrian Newey é competente o bastante para correr atrás de um imenso prejuízo.

Mais do mesmo

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RIO DE JANEIRO – Segue o panorama de desempenho dos motores V6 turbo na Fórmula 1 durante os treinos que acontecem até este sábado no circuito de Sakhir, no Bahrein: Mercedes-Benz à frente da concorrência, com a Ferrari correndo atrás e a Renault comendo poeira. Querem ter uma ideia? Uma medição de velocidade de ponta na reta do circuito do Oriente Médio – que é longa, aliás – apontou uma diferença de 30 km/h pró-Mercedes contra os Renault. A que ponto a situação chegou…

Tamanha diferença de velocidade, é claro, se reflete em velocidade de ponta e nas diferenças nos tempos de volta, pois se o motor não tem potência bastante para alcançar suficiente velocidade de ponta em reta, não vai também proporcionar um desempenho aceitável em curvas de alta.

Mais uma vez os motores Mercedes-Benz prevaleceram e desta vez, no terceiro dia de treinos da Fórmula 1, quem fechou o dia na frente foi o carro #44 de Lewis Hamilton. O piloto britânico melhorou ainda mais o tempo marcado por Kevin Magnussen na quinta-feira, cravando 1’34″263 na melhor de suas 67 voltas.

Jenson Button, segundo colocado com o MP4-29, fez o chamado long run. Completou nada menos que 106 voltas nesta sessão, registrando 1’34″976. E muito distante dos dois carros prateados, ficou o brasileiro Felipe Massa, com a Williams FW36 também equipada com o propulsor germânico.

Massa marcou 1’37″066 após 60 voltas, enquanto hoje o melhor carro com motor Ferrari não foi a F14 T da escuderia de Maranello e sim a Sauber C33 de Estebán Gutiérrez, quarto mais veloz da sexta-feira. Kimi Räikkönen foi o sexto e entre o finlandês e o cucaracha, ficou outro mexicano, Sergio Pérez, da Force India.

Com desempenho sofrível, o melhor carro com motor Renault Turbo foi o Toro Rosso de Daniil Kvyat, quase cinco segundos atrás da marca de Hamilton. Até que os carros com os propulsores franceses conseguiram razoável quilometragem, mas não resultados. E tem sido assim todos os dias dos treinos, desde Jerez de la Frontera.

Hoje, Pastor Maldonado fez seu primeiro treino com o Lotus E22, já maldosamente apelidado de “Dentes de Drácula”. O bolivariano foi o 8º colocado, seguido por Daniel Ricciardo na Red Bull e Marcus Ericsson, da Caterham. A Marussia só fez quatro voltas com Max Chilton e ficou no fim da fila.

McLaren no comando; Renault segue devendo

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RIO DE JANEIRO – Mudam os protagonistas no comando dos treinos de pré-temporada da Fórmula 1 no Bahrein. Hoje foi a vez da McLaren se impor no circuito de Sakhir, graças a uma excelente performance do novato dinamarquês Kevin Magnussen. Com a marca de 1’34″910, após 46 voltas percorridas, ele superou a melhor volta obtida por Sebastian Vettel ano passado, em ritno de corrida, por exatos 2″041. Progresso? Sem dúvida nenhuma. Pelo menos no que tange aos motores Mercedes-Benz, parece que os alemães vão bem, obrigado.

Aliás, o tempo de Magnussen a bordo do MP4-29 prateado foi um temporal, considerando a distância que o separou do 2º colocado, o alemão Nico Hülkenberg, da Force India. Mais de um segundo e meio – isso porque o nórdico encaixou uma sequência de boas voltas e foi realmente muito veloz. Mas nada impede que Hülk tenha treinado com uma carga de combustível maior que o piloto da McLaren.

Mais rápido no turno da manhã, Fernando Alonso também melhorou seu tempo em relação à primeira parte do treino – insuficiente, porém, para deixá-lo no topo. A 3ª posição, a 1″626 de Magnussen, ficou de bom tamanho para o espanhol, até porque Nico Rosberg, quarto mais rápido, ficou distante mais de dois segundos e o quinto, Valtteri Bottas, foi quase dois segundos e meio mais lento.

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Enquanto os motores Mercedes-Benz e Ferrari têm bom desempenho, os Renault, embora não tenham criado maiores problemas para as equipes clientes da marca francesa, continuam muito lentos. E a Caterham conseguiu mais uma vitória pessoal contra Toro Rosso, Red Bull e Lotus. Com Kamui Kobayashi a bordo, o CT05 do time malaio voltou a ser o melhor carro com os V6 turbo da Régie, andando em 1’39″855 após 66 voltas. A diferença para Magnussen: 4″945, quase cinco segundos.

Assustador? Nem tanto. Preocupante? Sem dúvida.

A Red Bull, que até agora mal completou 1000 km de testes em pista, conseguiu percorrer hoje 59 voltas, pouco mais que um GP inteiro no Bahrein, cuja prova é disputada em 57 voltas. Vettel não conseguiu ir além de 1’40″340, enquanto Jean-Eric Vergne, com a Toro Rosso, marcou 1’40″609. A Lotus continua fazendo pouca quilometragem com o novo E22, o último carro a realmente andar na pré-temporada: Romain Grosjean deu apenas dezoito voltas e foi o penúltimo na folha de tempos desta quinta-feira.

O pesadelo continua

4350820140219161558RIO DE JANEIRO – Enquanto os motores de Mercedes-Benz, como o da Force India de Nico Hülkenberg e da Ferrari vão bem, obrigado, a Renault continua perpetrando um mico atrás do outro na pré-temporada da Fórmula 1. O pesadelo da “Régie” continua e parece não ter hora para acabar.

Por incrível que pareça, somente a Caterham fez uma quilometragem considerada decente no primeiro dia de atividades de pista no circuito de Sakhir, no Bahrein. Com o piloto de testes Robin Frijns, o carro verde do time malaio percorreu 67 voltas nesta quarta-feira. Mas o tempo de 1’42″534 não entusiasmou ninguém, considerando que a melhor volta de Hülkenberg ao fim do dia foi 1’36″880, quase um segundo melhor que Fernando Alonso, da Ferrari. Trocando em miúdos, o holandês foi 5″654 mais lento que a marca mais rápida dos treinos. Claramente há problemas de desempenho.

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Em contrapartida à ‘confiabilidade’ da Caterham, os motores Renault miaram nos outros três carros que têm os propulsores franceses. A Red Bull continua sem saber se o seu RB10 está à altura dos rivais. Com Sebastian Vettel a bordo, o carro do touro vermelho – que passou mais tempo na garagem do que na pista – quebrou após completar somente 14 voltas. A cena do tetracampeão parado no meio da pista barenita é recorrente: em Jerez de la Frontera, na Espanha, o alemão passou pelo mesmo drama. E cabe lembrar que o carro de Adrian Newey foi o que menos quilômetros percorreu naquela oportunidade.

Não obstante, Toro Rosso e Lotus também não tiveram um primeiro dia dos mais animados. Daniil Kvyat completou apenas cinco voltas em Sakhir e Romain Grosjean, oito. Há algo de podre no reino francês? Vai saber…

Com todas as onze equipes presentes nos treinos, apenas Marussia e Williams não treinaram hoje. A primeira acusou falhas elétricas em seu MR03 e a equipe britânica optou também por não andar a fundo após algumas voltas de instalação percorridas por Felipe Massa. O FW36 teve problemas no sistema de alimentação de combustível.

Geografia

PirelliMapaF1RIO DE JANEIRO – Simpático mapa do circuito Albert Park, em Melbourne, com todos os pilotos inscritos no Mundial de Fórmula 1 e suas nacionalidades. Com o detalhe que Romain Grosjean é creditado como suíço. Cortesia da Pirelli.

Gostaram?

Muito caminho a percorrer

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RIO DE JANEIRO – Esperei passar alguns dias para escrever algumas linhas sobre os treinos de pré-temporada da Fórmula 1 que foram realizados de terça a sexta-feira da semana passada em Jerez de la Frontera, na Espanha. Como não tenho dado tanta ênfase a este campeonato nos últimos tempos, embora tenha apresentado todos os onze carros para 2014 em postagens diferentes, espero não parecer cabotino demais nas minhas considerações.

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A despeito do melhor tempo – 1’23″276, bem mais lento que as marcas anteriores – obtido pelo novato Kevin Magnussen, da McLaren, sabemos que esses treinos de nada representam de concreto – ainda. A categoria envereda por um outro caminho, os carros mal foram lançados e já tiveram que ir para a pista e a gente sabe: uma coisa é trabalhar em simuladores e a outra, bem diferente e mais concreta, é analisar o desempenho na pista. E a Fórmula 1 segue pecando em limitar os treinos coletivos antes da primeira corrida do campeonato, ainda mais num ano de mudanças radicais de regulamento, em que os propulsores mudaram seu conceito.

Testing F1 Jerez de la Frontera, Spain 28-31 January 2014

A nova “Era Turbo” começou de forma negativa para quem a iniciou lá pelo meio dos anos 70. A Renault teve um mau início nos testes e ironicamente a equipe que mais voltas percorreu com os propulsores do construtor francês foi a Caterham, graças aos 54 giros de Kamui Kobayashi no último dia de testes. A matriz Red Bull e a filial Toro Rosso sofreram com diversos problemas, especialmente a equipe do campeão Sebastian Vettel. Somando o total de voltas dele e de Daniel Ricciardo num circuito de pouco mais de 4 km de extensão, os dois não chegaram a fazer 100 quilômetros com o RB10. A equipe jogou a toalha e foi embora do circuito da Andaluzia antes do previsto.

É preocupante? Talvez. Mas há muito caminho a percorrer.

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E nem por isso, Mercedes-Benz e Ferrari deixarão de ter trabalho, embora os carros equipados por estes motores tenham tido menos problemas. Uma prova disto é que Nico Rosberg completou 188 voltas e Fernando Alonso 173. Eles foram os que mais quilômetros percorreram na Espanha e, além deles, o novato Kevin Magnussen (162), Felipe Massa (133) e Adrian Sutil (103) foram os únicos pilotos a completar mais de 400 km nos treinos. Todos, claro, com motores alemães e italianos.

Esses testes atribulados para todas as equipes também revelaram o som dos motores da Fórmula 1 para 2014. Garanto a vocês, leitores, que nem o ronco dos propulsores turbocomprimidos dos anos 70/80 era tão sem graça assim. Eu, particularmente, não gostei. Como também não gostei das soluções estéticas propostas para alguns carros desta temporada. Visando uma melhor fluxodinâmica, as equipes optaram por bicos baixos, melhorando o coeficiente de penetração e uma maior economia de combustível, ponto fundamental do novo regulamento técnico. E vimos, claro, soluções aberrantes.

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Em contrapartida, houve saídas criativas para melhorar os carros. De suspensões aerodinâmicas a periscópios repartidos, passando por F-Ducts e painéis intercambiáveis, os engenheiros exploraram todas as brechas possíveis para tornar seus equipamentos mais competitivos. A hora é essa: experimentar tudo o que for possível e impossível, para deixar tudo no ponto e a tempo da estreia da temporada em Melbourne.

Vamos ver se nos próximos testes os problemas da Renault persistem e se as equipes terão a oportunidade de fazer os carros ganharem mais horas de voo e assim melhorar o desempenho dos motores.

MR03: demorou, mas apareceu

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RIO DE JANEIRO – Foi apresentado enfim nesta quinta-feira o último dos 11 novos carros para a temporada 2014 do Mundial de Fórmula 1. O MR03 da Marussia chegou para os treinos coletivos em Jerez de la Frontera, na Espanha, com dois dias de atraso em relação ao previsto. A equipe era aguardada na pista para começar os testes já na terça-feira, mas o caminhão com o único carro do time só pegou a estrada ontem e chegou ao circuito hoje. Max Chilton foi o primeiro a andar com o bólido novo, equipado com motor Ferrari V6 Turbo.

A equipe não fez nenhuma apresentação formal do MR03 e o carro deu apenas cinco giros na Andaluzia, todos em voltas de instalação e checagem dos sistemas gerais do bólido.

À primeira vista, o novo Marussia tem um entre-eixos relativamente longo e um desenho sem muitas invencionices em relação às adversárias. Nem o bico tem muita ousadia: a pintura preta usada na dianteira disfarça a proeminência, que não é tão grande assim em relação aos projetos de McLaren, Toro Rosso, Caterham e Force India, por exemplo. Vamos ver se o time chefiado por John Booth consegue resultados mais aceitáveis com motor Ferrari substituindo o Cosworth para os pilotos Jules Bianchi e Max Chilton neste início de campeonato.