Direto do túnel do tempo (157)

1535543_473783502732983_1745146848_nRIO DE JANEIRO – Parece a Brabham BT49 do Nelson Piquet mas… não é. Trata-se do March 83C Cosworth do piloto estadunidense Kevin Cogan, com uma pintura que realmente lembra o carro da Fórmula 1, preparando-se para as 500 Milhas de Indianápolis de 1983. Cogan largou em 22º com o #16 patrocinado pelo Caesars Palace e pela Master Mechanic, para chegar em quinto na corrida vencida por Tom Sneva.

Há 31 anos, direto do túnel do tempo.

Discos eternos – Voo de coração (1983)

Ritchie - Vôo Do Coração (1983)

RIO DE JANEIRO – Um fenômeno pop como poucas vezes vimos num país que respirava os ares de uma moribunda ditadura. Um artista que não nasceu no Brasil e que conseguiu alcançar níveis estratosféricos de popularidade. Um disco que vendeu tanto ou mais – reza a lenda – que o campeão de faturamento de sua gravadora.

A personagem por trás disso tudo é Ritchie, ou melhor: Richard David Court. Inglês de Beckenham, no condado de Kent, nasceu em 1952 e foi educado em colégios internos antes de ingressar na Universidade de Oxford no curso de Literatura Inglesa. Com 20 anos apenas, abandonou os estudos: tornou-se flautista num grupo de músicas de protesto. Nessa época, ele conheceu Lúcia Turnbull, Liminha e Rita Lee. A convite desta última, Ritchie foi convidado para conhecer o Brasil. Sem saber o que lhe aconteceria dali para a frente.

Fez parte de grupos como o Scaladácida e d’A Barca do Sol, antes de trocar a flauta pelos vocais e cantar músicas em inglês no Vímana, grupo produzido por Patrick Moraz, antigo tecladista do Yes, onde o guitarrista era um certo Lulu Santos e o baterista, um tal de Lobão.

Com o fim do Vímana, graças à debandada de Lulu Santos e ao casamento de Moraz com Liane Monteiro desfeito pela paixão desta última por Lobão, Ritchie ficou uns tempos fora. Amigo de Jim Capaldi, da lendária banda de rock progressivo Traffic, participou de Let The Thunder City, álbum solo do baterista. Ritchie fez os arranjos e foi o vocalista de algumas faixas.

Em 1982, começava a revolução do rock brasileiro com o Circo Voador de Perfeito Fortuna, lançando grupos como o Barão Vermelho e a Blitz, onde Lobão, o mesmo do Vímana, era o baterista – antes de cair fora e lançar o disco Cena de Cinema – que hoje é bradado aos quatro ventos pelo próprio Lobão como um disco pioneiro na cena independente: um erro grave, pois Antônio Adolfo e Tim Maia, nos anos 70, já tinham enveredado por esse caminho.

Nessa época, descontente por não fazer parte daquilo tudo que seu amigo Lobão já fazia, Ritchie lembrou de Bernardo Vilhena, antigo letrista de músicas do Vímana e que fazia parte de um grupo de poetas chamado Nuvem Cigana, onde também se destacavam Chacal, Charles Peixoto e Ronaldo Santos. Com seus textos, eles ajudaram a renovar a poesia brasileira a partir dos anos 70. E Bernardo, na opinião de Ritchie, era o nome perfeito para ajudá-lo a compor canções para lançar o inglês como artista solo por aqui.

Com uma força de Liminha, que produziu a primeira demo num estúdio de quatro canais, Ritchie gravou “Menina Veneno” e “Baby, Meu Bem”. A fita foi levada para a CBS, que percebeu o estouro que a primeira música poderia causar. Um tiro certeiro. Um golaço de Ritchie e Bernardo Vilhena – inesquecível.

Meia noite no meu quarto
Ela vai subir
Ouço passos na escada
Vejo a porta abrir
Um abajur cor de carne
Um lençol azul
Cortinas de seda
O seu corpo nu

Menina Veneno
O mundo é pequeno
Demais pra nós dois
Em toda cama que eu durmo
Só dá você, só dá você
Só dá você!
Yeh! Yeh! Yeh! Yeh!

Seus olhos verdes
No espelho
Brilham para mim
Seu corpo inteiro
É um prazer
Do princípio ao sim

Sozinho no meu quarto
Eu acordo sem você
Fico falando pras paredes
Até anoitecer

Menina Veneno
Você tem um jeito
Sereno de ser
E toda noite
No meu quarto
Vem me entorpecer
Me entorpecer!
Me entorpecer!
Yeh! Yeh! Yeh! Yeh!

Menina Veneno
O mundo é pequeno
Demais pra nós dois
Em toda cama que eu durmo
Só dá você, só dá você
Só dá você!
Yeh! Yeh! Yeh! Yeh!

Meia noite no meu quarto
Ela vai surgir
Eu ouço passos na escada
Eu vejo a porta abrir

Você vem não sei de onde
Eu sei, vem me amar
Eu nem sei qual o seu nome
Mas nem preciso chamar

Menina veneno
Você tem um jeito
Sereno de ser
E toda noite
No meu quarto
Vem me entorpecer
Me entorpecer!
Me entorpecer!
Yeh! Yeh! Yeh! Yeh!

Menina Veneno
Menina Veneno
Yeh! Yeh!
Menina Veneno
Menina Veneno
Yeh! Yeh!

Cabe aqui um parêntese: recentemente, nas redes sociais, muita gente passou a jurar que Ritchie cantava Um abajur cor de carmim e não Um abajur cor de carne, como dito na letra aqui transcrita. Até pode fazer sentido, diante do sotaque do inglês, que transformava palavras paroxítonas em oxítonas.

A popularidade assombrosa da música levou o compacto simples a vendas incríveis. Foram meio milhão de cópias, o que levou a CBS, através do selo Epic, a gravar o primeiro disco de Ritchie, ainda naquele ano de 1983. A gravadora comemorou: afinal, tinha dois artistas com as músicas mais executadas no país – Ritchie e Michael Jackson, que explodia com “Billie Jean”, do clássico álbum Thriller.

Com o auxílio luxuoso de Lulu Santos – que fez a guitarra em “Casanova”, de Liminha no baixo, de Steve Hackett (do Genesis), que faz o belo solo de guitarra da faixa-título e de Lobão na bateria, além de Zé Luiz Segneri no sax e Chico Batera na percussão, Ritchie – pilotando teclados e tocando flauta, logicamente – fez mais estrondo com Voo de Coração.

Além do megahit “Menina Veneno”, ele fez “Casanova” ser trilha sonora de novela das oito (Champagne, em 1984) e estourou – também – com a ótima “Pelo Telefone”, com “A Vida Tem Dessas Coisas” e logicamente, a bela balada que deu título ao disco. Saldo do sucesso de Ritchie: 1,2 milhão de cópias vendidas e uma turnê de divulgação que passou por 140 cidades.

Há quem diga – mas é provável que seja mais uma lenda urbana – que, incomodado com o sucesso de Ritchie e seu 1,2 milhão de discos que aumentaram o faturamento da CBS, ninguém menos que Roberto Carlos teria pedido a cabeça do inglês. Isto cai por terra quando lembramos que o artista lançaria mais dois álbuns pela gravadora – E a Vida Continua, em 1984 e Circular, em 1985.

Um acontecimento que pode ter contribuído para a derrocada de Ritchie como artista pop foi um desentendimento com Leleco Barbosa, filho do apresentador Chacrinha, que o baniu dos shows do circuito suburbano e, por conseguinte, do Cassino do Chacrinha, o programa do popular Abelardo Barbosa nas tardes de sábado. A última música de sucesso lançada por ele, de fato, foi “Transas”, que entrou na trilha da novela Roda de Fogo e entrou no quarto álbum do cantor, em 1987.

Aos 61 anos, com nove discos gravados e mais uma participação no efêmero – e ótimo – grupo Tigres de Bengala, que formou com Cláudio Zoli, Vinícius Cantuária, Dadi, Mu Carvalho e Billy Forghieri, Ritchie ainda é cultuado pelos fãs de seus trabalhos nos anos 80 – e que vão ao delírio com eventuais aparições dele em Festas Ploc ou eventos do gênero, que cultuam fervorosamente aquela década.

Ele pode ser encontrado no twitter com a conta @ritchieguy (“O inglês mais perto de você”, de acordo com seu perfil em 140 caracteres) e, com certeza, guarda boas lembranças daqueles tempos de “Menina Veneno”.

Ficha técnica de Voo de Coração
Selo: Epic/CBS (hoje Sony Music)
Gravado e lançado em 1983
Produzido por Vinyl

Músicas:

1. No Olhar (Ritchie/Bernardo Vilhena)
2. A Vida Tem Dessas Coisas (Ritchie/Bernardo Vilhena)
3. Voo de Coração (Ritchie/Bernardo Vilhena)
4. Casanova (Ritchie/Bernardo Vilhena)
5. Menina Veneno (Ritchie/Bernardo Vilhena)
6. Preço do Prazer (Ritchie)
7. Pelo Interfone (Ritchie/Bernardo Vilhena)
8. A Carta [The Letter] (Thompson)
9. Parabéns Para Você (Ritchie/Bernardo Vilhena)
10. Tudo o Que eu Quero [Tranquilo] (Ritchie)

30 anos do bi, parte XV (final) – GP da África do Sul de 1983

RIO DE JANEIRO – Quinze de outubro de 1983. Num sábado, no circuito sul-africano de Kyalami, Alain Prost, Nelson Piquet e René Arnoux decidiriam o título do Mundial de Pilotos de Fórmula 1. Um dos três teria o privilégio de ser o primeiro piloto a ganhar um campeonato com um carro movido a motor turbocomprimido e a disputa prometia muito. Prost fora o dominador absoluto de grande parte da temporada, mas Piquet e Arnoux conquistaram vitórias e deram muito trabalho – especialmente o brasileiro, com uma reação fulminante nas corridas anteriores em Monza e Brands Hatch.

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Pelo menos, o clima que existia na época era extremamente amistoso e como bem relatou o amigo Luiz Alberto Pandini em seu blog, Piquet e Prost chegaram a jantar juntos – algo impensável nos dias de hoje. O bate-papo sem dúvida serviu para amenizar as escaramuças de bastidores que a imprensa plantava entre Renault e Brabham, com os franceses acusando os alemães da BMW de utilizar combustíveis de foguete desenvolvidos pela Wintershall para seus motores – o que nunca foi provado.

Para a última corrida do ano, o grid tinha duas baixas: com a situação financeira precária, Teddy Yip retirou a Theodore Racing da temporada e não viajou para a África do Sul, deixando a pé o colombiano Roberto Guerrero e o venezuelano Johnny Cecotto. A Spirit também se ausentou com Stefan Johansson, mas por um motivo nobre: o motor Honda faria sua estréia na Williams com o novíssimo FW09 para Keke Rosberg e Jacques Laffite. Um batismo de fogo e tanto para os dois carros. E pela primeira vez no ano, todos os 26 inscritos largariam, inclusive a RAM March de Kenny Acheson.

Treinos

A guerra psicológica da classificação foi a princípio vencida por Nelson Piquet, embora o brasileiro não tivesse conseguido a pole position. Patrick Tambay, carta fora do baralho desde o GP da Europa, marcou o melhor tempo, virando em 1’06″554 contra 1’06″792 do piloto da Brabham. Riccardo Patrese, com um carro perfeito e muito rápido, conseguiu se infiltrar entre os rivais diretos de Nelson, ficando na frente de René Arnoux e Alain Prost no grid.

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Keke Rosberg foi brilhante com o novo Williams Honda e fez o 6º tempo, mostrando não só que era um piloto rápido como também que o conjunto, com desenvolvimento, poderia ser muito competitivo. Um bálsamo e tanto para quem, do meio da temporada em diante, só classificou do décimo lugar pra trás. E com dezessete carros equipados com motores turbo ocupando os 17 primeiros lugares, o melhor dos “convencionais” foi Michele Alboreto, em décimo-oitavo. Na sua última corrida pela Ligier, Raul Boesel classificou-se em 23º, na frente de Kenny Acheson e dos dois Osella Alfa Romeo que fecharam a raia.

Corrida

Horas antes da corrida, num sábado, aconteceu o treino de aquecimento onde as equipes fizeram os últimos ajustes para a largada. Foi aí que a Brabham, numa cartada de mestre, definiu a estratégia suicida que mudaria a história da corrida. Ao contrário do que Renault e Ferrari imaginavam, Nelson Piquet é quem daria o bote, largando bem leve e disparando na ponta, enquanto Riccardo Patrese, a quem imaginavam que seria o “coelho” do brasileiro, faria o papel de fiel escudeiro. Um Sancho Pança a 300 km/h.

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Disparado o sinal verde, autorizando a largada, Piquet arrancou feito uma flecha, para espanto de franceses e italianos. Patrese cumpriu à risca a tática e passou para segundo, deixando Tambay para trás. Andrea de Cesaris, totalmente alheio ao que acontecia na dianteira, largou muito bem e foi de nono para quarto. Alain Prost passou a primeira volta em quinto e René Arnoux, em sétimo.

Enquanto Tambay perdia posições para de Cesaris e Prost, outro piloto começava a dar show em Kyalami: Niki Lauda, décimo-segundo no grid, passou Cheever, de Angelis, Rosberg e Arnoux para chegar aos seis primeiros colocados. Na nona volta, o austríaco da McLaren também passou Tambay e veio para a quinta posição.

Correndo em oitavo, Arnoux foi o primeiro a cair na armadilha da Brabham. Enquanto Piquet corria solitário na ponta, o francês encostava nos boxes e abandonava a disputa. Agora, restavam o brasileiro e Alain Prost para discutir o título. E com o resultado da pista até aquele momento, Piquet era campeão.

Lauda, possuído como nos velhos tempos, seguia dando espetáculo. Na 12ª volta, ele passou a Alfa de Andrea de Cesaris e foi pra quarto, impondo uma enorme pressão a Alain Prost. Pouco depois, o francês perdia mais uma posição na corrida, deixando Piquet em situação ainda mais confortável na luta pelo título.

A situação permaneceu assim, com Piquet disparado em primeiro – mesmo após o rapidíssimo pit stop em 9″2 segundos, Patrese de escudeiro e Lauda de coadjuvante de luxo, ocupando as três primeiras posições, até a 34ª volta, quando Lauda foi aos boxes para reabastecer e trocar pneus, voltando para a pista em sétimo. Logo depois, foi a vez do pit stop de Prost, e enquanto os mecânicos da Renault tratavam de efetuar o abastecimento, o francês já batera no cinto e abandonava a disputa: o motor não agüentou o esforço e quebrou.

Com o plano cumprido perfeitamente, a dobradinha da Brabham perdurou inclusive quando Patrese foi aos boxes, sem sustos, para cumprir seu pit stop. Lauda continuava impossível e vinha em terceiro, na sua melhor exibição em 1983, trazendo de Cesaris, Tambay e Derek Warwick nas posições seguintes.

Na 56ª volta, o turbo da Ferrari de Patrick Tambay se entregou, ao mesmo tempo em que a Toleman de Bruno Giacomelli, em posição perigosa na pista, pegava fogo e os comissários, sem muita intimidade com os extintores de incêndio, despejaram uma nuvem de pó químico que chegou a atrapalhar a visão dos pilotos. Pouco depois, como prêmio pela tática perfeita de corrida, Nelson Piquet tirou o pé do acelerador e permitiu a ultrapassagem de Riccardo Patrese, o novo líder.

O brasileiro, só pra humilhar Prost e companhia limitada, reduziu a pressão do turbo nas últimas voltas e deixou também que seu velho amigo Niki Lauda o superasse para chegar ao 2º lugar. Só que, a cinco voltas do fim, o motor TAG Porsche Turbo deixou Lauda a pé – após um desempenho impressionante que era um “cartão de visitas” do que aconteceria na Fórmula 1 pelos anos seguintes.

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De volta ao segundo lugar, Piquet poderia optar pela dobradinha, mas permitiu também a ultrapassagem de Andrea de Cesaris. Afinal de contas, os quatro pontos da 3ª colocação já bastavam para derrotar Alain Prost por dois pontos. E no fim da manhã daquele sábado, 15 de outubro, os fãs brasileiros de automobilismo entravam em delírio quando Piquet apontou na reta, depois da passagem do vencedor Patrese e de Andrea de Cesaris, para conquistar enfim o bicampeonato mundial e entrar para a história como o primeiro campeão mundial a bordo de um carro com motor turbo.

O resultado final do GP da África do Sul de 1983:

1. Riccardo Patrese (Brabham BT52B BMW Turbo) – 77 voltas em 1h33min25s708, média de 202,941 km/h
2. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T) – a 9s319
3. Nelson Piquet (Brabham BT52B BMW Turbo) – a 21s969
4. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – a 1 volta
5. Keke Rosberg (Williams FW09 Honda Turbo) – a 1 volta
6. Eddie Cheever (Renault RE40) – a 1 volta
7. Danny Sullivan (Tyrrell 012 Cosworth) – a 2 voltas
8. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – a 2 voltas
9. Thierry Boutsen (Arrows A6 Cosworth) – a 3 voltas
10. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – a 4 voltas
11. Niki Lauda (McLaren MP4/1E TAG Porsche Turbo) – a 6 voltas (*)
12. Kenny Acheson (RAM March 01 Cosworth) – a 6 voltas
13. Nigel Mansell (Lotus 94T Renault Turbo) – a 9 voltas (**)
14. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – a 11 voltas (**)
15. Michele Alboreto (Tyrrell 012 Cosworth) – AB/60 voltas/motor
16. Patrick Tambay (Ferrari 126C3) – AB/56 voltas/turbo
17. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/56 voltas/turbo
18. Alain Prost (Renault RE40) – AB/35 voltas/turbo
19. Corrado Fabi (Osella FA1E Alfa Romeo) – AB/28 voltas/motor
20. Elio de Angelis (Lotus 94T Renault Turbo) – AB/20 voltas/problemas elétricos
21. John Watson (McLaren MP4/1E TAG Porsche Turbo) – AB/18 voltas/bandeira preta por ultrapassagem na volta de apresentação
22. René Arnoux (Ferrari 126C3) – AB/9 voltas/motor
23. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T) – AB/5 voltas/motor
24. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – AB/1 volta/motor
25. Jacques Laffite (Williams FW09 Honda Turbo) – AB/1 volta/acidente
26. Pier Carlo Ghinzani (Osella FA1E Alfa Romeo) – AB/1 volta/motor

(*) – abandonou ao fim da disputa, mas foi classificado

(**) – não completaram 90% da distância e não receberam classificação

Classificação final do campeonato de pilotos de 1983:

1. Nelson Piquet – 59 pontos; 2. Alain Prost – 57; 3. René Arnoux – 49; 4. Patrick Tambay – 40; 5. Keke Rosberg – 27; 6. John Watson e Eddie Cheever – 22; 8. Andrea de Cesaris – 15; 9. Riccardo Patrese – 13; 10. Niki Lauda – 12; 11. Jacques Laffite – 11; 12. Michele Alboreto e Nigel Mansell – 10; 14. Derek Warwick – 9; 15. Marc Surer – 4; 16. Mauro Baldi – 3; 17. Elio de Angelis e Danny Sullivan – 2; 19. Bruno Giacomelli e Johnny Cecotto – 1 ponto.

Classificação final do Mundial de Construtores:

1. Ferrari – 89 pontos; 2. Renault – 79; 3. Brabham – 72; 4. Williams – 38; 5. McLaren – 34; 6. Alfa Romeo – 18; 7. Tyrrell e Lotus – 12; 9. Toleman – 10; 10. Arrows – 4; 11. Theodore – 1 ponto.

30 anos do bi, parte XIV – GP da Europa de 1983

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RIO DE JANEIRO – A 35ª edição do Grande Prêmio da Europa foi a solução para cobrir uma brecha no calendário da temporada de 1983: com o cancelamento de uma corrida marcada para o Velho Continente, a FISA apelou para a realização de mais uma prova na Inglaterra, desta feita no Autódromo de Brands Hatch, que recebia nos anos pares o GP da Inglaterra, com seus 4,206 km de extensão.

Todo mundo no paddock sabia que esta seria uma corrida sob medida para as equipes com sede justamente em território inglês. E nada melhor para Nelson Piquet, a míseros cinco pontos de Alain Prost, do que derrotar o rival na reta final da temporada, que ainda teria sua última etapa em Kyalami, na África do Sul. A Brabham continuou o desenvolvimento do BT52B, incorporando à aerodinâmica do carro as mini-asas traseiras que a Ferrari já inaugurara desde o início da segunda metade do campeonato. A Renault fez o mesmo, mas o resultado foi bem distinto que o de sua rival.

Trinta carros foram inscritos, com a Williams dispondo de um terceiro veículo para Jonathan Palmer, campeão europeu de Fórmula 2 e do inglês de Fórmula 3. A Tyrrell colocou na pista o segundo chassi 012 para Danny Sullivan e a McLaren, que chegou a inscrever um MP4/1C para Stefan Bellof, mudou de idéia e assim foram 29 pilotos para os treinos oficiais.

Treinos

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Nem Brabham, nem Renault, muito menos Ferrari: a pole position foi da Lotus, com Elio de Angelis, que pela primeira vez se classificava na posição de honra do grid. Os pneus Pirelli renderam como nunca em Brands Hatch, proporcionando ao piloto italiano bater o compatriota Riccardo Patrese numa qualificação muito disputada: Elio virou em 1’12″092 contra 1’12″458 do piloto da Brabham.

Outra mostra do bom potencial do conjunto Lotus/Renault/Pirelli foi que Nigel Mansell fez o 3º tempo, dividindo a segunda fila com Nelson Piquet. Somente em quinto lugar é que vinha o primeiro dos rivais do brasileiro: René Arnoux, com Tambay em sexto e Alain Prost amargando o oitavo posto, surpreendentemente mais lento que o companheiro Eddie Cheever.

Nesta altura, com os motores turbo soberanos, a Williams anunciava para a última prova do ano a estréia dos motores Honda numa versão remodelada do FW08. Ainda com os motores convencionais, Keke Rosberg não foi além do 16º tempo, sendo o melhor da turma dos motores Cosworth, aos quais se juntava ainda o V12 da Alfa Romeo equipando os lentos Osella. Um deles, o de Corrado Fabi, não se classificou, junto com Kenny Acheson (o primeiro reserva, por menos de 1 décimo de segundo) e Jacques Laffite, que acabou de fora pela segunda corrida seguida – e desta vez com o 29º e último tempo. Raul Boesel colocou a sua Ligier na 23ª posição.

Corrida

Riccardo Patrese partiu melhor que Elio de Angelis e assumiu a liderança após a luz verde, com Mansell mantendo a 3ª posição adiante de Piquet. As surpresas foram Eddie Cheever e Manfred Winkelhock fechando os seis primeiros na primeira volta. Arnoux, Prost e Tambay vinham respectivamente em sétimo, oitavo e nono.

Mansell não tardou a perder rendimento em sua Lotus: foi superado por Piquet e depois perdeu posições para Cheever, Prost e Arnoux. Na dianteira, Patrese e de Angelis brigavam palmo a palmo e o brasileiro da Brabham vinha em terceiro, controlando a corrida dos rivais e esperando pacientemente a vez de assumir a liderança.

E isso aconteceu mais cedo do que se imaginava: na 11ª volta, de Angelis tentou uma manobra considerada ‘otimista demais’ de ultrapassagem e bateu com Patrese. Os dois rodaram e Piquet passou ileso pelo incidente, vindo para primeiro com Patrese, já com problemas, em segundo. Prost invertera posições com Cheever por ordens da equipe e era o terceiro. Arnoux vinha em quinto e Elio de Angelis caiu para sexto antes de desistir definitivamente.

Patrese não pôde conter a investida de Alain Prost por muito tempo: na 15ª passagem, a Renault amarela despontou em segundo, entre os dois pilotos da Brabham. Pouco depois, René Arnoux saiu completamente da disputa em razão de graves problemas mecânicos em sua Ferrari. O francês voltou à pista em décimo-nono, enquanto Nigel Mansell, em boa recuperação, herdava sua posição, à frente de Patrick Tambay.

Na volta 35, Cheever foi aos boxes para reabastecer e trocar pneus, voltando em sétimo. Patrese fez o mesmo três passagens mais tarde, mas sua parada foi muito complicada e o italiano regressou apenas em 10º lugar. Com 40 voltas completadas, Piquet liderava trazendo Prost em segundo, Mansell em terceiro, Tambay em quarto, Derek Warwick em quinto e Keke Rosberg em sexto.

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Prost fez seu pit na 42ª volta e uma volta depois, foi a vez de Mansell ingressar nos boxes para o trabalho dos mecânicos da Lotus, cedendo a quarta posição para Bruno Giacomelli, em sua melhor corrida de toda a temporada. Mas o italiano da Toleman não tardaria a parar, assim como Patrick Tambay. E pouco depois, Nelson Piquet, o líder absoluto, fazia seu reabastecimento para voltar à pista ainda em primeiro.

A corrida ainda reservaria uma reviravolta no resultado na sua reta final. Com as posições praticamente definidas após os pit stops, Piquet liderava sossegado, com Prost em segundo e Tambay controlando os ataques do impetuoso Nigel Mansell. Com este resultado, o francês da Ferrari ainda tinha chances matemáticas na disputa pelo título. Mas na 66ª volta, em razão de um problema de freios, Tambay perdeu a terceira colocação para Mansell e um pouco depois, ele perdia o controle do carro para bater forte, de frente, numa proteção de pneus.

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Isto possibilitou a Andrea de Cesaris subir para quarto, trazendo atrás de si os dois carros da Toleman, com Derek Warwick (que em 1982 fez uma corrida monumental em Brands Hatch) e Bruno Giacomelli. E ao fim de 76 voltas, Nelson Piquet chegava ao segundo triunfo consecutivo, subindo para 55 pontos – dois somente atrás de Alain Prost. Além deles, René Arnoux, com 49 pontos, era o único com chances matemáticas (mas meramente retóricas) de ser campeão mundial.

Um final eletrizante e uma reação impressionante de Nelson Piquet, que desconcertou os franceses, já resignados com as palavras confiantes do campeão mundial de 1981.

O resultado final do GP da Europa de 1983:

1. Nelson Piquet (Brabham BT52B BMW Turbo) – 76 voltas em 1h36min45s265, média de 198,254 km/h
2. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – a 6s571
3. Nigel Mansell (Lotus 94T Renault Turbo) – a 30s315
4. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – a 34s596
5. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – a 44s915
6. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – a 52s190
7. Riccardo Patrese (Brabham BT52B BMW Turbo) – a 1min12s684
8. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – a 1 volta
9. René Arnoux (Ferrari 126C3 Turbo) – a 1 volta
10. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – a 1 volta
11. Thierry Boutsen (Arrows A6 Cosworth) – a 1 volta
12. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – a 1 volta
13. Jonathan Palmer (Williams FW08C Cosworth) – a 2 voltas
14. Stefan Johansson (Spirit 201C Honda Turbo) – a 2 voltas
15. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – a 3 voltas
16. Patrick Tambay (Ferrari 126C3 Turbo) – AB/67 voltas/freios
17. Michele Alboreto (Tyrrell 012 Cosworth) – AB/64 voltas/motor
18. Pier Carlo Ghinzani (Osella FA1E Alfa Romeo) – 63 voltas (*)
19. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – AB/50 voltas/motor
20. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – AB/43 voltas/motor
21. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/39 voltas/embreagem
22. John Watson (McLaren MP4/1E TAG Porsche Turbo) – AB/36 voltas/acidente
23. Danny Sullivan (Tyrrell 012 Cosworth) – AB/27 voltas/incêndio
24. Niki Lauda (McLaren MP4/1E TAG Porsche Turbo) – AB/25 voltas/motor
25. Elio de Angelis (Lotus 94T Renault Turbo) – AB/12 voltas/acidente
26. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – AB/não completou a 1ª volta/caixa de câmbio

(*) não completou 90% da distância, mas recebeu a quadriculada

Classificação do Mundial de Pilotos: 1. Alain Prost – 57 pontos; 2. Nelson Piquet – 55; 3. René Arnoux – 49; 4. Patrick Tambay – 40; 5. Keke Rosberg – 25; 6. John Watson – 22; 7. Eddie Cheever – 21; 8. Niki Lauda – 12; 9. Jacques Laffite – 11; 10. Nigel Mansell e Michele Alboreto – 10; 12. Andrea de Cesaris – 9; 13. Derek Warwick – 6; 14. Riccardo Patrese e Marc Surer – 4; 16. Mauro Baldi – 3; 17. Danny Sullivan e Elio de Angelis – 2; 19. Bruno Giacomelli e Johnny Cecotto – 1 ponto.

Mundial de Construtores: 1. Ferrari – 89 pontos; 2. Renault – 78; 3. Brabham – 59; 4. Williams – 36; 5. McLaren – 34; 6. Alfa Romeo, Lotus e Tyrrell – 12; 9. Toleman – 7; 10. Arrows – 4; 11. Theodore – 1 ponto.

30 anos do bi, parte XIII – GP da Itália de 1983

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RIO DE JANEIRO – Onze de setembro de 1983. Naquele dia, seria disputada mais uma edição do Grande Prêmio da Itália no mítico circuito de Monza, onde a Ferrari é a razão de ser do torcedor italiano, que pouco se lixa – até hoje – para os seus pilotos compatriotas. E a corrida tinha tudo para ser mais uma festa vermelha, pois René Arnoux vencera na Holanda, era o vice-líder do Mundial de Pilotos, Patrick Tambay era o terceiro empatado com Nelson Piquet e a briga prometia na antepenúltima prova da temporada.

A única novidade entre os 29 carros inscritos era a chegada do segundo McLaren TAG Porsche para John Watson, aumentando o número de modelos com motores turbo para dezesseis, contra 13 “convencionais”, onze com o Ford Cosworth V8 e as duas Osella com motores Alfa Romeo V12. Na pista italiana, com pressão máxima na classificação, os motores turbocomprimidos poderiam alcançar, fácil, a casa dos 1000 HP!

Treinos

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Dando seqüência à evolução do BT52B e do motor BMW Turbo, Riccardo Patrese conquistou a segunda pole position na carreira e da Brabham em 1983. O italiano registrou o tempo mais rápido da qualificação com 1’29″122 – mais de meio segundo à frente de Patrick Tambay, que fez a festa da Ferrari. René Arnoux fez o 3º melhor tempo e Nelson Piquet ficou com a quarta posição.

Alain Prost teve um rendimento muito abaixo do esperado: foi dois segundos mais lento que a pole de Patrese e ficou na quinta posição, largando ao lado de Andrea de Cesaris. Os italianos tinham ainda Eddie Cheever (que é estadunidense de ascendência italiana) em sétimo, Elio de Angelis em oitavo e Mauro Baldi na décima colocação.

Os quinze primeiros do grid eram modelos com motor turbo, vindo em 16º a Williams de Keke Rosberg. Surpresa foi ver Jacques Laffite no grupo dos não classificados, com o 28º tempo. Raul Boesel ficou como o primeiro reserva e Kenny Acheson, para variar, não classificou o RAM March.

Corrida

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Autorizado o “larga”, Riccardo Patrese manteve a liderança, enquanto Nelson Piquet partiu para o ataque e ganhou a segunda posição de Patrick Tambay. Arnoux ficou mesmo em quarto, com Cheever em quinto e de Cesaris em sexto. Prost largou mal, caindo para sétimo.

A dobradinha da Brabham durou muito pouco: o motor do carro de Patrese explodiu logo na terceira volta e Piquet recebeu de presente a liderança. A esta altura, Andrea de Cesaris já tinha rodado com sua Alfa na Variante del Rettifilo e faltou pouco para Prost não ir junto. O francês meteu o pé no freio para evitar o choque com a Alfa Romeo e ficou para trás em relação aos que vinham à sua frente.

Arnoux e Cheever superaram Patrick Tambay e vinham em segundo e terceiro, respectivamente. Prost era um discreto quinto e Elio de Angelis o sexto colocado.

O medíocre rendimento do Renault Turbo #15 ficou evidente na altura da 11ª volta. Enquanto Piquet buscava abrir vantagem para Arnoux, o líder do campeonato perdia o quinto lugar para de Angelis. Com a Lotus Renault e os pneus Pirelli rendendo bem, o italiano não tardou a ultrapassar também a Ferrari de Patrick Tambay – um resultado que interessava muito aos dois líderes da prova. Enquanto isso, o motor TAG Porsche do McLaren de John Watson fundiu quando o irlandês já era o sétimo colocado.

Prost corria sob a recomendação de manter o motor no menor giro possível, com cautela, evitando uma quebra que lhe impedisse de pontuar em Monza, justamente no momento decisivo do campeonato. Ele sabia que, por mais que Eddie Cheever tentasse, o estadunidense não teria o suficiente arrojo para deixar pra trás a Piquet e Arnoux.

Na 24ª volta, Elio de Angelis entrou nos boxes, sendo o primeiro do grupo da frente a reabastecer e trocar pneus. O italiano da Lotus voltou à pista em sétimo… e quando todo mundo prestava atenção à passagem dos líderes, o motor da Renault de Prost fundiu logo depois, deixando o francês a pé e bem longe dos boxes. Para Piquet e Arnoux, melhor, impossível.

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Aliás, o francês da Ferrari e Eddie Cheever tinham parado um pouco antes da quebra de Prost, para seus reabastecimentos de rotina. Arnoux voltou à pista atrás de Patrick Tambay, mas com o pit stop do companheiro de equipe, voltou ao segundo lugar com Cheever na 3ª posição.

Na liderança, Piquet fazia seu papel: abrindo vantagem volta após volta, o brasileiro conquistava conforto suficiente para efetuar seu reabastecimento e a troca de pneus sem perder o primeiro lugar para René Arnoux. E foi o que aconteceu. Piquet entrou nos boxes, a Brabham foi muito eficiente no pit stop e ele voltou à pista na ponta novamente.

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E nada mais aconteceu, com Piquet completando a corrida pouco mais de dez segundos à frente de René Arnoux. Ao não conseguir ajudar Alain Prost, Eddie Cheever – mesmo com o pódio – teve a notícia ainda em Monza que estava fora dos planos da Renault para 1984. Patrick Tambay foi um discreto quarto colocado, com Elio de Angelis marcando os dois primeiros pontos dele no ano e Derek Warwick, de novo nos pontos com a Toleman, na sexta posição.

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A duas provas do término de um campeonato eletrizante, só onze pontos separavam Prost, o líder, do quarto colocado, Patrick Tambay. Entre eles, René Arnoux, com 49 e Nelson Piquet, com 46. O próximo “xadrez a 300 km/h” seria jogado numa espécie de quintal de casa de Nelson e da Brabham: o autódromo de Brands Hatch.

Pior para os franceses, que ouviam cada vez mais próxima, a frase que soou piada, mas que tinha jeito e cheiro de profecia. “Vou ser campeão mundial de novo”.

O resultado final do GP da Itália de 1983:

1. Nelson Piquet (Brabham BT52B BMW Turbo) – 52 voltas em 1h23min10s880, média de 217,549 km/h
2. René Arnoux (Ferrari 126C3 Turbo) – a 10s212
3. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – a 18s612
4. Patrick Tambay (Ferrari 126C3 Turbo) – a 29s023
5. Elio de Angelis (Lotus 94T Renault Turbo) – a 53s680
6. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – a 1min13s348
7. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – a 1min33s922
8. Nigel Mansell (Lotus 94T Renault Turbo) – a 1min36s035
9. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – a 1 volta
10. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – a 1 volta
11. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – a 1 volta (*)
12. Johnny Cecotto (Theodore N183 Cosworth) – a 2 voltas
13. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – a 2 voltas
14. Corrado Fabi (Osella FA1E Alfa Romeo) – AB/45 voltas/motor
15. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – AB/44 voltas/bomba de combustível
16. Thierry Boutsen (Arrows A6 Cosworth) – AB/41 voltas/motor
17. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – AB/35 voltas/pneu estourado
18. Michele Alboreto (Tyrrell 012 Cosworth) – AB/28 voltas/embreagem
19. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – AB/26 voltas/turbo
20. Niki Lauda (McLaren MP4/1E TAG Porsche Turbo) – AB/24 voltas/pane elétrica
21. John Watson (McLaren MP4/1E TAG Porsche Turbo) – AB/13 voltas/motor
22. Pier Carlo Ghinzani (Osella FA1E Alfa Romeo) – AB/10 voltas/caixa de câmbio
23. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/4 voltas/turbo
24. Stefan Johansson (Spirit 201C Honda Turbo) – AB/4 voltas/distribuidor
25. Riccardo Patrese (Brabham BT52B BMW Turbo) – AB/2 voltas/motor
26. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/2 voltas/rodada

(*) penalizado em 1 minuto por queima de largada

Classificação do Mundial de Pilotos: 1. Alain Prost – 51 pontos; 2. René Arnoux – 49; 3. Nelson Piquet – 46; 4. Patrick Tambay – 40; 5. Keke Rosberg – 25; 6. John Watson – 22; 7. Eddie Cheever – 21; 8. Niki Lauda – 12; 9. Jacques Laffite – 11; 10. Michele Alboreto – 10; 11. Nigel Mansell e Andrea de Cesaris – 6; 13. Riccardo Patrese, Marc Surer e Derek Warwick – 4; 16. Mauro Baldi – 3; 17. Elio de Angelis e Danny Sullivan – 2; 19. Johnny Cecotto – 1 ponto.

Mundial de Construtores: 1. Ferrari – 89 pontos; 2. Renault – 72; 3. Brabham – 50; 4. Williams – 36; 5. McLaren – 34; 6. Tyrrell – 12; 7. Alfa Romeo – 9; 8. Lotus – 8; 9. Toleman e Arrows – 4; 11. Theodore – 1 ponto.

Obra-prima

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O carro mais bonito da história da Fórmula 1 – Brabham BT52B com motor BMW Turbo em Silverstone, 1983. Aliás, vou propor aos leitores do blog o seguinte: a partir de hoje, escolham dez carros que vocês têm como os mais bonitos da categoria. Em 10 dias dou o resultado. Vambora? Conto com vocês!

30 anos do bi, parte XII – GP da Holanda de 1983

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RIO DE JANEIRO – A 12ª etapa do Mundial de Fórmula 1 de 1983 seria mais um dos rounds decisivos pelo título daquele ano. Com 14 pontos de vantagem, Alain Prost era favorito e a vice-liderança de Nelson Piquet era seriamente ameaçada pela dupla da Ferrari. Mas o brasileiro se mostrava tranqüilo. Antes da corrida realizada em Zandvoort, sem nenhum tom de bravata, disse que as novidades implementadas por Gordon Murray e pela BMW tornariam o BT52B o carro a ser batido na reta final da temporada. É claro que os franceses não deram nenhuma pelota, até porque ninguém da imprensa daquele país acreditava que fosse possível uma reviravolta contra Alain Prost.

Para a corrida prevista para 28 de agosto, a grande novidade entre os 29 carros inscritos era a estreia do motor Porsche Turbo, projeto de Hans Mezger e financiado pela Techniques d’Avant Garde (TAG) de Mansour Ojjeh, sócio minoritário de Ron Dennis, dono da McLaren. O novo carro, rebatizado MP4/1E estreou somente nas mãos do austríaco Niki Lauda, enquanto John Watson ficava com o carro de motor “convencional” Ford Cosworth.

Treinos

Nelson Piquet mostrou aos franceses que não estava pra brincadeira no circuito holandês. Com a tal Brabham remodelada, o brasileiro fez sua primeira pole position no ano, com o tempo de 1’15″630, enquanto o segundo colocado era Patrick Tambay, com 1’16″370. A Renault estava na segunda fila, é bem verdade que com a Lotus de Elio de Angelis em terceiro, porém com o líder do campeonato na quarta posição. Nigel Mansell e Riccardo Patrese fecharam os seis mais rápidos.

A surpresa positiva foi a Toleman Hart de Derek Warwick em sétimo, em contraponto com a 10ª posição da Ferrari de René Arnoux. Já o McLaren TAG Porsche tinha uma estréia discreta: 19º lugar, com Niki Lauda cinco posições abaixo do melhor carro com motor Cosworth, que era a Arrows de Marc Surer. O vexame dos treinos foi o desempenho do campeão mundial de 1982, Keke Rosberg: o finlandês não conseguiu nada melhor do que a 23ª posição no grid, largando ao lado do brasileiro Raul Boesel. Pier Carlo Ghinzani, Johnny Cecotto e Kenny Acheson não conseguiram lugar entre os 26 que largariam no GP da Holanda.

Corrida

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Tudo nos conformes para Nelson Piquet, na largada: o brasileiro começou bem e assumiu a ponta, com Eddie Cheever superando Alain Prost de forma surpreendente para passar ao segundo lugar (pois saíra em oitavo), beneficiado também pela péssima largada de Patrick Tambay, que completou a primeira volta em 21º. Arnoux vinha em sétimo, superando de Angelis na segunda volta para entrar na zona de pontuação.

Prost tratou de “pôr ordem na casa” e enquanto a Alfa do italiano Andrea de Cesaris tinha problemas após um forte início, o francês ultrapassou Cheever e assumiu o segundo lugar. Com a quebra da Alfa, Arnoux subiu pra quinto, enquanto Derek Warwick ganhava a sexta posição. Lauda vinha num discreto 16º lugar, duas posições atrás de Keke Rosberg. Raul Boesel era o 23º colocado.

Na oitava volta, Patrese passou Cheever e veio para terceiro. O plano da Brabham, ensanduichando Prost entre Piquet e Patrese, vinha dando certo. Mas René Arnoux vinha muito forte e logo depois, ganhou a quarta posição de Cheever. Patrick Tambay, em sensacional prova de recuperação, era o 11º colocado. Lauda vinha em 13º e Boesel, em décimo-nono.

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O desempenho da Ferrari era surpreendente em Zandvoort: Arnoux não tardou para ultrapassar Riccardo Patrese, enquanto Tambay vinha em oitavo. Com o pit stop da Toleman de Derek Warwick na 32ª volta, o francês do carro #27 passou para sétimo. Logo depois, quem dava adeus à prova era Niki Lauda: o motor Porsche quebrava na estreia.

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GP-HOLANDA

Nessa altura, a tensão da disputa entre Brabham e Renault, Nelson Piquet e Alain Prost, era enorme. Difícil saber quem pararia primeiro nos boxes. Na equipe inglesa, Riccardo Patrese parou primeiro, na 41ª volta. E foi neste momento em que a corrida tomou outro rumo: na freada para a curva Tarzan, Alain Prost tentou uma manobra arriscada de ultrapassagem sobre o líder Piquet. Os dois se tocaram, o brasileiro saiu reto e bateu na proteção de pneus.

Prost sobreviveu na ponta, por pouco tempo, pois com o spoiler dianteiro danificado no choque, o francês perdeu pressão aerodinâmica na Renault. E algumas curvas depois, ele bateria também. Resultado: Arnoux ganhou a liderança de presente, com John Watson em segundo e Patrick Tambay em terceiro. Todavia, o irlandês da McLaren parou para reabastecer na 44ª volta e Patrese, que superara a Ferrari #27 de Tambay, vinha para segundo.

O italiano deu o máximo de sua Brabham, descontando a diferença para René Arnoux para ameaçar a liderança francesa e ferrarista. Mas o motor começou a falhar justo quando não podia: na 66ª volta, Patrese foi para os boxes, perdendo duas voltas. A sorte de Arnoux foi tão grande que ele tinha mais de 20 segundos de vantagem sobre Patrick Tambay, que completou uma dobradinha tão inesperada quanto surpreendente. Afinal de contas, Arnoux assumia a vice-liderança do campeonato com 43 pontos e Tambay se igualava a Nelson Piquet no 3º lugar do Mundial de Pilotos.

John Watson, com a regularidade costumeira, chegou ao pódio com o McLaren Cosworth, enquanto Derek Warwick, em ótima atuação, ofertava à Toleman os três primeiros pontos da equipe – e dele também – na Fórmula 1. Mauro Baldi foi um bom 5º colocado e Michele Alboreto, com a Tyrrell, marcou o último ponto da corrida.

Mantida a diferença de 14 pontos para Alain Prost, Piquet continuava otimista: “Vou ser campeão mundial de novo”.

Mal sabia a francesada o que viria dali pra diante…

O resultado final do GP da Holanda de 1983:

1. René Arnoux (Ferrari 126 C3 Turbo) – 72 voltas em 1h38min41s950, média de 186,107 km/h
2. Patrick Tambay (Ferrari 126 C3 Turbo) – a 20s839
3. John Watson (McLaren MP4/1C Cosworth) – a 43s741
4. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – a 1min16s839
5. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – a 1min23s292
6. Michele Alboreto (Tyrrell 012 Cosworth) – a 1 volta
7. Stefan Johansson (Spirit 201C Honda Turbo) – a 2 voltas
8. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – a 2 voltas
9. Riccardo Patrese (Brabham BT52B BMW Turbo) – a 2 voltas
10. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – a 2 voltas
11. Corrado Fabi (Osella FA1E Alfa Romeo) – a 4 voltas (*)
12. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – a 4 voltas
13. Bruno Giacomelli (Toleman TG183 Hart Turbo) – a 4 voltas
14. Thierry Boutsen (Arrows A6 Cosworth) – a 7 voltas (*)
15. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – AB/53 voltas/pane elétrica
16. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – desclassificado/50 voltas/bandeira preta por ultrapassar na volta de apresentação
17. Nelson Piquet (Brabham BT52B BMW Turbo) – AB/41 voltas/acidente
18. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – AB/41 voltas/acidente
19. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – AB/39 voltas/pane elétrica
20. Jacques Laffite (Williams FW08C Cosworth) – AB/37 voltas/quebra da barra de direção
21. Nigel Mansell (Lotus 94T Renault Turbo) – AB/26 voltas/rodada
22. Niki Lauda (McLaren MP4/1E TAG Porsche Turbo) – AB/25 voltas/motor
23. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – AB/12 voltas/motor
24. Elio de Angelis (Lotus 94T Renault Turbo) – AB/10 voltas/alimentação
25. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/5 voltas/motor
26. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – AB/3 voltas/acidente

Classificação do Mundial de Pilotos: 1. Alain Prost – 51 pontos; 2. René Arnoux – 43; 3. Patrick Tambay e Nelson Piquet – 37; 5. Keke Rosberg – 25; 6. John Watson – 22; 7. Eddie Cheever – 17; 8. Niki Lauda – 12; 9. Jacques Laffite – 11; 10. Michele Alboreto – 10; 11. Nigel Mansell e Andrea de Cesaris – 6; 13. Riccardo Patrese e Marc Surer – 4; 15. Derek Warwick e Mauro Baldi – 3; 17. Danny Sullivan – 2; 18. Johnny Cecotto – 1 ponto.

Mundial de Construtores: 1. Ferrari – 80 pontos; 2. Renault – 68; 3. Brabham – 41; 4. Williams – 36; 5. McLaren – 34; 6. Tyrrell – 12; 7. Alfa Romeo – 9; 8. Lotus – 6; 9. Arrows – 4; 10. Toleman – 3; 11. Theodore – 1 ponto.

(*) abandonaram por problemas de motor, mas receberam classificação ao final da corrida

30 anos do bi, parte XI – GP da Áustria de 1983

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RIO DE JANEIRO –  A reta final do Campeonato Mundial de Fórmula 1 em 1983 começou com o GP da Áustria, disputado noutro velocíssimo circuito da temporada: Zeltweg. Com 5,942 km, subidas, retas e curvas velozes, não era esperada outra coisa que não um passeio das principais equipes com carros de motor turbo contra os times coadjuvantes dotados de mecânica Cosworth.

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Para a corrida a ser disputada no dia 14 de agosto, algumas novidades: a estréia do Tyrrell 012 com uma inédita e bizarra asa traseira “bumerangue”, apenas para Michele Alboreto –  e que foi visto somente nos treinos; a inscrição do piloto local Jo Gartner com um segundo carro da ATS (que não se concretizou), assim como a participação de um segundo RAM March com Jean-Louis Schlesser não aconteceu. Deste modo, 29 pilotos participaram dos treinos oficiais.

Treinos

A Ferrari continuava imbatível nos treinos cronometrados, chegando em Zeltweg à uma marca histórica: Patrick Tambay, com 238,021 km/h de média e o tempo de 1’29″871, fez a 100ª pole position da história da escuderia de Maranello, tendo a companhia de René Arnoux na primeira fila.

Nigel Mansell foi a grande sensação dos treinos oficiais, ofertando a ele mesmo o melhor grid da carreira até então, com o 3º melhor tempo, superando Nelson Piquet e o líder do campeonato Alain Prost.

Os treze primeiros entre os 26 carros eram todos com motor turbo: Niki Lauda quebrava a seqüência, correndo em casa, classificando o McLaren MP4/1C Cosworth em décimo-quarto. Já Raul Boesel não conseguiu pela primeira vez no ano a classificação para o grid, fazendo companhia a Johnny Cecotto e Kenny Acheson no grupo dos eliminados.

Corrida

Um acidente logo após a largada tirou três pilotos de combate: Elio de Angelis, Marc Surer e Danny Sullivan. Os 23 carros restantes seguiram para uma feroz batalha a mais de 200 km/h, onde Tambay manteve a ponta seguido por Arnoux. Mansell largou mal e caiu pra quinto na primeira volta, ultrapassado por Piquet e Prost. Na segunda volta, o inglês da Lotus foi superado também por Riccardo Patrese.

As posições cimeiras se mantiveram inalteradas até a 20ª volta, quando Eddie Cheever enfim ganhou a sexta posição de Mansell, que se debatia com problemas de desempenho dos pneus Pirelli. Tambay, que liderava, reabasteceu na volta 22 e retornou em terceiro, atrás de Arnoux e Nelson Piquet. Prost também parou, trocando posição com Patrese.

Com uma autonomia melhor de combustível, a Brabham de Piquet alcançou o primeiro lugar na 28ª volta, com a parada de René Arnoux. Nesta altura, Prost era apenas o quinto, atrás até da Alfa Romeo de Andrea de Cesaris, em ótima atuação. A Brabham de Patrese quebrou e Cheever entrou de novo na zona de pontos, com Mansell em sétimo.

Porém, as reviravoltas começaram a acontecer: o motor da Ferrari de Tambay apresentou queda na pressão de óleo e ele foi obrigado a desistir. Pior foi a Alfa Romeo, que em razão de um erro de cálculo deixou Andrea de Cesaris sem gasolina… Isto deixou Prost na terceira posição.

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Piquet parou para abastecer e sua parada durou exatos 10″20 segundos. O brasileiro ainda voltou à frente, mas com René Arnoux muito próximo dele. Mas o motor BMW começou a enfrentar uma súbita queda de rendimento. E na 38ª volta, o francês da Ferrari alcançou a liderança. Nelson não durou muito em segundo: com o carro rendendo cada vez menos, foi ultrapassado por Prost, que saiu à caça de Arnoux.

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Resultado: na 48ª volta, o baixinho da Renault assumiu a liderança ao superar o baixinho da Ferrari. E com quase sete segundos de vantagem, Prost venceu mais uma na temporada de 1983. Piquet foi terceiro e quase acabou em quarto: foi ao pódio porque chegou com meio carro de vantagem para a Renault de Eddie Cheever.

Frustrado, Piquet viu a diferença se estender para 14 pontos. E pior: Arnoux assumiu a terceira posição do campeonato, três pontos adiante de Patrick Tambay. Mansell foi o quinto e Niki Lauda fechou os seis que pontuaram.

A tristeza por um mau resultado e pela diferença ampliada foram trocados por um surpreendente otimismo de Nelson Piquet. Numa declaração que fez muito francês rolar de rir, ele disse: “Vou ser campeão mundial de novo.”

O resultado final do GP da Áustria de 1983:

1. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – 53 voltas em 1h24min32s745, média de 223,495 km/h
2. René Arnoux (Ferrari 126 C3 Turbo) – a 6s835
3. Nelson Piquet (Brabham BT52B BMW Turbo) – a 27s659
4. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – a 28s395
5. Nigel Mansell (Lotus 94T Renault Turbo) – a 1 volta
6. Niki Lauda (McLaren MP4/1C Cosworth) – a 2 voltas
7. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – a 2 voltas
8. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – a 2 voltas
9. Corrado Fabi (Osella FA1E Alfa Romeo) – a 3 voltas
10. Pier Carlo Ghinzani (Osella FA1E Alfa Romeo) – a 4 voltas
11. Stefan Johansson (Spirit 201C Honda Turbo) – a 5 voltas
12. Thierry Boutsen (Arrows A6 Cosworth) – a 5 voltas
13. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – AB/33 voltas/superaquecimento
14. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/31 voltas/pane seca
15. Patrick Tambay (Ferrari 126 C3 Turbo) – AB/30 voltas/queda de pressão de óleo
17. Riccardo Patrese (Brabham BT52B BMW Turbo) – AB/29 voltas/superaquecimento
18. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – AB/25 voltas/caixa de câmbio
19. Jacques Laffite (Williams FW08C Cosworth) – AB/21 voltas/quebra de roda
20. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/13 voltas/motor
21. Michele Alboreto (Tyrrell 012 Cosworth) – AB/8 voltas/acidente
22. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/2 voltas/turbo
23. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/1 volta/acidente
24. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – AB/não completou a 1ª volta/acidente
25. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – AB/não completou a 1ª volta/acidente
26. Elio de Angelis (Lotus 94T Renault Turbo) – AB/não completou a 1ª volta/acidente

Classificação do Mundial de Pilotos: 1. Alain Prost – 51 pontos; 2. Nelson Piquet – 37; 3. René Arnoux – 34; 4. Patrick Tambay – 31; 5. Keke Rosberg – 25; 6. John Watson – 18; 7. Eddie Cheever – 17; 8. Niki Lauda – 12; 9. Jacques Laffite – 11; 10. Michele Alboreto – 9; 11. Nigel Mansell e Andrea de Cesaris – 6; 13. Riccardo Patrese e Marc Surer – 4; 15. Danny Sullivan – 2; 16. Mauro Baldi e Johnny Cecotto – 1 ponto.

Mundial de Cosntrutores: 1. Renault – 68 pontos; 2. Ferrari – 65; 3. Brabham – 41; 4. Williams – 36; 5. McLaren – 30; 6. Tyrrell – 11; 7. Alfa Romeo – 7; 8. Lotus – 6; 9. Arrows – 4; 10. Theodore – 1 ponto.

30 anos do bi, parte X – GP da Alemanha de 1983

RIO DE JANEIRO – O Mundial de 1983 atingiu o fim do seu segundo terço com a disputa do GP da Alemanha, em mais uma pista de alta velocidade: Hockenheim. A corrida marcada para 7 de agosto representava um desafio de resistência para os motores turbocomprimidos e especialmente para a BMW: desde o GP do Brasil, Nelson Piquet continuava sem freqüentar o lugar mais alto do pódio e a marca de Munique queria muito vencer em casa. Entre os 30 carros inscritos, a única novidade era a inscrição de Stefan Bellof com um segundo carro da ATS. Mas a equipe de Gunther Schmidt desistiu da idéia e só 29 pilotos iniciaram os treinos.

Treinos

A excepcional fase da Ferrari, que vinha desde o GP dos EUA em Detroit, manteve-se firme em Hockenheim, no circuito encravado na Floresta Negra. Patrick Tambay fez a pole position, marcando 1’49″328 contra 1’49″435 de René Arnoux. Uma primeira fila toda vermelha, portanto.

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Andrea de Cesaris mostrou muita velocidade com a Alfa Romeo Turbo: fez o 3º tempo e conseguiu um lugar na segunda fila, deixando Nelson Piquet em quarto e a dupla da Renault – com Prost adiante de Eddie Cheever – na terceira fila. Keke Rosberg foi, como de hábito, o mais veloz entre os carros com motor V8 aspirados, mas a quase seis segundos da pole position: uma diferença verdadeiramente abissal.

Raul Boesel não foi além da penúltima posição, enquanto Kenny Acheson, Corrado Fabi e Manfred Winkelhock – que bateu no treino livre da sexta-feira e se machucou – não se classificaram.

Corrida

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Tambay fez a largada como manda o figurino: partiu bem e manteve a ponta, com Arnoux em segundo e Piquet – que saiu bem e trocou de posição com Andrea de Cesaris – em terceiro. As Renault de Prost e Cheever vinham a seguir e a dupla da equipe francesa ultrapassou logo na segunda volta o italiano da Alfa Romeo. Ao mesmo tempo, Arnoux roubava a ponta de Tambay.

A dupla da Ferrari manteve a dobradinha até a 9ª volta, quando o motor do carro de Tambay abriu o bico para explodir de vez pouco depois. Piquet passou para segundo, com Prost escudado por Cheever e Patrese em quinto, depois de ultrapassar Andrea de Cesaris.

Prost foi o primeiro dos líderes a reabastecer e trocar pneus: na 21ª volta, o líder do campeonato fez seu pit stop, voltando à pista em sexto lugar. Logo depois, de Cesaris atacou e ganhou a quarta posição de Riccardo Patrese, enquanto Arnoux também parava nos boxes: Piquet assumiu a liderança.

Cheever, que vinha em segundo, fez seu pit stop na 24ª passagem e de Cesaris parou três voltas depois. Faltava a dupla da Brabham: Patrese parou primeiro e Piquet entrou na 31ª volta, cedendo a ponta novamente para René Arnoux. O brasileiro voltou em segundo, e para melhorar, Prost perdia rendimento e posições, caindo para quinto, atrás de Cheever e de Cesaris.

Na 33ª volta, Prost despencou para sexto e o resultado daquele momento deixava Nelson Piquet a apenas um ponto do francês na liderança do campeonato. Ou seja: nada podia ser melhor… mas as coisas mudaram um pouco quando a bomba de gasolina da Renault de Cheever falhou a seis voltas do final e o piloto estadunidense, que vinha em terceiro, abandonou a competição.

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Só que o pior aconteceria na antepenúltima volta: a explosão, seguida de incêndio, no motor BMW da Brabham… de Nelson Piquet – uma quebra que ainda não havia se manifestado no carro do brasileiro, ao contrário dos freqüentes problemas enfrentados por Riccardo Patrese, que herdou a 3ª colocação atrás de Andrea de Cesaris.

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Arnoux venceu com uma incrível folga de um minuto e dez segundos sobre o italiano da Alfa Romeo – e com os nove pontos, chegou a 28, entrando de vez na briga pelo título. O quarto lugar de Prost rendeu mais três e o francês foi a 42 contra 33 de Nelson Piquet e 31 de Patrick Tambay.

O resultado final da corrida sofreu uma alteração logo depois de divulgado: Niki Lauda, que chegara em quinto, foi desclassificado por receber ajuda externa após uma rodada. John Watson herdou a posição e Jacques Laffite, devagar e sempre, fechou os seis que pontuaram no GP da Alemanha mais triste que a BMW poderia querer.

O resultado final do GP da Alemanha de 1983:

1. René Arnoux (Ferrari 126 C3 Turbo) – 45 voltas em 1h27min10s319, média de 210,525 km/h
2. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – a 1min10s652
3. Riccardo Patrese (Brabham BT52B BMW Turbo) – a 1min44s093
4. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – a 2min00s750
5. Niki Lauda (McLaren MP4/1C Cosworth) – a 1 volta (*)
6. John Watson (McLaren MP4/1C Cosworth) – a 1 volta
7. Jacques Laffite (Williams FW08C Cosworth) – a 1 volta
8. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – a 1 volta
9. Thierry Boutsen (Arrows A6 Cosworth) – a 1 volta
10. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – a 1 volta
11. Johnny Cecotto (Theodore N183 Cosworth) – a 1 volta
12. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – a 2 voltas
13. Nelson Piquet (Brabham BT52B BMW Turbo) – a 3 voltas (**)
14. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – AB/38 voltas/bomba de combustível
15. Pier Carlo Ghinzani (Osella FA1E Alfa Romeo) – AB/34 voltas/motor
16. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – AB/27 voltas/motor
17. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/24 voltas/motor
18. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/19 voltas/turbo
19. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/17 voltas/motor
20. Stefan Johansson (Spirit 201C Honda Turbo) – AB/11 voltas/motor
21. Patrick Tambay (Ferrari 126 C3 Turbo) – AB/11 voltas/motor
22. Elio de Angelis (Lotus 94T Renault Turbo) – AB/10 voltas/superaquecimento
23. Michele Alboreto (Tyrrell 011 Cosworth) – AB/4 voltas/bomba de combustível
24. Nigel Mansell (Lotus 94T Renault Turbo) – AB/1 volta/motor
25. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – AB/não completou a primeira volta/motor
26. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – NL/não largou

(*) desclassificado por receber ajuda externa
(**) teve o motor quebrado, mas como completou 90% do total de voltas, foi classificado

Classificação do Mundial de Pilotos: 1. Alain Prost – 42 pontos; 2. Nelson Piquet – 33; 3. Patrick Tambay – 31; 4. René Arnoux – 28; 5. Keke Rosberg – 25; 6. John Watson – 18; 7. Eddie Cheever – 14; 8. Niki Lauda e Jacques Laffite – 11; 10. Michele Alboreto – 9; 11. Andrea de Cesaris – 6; 12. Riccardo Patrese, Nigel Mansell e Marc Surer – 4; 15. Danny Sullivan – 2; 16. Mauro Baldi e Johnny Cecotto – 1 ponto.

Mundial de Construtores: 1. Ferrari – 59 pontos; 2. Renault – 56; 3. Brabham – 37; 4. Williams – 36; 5. McLaren – 27; 6. Tyrrell – 11; 7. Alfa Romeo – 7; 8. Lotus e Arrows – 4; 10. Theodore – 1 ponto.

Desaforados!

1379747_10153325271350182_1678374248_nRIO DE JANEIRO – Imagem “roubartilhada” do facebook do Ricardo Landi: o anúncio que poderia soar desaforado e que tecia loas ao massacre da Porsche nas 24h de Le Mans de 1983, com nove carros nos dez primeiros lugares. “Ninguém é perfeito”, diz a peça publicitária. Só que eles podiam se dar ao luxo de ser superiores a todo mundo. Na letrinha mais miúda, comemoravam que em 1982 fecharam as cinco primeiras posições. E lançavam o desafio para 1984: “No próximo ano, quem sabe?”

Há 30 anos, o carro #3 de Al Holbert/Vern Schuppan/Hurley Haywood, que na teoria era o mais fraco dos três inscritos pela equipe oficial Rothmans Porsche, foi quem venceu a corrida. Jacky Ickx, que tentava sua sétima conquista e fracassou, chegou em 2º, tendo Derek Bell como parceiro no #1.

A terceira posição, num carro inscrito pela Sonauto, foi de Philippe Alliot, Mario Andretti e Michael Andretti, que ainda nem tinha 20 anos de idade. Volkert Merl/Clemens Schickentanz/Mauricio de Narvaez (Sorga S. A.) chegaram em quarto e a 5ª posição foi de Rupert Keegan/Guy Edwards/John Fitzpatrick (Fitzpatrick Racing).

Em sexto, Stefan Johansson/Klaus Ludwig/Bob Wollek (Sorga S.A.), seguidos por Axel Plankenhorn/Jürgen Lässig/Desiré Wilson (Obermaier) e Jonathan Palmer/Jan Lammers/Richard Lloyd (Canon Racing).

Só aí em 9º é que veio o primeiro “não-Porsche” como a própria imagem diz: um Sauber C7-BMW guiado por Albert Naon/Tony Garcia/Diego Montoya – este último é o pai do piloto colombiano Juan Pablo Montoya. E por fim, em décimo, o nono Porsche guiado por Preston Henn/Jean-Louis Schlesser/Claude Ballot-Lena, também inscrito pela Fitzpatrick Racing.

Tempos em que a Porsche mandava e desmandava em Sarthe… não é à toa que a marca possui o maior número de vitórias na história das 24h de Le Mans.

Ainda.

30 anos do bi, parte IX – GP da Inglaterra de 1983

RIO DE JANEIRO – Após um mês inteiro de intervalo a partir do GP do Canadá em Montreal, a Fórmula 1 se reuniu para a disputa da 9ª etapa do Mundial de 1983 em Silverstone, na Inglaterra. Para aquela que seria uma das corridas mais velozes do campeonato, várias equipes apresentavam novidades.

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A Brabham mostrou o BT52 na versão B, com diversas modficações implementadas por Gordon Murray na aerodinâmica, na suspensão e, para facilitar o reabastecimento rápido, um novo bocal de engate da mangueira de gasolina. O motor BMW também ganhou alguns cavalos a mais e a Brabham, então em 4º lugar no Mundial de Construtores, lutava para correr atrás do prejuízo.

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Gérard Ducarouge foi contratado pela Lotus, e em tempo recorde projetou e construiu o modelo 94T para substituir o ineficaz 93T. A equipe deu a Nigel Mansell, depois de oito corridas, a primeira chance de correr com o carro equipado com o motor Renault Turbo.

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Na Ferrari, Mauro Forghieri e Harvey Postlethwaite lançaram mão do 126 C3, um carro completamente novo no que tangia à aerodinâmica, suspensão e distribuição de peso do conjunto.

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E por fim, a última novidade: a estréia da Honda com seu motor V-6 turbo equipando o chassi 201 da Spirit, um pequeno construtor inglês que disputava a Fórmula 2 européia. O carro estreara na Corrida dos Campeões, evento extra-oficial, com uma quebra. O piloto escolhido foi o sueco Stefan Johansson.

Treinos

Com 29 carros inscritos, os treinos foram muito disputados entre as equipes de ponta e mais uma vez os motores turbocomprimidos mostraram seu poder de fogo: os doze primeiros do grid tinham esta tecnologia em seus carros. A Ferrari, que já introduzira mudanças aerodinâmicas em seu carro desde o GP dos EUA em Detroit, tinha no meio da temporada o melhor carro da Fórmula 1. E não foi surpresa ver René Arnoux marcar mais uma pole position, com o tempo de 1’09″462 (média superior a 244 km/h), dividindo a primeira fila com o companheiro de equipe Patrick Tambay.

Alain Prost fez o 3º tempo e Elio de Angelis, num excelente desempenho, cravou a quarta melhor marca com o novo Lotus Renault, superando as Brabham de Riccardo Patrese e Nelson Piquet. O melhor carro com motor aspirado foi de novo a Williams de Keke Rosberg, com o 13º lugar – a mais de quatro segundos da pole position e na mesma fila que o Spirit Honda de Stefan Johansson.

Raul Boesel classificou-se em 22º e, num fato raro, à frente de Jean-Pierre Jarier. O novato Kenny Acheson, da RAM, não se classificou, junto com o italiano Corrado Fabi e o venezuelano Johnny Cecotto.

Corrida

Com sol forte e tempo bom – coisa raríssima no verão inglês – os 26 carros partiram para uma das mais sensacionais corridas da temporada de 1983. Arnoux deu mole na largada e Tambay assumiu a ponta, passando na primeira volta adiante do companheiro de equipe na Ferrari. Prost era o 3º colocado, trazendo no encalço Patrese, Cheever, de Angelis, Piquet, de Cesaris, Winkelhock, Warwick, Johansson… e Nigel Mansell, que de 18º pulou pra 12º em uma volta.

Na segunda volta, o motor da Lotus de Elio de Angelis estourou e com os problemas da Renault de Eddie Cheever, Piquet pulou de sétimo pra quinto, trazendo de Cesaris no encalço. Mansell, em corrida surpreendente, já era o nono. Pouco depois, a bomba de gasolina do Spirit Honda também se entregou e Stefan Johansson abandonou prematuramente a corrida.

Com nove voltas, foi a vez da Brabham de Patrese “abrir o bico” e Piquet, poupando o carro no início, chegou à quarta posição. Na 10ª passagem, o trio francês formado por Tambay, Arnoux e Prost ainda liderava, trazendo Nelson em quarto, de Cesaris em quinto e Winkelhock em sexto. Ao que se seguiam Warwick, Mansell, Niki Lauda e Mauro Baldi. Raul Boesel vinha em 17º.

Arnoux começou a enfrentar problemas de desgaste dos pneus Goodyear, que não aguentavam a altíssima velocidade imprimida pelos líderes. E na 14ª volta, o baixinho da Ferrari perdeu a vice-liderança para o baixinho da Renault. Cinco passagens depois, Piquet dispensou Arnoux e foi pra terceiro.

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Na 20ª volta, Prost não teve dúvidas: passou Tambay e foi para a liderança da corrida. Nesse meio tempo, Mansell fazia a torcida vibrar ao ganhar a 6ª posição de Winkelhock e Piquet, ao ultrapassar também a Ferrari de Tambay, chegava ao segundo posto.

Arnoux foi o primeiro do pelotão da frente a reabastecer, parando na volta 33 e retornando à pista em sétimo. Prost entrou nos boxes quatro passagens depois, ao mesmo tempo que Patrick Tambay fazia sua parada. Nisto, Nigel Mansell já alcançava um incrível terceiro lugar e Piquet assumia momentaneamente a liderança da corrida.

Mas Nelson precisaria também de colocar pneus novos e mais gasolina, o que ocorreu na 42ª volta, quando Prost regressou à dianteira. Mansell ficou por uma volta em segundo e também foi aos boxes para seu pit stop, voltando em quinto. Winkelhock, em ótimo sexto lugar, perdeu a posição quando um superaquecimento tirou sua ATS BMW de combate. Raul Boesel também já deixara a disputa em razão de um vazamento de óleo em sua Ligier Cosworth.

Antes do final, Mansell ganhou a quarta posição de Arnoux e Niki Lauda, numa corrida discreta e consistente, ainda conseguiu figurar na zona de pontuação com o McLaren de motor Cosworth V-8. Piquet sustentou o segundo lugar diante da pressão de Patrick Tambay, mas não conseguiu alcançar Prost, que venceu mais uma corrida e se isolou em seis pontos na liderança do campeonato.

A segunda posição deu a vice-liderança isolada a Piquet, com 33 pontos, contra 31 de Tambay, 25 de Rosberg e 19 de René Arnoux. Nada estava decidido e a segunda metade do campeonato estava só começando…

O resultado final do GP da Inglaterra de 1983:

1. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – 67 voltas em 1h24min39s780, média de 224,069 km/h
2. Nelson Piquet (Brabham BT52B BMW Turbo) – a 19s161
3. Patrick Tambay (Ferrari 126 C3 Turbo) – a 26s246
4. Nigel Mansell (Lotus 94T Renault Turbo) – a 38s952
5. René Arnoux (Ferrari 126 C3 Turbo) – a 58s874
6. Niki Lauda (McLaren MP4/1C Cosworth) – a 1 volta
7. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – a 1 volta
8. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – a 1 volta
9. John Watson (McLaren MP4/1C Cosworth) – a 1 volta
10. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – a 2 voltas
11. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – a 2 voltas
12. Jacques Laffite (Williams FW08C Cosworth) – a 2 voltas
13. Michele Alboreto (Tyrrell 011 Cosworth) – a 2 voltas
14. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – a 2 voltas
15. Thierry Boutsen (Arrows A6 Cosworth) – a 2 voltas
16. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – a 3 voltas
17. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – a 3 voltas
18. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – AB/49 voltas/superaquecimento
19. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – AB/48 voltas/vazamento de óleo
20. Pier Carlo Ghinzani (Osella FA1E Alfa Romeo) – AB/46 voltas/pressão de combustível
21. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/27 voltas/caixa de câmbio
22. Riccardo Patrese (Brabham BT52B BMW Turbo) – AB/9 voltas/turbo
23. Stefan Johansson (Spirit 201 Honda Turbo) – AB/5 voltas/bomba de combustível
24. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – AB/3 voltas/motor
25. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/3 voltas/turbo
26. Elio de Angelis (Lotus 94T Renault Turbo) – AB/1 volta/distribuidor

Classificação do Mundial de Pilotos: 1. Alain Prost – 39 pontos; 2. Nelson Piquet – 33; 3. Patrick Tambay – 31; 4. Keke Rosberg – 25; 5. René Arnoux – 19; 6. John Watson – 16; 7. Eddie Cheever – 14; 8. Niki Lauda – 11; 9. Jacques Laffite – 10; 10. Michele Alboreto – 9; 11. Nigel Mansell e Marc Surer – 4; 13. Danny Sullivan – 2; 14. Mauro Baldi e Johnny Cecotto – 1 ponto.

Mundial de Construtores: 1. Renault – 53 pontos; 2. Ferrari – 50; 3. Williams – 35; 4. Brabham – 33; 5. McLaren – 27; 6. Tyrrell – 11; 7. Arrows e Lotus – 4; 9. Theodore e Alfa Romeo – 1 ponto.

30 anos do bi, parte VIII – GP do Canadá de 1983

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RIO DE JANEIRO – A oitava etapa do Mundial de 1983 aconteceu uma semana após o GP dos EUA, no Canadá. Rebatizado de Gilles Villeneuve, o ídolo máximo morto um ano antes, o circuito de Montreal costumava ser exigente para pilotos e carros – especialmente no que tangia a freios e câmbio.

Neste evento, a RAM regressou com seu March 01 pilotado por Jacques Villeneuve, irmão de Gilles, ao volante. Em 1981, ele tentara de forma infrutífera se classificar para a corrida com um Arrows, substituindo Siegfried Stohr. No mais, nenhuma equipe apresentava mudanças de grande monta em seus carros.

Treinos

Os carros com motor turbo continuaram como de hábito dominantes e de novo a Ferrari capitalizou para si o melhor desempenho do modelo 126C2B no traçado. René Arnoux registrou a pole position com 1’28″729 contra 1’28″830 da Renault de Alain Prost. Nelson Piquet foi bem na classificação e registrou a 3ª marca no grid, com Patrick Tambay em quarto, Riccardo Patrese em quinto e Eddie Cheever em sexto. Ou seja: Ferrari, Renault e Brabham nas três primeiras filas.

Havia ainda a ATS de Manfred Winkelhock e a Alfa Romeo de Andrea de Cesaris antes da Williams de Keke Rosberg, de novo excepcional e com o melhor carro de motor Ford Cosworth V8. Raul Boesel, sempre às voltas com um equipamento nada competitivo, classificou-se em 24º – oito posições atrás de Jean-Pierre Jarier, que tinha motor e pneus melhores que o brasileiro. Pier Carlo Ghinzani e Jacques Villeneuve foram os não-classificados.

Corrida

Arnoux tirou partido da pole position, largou bem e se manteve em primeiro. Quem fez uma largada excepcional foi Riccardo Patrese, pulando de quinto para segundo, trazendo Prost, Piquet, Tambay e Cheever a seguir. Na 5ª volta, Piquet inverteu posições com Prost e foi para a terceira posição.

A boa corrida do brasileiro da Brabham chegou rapidamente ao fim. Na décima-sexta volta, Piquet enfrentou problemas com o cabo do acelerador e teve que se recolher aos boxes, abandonando a corrida. Nesta altura, Tambay já passara Prost e com a quebra de Nelson assumiu a 3ª posição. Cheever aproveitou a visível queda de rendimento do líder do campeonato e foi para quarto.

Na 29ª volta, Cheever trocou de posição com Tambay e em boa corrida, passou para terceiro. Arnoux fez seu pit na 35ª passagem e voltou à pista em quarto, quando Patrese assumiu momentaneamente a dianteira. Cheever parou na 37ª, Tambay e Patrese uma volta depois. E com os reabastecimentos de todos, Arnoux seguiu na liderança, seguido por Patrese, Cheever, Tambay, Prost e Rosberg. Nesta altura, Raul Boesel já abandonara em razão de um rolamento de roda danificado.

Patrese, com o 2º lugar, fez o possível para se aproximar de René Arnoux, mas na volta 49 sua Brabham começou a perder uma marcha atrás da outra. Algumas voltas depois, o italiano desistiu em razão da quebra de câmbio. Ainda houve tempo para Keke Rosberg, perto do fim, ultrapassar Alain Prost e ganhar o quarto lugar do francês, que mesmo com os dois pontos somados no Canadá, continuou na liderança do campeonato.

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Arnoux venceu enfim e deu à Ferrari sua segunda vitória na temporada, com Eddie Cheever e Patrick Tambay completando o pódio. No campeonato, Prost somava 30 pontos contra 27 de Piquet e de Tambay, mostrando o quão estava e seria acirrada a luta pelo título. E muitos outros rounds viriam até o encerramento, na África do Sul.

O resultado final do GP do Canadá de 1983:

1. René Arnoux (Ferrari 126C2B Turbo) – 70 voltas em 1h48min31s838, média de 170,661 km/h
2. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – a 42s029
3. Patrick Tambay (Ferrari 126C2B Turbo) – a 52s610
4. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – a 1min17s048
5. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – a 1 volta
6. John Watson (McLaren MP4/1C Cosworth) – a 1 volta
7. Thierry Boutsen (Arrows A6 Cosworth) – a 1 volta
8. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – a 2 voltas (*)
9. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – a 3 voltas (**)
10. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – a 3 voltas
11. Riccardo Patrese (Brabham BT52 BMW Turbo) – AB/56 voltas/caixa de câmbio
12. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/47 voltas/turbo
13. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/43 voltas/motor
14. Nigel Mansell (Lotus 92 Cosworth) – AB/43 voltas/quebra de roda
15. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/42 voltas/motor
16. Jacques Laffite (Williams FW08C Cosworth) – AB/37 voltas/caixa de câmbio
17. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – AB/32 voltas/rolamento de roda
18. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – AB/27 voltas/motor
19. Corrado Fabi (Osella FA1D Cosworth) – AB/26 voltas/motor
20. Johnny Cecotto (Theodore N183 Cosworth) – AB/17 voltas/transmissão
21. Nelson Piquet (Brabham BT52 BMW Turbo) – AB/15 voltas/acelerador
22. Niki Lauda (McLaren MP4/1C Cosworth) – AB/11 voltas/rodada
23. Elio de Angelis (Lotus 93T Renault Turbo) – AB/1 volta/acelerador
24. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – AB/não completou a 1ª volta/caixa de câmbio
25. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – AB/não completou a 1ª volta/transmissão
26. Michele Alboreto (Tyrrell 011 Cosworth) – NL/não largou

(*) foi desclassificado porque seu carro tinha 4 kg a menos que o peso mínimo permitido
(**) abandonou com problemas de alimentação de combustível, mas foi classificado

Classificação do Mundial de Pilotos: 1. Alain Prost – 30 pontos; 2. Nelson Piquet e Patrick Tambay – 27; 4. Keke Rosberg – 25; 5. René Arnoux – 17; 6. John Watson – 16; 7. Eddie Cheever – 14; 8. Niki Lauda e Jacques Laffite – 10; 10. Michele Alboreto – 9; 11. Marc Surer – 4; 11. Danny Sullivan – 2; 12. Nigel Mansell, Mauro Baldi e Johnny Cecotto – 1 ponto.

Mundial de Construtores: 1. Ferrari e Renault – 44 pontos; 3. Williams – 35; 4. Brabham – 27; 5. McLaren – 26; 6. Tyrrell – 11; 7. Arrows – 4; 8. Lotus, Alfa Romeo e Theodore – 1 ponto.

30 anos do bi, parte VII – GP dos EUA Leste de 1983

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RIO DE JANEIRO – No dia 5 de junho de 1983, a Capital Mundial do Automóvel voltava a receber uma corrida do Mundial de Fórmula 1. O GP dos EUA Leste, em Detroit, era mais uma chance para equipes como Williams, McLaren e Tyrrell reverterem o favoritismo dos carros turbocomprimidos em resultados positivos. Numa altura onde o campeonato já tinha seis etapas disputadas e Prost liderava entre os pilotos com quatro pontos de vantagem para Nelson Piquet, qualquer ponto somado dali em diante passava a ser decisivo.

A lista de inscritos tinha 27 carros, o que representava que somente um dos competidores ficaria de fora. É que a escuderia RAM não levou seu carro para os Estados Unidos, em razão da ruptura de contrato entre John McDonald e o chileno Eliseo Salazar, que abandonou definitivamente a Fórmula 1. Em termos de novidade técnica, nada de novo.

Treinos

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Embora fosse imputada alguma chance aos carros com o velho motor Ford Cosworth V8, nos treinos eles não tiveram possibilidade de se sobressair: os quatro primeiros colocados foram modelos com motores turbo e René Arnoux, com Ferrari, fez a pole position virando em 1’44″744, pouco mais de 0s1 abaixo de Nelson Piquet, que colocou a Brabham em segundo – um ano depois de, no mesmo circuito, não conseguir classificação para o grid pela primeira vez na carreira.

Elio de Angelis, com a Lotus Renault rendendo bem em conjunto com o pneu Pirelli, fez o 4º tempo e foi a surpresa da classificação, atrás da outra Ferrari, com Patrick Tambay. Novidade também entre os aspirados: o melhor deles foi Marc Surer, 5º com a Arrows, com Alboreto fechando os seis mais rápidos.

Prost, líder do campeonato, foi um apagado 13º colocado, a mais de três segundos da pole de Arnoux. Raul Boesel conseguiu o 23º lugar em mais um treino repleto de problemas com o Ligier. E Corrado Fabi, da Osella, foi o único piloto que teve que assistir o GP dos EUA pela televisão.

Corrida

A primeira largada foi anulada: o motor da Arrows do suíço Marc Surer apagou na hora da luz vermelha e o procedimento foi repetido, excluindo-se uma volta das 61 previstas. Mas os problemas não pararam por aí, porque a Ferrari de Patrick Tambay não se moveu ao acender da luz verde, prejudicando quem estava na fila ímpar atrás do francês.

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Alheio a isto, Nelson Piquet conseguiu um belo arranque com a Brabham e ultrapassou René Arnoux antes da primeira curva. Elio de Angelis assumiu o terceiro lugar e Andrea de Cesaris pulou de oitavo para quarto. Michele Alboreto fechou a primeira volta em quinto, com Derek Warwick em sexto.

O bom início de prova da Lotus durou muito pouco: na 6ª volta, a transmissão do carro de Elio de Angelis quebrou e ele desistiu. Pouco depois, Arnoux partiu para cima de Piquet e, numa bela ultrapassagem, assumiu a liderança. O campeão mundial Keke Rosberg, 12º no grid, avançou para cima de Andrea de Cesaris e lhe roubou a terceira posição.

O finlandês não se deu por satisfeito: foi ao encalço da Brabham de Piquet e pegou a vice-liderança na 19ª volta. Andrea de Cesaris, nesta altura, também tinha perdido posições para Alboreto e Warwick. Prost vinha num medíocre 14º lugar e Boesel, fazendo o melhor que podia com um carro péssimo, era o 19º.

Warwick teve problemas na 25ª passagem, saindo da zona de pontos e dando lugar a Jacques Laffite. A Alfa Turbo de Andrea de Cesaris também quebrou, o que ajudou o irlandês John Watson. Rosberg fez sua parada para troca de pneus e reabastecimento na 30ª volta e Piquet voltou ao segundo lugar.

De repente, logo depois, a surpresa: com pane elétrica, René Arnoux encostava à margem da pista, abandonando a corrida. Piquet assumiu de novo a ponta, com Alboreto em segundo, Rosberg em terceiro, Watson em quarto, Laffite em quinto e o belga Thierry Boutsen, em boa corrida, na sexta posição. Prost era o oitavo, beneficiado pelos muitos abandonos, assim como Raul Boesel, que vinha em 12º.

Durante mais de 10 voltas, a Brabham se preparou para o pit stop com reabastecimento e troca de pneus – mas muita gente percebeu o estratagema de Gordon Murray e Nelson Piquet, que calcularam com exatidão a quantidade de gasolina que precisavam carregar no BT52 para poder completar a corrida inteira sem parar.

Mas o tiro e o blefe saíram pela culatra: a nove voltas do final, furou um pneu da Brabham e Piquet precisou se arrastar até os boxes para a troca. O brasileiro voltou à pista em quarto, resultado insuficiente para arrancar das mãos de Alain Prost a liderança do Mundial de Pilotos.

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Michele Alboreto, bafejado pela sorte, herdou a liderança e pela 2ª vez na carreira, venceu – e de novo nos Estados Unidos, pois ganhara o GP de Las Vegas em 1982. Rosberg foi o segundo com John Watson fechando o pódio. Jacques Laffite conseguiu a quinta posição e Nigel Mansell – acredite quem quiser – fez o primeiro ponto da Lotus em 83, com o modelo 92 de motor Ford Cosworth. Prost foi o oitavo, apenas. Raul Boesel ainda chegou na décima posição.

O resultado final do GP dos EUA Leste de 1983:

1. Michele Alboreto (Tyrrell 011 Cosworth) – 60 voltas em 1h50min53s669, média de 130,600 km/h
2. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – a 7s702
3. John Watson (McLaren MP4/1C Cosworth) – a 9s283
4. Nelson Piquet (Brabham BT52 BMW Turbo) – a 1min12s185
5. Jacques Laffite (Williams FW08C Cosworth) – a 1min32s603
6. Nigel Mansell (Lotus 92 Cosworth) – a 1 volta
7. Thierry Boutsen (Arrows A6 Cosworth) – a 1 volta
8. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – a 1 volta
9. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – a 1 volta
10. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – a 2 voltas
11. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – a 2 voltas
12. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – a 4 voltas
13. Niki Lauda (McLaren MP4/1C Cosworth) – AB/49 voltas/suspensão
14. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – a 22 voltas (*)
15. Johnny Cecotto (Theodore N183 Cosworth) – AB/34 voltas/caixa de câmbio
16. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/33 voltas/turbo
17. René Arnoux (Ferrari 126C2B Turbo) – AB/31 voltas/pane elétrica
18. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – AB/30 voltas/pane elétrica
19. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – AB/29 voltas/rolamento de roda
20. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – AB/26 voltas/acidente
21. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/25 voltas/fuga de água
22. Riccardo Patrese (Brabham BT52 BMW Turbo) – AB/24 voltas/freios
23. Elio de Angelis (Lotus 93T Renault Turbo) – AB/5 voltas/transmissão
24. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – AB/4 voltas/distribuidor
25. Pier Carlo Ghinzani (Osella FA1E Alfa Romeo) – AB/4 voltas/superaquecimento
26. Patrick Tambay (Ferrari 126C2B Turbo) – AB/não largou

Classificação do Mundial após 7 etapas: 1. Alain Prost – 28 pontos; 2. Nelson Piquet – 27; 3. Patrick Tambay – 23; 4. Keke Rosberg – 22; 5. John Watson – 15; 6. Niki Lauda e Jacques Laffite – 10; 8. Michele Alboreto – 9; 9. Eddie Cheever e René Arnoux – 8; 11. Marc Surer – 4; 12. Danny Sullivan – 2; 13. Nigel Mansell, Mauro Baldi e Johnny Cecotto – 1 ponto.

Mundial de Construtores: 1. Renault – 36; 2. Williams – 32; 3. Ferrari – 31; 4. Brabham – 27; 5. McLaren – 25; 6. Tyrrell – 11; 7. Arrows – 4; 8. Lotus, Alfa Romeo e Theodore – 1 ponto.

Zzzzzz…

1240405_10152645544082699_2052349813_nRIO DE JANEIRO – Acredite quem quiser, mas o piloto que “puxa um ronco” na foto é Ken Schrader, o veterano participante de corridas da Nascar que hoje tem 58 anos de idade. O instantâneo é de três décadas atrás, durante as 500 Milhas de Indianápolis de 1983.

Schrader foi chamado para tentar classificar o carro com o numeral #98, mas não obteve êxito. Acidentou-se durante a qualificação e ficou de fora da Indy 500 junto com outros 25 pilotos.

Outros e bons tempos…

 

30 anos do bi, parte VI – GP da Bélgica de 1983

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RIO DE JANEIRO – Foram treze anos de espera, mas em 1983 a lendária pista de Spa-Francorchamps enfim voltava a fazer parte do Mundial de Fórmula 1. Com os antigos 14,1 km reduzidos para 6,949 km após uma extensa reforma, a pista encravada na Floresta das Ardenas continuava repleta de desafios e seria um ótimo teste para os 28 pilotos inscritos.

A propósito, o GP da Bélgica registrava uma estreia: com patrocínio de empresas locais, o piloto Thierry Boutsen, que fizera boas temporadas no Europeu de Fórmula 2 nos anos anteriores com a Spirit, ganhava definitivamente a vaga na Arrows, deixando a pé o brasileiro Chico Serra.

Treinos

Alain Prost 1983 (19)

Os treinos classificatórios em Spa-Francorchamps, a rigor, não apresentaram nenhuma surpresa na primeira fila. A Renault de Alain Prost continuava em grande fase – e o piloto também. O francês fez a pole position, mas com apenas nove milésimos de segundo sobre Patrick Tambay, outro piloto também em ascensão com a Ferrari Turbo.

A surpresa foi o ótimo 3º lugar de Andrea de Cesaris, com a Alfa Romeo, se colocando a apenas dois décimos de Prost e ao lado de Nelson Piquet na segunda fila. Keke Rosberg e Marc Surer foram os dois mais rápidos da turma dos “aspirados”, classificando ambos na quinta fila. Thierry Boutsen classificou-se com o 18º tempo e Raul Boesel, com a Ligier, ficou na última posição. Mais uma vez, Eliseo Salazar e Pier Carlo Ghinzani não se classificaram.

Corrida

Após o apagar da luz verde, os pilotos e espectadores ficaram boquiabertos: Andrea de Cesaris largou de forma excepcional e assumiu a ponta na curva La Source. Mas a primeira largada não valeu em razão de problemas mecânicos na Arrows de Marc Surer, que foi obrigado a largar dos boxes.

Quando ninguém esperava que de Cesaris pudesse repetir a façanha, o italiano da Alfa Romeo repetiu a manobra de ultrapassagem sobre Prost e Tambay e de novo chegou à primeira curva liderando. Atrás da Alfa, três franceses: Prost, Tambay e Arnoux, com Piquet em quinto e Manfred Winkelhock, da ATS, em sexto. Riccardo Patrese, coitado, teve o motor quebrado logo na primeira volta.

Winkelhock foi o primeiro a sair da zona de pontos, em razão de uma falha mecânica que provocou uma parada prematura na 12ª volta, onde o alemão aproveitou para trocar pneus e reabastecer. Isto fez com que Keke Rosberg subisse para a sexta posição, enquanto Boesel era o vigésimo colocado.

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Arnoux fez seu pit stop na 17ª volta e Piquet inverteu posição com o piloto da Ferrari. Duas voltas mais tarde, foi a vez da parada – desastrosa, por sinal – de Andrea de Cesaris, que despencou para a sexta posição, enquanto Arnoux tinha problemas momentâneos de desempenho.

Lá atrás, Manfred Winkelhock era protagonista de um espetacular incidente: a roda traseira esquerda de seu ATS soltou-se da ponta de eixo. O alemão rodopiou e o pneu subiu, subiu, subiu… e sumiu no mato!

Os primeiros colocados realizavam seus reabastecimentos: Rosberg na 19ª volta, Tambay na 21ª, Prost na 22ª e Piquet na 24ª passagem. Isto deixou Prost em primeiro, com de Cesaris em segundo, Piquet em terceiro, Tambay em quarto, Cheever em quinto e Rosberg em sexto.

A ótima corrida de Andrea de Cesaris foi para o espaço na 26ª volta: o motor V8 turbo do carro do italiano se entregou e ele foi obrigado a desistir. Piquet e os demais subiram uma posição, mas a Brabham do brasileiro já apresentava, desde sua parada de reabastecimento, problemas de câmbio.

Assim, não foi surpresa nenhuma quando Tambay superou Nelson na 34ª volta e Eddie Cheever levou o último posto do pódio logo depois. Prost venceu com absoluta folga e reassumiu a liderança do campeonato, com quatro pontos de avanço para Nelson Piquet, que chegou em quarto em Spa.

Raul Boesel foi o 13º colocado, enquanto o companheiro de equipe dele, Jean-Pierre Jarier, colecionou mais um abandono. Catorze pilotos completaram a corrida.

O resultado final do GP da Bélgica de 1983:

1. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – 40 voltas em 1h27min11s502, média de 191,275 km/h
2. Patrick Tambay (Ferrari 126C2B Turbo) – a 22s982
3. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – a 39s869
4. Nelson Piquet (Brabham BT52 BMW Turbo) – a 42s295
5. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – a 50s290
6. Jacques Laffite (Williams FW08C Cosworth) – a 1min33s107
7. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – a 1min58s539
8. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – a 2min38s273
9. Elio de Angelis (Lotus 93T Renault Turbo) – a 1 volta
10. Johnny Cecotto (Theodore N183 Cosworth) – a 1 volta
11. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – a 1 volta
12. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – a 1 volta
13. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – a 1 volta
14. Michele Alboreto (Tyrrell 011 Cosworth) – a 2 voltas
15. Niki Lauda (McLaren MP4/1C Cosworth) – AB/33 voltas/motor
16. Nigel Mansell (Lotus 92 Cosworth) – AB/30 voltas/caixa de câmbio
17. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/25 voltas/motor
18. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – AB/23 voltas/motor
19. René Arnoux (Ferrari 126C2B Turbo) – AB/22 voltas/motor
20. Corrado Fabi (Osella FA1D Cosworth) – AB/19 voltas/suspensão
21. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – AB/18 voltas/perda de roda
22. John Watson (McLaren MP4/1C Cosworth) – AB/8 voltas/acidente
23. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – AB/8 voltas/acidente
24. Thierry Boutsen (Arrows A6 Cosworth) – AB/4 voltas/suspensão
25. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/3 voltas/acelerador
26. Riccardo Patrese (Brabham BT52 BMW Turbo) – AB/não completou a 1ª volta/motor

Classificação do campeonato após 6 etapas: 1. Alain Prost – 28 pontos; 2. Nelson Piquet – 24; 3. Patrick Tambay – 23; 4. Keke Rosberg – 16; 5. Niki Lauda – 11; 6. John Watson – 10; 7. Jacques Laffite, Eddie Cheever e René Arnoux – 8; 10. Marc Surer – 4; 11. Danny Sullivan – 2; 12. Mauro Baldi e Johnny Cecotto – 1 ponto.

Construtores: 1. Renault – 36 pontos; 2. Ferrari – 31; 3. Brabham e Williams – 24; 5. McLaren – 21; 6. Arrows – 4; 7. Tyrrell – 2; 8. Alfa Romeo e Theodore – 1 ponto.

30 anos do bi, parte V – GP de Mônaco de 1983

RIO DE JANEIRO – A temporada de 1983 chegou ao fim do seu primeiro terço com o tradicional Grande Prêmio de Mônaco, marcado para 15 de maio. Naquela altura, após quatro corridas, Nelson Piquet e Alain Prost, com uma vitória e um segundo lugar cada um, lideravam o certame somando 15 pontos contra 14 de Patrick Tambay e dez do austríaco Niki Lauda.

Com seus 3,328 km de extensão, o circuito monegasco representava mais uma oportunidade para as equipes que ainda dispunham de carros com motores Ford Cosworth poderem derrotar os modelos com propulsores turbo. E para esta corrida, 28 carros foram inscritos – e sem absolutamente nenhuma novidade técnica ou mesmo uma troca de pilotos. Na verdade, a escuderia RAM voltava a ter somente um carro, para o chileno Eliseo Salazar.

Treinos

Na pré-qualificação, necessária na época pois havia a obrigatoriedade de apenas 20 carros no grid para 26 vagas nos treinos oficiais, os dois Theodore com Roberto Guerrero e Johnny Cecotto ficaram de fora. Na primeira sessão, realizada na quinta-feira (não há treino da Fórmula 1 às sextas em Mônaco), Alain Prost virou um temporal – 1’24″840, contra 1’25″182 de René Arnoux. Eddie Cheever e Patrick Tambay evidenciaram o poderio de Renault e Ferrari no Principado, marcando a terceira e a quarta posições, respectivamente. Keke Rosberg foi de novo espetacular com a Williams, marcando o 5º tempo, com Nelson Piquet em sexto.

Com Chico Serra em 15º e Raul Boesel na 18ª posição, o primeiro treino tinha uma surpresa: Niki Lauda e John Watson ocupando, respectivamente, a 22ª e a 23ª posições. Coincidentemente, as posições de largada das quais saíram para uma histórica dobradinha em Long Beach.

Aí, choveu. No sábado, ninguém melhorou as marcas do primeiro dia e a dupla da McLaren ficou de fora – fato inédito até então na história da escuderia chefiada por Ron Dennis. Bruno Giacomelli, Corrado Fabi, Pier Carlo Ghinzani e Eliseo Salazar também não conseguiram entrar entre os 20 que largaram no domingo.

Corrida

No momento do alinhamento, caía uma garoa fina, mas a pista já secava desde o warm-up, o treino de aquecimento realizado horas antes do GP. O tempo permanecia ameaçador e dos 20 inscritos, somente um optou por montar pneus slicks, próprios para a pista seca, acreditando que não choveria mais.

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Keke Rosberg deu um tiro certeiro e já na primeira volta, despontava na liderança, saindo da quinta posição. Prost passou em segundo, com Cheever em terceiro, Arnoux em quarto, Tambay em quinto e Andrea de Cesaris em sexto. Nelson Piquet foi prudente, passando na 9ª posição. Chico Serra saiu muito bem e foi pra 11º, com Raul Boesel em 15º. Michele Alboreto e Nigel Mansell já haviam abandonado.

A pista traiçoeira continuou fazendo mais vítimas nas voltas iniciais: Boesel e o alemão Manfred Winkelhock bateram também, na 3ª volta, e abandonaram. Duas voltas depois, Piquet optou por trocar os pneus de chuva pelos slicks, voltando à pista em décimo-quarto.

Arnoux não teve a mesma sorte do brasileiro: trocou também para os compostos lisos, mas bateu na seqüência. Nesta altura, Rosberg liderava com sobras, trazendo Prost em segundo. Jacques Laffite vinha em terceiro, com Cheever em quarto, Tambay em quinto e Marc Surer em sexto. Serra ainda era o 11º.

Quando Prost parou, Laffite foi para segundo e Surer ascendeu ao quarto lugar – depois para terceiro, no pit stop de Patrick Tambay. Na 12ª volta, Piquet, em excelente recuperação, já era o sexto. O panorama dos dez primeiros era este: Rosberg, Laffite, Surer, Derek Warwick, Prost, Piquet, Elio de Angelis, Cheever, Jean-Pierre Jarier e Riccardo Patrese. Serra fez sua troca de pneus e caiu para 15º.

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O panorama não sofria grandes alterações entre os seis primeiros, até que na 22ª volta, Piquet conseguiu – com muito desprendimento – uma raríssima e importante ultrapassagem na corrida, sobre Alain Prost. Ao piloto da Brabham, restava pressionar Marc Surer e Derek Warwick, que lideravam um “trenzinho” do terceiro lugar em diante, pois Keke Rosberg e Jacques Laffite seguiam inalcançáveis com as Williams FW08C.

E então a sorte sorriu para Piquet: no início da 50ª volta, Warwick abalroou Surer numa tentativa infeliz de ultrapassagem na freada da curva Ste. Dévote e os dois bateram. Piquet, Prost e os demais ganharam duas posições na corrida. E não parou por aí, pois a Williams de Laffite quebrou o câmbio poucas voltas depois. Piquet chegou ao segundo lugar, com Prost em terceiro, Patrese em quarto (depois de largar em 17º), Tambay em quinto e Danny Sullivan em sexto.

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Perto do fim, nova mudança: Patrese teve uma pane elétrica em sua Brabham, foi ultrapassado por Tambay e depois abandonou definitivamente, o que elevou Mauro Baldi ao sexto lugar e Chico Serra ao sétimo – e último – posto entre os que terminaram.

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De forma categórica, de ponta a ponta, Keke Rosberg conquistava de forma brilhante sua 2ª vitória na Fórmula 1. E Nelson Piquet, com o segundo lugar, tinha bons motivos pra sorrir: afinal, com 21 pontos somados, ele saía de Mônaco com dois de vantagem para Alain Prost. Era a liderança isolada do Mundial de Pilotos outra vez nas mãos do brasileiro.

O resultado final do GP de Mônaco de 1983:

1. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – 76 voltas em 1h56min38s121, média de 129,487 km/h
2. Nelson Piquet (Brabham BT52 BMW Turbo) – a 18s475
3. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – a 31s366
4. Patrick Tambay (Ferrari 126C2B Turbo) – a 1min04s297
5. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – a 2 voltas
6. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – a 2 voltas
7. Chico Serra (Arrows A6 Cosworth) – a 2 voltas
8. Riccardo Patrese (Brabham BT52 BMW Turbo) – AB/64 voltas/pane elétrica
9. Jacques Laffite (Williams FW08C Cosworth) – AB/53 voltas/caixa de câmbio
10. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – AB/49 voltas/acidente
11. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/49 voltas/acidente
12. Elio de Angelis (Lotus 93T Renault Turbo) – AB/49 voltas/transmissão
13. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – AB/32 voltas/suspensão
14. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – AB/30 voltas/pane elétrica
15. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/13 voltas/caixa de câmbio
16. René Arnoux (Ferrari 126C2B Turbo) – AB/6 voltas/acidente
17. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – AB/3 voltas/acidente
18. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – AB/3 voltas/acidente
19. Michele Alboreto (Tyrrell 011 Cosworth) – AB/não completou a 1ª volta/acidente
20. Nigel Mansell (Lotus 92 Cosworth) – AB/ não completou a 1ª volta/acidente

Classificação do campeonato até a 5ª etapa: 1. Nelson Piquet – 21 pontos; 2. Alain Prost – 19; 3. Patrick Tambay – 17; 4. Keke Rosberg – 14; 5. John Watson – 11; 6. Niki Lauda – 10; 7. René Arnoux – 8; 8. Jacques Laffite – 7; 9. Eddie Cheever e Marc Surer – 4; 11. Danny Sullivan – 2; 12. Johnny Cecotto e Mauro Baldi – 1 ponto.

Construtores: 1. Ferrari – 25; 2. Renault – 23; 3. Brabham, Williams e McLaren – 21; 6. Arrows – 4; 7. Tyrrell – 2; 8. Theodore e Alfa Romeo – 1 ponto.

30 anos do bi, parte IV – GP de San Marino, 1983

1981 Formula One World Championship. Nelson Piquet (BR). Parmalat Racing Team.

RIO DE JANEIRO –  A quarta etapa do Mundial de 1983 aconteceu numa data que anos mais tarde seria fatídica: em 1º de maio, há 30 anos, ironicamente acontecia o Grande Prêmio de San Marino – uma ocasião e tanto para os torcedores da Ferrari encherem o então Autódromo Dino Ferrari para apoiar seus pilotos – Patrick Tambay e René Arnoux, lutando pela liderança do campeonato contra Nelson Piquet, da Brabham BMW.

A lista de inscritos para a corrida contava com 29 inscritos – os mesmos do GP da França – e uma única novidade: a estréia da versão E do Osella FA1 com Pier Carlo Ghinzani, dotada de motor Alfa Romeo V-12 aspirado. Corrado Fabi continuou com o carro de motor Ford Cosworth.

Treinos

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A legião de tiffosi festejou, de saída, a pole position da Ferrari com René Arnoux, que teve um início irregular de campeonato. Com o tempo de 1’31″238, o baixinho francês bateu Nelson Piquet na briga pelo melhor tempo. Patrick Tambay ficou com a 3ª posição, trazendo o compatriota Alain Prost em quarto. Riccardo Patrese e Eddie Cheever dividiram a terceira fila, comprovando o domínio Ferrari-Renault-Brabham sobre a concorrência.

A surpresa foi a 7ª posição de Manfred Winkelhock com a ATS BMW, em mais um grid onde o predomínio foi dos carros com motor turbo. O finlandês Keke Rosberg foi o melhor na turma dos “aspirados”, dividindo a sexta fila com Marc Surer. Chico Serra teve bom desempenho com a Arrows e classificou-se na 20ª posição, enquanto Raul Boesel não foi além da penúltima colocação. Eliseo Salazar e Pier Carlo Ghinzani, como de hábito, ficaram de fora e Jean-Louis Schlesser nem apareceu para os treinos, apesar de inscrito.

Corrida

A largada foi um momento de completo anticlímax. Se por um lado, a festa da torcida italiana começou cedo com Arnoux mantendo a ponta e Tambay na segunda posição, para quem acompanhava a corrida no Brasil, momentos de desespero: Nelson Piquet não conseguiu sair do lugar com a Brabham e caiu para último. Sem embreagem, o brasileiro foi empurrado e arrancou para completar a primeira volta.

Na 3ª passagem, quando Piquet já ganhara duas posições, Patrese se imiscuiu entre Arnoux e Prost, colocando sua Brabham em segundo lugar. Ao mesmo tempo, o colombiano Roberto Guerrero batia forte com sua Theodore, abandonando a corrida. Chico Serra era o 17º colocado e Raul Boesel, o vigésimo.

Patrese, correndo “em casa”, estava disposto a estragar a festa da Ferrari e na sexta volta, também passou Arnoux para assumir a liderança. Tambay vinha em terceiro, com Prost num discreto quarto lugar. Andrea de Cesaris vinha em quinto e Keke Rosberg, em mais uma performance extraordinária, na sexta posição.

Na 12ª volta, Piquet já vinha num inacreditável décimo-primeiro lugar, ultrapassando quem estivesse à sua frente. E mais: trocando marchas a seco, de ouvido, só nos giros do motor BMW Turbo. Chico Serra ganhava mais posições e era o décimo-quarto, com Raul Boesel em 19º.

A Ferrari inaugurou o reabastecimento rápido na 20ª volta, quando Arnoux fez sua parada, voltando em quinto lugar, atrás da Alfa Turbo de Andrea de Cesaris. Piquet, em feroz recuperação, passou Mauro Baldi e Elio de Angelis, tirando volta a volta a diferença para Keke Rosberg. De Cesaris reabasteceu na 27ª passagem e foi para sexto. O italiano passou logo o finlandês campeão do mundo e o brasileiro da Brabham pegou carona, assumindo o 6º lugar.

Quando Piquet já vinha em quinto, o líder Patrese foi para os boxes na 33ª volta. Ansioso pela liderança e com pressa de fazer o reabastecimento, o italiano errou tudo o que não devia: passou do ponto de parada e ainda por cima atropelou uma pistola pneumática. Como efeito, Riccardo perdeu 21 segundos e a liderança para Patrick Tambay. Delírio em Imola.

Piquet fez seu pit stop duas voltas mais tarde e a Brabham, num serviço eficientíssimo, trabalhou em menos de 12 segundos – um recorde absoluto para a época. Voltando em sexto, não havia dúvidas que o líder do campeonato iria “buscar” a Alfa de Andrea de Cesaris, que vinha à sua frente. Mas o motor BMW não aguentou o esforço do pé pesado do brasileiro, explodindo na 42ª volta.

Tambay vinha em primeiro, sob a incessante pressão de Ricardo Patrese, o famoso “estraga-prazer” da festa da Ferrari, que tinha René Arnoux na terceira posição. Na 52ª volta, Patrese partiu decidido para a ultrapassagem sobre o francês líder e, quando conseguiu, levou uma sonora vaia da torcida italiana. Afinal de contas, valia muito mais a pena ver uma Ferrari chegando na frente. Independentemente da nacionalidade de quem a guiava.

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Foi por isso mesmo que o Autódromo Dino Ferrari explodiu em júbilo quando a Brabham de Patrese saiu da pista na Variante Acqua Minerale, se estatelando numa barreira de pneus. Tambay era o líder de vez, até porque Arnoux, com problemas mecânicos, caía de rendimento, perdendo a segunda posição para Alain Prost, mas com uma diferença mais do que confortável para se garantir no pódio.

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Ao fim de pouco mais de 1h37min de prova, Tambay levou a bandeirada para completa festa da torcida italiana, que promoveu a tradicional invasão de pista em Imola. Prost chegou em segundo, mais de 48 segundos atrás.

Arnoux levou a terceira posição, com Rosberg num ótimo quarto, John Watson em quinto (depois de largar em 24º) e Marc Surer fechando os seis que pontuaram. Chico Serra foi um bom oitavo colocado, logo à frente de Raul Boesel. Dos 26 que largaram, somente dez carros receberam a bandeirada.

O resultado final do GP de San Marino de 1983:

1. Patrick Tambay (Ferrari 126C2 Turbo) – 60 voltas em 1h37min52s460, média de 185,381 km/h
2. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – a 48s781
3. René Arnoux (Ferrari 126C2 Turbo) – a 1 volta
4. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – a 1 volta
5. John Watson (McLaren MP4/1C Cosworth) – a 1 volta
6. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – a 1 volta
7. Jacques Laffite (Williams FW08C Cosworth) – a 1 volta
8. Chico Serra (Arrows A6 Cosworth) – a 2 voltas
9. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – a 2 voltas
10. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – a 3 voltas (*)
11. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – a 3 voltas
12. Nigel Mansell (Lotus 92 Cosworth) – a 4 voltas (**)
13. Riccardo Patrese (Brabham BT52 BMW Turbo) – a 6 voltas (***)
14. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/45 voltas/distribuidor
15. Elio de Angelis (Lotus 93T Renault Turbo) – AB/43 voltas/quebra de roda
16. Nelson Piquet (Brabham BT52 BMW Turbo) – AB/41 voltas/motor
17. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – AB/39 voltas/radiador
18. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – AB/37 voltas/acidente
19. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/27 voltas/acidente
20. Corrado Fabi (Osella FA1D Cosworth) – AB/20 voltas/acidente
21. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/20 voltas/suspensão
22. Niki Lauda (McLaren MP4/1C Cosworth) – AB/11 voltas/acidente
23. Johnny Cecotto (Theodore N183 Cosworth) – AB/11 voltas/acidente
24. Michele Alboreto (Tyrrell 011 Cosworth) – AB/10 voltas/acidente
25. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – AB/3 voltas/acidente
26. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – AB/2 voltas/turbo quebrado

(*) parou com o motor quebrado, mas recebeu classificação
(**) abandonou com o aerofólio quebrado, mas recebeu classificação
(***) bateu, mas recebeu classificação

30 anos do bi, parte III – GP da França de 1983

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RIO DE JANEIRO – Originalmente disputado no verão, o Grande Prêmio da França foi o terceiro do Mundial de 1983, e o primeiro evento oficial da Fórmula 1 na Europa. No intervalo entre o GP de Long Beach e a corrida programada para Paul Ricard, Keke Rosberg venceu a Corrida dos Campeões, o último evento extracampeonato da história da categoria.

Com a corrida marcada para 17 de abril, o GP da França seria disputado, desse modo, em condições totalmente adversas, com frio e muito vento – o famoso Mistral – soprando forte em toda a extensão da imensa reta de 1,8 km que levava seu nome no circuito com traçado total de 5,810 km.

A lista de inscritos tinha duas novidades: Jean-Louis Schlesser foi inscrito pela RAM de John McDonald, a bordo de um segundo chassi March, fazendo companhia a Eliseo Salazar. E Chico Serra regressava para a Arrows, depois da fracassada tentativa de trazer de volta à Fórmula 1 o campeão mundial de 1980, Alan Jones.

O piloto brasileiro fechou um acordo com Jackie Oliver para mais algumas corridas até que alguém aparecesse com mais dinheiro e garantisse o lugar até o fim do campeonato.

Treinos

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Correndo no quintal de casa, a Renault foi totalmente soberana na classificação em Paul Ricard. Alain Prost caprichou na volta rápida e fez a pole position com 1’36″672, mais de dois segundos mais rápido que o próprio companheiro de equipe, o estadunidense Eddie Cheever, enfim dispondo pela primeira vez do Renault RE40 Turbo.

O predomínio da Renault era latente, tanto que Riccardo Patrese, com a Brabham BMW, foi o 3º colocado, a meio segundo de Cheever. E Nelson Piquet não foi além do 6º melhor tempo. Num grid totalmente dominado pelos carros com motores turbo – ocupando os 11 primeiros lugares – o melhor modelo com motor Cosworth era a McLaren de Niki Lauda, em 12º lugar. E olha que a empresa de preparação dos velhos motores Ford V-8 estava estreando na França a versão DFY, com 15 HP a mais que o tradicional DFV.

Raul Boesel, começando a sentir os efeitos dos privilégios que Jean-Pierre Jarier dispunha na Ligier, teve que se contentar com as sobras do companheiro de equipe e classificou-se em 25º. Chico Serra capotou na sexta-feira e, sem carro, não treinou no sábado. Ficou com o último tempo e a promessa de que o Arrows A6 seria recuperado para a corrida. Três pilotos não se classificaram: Eliseo Salazar, Pier Carlo Ghinzani e Jean-Louis Schlesser.

Corrida

O GP da França foi um dos mais monótonos do ano. Alain Prost largou na frente e manteve a liderança. Quem saiu muito bem foi a dupla da Brabham: Patrese superou Cheever, que largou mal, e foi para segundo. Piquet pulou de sexto para quarto. Atrás deles, Arnoux e Tambay, que saiu de 11º e ganhou cinco posições. Chico Serra passou a primeira volta em 21º e Raul Boesel em 24º.

Cheever aproveitou-se do melhor desempenho do Renault Turbo e em duas voltas retornou à posição de origem no grid ao deixar Patrese para trás. No início da corrida, Keke Rosberg também impressionava: de 16º passou em nono na primeira volta. Na sétima passagem, já era o sexto, superando René Arnoux. Piquet já vinha em terceiro ao inverter posições com Patrese.

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O campeão de 1981 tirou a diferença volta após volta, chegou em Cheever e superou o estadunidense da Renault na 18ª volta. Já que Prost estava inalcançável, valia ser segundo para reassumir a liderança do campeonato. Tambay e Rosberg ascenderam à quarta e quinta posições com mais um abandono de Patrese. Arnoux era o sexto. Chico Serra vinha em 16º e Raul Boesel em vigésimo.

Na 30ª volta, a Renault de Prost parou nos boxes para reabastecimento e troca de pneus. Nelson Piquet aproveitou e assumiu, de forma momentânea, a liderança da corrida. E com uma melhor autonomia (ou menos pressão no turbo, talvez), o brasileiro só pararia na 33ª volta. Seu pit stop foi muito bom e o de Eddie Cheever, um desastre. Isso o fez assumir definitivamente a segunda posição.

Chico Serra já abandonara a corrida na 26ª volta, quando era o 13º colocado. Raul Boesel ainda resistiu um pouco mais: saiu da prova a seis voltas do fim, na mesma posição que o piloto da Arrows ocupava quando desistiu.

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Sem nenhuma pressão, Prost venceu com folga – quase 30 segundos de vantagem – e alcançou os primeiros nove pontos da temporada de 1983. Piquet chegou em segundo e reassumiu a liderança do Mundial de Pilotos. Eddie Cheever completou o pódio, Patrick Tambay foi o quarto e só eles completaram as 54 voltas da prova.

A destacar o ótimo 5º lugar de Keke Rosberg e Jacques Laffite mais uma vez na zona de pontuação. Somente 12 dos 26 carros que largaram chegaram ao final.

O resultado final do GP da França:

1. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – 54 voltas em 1h34min13s913, média de 199,767 km/h
2. Nelson Piquet (Brabham BT52 BMW Turbo) – a 29s720
3. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – a 40s232
4. Patrick Tambay (Ferrari 126C2B Turbo) – a 1min06s880
5. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – a 1 volta
6. Jacques Laffite (Williams FW08C Cosworth) – a 1 volta
7. René Arnoux (Ferrari 126C2B Turbo) – a 1 volta
8. Michele Alboreto (Tyrrell 011 Cosworth) – a 1 volta
9. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – a 1 volta
10. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – a 1 volta
11. Johnny Cecotto (Theodore N183 Cosworth) – a 2 voltas
12. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – a 4 voltas
13. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – a 5 voltas (*)
14. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – AB/47 voltas/motor
15. Corrado Fabi (Osella FA1D Cosworth) – AB/36 voltas/motor
16. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW) – AB/36 voltas/motor
17. Niki Lauda (McLaren MP4/1C Cosworth) – AB/29 voltas/rolamento de roda
18. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/28 voltas/acidente
19. Chico Serra (Arrows A6 Cosworth) – AB/26 voltas/caixa de câmbio
20. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – AB/23 voltas/motor
21. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – AB/21 voltas/embreagem
22. Elio de Angelis (Lotus 93T Renault Turbo) – AB/20 voltas/pane elétrica
23. Riccardo Patrese (Brabham BT52 BMW Turbo) – AB/19 voltas/motor
24. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/14 voltas/motor
25. Nigel Mansell (Lotus 92 Cosworth) – AB/6 voltas/problemas físicos
26. John Watson (McLaren MP4/1C Cosworth) – AB/3 voltas/quebra do acelerador

30 anos do bi, parte II – GP dos EUA-Oeste de 1983

RIO DE JANEIRO – Após a vitória em Jacarepaguá, diante de sua torcida, Nelson Piquet partiu com moral e a liderança do campeonato para a 2ª etapa do campeonato. O Grande Prêmio dos Estados Unidos-Oeste, a ser disputado em Long Beach no dia 27 de março, seria um teste de resistência para carros e pilotos,  além de uma excelente oportunidade para as equipes que usavam o tradicional Ford Cosworth derrotarem o poderio dos modelos turbocomprimidos.

Alan Jones (74)

Entre os 28 inscritos, uma novidade: a volta do campeão mundial de 1980, Alan Jones, pela Arrows. Grotescamente gordo e afastado do automobilismo por dois anos, o australiano levava o patrocínio da Valvoline para esta etapa. A Lotus inscrevia mais uma vez dois carros diferentes: o 93T para Elio de Angelis e o 92 com motor Cosworth para Nigel Mansell. E a Renault pôs enfim na pista o modelo RE40 para Alain Prost. Eddie Cheever continuou com o RE30C.

Treinos

Nos treinos oficiais, uma surpresa: pela primeira vez na carreira, Patrick Tambay conquistou uma pole position. E logo com a Ferrari Turbo, conseguindo uma impressionante vantagem sobre seu companheiro de equipe. Tambay fez o tempo de 1’26″117 contra 1’26″935 de René Arnoux. Keke Rosberg, pole em Jacarepaguá, fez o 3º melhor tempo, com Jacques Laffite num ótimo quarto posto. Elio de Angelis e Derek Warwick fecharam os seis mais rápidos.

Para Nelson Piquet, o treino classificatório foi um pesadelo. O vencedor em Jacarepaguá, que nunca escondeu odiar correr em circuitos de rua, não foi além da 20ª posição. Pior que ele, só Mauro Baldi, a dupla da McLaren com John Watson adiante de Niki Lauda, Manfred Winkelhock, Eliseo Salazar e Raul Boesel. Além de Corrado Fabi e Pier Carlo Ghinzani, que não conseguiram lugar no grid.

Corrida

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A corrida foi quentíssima desde o início. Tambay tomou partido da pole e assumiu a liderança. Laffite fez uma ótima largada, passou Rosberg e foi pra segundo. Michele Alboreto foi outro que partiu muito bem: de sétimo para quarto, à frente de René Arnoux e Danny Sullivan. Nelson Piquet passou a primeira volta em 23º e Raul Boesel, em último.

Logo na segunda volta, Rosberg botou “ordem na casa”. Passou Laffite e foi ao encalço de Patrick Tambay. E na ânsia de assumir a liderança, rodou de forma espetacular, num 360º impressionante. Na altura da 20ª volta, com os primeiros problemas e as primeiras desistências, a classificação apresentava Tambay na frente, com Rosberg, Laffite, Alboreto, Jean-Pierre Jarier e Riccardo Patrese como os seis melhores. Piquet melhorava, andando em 16º com Boesel em 18º.

Na 26ª volta, o panorama da corrida virou pelo avesso. Rosberg tentou uma manobra kamikaze de ultrapassagem sobre Patrick Tambay e os dois bateram, abandonando a disputa. A liderança caiu no colo de Jacques Laffite, trazendo Jarier (que logo se acidentaria) em segundo e Riccardo Patrese em terceiro. Atrás deles, Marc Surer… Niki Lauda… e John Watson, em fulgurante exibição da dupla da McLaren.

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Na 33ª volta, Watson – já em quarto – inverteu posições com o companheiro de equipe e foi “buscar” a Brabham de Patrese, superada dez passagens depois. Lauda não se fez de rogado e também ultrapassou o italiano. Totalmente à vontade na pista californiana, os dois faziam uma exibição de gala, algo incrível para quem – como eles – saíra do fim do pelotão. E Jacques Laffite sucumbiria na 45ª volta, quando o irlandês vice-campeão mundial em 1982 assumiria definitivamente a liderança.

Piquet seguia em nono, quando de repente perdeu o controle do Brabham graças ao acelerador travado em seu carro e saiu por uma área de escape. O brasileiro achou melhor desistir e a corrida tinha com 52 voltas o seguinte panorama: Watson líder, com Lauda em segundo, Patrese em terceiro, Laffite em quarto, Johnny Cecotto num surpreendente 5º posto e Eddie Cheever em sexto.

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No fim da corrida, com as McLaren fazendo uma incrível dobradinha, o show foi todo de René Arnoux. Em nove voltas, o francês da Ferrari subiu do sexto ao terceiro lugar, conquistando uma vaga no pódio. Riccardo Patrese, que tinha a posição garantida, enfrentou problemas em sua Brabham e ficou pelo caminho.

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Laffite, Surer e Cecotto ganharam as posições e marcaram pontos em Long Beach. Raul Boesel chegou ao final com valentia e quase foi aos pontos: foi sétimo.

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Mas o que entrou mesmo para a história foi o fato do vencedor ter saído da 22ª posição do grid e o segundo, da 23ª. John Watson e Niki Lauda fizeram a dobradinha, o austríaco assumiu a liderança do campeonato e o irlandês conquistou nos EUA a sua quinta – e última – vitória na Fórmula 1.

O resultado final do GP dos EUA-Oeste:

1. John Watson (McLaren MP4/1C Cosworth) – 75 voltas em 1h53min34s889, média de 129,753 km/h
2. Niki Lauda (McLaren MP4/1C Cosworth) – a 27s993
3. René Arnoux (Ferrari 126C2B Turbo) – a 1min13s638
4. Jacques Laffite (Williams FW08C Cosworth) – a 1 volta
5. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – a 1 volta
6. Johnny Cecotto (Theodore N183 Cosworth) – a 1 volta
7. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – a 2 voltas
8. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – a 2 voltas
9. Michele Alboreto (Tyrrell 011 Cosworth) – a 2 voltas
10. Riccardo Patrese (Brabham BT52 BMW Turbo) – a 3 voltas (*)
11. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – a 3 voltas
12. Nigel Mansell (Lotus 92 Cosworth) – a 3 voltas
13. Eddie Cheever (Renault RE30C Turbo) – AB/67 voltas/caixa de marchas
14. Alan Jones (Arrows A6 Cosworth) – AB/58 voltas/suspensão
15. Nelson Piquet (Brabham BT52 BMW Turbo) – AB/51 voltas/acelerador preso
16. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/48 voltas/caixa de marchas
17. Elio de Angelis (Lotus 93T Renault Turbo) – AB/29 voltas/quebra de roda
18. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – AB/27 voltas/caixa de marchas
19. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – AB/26 voltas/acidente
20. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/26 voltas/bateria
21. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/26 voltas/acelerador
22. Patrick Tambay (Ferrari 126C2B Turbo) – AB/25 voltas/acidente
23. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – AB/25 voltas/acidente
24. Eliseo Salazar (RAM March 01 Cosworth) – AB/25 voltas/caixa de marchas
25. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/11 voltas/acidente
26. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – AB/3 voltas/acidente

(*) abandonou por quebra de motor, mas recebeu classificação ao final da prova

30 anos do bi, parte I – GP do Brasil de 1983

Nelson Piquet - Boxes - 3-  Jacarepaguá - março de 1983

RIO DE JANEIRO – No próximo dia 15 de outubro, daqui a pouco mais de um mês, portanto, completam-se 30 anos exatos do bicampeonato mundial de Nelson Piquet –  a maior conquista do piloto brasileiro na Fórmula 1.

Naquele ano de 1983, ele derrotou com argúcia tática, sorte, competência e uma pilotagem impecável no fim do campeonato, o esquadrão francês formado pela Renault, por Alain Prost e os pilotos da Ferrari, Patrick Tambay e René Arnoux. E tornou-se o primeiro campeão mundial num carro de motor turbo.

A partir de hoje, o blog A Mil Por Hora homenageia a histórica conquista, apresentando um resumo de cada uma das 15 etapas que compuseram aquele campeonato de 1983.

O começo, claro, é com o Grande Prêmio do Brasil.

Na entressafra entre o Mundial de 1982 e o seguinte, a FISA mexeu nas regras do jogo e fez uma alteração radical nos carros: o perfil “asa” foi mudado para modelos de fundo plano, com peso mínimo de 540 kg e aerofólios dianteiros e traseiros reposicionados. Isto fez com que os projetistas tivessem que jogar fora muitos projetos já concebidos para 1983 e partir para outros conceitos, revivendo velhas fórmulas havia muito tempo abandonadas no automobilismo.

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A lista de inscritos da temporada era encabeçada pela Williams, trazendo uma evolução do modelo FW08C com motor Ford Cosworth V-8 e o campeão mundial de 1982, Keke Rosberg, envergando o número #1 em seu carro. Jacques Laffite regressava à escuderia onde estreara na F-1 em 1974, num GP da Áustria, em Zeltweg.

A Tyrrell, com patrocínio da griffe Benetton, também modificou o 011 do ano anterior, competindo mais uma vez com o motor Ford Cosworth V-8. Revelação de 1982, Michele Alboreto foi mantido por Ken Tyrrell, recebendo como novo companheiro de equipe o estreante estadunidense Danny Sullivan, de 34 anos.

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Na Brabham, o destaque absoluto era o novo carro: o lindo BT52 com motor BMW Turbo, projetado e desenvolvido em tempo recorde por Gordon Murray. Visto por todos os ângulos, parecia uma flecha em posição de ataque. Disposto a recuperar o cetro de campeão mundial, Nelson Piquet era o primeiro piloto, tendo como escudeiro o competente Riccardo Patrese.

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A McLaren começou o ano com a evolução C do modelo MP4-1 concebido por John Barnard e que tornou-se o primeiro carro com estrutura de fibra de carbono a vencer uma corrida da categoria, e a mesma e experiente dupla de pilotos do ano anterior: o irlandês John Watson e o austríaco Niki Lauda, bicampeão mundial em 1975 e 1977.

Gustav Brunner desenhou e construiu o carro mais criativo do ano: o ATS D6, dotado de motor BMW Turbo, formava uma só estrutura de chassi e monocoque. Sem dúvida, uma solução inteligente que funcionaria com dinheiro – o que a pequena equipe alemã não tinha, a despeito do bom piloto: Manfred Winkelhock, de 31 anos.

A Lotus, ainda com Colin Chapman vivo, fechou um contrato de fornecimento de motores com a Renault. Mas deu um tiro no pé assinando com a Pirelli para ser a principal equipe da marca italiana de pneus. Depois disso, em dezembro de 1982, Colin morreu em circunstâncias até hoje estranhas, aos 54 anos.

Como o modelo 93T ainda não era competitivo, Peter Warr empacotou para o Brasil um chassi 91 de 1982 para Nigel Mansell e outro 92, para Elio de Angelis, ambos com motores Ford Cosworth V-8, se fosse necessário utilizá-los.

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Na Renault, enquanto o carro construído totalmente dentro do novo regulamento não ficava pronto, a solução foi modificar o RE30, transformando-o no RE30C, usado no Brasil pela dupla formada por Alain Prost e o estadunidense Eddie Cheever, o novo contratado.

Em fim de linha, a March foi para Jacarepaguá com um solitário carro, o RAM March 01 guiado pelo chileno Eliseo Salazar, com motor Ford Cosworth V-8 e pneus Pirelli. Candidatíssimos ao posto de pior conjunto do ano.

A Alfa Romeo, que se apresentava com o suporte técnico da Euroracing, de Gianpaolo Pavanello, também investia num projeto turbo, pela primeira vez: construiu o 183T, desenhado por Gérard Ducarouge e Mario Tolentino, e entregue aos italianos Andrea de Cesaris e Mauro Baldi.

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Na Ligier, a expectativa era que o novo modelo – o JS21, dotado do mesmo sistema de suspensão do Citröen DS19, motor Ford Cosworth V-8 montado em posição semi-central e radiadores traseiros, fosse eficaz. Tudo dependeria da performance do veterano Jean-Pierre Jarier e do brasileiro Raul Boesel, em seu segundo ano de Fórmula 1.

A Ferrari apostava suas fichas numa evolução do modelo 126C2, mexido enquanto o novo carro não saía do papel. Patrick Tambay seguiu na escuderia enquanto René Arnoux se juntava a ele, vindo da Renault.

Marc Surer, suíço de 31 anos, era o único piloto confirmado pela Arrows na temporada de 1983. O time britânico não tinha patrocínio fixo, chegou a assinar com Alan Jones, mas o australiano se encontrava em péssima forma física – e isto possibilitou a Chico Serra, com seus fiéis apoiadores, assinar um contrato-relâmpago para disputar a corrida inaugural pela equipe dirigida por Jackie Oliver. O carro era o A6, com motor Ford Cosworth V-8 e pneus Goodyear.

A pequena Osella apostava em dois pilotos – Corrrado Fabi e Pier Carlo Ghinzani, ambos italianos – para fazer evoluir o modelo FA1D com motor Ford Cosworth V-8 e pneus Michelin.

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Já a Theodore unia-se à Ensign para formar uma única escuderia, reunindo Roberto Guerrero e o estreante venezuelano Johnny Cecotto, antigo campeão mundial de Motociclismo.

Por fim, a Toleman aparecia com o TG183B, ressuscitando a proposta do radiador dianteiro introduzida cinco anos antes por Gordon Murray, no Brabham Alfa BT46. O inventivo Rory Byrne concebia, sem dúvida, um dos carros mais interessantes do ano, com motor Hart turbo de 4 cilindros, entregue ao britânico Derek Warwick e ao italiano Bruno Giacomelli.

Treinos oficiais

Nos treinos, verificou-se que a mudança de regulamento fora altamente positiva: a pole de Alain Prost em 1982 esteve na casa de 1’28″ e Keke Rosberg, campeão mundial, fez o melhor tempo nos dois treinos oficiais, virando a pole position com 1’34″526, contra 1’34″672 de Alain Prost. Patrick Tambay fez o terceiro tempo e Nelson Piquet foi o quarto mais rápido. A surpresa foi o 5º tempo de Derek Warwick, com a Toleman Hart Turbo, deixando para trás René Arnoux, Riccardo Patrese e Eddie Cheever. Niki Lauda e Mauro Baldi fecharam os dez mais rápidos.

Raul Boesel conseguiu classificar o Ligier em 17º, enquanto Chico Serra classificava-se em 23º com a Arrows. Pier Carlo Ghinzani e Andrea de Cesaris, este eliminado por desrespeitar a vistoria técnica, foram os dois desclassificados no treino oficial que confirmou 26 pilotos para o primeiro grid do ano de 1983.

Corrida

Sob o fortíssimo calor do fim do verão carioca e com as arquibancadas tomadas por quase 50 mil torcedores, os 26 carros partiram em direção à curva 1 do antigo e saudoso traçado de Jacarepaguá. Rosberg largou bem e assumiu a ponta, fechando a primeira volta com Prost em segundo, Piquet já em terceiro e Patrese em quarto. Tambay e Arnoux completavam os seis primeiros, com Warwick caindo para oitavo. Boesel era o 18º e Serra o vigésimo.

Ainda na segunda volta, Piquet não teve trabalho com Prost e superou a Renault do francês, indo à caça de Keke Rosberg. Patrese também despachou Prost e subiu para terceiro. E na sétima volta, com a Brabham rendendo muito no início da corrida, Piquet fez a galera urrar nas arquibancadas, com uma categórica ultrapassagem sobre Keke no fim da reta oposta.

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Com 10 voltas completadas, Piquet liderava, com Rosberg em segundo, Patrese em terceiro, Prost em quarto e Tambay em quinto. John Watson, saído de 16º, já era um impressionante sexto colocado. Boesel era o 17º e Serra, décimo-nono.

Na 16ª volta, o motor BMW do carro de Patrese quebrou. Nesta altura, Watson já se preparava para despachar Prost e assumir a terceira colocação, em corrida monumental. A Ferrari de Arnoux, com queda de rendimento, perdeu posições e Mauro Baldi – pasmem – aparecia entre os seis primeiros, até a 23ª passagem, quando foi superado por Niki Lauda. Chico Serra, melhor adaptado ao carro, ultrapassou Raul Boesel: os dois vinham em 12º e 13º, até que o brasileiro da Ligier saiu da prova em razão de uma falha mecânica.

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A corrida seguia sem grandes incidentes até a 29ª volta, quando Keke Rosberg parou para reabastecer sua Williams. Seria a primeira experiência da equipe inglesa num pit stop do gênero, mas um incêndio tomou conta da parte traseira do carro. Assustado com as chamas, Rosberg abandonou o FW08C – mas como os prejuízos não foram grandes, ele voltou ao cockpit e à corrida, regressando em nono, atrás da Arrows de Marc Surer.

Na 35ª volta, John Watson, que já era um impressionante 2º colocado, sofreu uma quebra e teve que desistir. Prost herdou de novo a segunda posição, enquanto Lauda ascendia a terceiro, depois de ultrapassar Patrick Tambay. Rosberg, em feroz recuperação, já era o quinto, com Surer ameaçando o sexto lugar de Derek Warwick. Chico Serra era o décimo, brigando renhidamente com René Arnoux desde a 26ª volta.

A grande vantagem que construiu ao longo da prova possibilitou a Nelson Piquet efetuar o reabastecimento na 41ª volta, com tranqüilidade. O brasileiro seguiu em primeiro e Rosberg, sempre rápido, conseguiu passar Tambay, Prost e por fim Lauda, para regressar ao segundo lugar.

O fim da corrida reservava mais alterações: com queda de rendimento, Prost saiu da zona de pontos, superado por Tambay, Marc Surer e Jacques Laffite, que depois de uma corrida discreta, ainda atacou o suíço da Arrows e o compatriota da Ferrari, para chegar ao quarto lugar. Chico Serra, depois de 30 voltas de muita luta, passou René Arnoux e assumiu a 9ª posição.

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Nas arquibancadas (eu estava lá naquele 13 de março), a torcida já festejava, ao mais puro estilo carioca, a vitória de Nelson Piquet Souto Maior, que enfim aconteceu após 1h48min27s731, com quase 21 segundos de vantagem para Keke Rosberg, que chegou em segundo – mas não levou os pontos, pois foi desclassificado por receber ajuda externa.

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Curiosamente, os seis pontos não foram dados a Niki Lauda, que deveria ter ascendido à posição. O austríaco da McLaren ficou mesmo com o 3º lugar, com Laffite, Tambay e Surer fechando a zona de pontos. Neste GP do Brasil, executou-se pela primeira vez a música que ficou conhecida como o “Tema da Vitória”, ou por muitos, como o “Tema do Senna”.

Mas isto não importa. Piquet começava o ano de 1983 com o pé direito, em sua 8ª conquista na Fórmula 1. E outras emoções viriam nos 14 GPs seguintes.

O resultado final do GP do Brasil de 1983:

1. Nelson Piquet (Brabham BT52 BMW Turbo) – 63 voltas em 1h48min27s731, média de 175,335 km/h
2. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – a 20s901 (*)
3. Niki Lauda (McLaren MP4/1C Cosworth) – a 51s883
4. Jacques Laffite (Williams FW08C Cosworth) – a 1min13s951
5. Patrick Tambay (Ferrari 126C2B Turbo) – a 1min18s117
6. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – a 1min18s201
7. Alain Prost (Renault RE30C Turbo) – a 1 volta
8. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – a 1 volta
9. Chico Serra (Arrows A6 Cosworth) – a 1 volta
10. René Arnoux (Ferrari 126C2B Turbo) – a 1 volta
11. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – a 1 volta
12. Nigel Mansell (Lotus 91 Cosworth) – a 2 voltas
13. Elio de Angelis (Lotus 92 Cosworth) – a 3 voltas (**)
14. Johnny Cecotto (Theodore N183 Cosworth) – a 3 voltas
15. Eliseo Salazar (RAM March 01 Cosworth) – a 4 voltas
16. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – a 4 voltas
17. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – a 10 voltas (NC)
18. Eddie Cheever (Renault RE30C Turbo) – AB/41 voltas/quebra do turbo
19. John Watson (McLaren MP4/1C Cosworth) – AB/34 voltas/motor
20. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – AB/25 voltas/pane elétrica
21. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/23 voltas/suspensão
22. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – AB/22 voltas/suspensão
23. Riccardo Patrese (Brabham BT52 BMW Turbo) – AB/19 voltas/motor
24. Corrado Fabi (Osella FA1D Cosworth) – AB/17 voltas/motor
25. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/16 voltas/rodada
26. Michele Alboreto (Tyrrell 011 Cosworth) – AB/7 voltas/queda de pressão de óleo

(*) desclassificado por receber ajuda externa
(**) desclassificado por trocar de carro: classificou-se com o Lotus 93T e correu com o 92
(NC) corria ao final, mas não foi classificado