Direto do túnel do tempo (186)

10259318_453094664835843_5243543208095340071_nRIO DE JANEIRO – Já que o post abaixo foi sobre a Fórmula 3, uma foto dos arquivos do Ronnie Silva para recordarmos os bons tempos da F-3 Sul-Americana. Se não me engano, o ano é 1996. Na foto, conseguimos divisar o #22 guiado pelo argentino Ricardo Risatti, o #9 de Fabián Malta, também argentino e o #7 de Tom Stefani. Alguém consegue identificar a pista em questão e alguns dos possíveis pilotos participantes desta corrida?

Há 18 anos, direto do túnel do tempo.

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Pequenas maravilhas – BMW 320i (1996)

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RIO DE JANEIRO – Contribuição do “xará” Rodrigo Carelli para a série de miniaturas de carros e motos de competição que o blog apresenta com alguma frequência. Dentre os modelos de sua coleção, ele mandou este aqui: a BMW 320i, de 1996.

Segundo o Carelli, no e-mail onde está anexada a foto, ele explica que esse carro é da equipe Team BMW Fina Bastos Bigazzi e que venceu as 24 Horas de Spa-Francorchamps daquele ano. Os pilotos foram o belga Thierry Tassin e os alemães Jörg Muller e Alexander Bürgstaller – aliás, por onde andaria este último?

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Era a época em que o Superturismo, com seus carros derivados de modelos de série, todos com motores 2 litros e potência ao redor de 300/330 HP, bombava no mundo inteiro. Inclusive, por algum tempo, tivemos aqui o Superturismo Sudam, de curta, mas interessante memória.

Excelente colaboração do Carelli. E virão mais!

Pequenas maravilhas – Especial Le Mans – McLaren BMW F1 GTR (1996)

RIO DE JANEIRO – A partir de hoje até o dia 22, o blog vai publicar, pelo menos uma vez por dia, uma miniatura alusiva às 24 Horas de Le Mans, corrida que chega neste ano ao seu 90º aniversário. E vamos abrir os trabalhos em grande estilo.

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O Nick Nagano mandou o “monstrinho” dele, nas palavras do próprio: é uma miniatura da McLaren BMW F1 GTR alinhada pela equipe italiana Bigazzi na edição de 1996 das 24 Horas de Le Mans.

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E não é um carro qualquer: esse #39 da foto foi conduzido por ninguém menos que Nelson Piquet. O tricampeão mundial de Fórmula 1 dividiu o bólido com o venezuelano Johnny Cecotto e com Danny Sullivan, dos EUA. Eles largaram da 12ª posição do grid e terminaram em oitavo lugar a 30 voltas do TWR-Porsche guiado por Davy Jones/Alexander Wurz/Manuel Reuter. Foi a primeira participação de Piquet em Sarthe e ele voltaria à corrida no ano seguinte, quando JJ Lehto bateu com o carro que partilhava com o brasileiro e mais o britânico Steve Soper.

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A McLaren teve sucesso em Le Mans com esse modelo, cuja produção foi descontinuada após o acordo contratual com a Mercedes-Benz na Fórmula 1, contemplando parte da sociedade do time então dirigido por Ron Dennis. Em 1995, com um carro idêntico, mas alinhado pela equipe japonesa Kokusai Kahiatso, JJ Lehto/Masanori Sekiya/Yannick Dalmas venceram aquela corrida, disputada em grande parte com pista molhada.

Vídeos históricos – GP de Mônaco (1996)

RIO DE JANEIRO – O GP de Mônaco de 1996 é inesquecível, para mim, por dois motivos. Primeiro, porque foi no dia 19 de maio, dia do meu 25º aniversário. Segundo, porque a corrida foi sensacional e com direito a um surpreendente vencedor: Olivier Panis.

É como o Flavinho Gomes escreveu à época para o Anuário AutoMotor: quem tivesse teoricamente apostado em Panis, 14º no grid, jogava uma espécie de tudo ou nada. Uma chance em cem que o francês da Ligier vencesse a disputa. E foi exatamente o que aconteceu.

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A volta de Lazier

 

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RIO DE JANEIRO – Campeão das 500 Milhas de Indianápolis em 1996 no carro da foto, um dos mais bonitos, em matéria de pintura, dos últimos anos, Buddy Lazier está de volta para tentar se classificar para a tradicional corrida do oval estadunidense, dezessete anos depois de sua conquista.

O piloto de Vail, no Colorado, agora com 45 anos de idade, terá à disposição um Dallara DW12 com motor Chevrolet num esquema puramente familiar. Com dezesseis participações na Indy 500, ele terá a ajuda do pai Bob Lazier, um veterano do automobilismo, ex-piloto da antiga CART e também da Fórmula 5000.

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Direto do túnel do tempo (77)

eskil-suterRIO DE JANEIRO – Há algum tempo no Mundial de Motovelocidade, a gente vê máquinas inscritas – especialmente na Moto2 e agora na MotoGP com a chegada das CRT – com o nome Suter.

Suter vem de Eskil Suter, ex-piloto suíço hoje com 45 anos nascido em Turbenthal, e que se tornou o maior construtor independente de motos de competição do momento.

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Saudosas pequenas – Minardi, parte VII

RIO DE JANEIRO – Em 1995, completava-se exatos 10 anos desde que a Minardi estreara na Fórmula 1. Mas não havia muito o que comemorar. A equipe sobrevivia com enormes restrições orçamentárias e embora o M195 tenha sido um bonito carro, projeto de Aldo Costa e do seu novo auxiliar Mauro Gennari, não havia dinheiro para desenvolvê-lo.

E nem motor capaz de colocá-lo em situação melhor: o Ford Cosworth ED1, com seus 650 HP de potência, deixava a Minardi na rabeira do pelotão, lutando – como sempre – com a turma que também remava contra a maré: Footwork-Arrows, Pacific, Simtek e a estreante Forti Corse.

Ainda assim, seria normal ver os pilotos titulares do time, o veterano Pierluigi Martini, que caminhava para sua 100ª corrida pela Minardi, e o regressado Luca Badoer, à frente da grande maioria destas escuderias e foi o que aconteceu durante praticamente todo o ano.

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A temporada de 1995 não começou bem, com abandonos no Brasil e na Argentina, apesar de um mais do que razoável 13º de Badoer no grid de Buenos Aires, sob chuva. Em San Marino, finalmente os dois chegaram ao fim de uma corrida, com Martini em 12º e Badoer em décimo-quarto.

Em Mônaco, o veterano Pierluigi quase beliscou um precioso pontinho – foi 7º colocado nas ruas de Monte-Carlo e Badoer seria oitavo no Canadá, justamente onde Martini completou sua 100ª corrida pela equipe. Mas… lembram da história contada no post anterior sobre a Mugen-Honda, a Minardi e Flavio Briatore? Pois é: ainda desgostoso com a situação, Giancarlo Minardi mandou seu compatriota “pro pau”: o tribunal que resolvesse a situação e a justiça não perdoou a Minardi, determinando o arresto dos bens do time.

Como consequência, os caminhões da escuderia italiana foram lacrados no paddock de Magny-Cours, deixando a equipe ‘de castigo’, como se fosse um menino ou uma menina dada a peraltices. Porém, o show tinha que continuar, a Minardi foi ‘perdoada’ e os carros puderam participar dos treinos do GP da França, onde Badoer foi décimo-terceiro e Martini se envolveu numa múltipla colisão após a largada.

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Em Silverstone, mesmo com um carro fraco, Martini quase marcou pontos novamente: chegou em sétimo. E na Alemanha, os dois pilotos da Minardi não chegaram ao fim. Foi aí que, pesaroso, Giancarlo Minardi chegou ao seu “móveis e utensílios” e comunicou que tinha que dar o lugar dele a outro piloto. Após 103 GPs pela equipe e 118 na carreira, Pierluigi Martini dava adeus à Fórmula 1.

Entrou a bordo do #23 o português Pedro Lamy, que sofrera um grave acidente testando pela Lotus um ano antes em Silverstone e trazia alguns patrocinadores pessoais para garantir a sobrevivência da Minardi até o fim do campeonato. Numa pista travada como a de Hungaroring, o M195 saiu-se bem: Badoer chegou em oitavo e Lamy regressou com uma animadora 9ª colocação.

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A partir do GP da Europa, em Nürburgring, os carros da Minardi entraram numa onda de confiabilidade que deixou a equipe animada. Lamy foi 9º colocado na corrida disputada na Alemanha e Badoer repetiu o resultado em Suzuka, no Japão.

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E veio a última corrida do ano, o GP da Austrália, disputado pela última vez nas ruas de Adelaide. A equipe fez uma homenagem à cidade, com um adesivo simpático que dizia “Grazie, Adelaide!” na carenagem do carro, mas Badoer, com problemas eletrônicos, não conseguiu largar. Restou Lamy que, mesmo após uma sequência um tanto quanto constrangedora de rodadas, levou o carro até o final.

O português completou a corrida em 6º lugar, tornou-se o primeiro piloto do país a figurar nos compêndios da Fórmula 1 com um ponto somado e fez a festa da Minardi na Austrália. Com o 10º lugar no Mundial de Construtores, à frente de Forti Corse e Pacific – que fecharia suas portas meses depois – a equipe italiana garantia o transporte gratuito de seus equipamentos para as corridas fora do território europeu. Alívio no apertado orçamento para 1996.

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Tão apertado que Giancarlo Minardi optou por não projetar um novo carro. O M195 ganhou uma versão revisada por Gabriele Tredozi, Mauro Gennari e Mariano Alperin e foi para a pré-temporada, onde Pedro Lamy permaneceu e Luca Badoer, que acabaria na Forti Corse, foi substituído por um jovem de 23 anos chamado Giancarlo Fisichella. O reserva do time era Tarso Marques, que vinha da Fórmula 3000, onde se sagrara o mais jovem vencedor de uma corrida da categoria em Portugal, no ano anterior. Com 20 anos, ele teria a chance de disputar duas corridas, no Brasil e na Argentina.

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A Fórmula 1 mudou o cenário do GP da Austrália, que fechara o campeonato de 1995 em Adelaide e abriu o de 1996 em Melbourne. Lá, Fisichella conseguiu ser mais rápido que Lamy nos treinos em sua corrida de estreia, mas os dois abandonaram a disputa. Em Interlagos, como prometido, Tarso Marques entrou no #21 e, mesmo tendo largado em 21º, era o décimo-quarto no começo da corrida, quando ainda chovia. Por inexperiência, jogou tudo fora ao rodar no fim da primeira volta. Lamy foi décimo.

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Tarso voltaria a impressionar em Buenos Aires, no GP da Argentina. Conseguiu o décimo-quarto tempo entre 22 pilotos e vinha em 12º lugar na 34ª volta, quando se envolveu num incidente com Martin Brundle, então na Jordan, e os dois bateram. O brasileiro não voltaria mais a guiar o M195B, pois foi requisitado pela Bridgestone para fazer os testes de pneus do novo fabricante, que ingressaria na Fórmula 1 em 1997.

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Assim, Fisichella regressou ‘em casa’, no GP de San Marino, onde o motor de seu carro quebrou e Lamy chegou em nono. Uma série de acidentes nas corridas seguintes abateu o moral do time e Fisico conseguiu, apesar da má fase do time, um bom 8º posto no Canadá, o melhor resultado da Minardi em 1996.

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O italiano ficou na equipe até o GP da Inglaterra, em Silverstone, quando a já frequente falta de fundos obrigou Giancarlo Minardi a trazer um pay driver: e veio o horroroso Giovanni Lavaggi, que nada acrescentaria ao time de Faenza a não ser dinheiro. Com a debandada da Forti Corse após os problemas desta escuderia com o Shannon Group, o grid ficou reduzido a 20 carros e invariavelmente a Minardi ocupava a última fila ou as últimas posições, isso quando conseguia superar a Arrows, principalmente a do brasileiro Ricardo Rosset.

Moral da história: em seis corridas que esteve presente, Lavaggi classificou-se em três. Largou de último em todas e foi 10º na Hungria e 15º em Portugal. Lamy se virou como pôde para ser décimo na Bélgica, 12º no Japão e 16º em Portugal. E foi tudo. A Minardi não pontuou pela primeira vez em sua trajetória na Fórmula 1 desde o ano de 1990.

E a sina perseguiria o time nos dois anos seguintes: assunto para o oitavo post da série.