Alboreto

s1_1RIO DE JANEIRO – Dia 25 de abril: 13 anos sem Michele Alboreto.

O italiano testava para a Audi com o protótipo R8 no circuito Eurospeedway em Lausitz, na Alemanha, quando um pneu estourou e provocou um acidente grave. Em decorrência dos ferimentos, Alboreto morreu aos 44 anos de idade.

Campeão das 24 Horas de Le Mans em 1997, 3º colocado nas edições de 1999 e 2000, o italiano disputou 194 corridas de Fórmula 1, com cinco vitórias, duas poles, cinco voltas mais rápidas em prova, 23 pódios e um vice-campeonato de pilotos em 1985.

Versátil, Alboreto andou também de Esporte-Protótipo, DTM e fez também cinco corridas de Fórmula Indy entre 1996 e 1997. Sua última vitória na carreira foi no mesmo ano de sua morte, nas 12 Horas de Sebring. Ele fez parte da profícua safra de pilotos italianos dos anos 70/80. E deixou saudades.

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Saudosas pequenas – Minardi, parte X

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RIO DE JANEIRO – Novos ares à vista para a Minardi no Mundial de Fórmula 1 em 2001. Após um período como parceiro tecnológico da Tyrrell, o australiano Paul Stoddart, proprietário da European Aviation e patrocinador da Arrows na Fórmula 1 e no time júnior que corria a Fórmula 3000, tornou-se sócio de Giancarlo Minardi e assumiu o comando da equipe de Faenza. A equipe passava a se chamar European Minardi.

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Saudosas pequenas – Arrows, parte XIII (final)

iRIO DE JANEIRO – Na temporada de 2001, a Arrows ganhou um reforço inesperado no orçamento do time: a Red Bull, que patrocinava a Sauber, resolveu expor sua marca nos carros do time de Milton Keynes, porque o time helvético decidiu por Kimi Räikkönen em detrimento de Enrique Bernoldi, que acabaria estreando no time de Tom Walkinshaw ao lado de Jos Verstappen.

“A Red Bull já tinha planos de ter uma equipe própria na Fórmula 1 e o episódio do teste em Mugello, onde fui preterido pelo Räikkönen foi a gota d’água para o acordo com a Arrows”, revelou Bernoldi.

O modelo A22 concebido por Mike Coughlan com assessoria de Robert Taylor recebeu um novo motor: o Asiatech 001 V10, que na verdade nada mais era que o Peugeot anteriormente usado pelo time de Alain Prost. “O motor era muito fraco e para fazermos alguma coisa em classificação e corrida, andávamos praticamente sem pressão aerodinâmica alguma, para compensar a perda de potência e velocidade”, comentou Bernoldi.

Apesar de ser menos experiente que Verstappen, logo em sua terceira corrida na Fórmula 1, o GP do Brasil, Bernoldi foi mais veloz que o holandês em qualificação – sem esquecer, contudo, que Verstappen fora o sétimo na Malásia, debaixo de chuva. O brasileiro conseguiu terminar sua primeira corrida com um 10º lugar em San Marino e o holandês salvou um ponto na Áustria.

Aí veio o GP de Mônaco…

i (1)Vigésimo no grid, com Verstappen em 19º, Bernoldi fez seu trabalho – e bem – na pista de rua do Principado. Largou melhor que Verstappen, embora tenha sido logo superado pelo holandês. Na altura da oitava volta, o brasileiro começou a ver nos seus retrovisores… uma McLaren.

Não, Bernoldi não era retardatário. Era David Coulthard, o pole position, que deixara o motor de seu carro apagar na abertura da volta de apresentação e foi obrigado a sair de último. Sem sucesso, o escocês tentou superar Bernoldi e, por 34 voltas, ficou grudado na traseira da Arrows do brasileiro. Só conseguiu ganhar a posição na 43ª passagem, quando Enrique fez seu pit stop para reabastecimento e troca de pneus. Coulthard ainda conseguiu ser quinto e Bernoldi, que não tinha nem direção hidráulica na Arrows A22, chegou em nono.

Ao fim da corrida, após deixar o carro no parque fechado, Bernoldi viveu uma das experiências mais marcantes de sua carreira de piloto. Ninguém menos que Ron Dennis, antigo chefe de equipe de Ayrton Senna, a grande referência de Enrique no automobilismo, veio inquiri-lo.

“O que você estava fazendo?”

“Correndo”, respondeu Bernoldi.

“Não, você não estava correndo. O que você fez com meu piloto foi um absurdo. Tente fazer o mesmo na próxima e eu acabo com sua carreira”, ameaçou Ron.

Interessante: Coulthard, o principal interessado em ganhar a posição de Bernoldi, nem veio conversar com o piloto da Arrows. “Duvido que ele tivesse coragem de falar algo”, garante o brasileiro. “Faria tudo de novo, se fosse preciso e ainda responderia o Ron Dennis”, completou Bernoldi.

arrows_A22_manu-01_05Não se sabe se Walkinshaw depois conversaria com Dennis para pôr panos quentes, mas o certo é que a Arrows tinha seus próprios problemas internos para se preocupar com o episódio de Mônaco para o resto do ano.  Apesar da pouca potência do motor e da falta de velocidade, Bernoldi e Verstappen ainda conseguiam alguns resultados honestos. O brasileiro foi 8º colocado no GP da Alemanha, seu melhor desempenho na temporada.

Mas o clima na equipe era animoso, totalmente por culpa do temperamento irascível de Verstappen, que queria “mandar” na equipe, mesmo levando ferro de Bernoldi em dez das 17 corridas da temporada de 2001 em qualificação. Um entrevero entre os dois pilotos no GP do Japão, quando brigavam pelo 13º lugar com a BAR de Olivier Panis foi a gota d’água. Walkinshaw resolveu demitir Verstappen e manteve Bernoldi para o Mundial de 2002.

2002-Arrows-A23-F1-Image-08Aí o dono da equipe mostrou sua pior faceta, aquela que fez muita gente chamá-lo pelo jocoso apelido de Walkinshark: a equipe inciou os testes de pré-temporada com o novo A23, projeto de Mike Coughlan, Sergio Rinland e Niccolò Petrucci, sem patrocinadores e somente com Bernoldi confirmado para 2002. Verstappen, que não sabia das segundas intenções de Walkinshaw, aguardava pelo chamado do dirigente, que surpreendeu ao contratar Heinz-Harald Frentzen para o lugar do holandês.

arrows-a23-monacoAs relações entre Jos e a Arrows azedaram de vez quando no GP da Austrália os dois carros da equipe foram desclassificados e ele, por SMS, chamou todos do time de “palhaços”. Apesar das dificuldades, o desempenho do carro, equipado com o motor Cosworth CR-3, melhorou. Frentzen conseguiu um excelente 6º posto no GP da Espanha e repetiu o resultado em Mônaco. Bernoldi, em contrapartida, só conseguiria a 10ª posição no GP da Europa, em Nürburgring.

bernoldi_esp2002_arrowsA23_21_miguelcostajr_9Àquela altura do campeonato, a situação financeira da Arrows era ruinosa e Walkinshaw, embora contasse com os mesmos patrocinadores do ano anterior, não tinha como pagar pelos motores Cosworth. A equipe viajou para a França e os pilotos receberam a ordem expressa de não se classificar de propósito. O “objetivo” foi alcançado. Frentzen virou em 1’18″497 e Bernoldi em 1’19″843. O tempo máximo era 1’17″024 e Montoya, o pole position, marcou 1’11″985. A Arrows não participou da corrida onde Michael Schumacher, com a maior antecedência da história, igualou Juan Manuel Fangio e chegou ao seu quinto título mundial.

Em Hockenheim, na corrida seguinte, a Arrows apareceu na pista pela última vez. Frentzen qualificou-se em 15º no grid e Bernoldi em 18º. Ambos abandonaram com problemas mecânicos. Foi a gota d’água: a Arrows, sem condição até de pagar por luvas novas a Bernoldi, não conseguiu mais honrar seus compromissos e, embora tenha viajado até o circuito de Spa-Francorchamps para a disputa do GP da Bélgica, não houve possibilidade do time britânico competir.

A Arrows e um humilhado Walkinshaw, que não conseguiu alcançar na Fórmula 1 um décimo do sucesso que teve noutras categorias, saíram de cena. Foram 382 GPs disputados entre 1978 e 2002, sem nenhuma vitória, uma pole position e cinco segundos lugares, num total de nove pódios, como melhor resultado. A equipe somou 167 pontos em sua trajetória, liderando um total de 127 voltas.

Tom Walkinshaw passou da F-1 ao preparo dos carros Holden do V8 Supercars da Austrália. Diagnosticado com câncer, o escocês morreu em 12 de dezembro de 2010, aos 64 anos. As instalações do Centro Tecnológico de Leafield, para onde ele levara sua antiga equipe de Fórmula 1, voltaram a ser utilizadas pela Super Aguri, que fez sua estreia usando o obsoleto A23 como seu primeiro carro na categoria.

Mas isso é assunto para a trajetória da Super Aguri, que vocês conhecerão em breve…