Legado

RIO DE JANEIRO – O xará Rodrigo Borges fez uma excelente análise do quanto a morte de Ayrton Senna mexeu – mal – com o automobilismo brasileiro. No blog Esporte fino, ele elencou 20 fatos do esporte ocorridos após 1994. Garanto que muitos deles realmente são consequência do fatídico 1º de maio.

Quer conferir? Então clique aqui e leia.

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Obrigado, Luciano do Valle

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RIO DE JANEIRO – Quem ama o esporte de uma maneira geral, como eu ou muitos dos leitores deste blog está, sem dúvida, muito triste. Morreu neste sábado, aos 66 anos de idade (e não 70, como anteriormente havia escrito), o locutor esportivo Luciano do Valle. Ele viajava para Uberlândia, no Triângulo Mineiro, para trabalhar numa partida da 1ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro, passou mal no voo e não resistiu a um mal súbito, vindo a falecer às 16h15 no Hospital Santa Genoveva.

Na opinião deste blogueiro, Luciano foi o narrador mais completo da história da televisão brasileira. Ele não se limitava ao futebol, apenas e tão somente, como vários da atualidade. Era polivalente. E brilhante, em várias modalidades. Do boxe ao tênis, da Fórmula 1 ao judô, ele fazia de tudo. E bem-feito.

Digo isso sem medo de errar porque, felizmente, eu presenciei o auge da carreira do Luciano. Diria que no intervalo compreendido entre a Copa de 1982 e o início da década passada, o homem voava. E voou alto, em ares onde nenhum outro jornalista jamais ousou sobrevoar. Ao deixar a Rede Globo, pedindo demissão após a Copa do Mundo de 1982 e desafiar o poderio de sua antiga casa, introduzindo ao público brasileiro o vôlei ao vivo, trouxe na tela da Record, emissora pela qual passou ainda naquele ano, a ousadia de um Brasil x URSS sob chuva no Maracanã lotado por 95 mil pessoas para ver a formidável geração que tinha Zaitsev e Savin jogar contra Renan, Willian, Montanaro, Amauri e outros grandes nomes do esporte no país. E os russos perderam. E Luciano, de um dia para o outro, se tornou o dínamo do esporte na televisão brasileira.

Em 1984, na Bandeirantes, casa em que trabalhou até o fim da vida (com um pequeno hiato entre 2003 e 2006, quando voltou à Record), revolucionou o conceito de esporte na telinha. Introduziu o lendário Show do Esporte e fez história, não só com o programa, de mais de oito horas initerruptas nas tardes/noites de domingo, como também foi capaz de trazer ao nosso dia-a-dia, modalidades que nunca tinham tido projeção.

Luciano foi um pioneiro, a ponto de fazer a sinuca, dos malandros da Lapa e dos bares pouco frequentáveis, um esporte para se assistir, torcer e vibrar. Não há quem não conheça Rui Chapéu e se lembre de Carne Frita, Praça e Roberto Carlos graças a ele. No boxe, por suas mãos, vieram Chiquinho de Jesus, Luciano “Todo Duro” e Adílson “Maguila” Rodrigues. Vimos lutas lendárias de Sugar Ray Leonard com sua personalíssima voz. E presenciamos o surgimento de um fenômeno que massacrava adversários em menos de três minutos: Mike Tyson.

Não paro por aqui, não. O Luciano foi o primeiro a narrar NBA na televisão brasileira – e na TV aberta! Desfilou sua competência ao lado de Edvar Simões, narrando a histórica final entre Lakers e Boston em 1987, que me fez apaixonar de imediato pelo Showtime de Byron Scott, James Worthy, AC Green, Earvin ‘Magic’ Johnson e Kareem Abdul-Jabbar. Virei um torcedor devotado dos Lakers de Los Angeles, e o culpado disso foi o Luciano. A NFL também ganhou espaço na Band graças a ele, que narrou um Superbowl com o Washington Redskins campeão.

Pensa que acabou? Calma, gente… tem mais, muito mais: como é que todos nós conhecemos a Fórmula Indy? Claro, pela voz do Luciano do Valle. Voz de narrações épicas das vitórias de Emerson Fittipaldi nas 500 Milhas de Indianápolis e o título de 1989. Afora outros triunfos fantásticos dos nomes que sucederam o grande Rato. Ele também pode – e deve – ter o mérito de fazer de Paula e Hortência mitos do basquete, assim como Oscar Schmidt. Quem há de esquecer das narrações do Mundial de 1994, histórica conquista das meninas? Ou então do épico jogo do Pan de Indianápolis, Oscar comendo a bola e deixando os ianques atônitos diante de uma vitória inesquecível?

E não podia faltar o futebol: o Luciano criou a seleção de Masters, trouxe para os holofotes do presente (isso nos anos 80/90) velhos ídolos de um passado nem tão distante, mas que um país sem memória feito o nosso trata de enterrar na vala do esquecimento sem a maior piedade. Voltamos a vibrar com a “Patada Atômica” do Rivellino, os gols de Cláudio Adão, os lançamentos de Mário Sérgio, a bomba de Nelinho, a graça de Cafuringa… vimos Zico e Pelé ainda mostrando classe infinita. Tudo graças ao Luciano Do Valle, que não só ousou com o projeto como se tornou treinador dessa turma toda!

O esporte deve muito a ele. Com desprendimento, ousadia e personalidade, Luciano do Valle deixou a sua marca na televisão e em diversas modalidades. Fez, sozinho, muito mais do que muitos dirigentes de cargos bem-remunerados, que prometem e nada fazem.

Luciano completou 50 anos de carreira ano passado e se preparava para trabalhar em mais uma Copa do Mundo, se não me engano seria a 11ª dele como profissional de televisão – errei nas contas: ele caminhava para a 12ª. O homem de uma carreira tão longeva, tão bem-sucedida, mas que vinha prejudicada por seguidos problemas de saúde, não pensava em parar.

O esporte foi a vida desse homem. Do começo, ao fim.

É um sábado muito triste. Mesmo eu, que jamais tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, feito muitos colegas de profissão que tiveram a chance, fico arrasado.

Obrigado, Luciano do Valle. Obrigado por tudo. Só nos resta lhe pagar tributo, relembrando suas narrações que, felizmente, serão eternas.

Abaixo, alguns vídeos em homenagem a esse grande profissional da televisão e do jornalismo esportivo brasileiro.

Programa Bola da Vez, ESPN Brasil, em 24 de setembro de 2013

Antológica narração de um gol de Zico no Mundão do Arruda, numa partida entre Brasil x Iugoslávia, 1986

Copa América de 1979, num Maracanã lotado: Brasil x Argentina, com Maradona em campo

5 de julho de 1982: o dia da última narração de Luciano Do Valle pela Globo. O que ele faz no gol de Falcão arrepia, até hoje

Outro momento épico: 500 Milhas de Indianápolis, 1989. Vitória de Emerson Fittipaldi. Narração histórica do Luciano

A última corrida de Fórmula 1 que Luciano Do Valle narrou ao vivo na Globo. Título de Nelson Piquet no GP dos EUA, 17 de outubro de 1981. Inesquecível!

A voz emocionante e emocionada de um momento histórico: Brasil campeão mundial feminino de Basquete, em 1994. Auge da geração de Paula e Hortência

No Grande Prêmio

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RIO DE JANEIRO – Amigos leitores do blog, é com grande alegria que informo a todos o seguinte: a partir deste domingo, 16 de março, assino uma coluna semanal para o site Grande Prêmio, do companheiro de trabalho Flavio Gomes e sua equipe, capitaneada pelo Victor Martins.

É o tipo de convite que não se pode recusar e junto-me a essa turma para somar e agregar mais conteúdo aos leitores do site, que é um dos mais visitados do país no quesito automobilismo.

O texto de apresentação da novidade no facebook me chama de crítico e incisivo. Que bom. Talvez falte mesmo um pouco de voz crítica no jornalismo esportivo e automobilístico e também que umas verdades sejam ditas, mesmo que alguns egos sejam retalhados pelo caminho.

Sintomático também que isto aconteça perto do que seria o aniversário de uma figura que muito me encaminhou para o que me tornei como jornalista. Ao cara que me mostrou o que é Fórmula 1, o que é automobilismo, comprando torrentes de exemplares de Quatro Rodas e Auto Esporte, nos bons tempos de ambas as revistas, o meu sincero e eterno agradecimento.

Pai, muito obrigado por tudo! Onde você estiver, tenho certeza que está feliz.

Passou rápido

RIO DE JANEIRO – Peço perdão ao amigo e colega de Fox Sports Flavio Gomes por ser tão pouco criativo. É que o momento não requer isso e sim a lembrança saudosa de quem marcou a história do automobilismo brasileiro e mundial.

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Neste 11 de março, completou-se exatamente um ano da morte do “Barão” Wilson Fittipaldi. O homem que foi pioneiro das narrações no rádio, promotor das Mil Milhas Brasileiras e pai de dois pilotos igualmente pioneiros não só no Brasil como também na Fórmula 1, como únicos construtores da categoria máxima na história da América do Sul, esteja onde estiver, deve estar muito triste com os rumos que o esporte vem tomando por aqui.

E assim como o FG, deixo aqui o link do blog de efemérides do Fernando Figueiredo Mello, que este blogueiro passa a seguir a partir de agora.

Um ano… passou rápido. Até demais.

Torcemos mais

bc275eac848e11e3855a121439699858_8RIO DE JANEIRO – Dia 24 de janeiro de 2014, uma data importante: está no ar o Fox Sports 2. Menos de dois anos após a estreia do primeiro canal, começa o segundo. Uma nova história, novos colegas, mais esportes e, ao que parece, mais automobilismo.

Ontem, essa turma toda se reuniu para gravar um especial sobre o Rali Dakar. Não preciso fazer apresentações, porque acho que todos os que acompanham o canal sabem quem somos. Porém, aproveito a oportunidade para saudar a chegada do Flavio Gomes, que vai trabalhar em São Paulo e, eventualmente, deve pintar aqui no Rio de Janeiro.

Na última década, sempre fiquei com aquela impressão de que um dia eu ia trabalhar com o FG, fosse qual fosse o meio de comunicação. Quis o destino – e também a nossa competência, sem nenhuma falsa modéstia nisso – que eu chegasse à minha nova casa de trabalho em maio do ano passado e agora quem estreia é o Flavio.

Ganham os telespectadores e ganhamos todos nós no canal. O FG, para usar uma expressão recente e infame, agrega conteúdo ao Fox Sports.

E aguardem, porque o Fox Sports 2 estará brevemente em todas as operadoras. Essa negociação não é fácil e não nos cabe dar opinião a respeito. A nossa parte, tenham certeza, vamos fazer e bem-feito.

Torcemos juntos. Torcemos mais.

Parabéns aos envolvidos

912550_10201106392170427_373689555_nRIO DE JANEIRO – Como costuma dizer o mequetrefe do Victor Martins em seu blog, é a várzea sobre rodas atacando novamente por estas plagas. A matéria publicada n’O Globo em sua edição do último sábado expõe mais uma ferida do automobilismo brasileiro, em que a CBA e a prefeitura de Ribeirão Preto estão envolvidas numa denúncia de desvio de verbas. Foram repassados R$ 7 milhões, via Ministério do Turismo, para a promoção de cinco corridas de Stock Car naquela cidade do interior paulista. Só que, ao que se sabe, a prestação de contas foi rejeitada.

Além de mais um escândalo, é claro que a matéria aproveitou para mexer com mais outra ferida: a da “construção” do “novo” Autódromo do Rio de Janeiro, sucessor do Autódromo de Jacarepaguá, que até agora é conto de fadas. Ampliem a imagem acima e saberão que teoricamente a obra para a “nova” pista custará R$ 300 milhões. No país dos superfaturamentos, podem ter certeza que esse valor, caso a obra seja feita um dia, vai ser muito mais do que isso.

E o presidente da CBA é o mesmo que disse noutra matéria não saber ao certo se a Fórmula 1 é a melhor opção para os pilotos do país. Pode não ser a melhor, mas ainda é uma das mais importantes.

Parabéns aos envolvidos.