Salut, Gilles

image1RIO DE JANEIRO – Lá se vão 32 anos desde o sábado, 8 de maio de 1982. Nesse dia, morreu o canadense Gilles Villeneuve, ídolo de toda uma geração que acompanhava automobilismo. Foi a primeira vez que chorei com a morte de um piloto – porque eu era fã do canadense – e não fui o único: meu pai, que estivera comigo no GP do Brasil em Jacarepaguá, naquele ano, não conseguiu conter as lágrimas de tristeza.

Em 2012, quando completou-se 30 anos da perda monumental, publiquei no meu ex-blog algumas frases ditas por ele e por outros sobre Gilles Villeneuve, que tomo a liberdade de republicar hoje, aqui e agora.

“O meu cheiro preferido é o da borracha queimada.”
(Gilles Villeneuve)

“Foi o piloto mais maluco que a Fórmula 1 já viu.”
(Niki Lauda)

“Saí da pista muitas vezes, mas me diverti muito.”
(Gilles Villeneuve)

“Ele era maluco, mas era um fenômeno. Conseguia fazer coisas que eram inalcançáveis para os demais.”
(Nelson Piquet)

“A minha estratégia? É andar o mais rápido possível o tempo todo.”
(Gilles Villeneuve)

“Penso que temos em Gilles um piloto maravilhoso.”
(Enzo Ferrari)

“Ele sempre arriscou mais do que qualquer outro piloto. Foi assim que construiu sua carreira.”
(Eddie Cheever Jr.)

“O homem é uma ameaça pública.”
(Ronnie Peterson)

“Enquanto eu queria me manter vivo, Gilles queria ser o mais rápido sempre – mesmo nos testes.”
(Jody Scheckter)

“O comendador, em pessoa, me telefonou e perguntou: ‘Você está pronto para guiar para nós?’ E eu respondi: ‘É claro que estou’”
(Gilles Villeneuve)

“Gilles foi o homem mais genuíno que conheci.”
(Jody Scheckter)

“Não se esqueçam que Nuvolari ganhou uma corrida só com três rodas.”
(Enzo Ferrari)

“Disse para mim mesmo: ‘Este é o Scheckter, este é o Andretti e eu consigo andar com eles.’ Fiquei muito satisfeito.”
(Gilles Villeneuve)

“Estava à espera de que uma Renault pudesse aparecer durante a largada, mas do nada veio uma Ferrari. Fui pego de surpresa e pensei: ‘De onde raios veio Villeneuve?’”
(Alan Jones)

“Ele é diferente de nós.”
(Jacques Laffite)

“Conheci apenas um piloto com a mesma capacidade que Villeneuve demonstrava ao controlar um carro: Jim Clark.”
(Chris Amon)

“Somente duas pessoas poderiam ter feito aquilo – Villeneuve e eu. Para mim, aquilo é a melhor memória de Gilles. Ele era uma ótima pessoa tanto fora, quanto dentro da pista. Gostava dele porque era natural. Ele era muito popular porque dizia exatamente o que estava na sua cabeça. Aquilo era muito importante para mim.”
(René Arnoux)

“Não penso em morrer. Mas aceito o fato de que a morte faz parte do jogo.”
(Gilles Villeneuve)

“Pensei que ele talvez fosse um pouco maluco.”
(Joanna Villeneuve)

Toyota domina e vence mais uma no FIA WEC

Spa-WEC-Victory-2-for-Toyota-Michelin_articlethumbnail

RIO DE JANEIRO – Aos que tinham dúvidas acerca do potencial do TS040 Hybrid da Toyota, principalmente depois do Prólogo em Paul Ricard – quando o desempenho dos dois protótipos foi muito questionado, pela diferença em relação às rivais, os japoneses vieram não só com a resposta da vitória das 6 Horas de Silverstone como também repetiram a dose neste sábado. Mais uma vez, a trinca do carro #8 guiado por Sébastien Buemi/Nicolas Lapierre/Anthony Davidson chegou na frente, fazendo a tripulação disparar na liderança do Mundial de Pilotos da classe LMP1 com 50 pontos. E tudo isso antes das 24 Horas de Le Mans, que dão pontuação dobrada para os vitoriosos.

Spa-WEC-Race-number-stories_articlethumbnail

O triunfo enfático da Toyota, segundo consecutivo em 2014, coloca uma enorme pulga atrás da orelha dos germânicos. Audi e Porsche vão juntar os cacos e dimensionar o tamanho da sova que levaram na pista. A turma de Stuttgart até que mostrou serviço e o #14 de Romain Dumas/Marc Lieb/Neel Jani liderou a corrida partindo da pole, por um bom período. Após alguns problemas técnicos, perderam uma volta e acabaram na 4ª posição. Já a corrida do #20 foi muito mais atribulada, cheia de percalços, desde o início. Primeiro tiveram problemas com a suspensão e depois, várias falhas mecânicas. Acabaram em 23º lugar, vinte e três voltas atrasados.

Novamente a Audi tornou-se a maior derrotada no início do FIA WEC. Fica claro que a mudança de regulamento foi um tiro no pé da turma de Ingolstadt e a opção pela categoria 2MJ na Equivalência de Tecnologia é um retrocesso de desempenho dos R18 e-tron quattro. Mesmo assim, o Audi #1 fez uma boa corrida dentro das limitações do protótipo e o brasileiro Lucas Di Grassi salvou um importante 2º lugar, ao lado dos parceiros Tom Kristensen e Loïc Duval.

O carro #2 de Marcel Fässler/Bénoit Tréluyer/Andre Lotterer também não foi páreo na briga pela vitória, encerrando a disputa em 5º lugar, à frente do R18 e-tron quattro longtail de Filipe Albuquerque/Marco Bonanomi. Mau sinal? Cedo para dizer. Le Mans é território Audi nos últimos anos e não se pode dizer que os “quatrargólicos”, para usar uma expressão comum no blog do Flavinho Gomes, são carta fora do baralho.

A Rebellion Racing usou a prova de Spa como teste dinâmico do novo R-One. O carro parece ter potencial, mas precisa de desenvolvimento. Cinco dias de testes não representaram nada: o carro ganhou muita quilometragem neste fim de semana e, mesmo com 10 voltas de atraso, o #12 de Nick Heidfeld/Mathias Beche/Nicolas Prost completou a prova na sétima colocação. O #13 teve um sem fim de problemas e foi o único carro que abandonou a disputa na Bélgica.

2014-6-Heures-de-Spa-Francorchamps-WEC-Adreanal-GT3-1041_hd

Na LMP2, a KCMG começou bem e na frente, mas o protótipo Oreca Nissan do time de Hong Kong foi perdendo terreno no correr da disputa e a vitória, pela segunda prova consecutiva, foi do #26 de Roman Rusinov/Julien Canal/Olivier Pla, que também disparam na liderança do campeonato com duas vitórias e os mesmos 50 pontos da turma da Toyota na LMP1. Em segundo ficou o trio da Jota Sport, com Marc Gené/Simon Dolan/Harry Tincknell, seguidos por Richard Bradley/Matthew Howson/Alexandre Imperatori. A SMP Racing ficou longe da briga pelo pódio: o carro #27 de Nicolas Minassian/Sergey Zlobin/Maurizio Mediani, inclusive, pagou um stop & go por queima de largada e não conseguiu mais se recuperar.

2014-6-Heures-de-Spa-Francorchamps-WEC-adrenal-jr7-9888_hd

Como sempre, na LMGTE-PRO as brigas por posição garantiram a emoção ao longo das 6 horas de disputa. Os Aston Martin Vantage começaram fortes e em dado momento, chegaram à dobradinha, com Stefan Mücke e o brasileiro Fernando Rees andando muito. Porém, prevaleceu a maior coesão da dupla da AF Corse no carro #51: vitória de Toni Vilander/Gimmi Bruni, seguidos por Patrick Pilet/Jörg Bergmeister, que conquistaram o segundo lugar após uma luta sensacional com a outra Ferrari do time italiano, guiada pela dupla James Calado/Davide Rigon.

O carro #97 de Bruno Senna/Darren Turner/Stefan Mücke completou em quarto, seguido por Fernando Rees/Alex MacDowall/Darryl O’Young, num bom fim de semana da tripulação do #99.

2014-6-Heures-de-Spa-Francorchamps-WEC-Adrenal-DSC-0037.JPG_hd

A disputa na LMGTE-AM foi menos intensa e a vitória também pertenceu aos italianos da AF Corse, com a Ferrari de Mirko Venturi/Marco Cioci/Luis Perez-Companc levando a melhor após completar 149 voltas na pista belga. A Aston Martin levou as posições seguintes de pódio com Richie Stanaway/Kristian Poulsen/David Heinemeier-Hänsson e Pedro Lamy/Paul Dalla Lana/Christoffer Nygaard.

Agora é esperar pela cereja do bolo: a edição 2014 das 24 Horas de Le Mans, a 82ª da história da prova francesa. E do jeito que a coisa vai, melhor a Audi pôr de uma vez por todas as barbas de molho. Duvido muito, no entanto, que a Toyota chegue a Sarthe achando que pode “chutar cachorro morto” na França, porque, repito, a prova francesa é território alemão há mais de 10 anos.

FIA WEC: momento histórico em Spa; pole do 919 Hybrid!

img_0383

RIO DE JANEIRO – Um treino simplesmente espetacular para as 6 Horas de Spa-Francorchamps não poderia ter tido um final histórico: a Porsche conquistou a pole position para a 2ª etapa do Campeonato Mundial de Endurance, com largada prevista para este sábado às 9h30, pelo horário de Brasília. O carro #14 guiado por Neel Jani e Marc Lieb (que tem também Romain Dumas a bordo) roubou da Toyota uma pole que parecia certa e fez explodir de alegria os boxes do time de Stuttgart.

Com uma condução impecável, especialmente de Lieb, no chamado “apagar das luzes”, o 919 Hybrid ficou com a posição de honra no treino, cravando a média de voltas em 2’01″198, numa sessão que começou em condições adversas: choveu após o segundo treino livre, a pista ficou úmida e, mesmo com o frio (temperatura perto de 10ºC na pista), os tempos baixaram progressivamente.

img_0287

Em alguns momentos, as imagens mostravam o que, para os mais desavisados, parecia briga por posição numa corrida, tamanha a fome dos pilotos em busca do melhor tempo. E desta vez a Porsche saiu-se melhor, com o #8 partilhado no treino por Sébastien Buemi e Anthony Davidson em 2º lugar – na média, ficaram a 0″638 da pole.

img_9996

A Audi foi mais uma vez derrotada – e foi uma derrota feia: o #2 de Andre Lotterer e Marcel Fässler ficou em terceiro a 1″301 da pole e o #1, que teve o brasileiro Lucas Di Grassi a bordo, não passou da 6ª posição, a 2″683 do melhor tempo. Pior mesmo foi o #3: mesmo com o kit de aerodinâmica de Le Mans, na versão longtail, o carro de Marco Bonanomi/Filipe Albuquerque ficou apenas em sétimo lugar.

img_0634

Como previsto, os dois Rebellion R-One estiveram longe de ser competitivos: o #12 foi o único que efetivamente marcou tempo na qualificação e o carro guiado primeiro por Mathias Beche e depois por Nicolas Prost ficou a longos 13″736 da pole. O #13 quase não treinou: cheio de problemas desde o primeiro treino livre, Dominik Kraihamer ficou sem completar uma única volta. Vão largar no fim do pelotão, junto com o #37 da SMP Racing, vítima de uma batida na segunda sessão.

img_0235

Aliás, entre os LMP2, uma surpresa: a KCMG Racing fez um ótimo trabalho graças a Richard Bradley e Matt Howson, desbancando o #27 da SMP Racing conduzido por Nicolas Minassian e Maurizio Mediani e o Morgan #26 da G-Drive Racing vencedor das 6 Horas de Silverstone. Pole e 8º posto geral para a equipe de Hong Kong, portanto.

Nas classes LMGTE, domínio da AF Corse: os italianos ficaram com a pole não só na LMGTE-PRO como também na LMGTE-AM. Nesta última, Mirko Venturi e Marco Cioci conseguiram superar o Porsche da Prospeed Competition, equipe da casa e que tem um ótimo acerto para a pista. Aliás, destaque para o jovem (19 anos) Mathieu Vaxivière, muito bem a bordo do carro #75.

img_0458

Na divisão principal, Gimmi Bruni/Toni Vilander marcaram a média de voltas em 2’32″338, 0″167 abaixo do Aston Martin #97 partilhado por Stefan Mücke e Darren Turner na qualificação. Esse será o carro em que Bruno Senna vai participar da prova belga. O Porsche #92 de Fréderic Makowiecki/Marco Holzer ficou em terceiro. Já o Aston #99 de Fernando Rees/Darryl O’Young/Alex MacDowall foi razoavelmente bem, com a quinta posição no grupo e a 17ª média geral – 2’33″070.

img_0373

A AF Corse, que tem três Ferrari inscritas na LMGTE-AM e ainda dá assistência ao carro da 8Star Motorsports, ainda abiscoitou o 3º posto na divisão com Michele Rugolo e Andrea Bertolini no #81. O #90 de Enzo Potolicchio e Paolo Ruberti foi o quinto e a seguir veio o #60 de Lorenzo Casé e Raffaele Gianmaria, mais rápido que os dois Aston Martin que fecharam a raia nesta classe.

 Vale a dica: o site do FIA WEC – link aqui ao lado, no blog – transmite a corrida em live streaming ao vivo e na íntegra. Embora o acesso esteja sendo cobrado (€ 19.99 pela temporada completa, exceto Le Mans e € 4.99 corrida por corrida, exceto Le Mans também) a partir deste ano, basta ao usuário cadastrar nome, e-mail e senha, não concluir a transação, abrir uma nova janela (members.fiawec.com) e voilà: a transmissão se materializa. O narrador é o sempre excelente John Hindnaugh, com os comentários de Nick Daman.

Nigel Stepney (1958-2014)

Stepney-nigel

RIO DE JANEIRO – Morreu nesta sexta-feira, aos 56 anos, num acidente rodoviário nas cercanias de Kent, na Grã-Bretanha, um dos principais protagonistas de um dos maiores escândalos contemporâneos do automobilismo: Nigel Stepney.

Mecânico de longa carreira no esporte, tendo trabalhado na Shadow, Lotus e Benetton, ficou por um longo tempo na Ferrari, onde tornou-se primeiro chefe de mecânicos e depois engenheiro da escuderia de Maranello.

Em 2007, Stepney foi o pivô de uma controversa troca de informações entre ele e o colega britânico Mike Coughlan, na época na McLaren. Foi um dos casos mais rumorosos, talvez o mais rumoroso, de espionagem no automobilismo, do qual tinham conhecimento os pilotos Pedro de la Rosa e Fernando Alonso, que na época defendiam a equipe de Ron Dennis. A escuderia foi, inclusive, eliminada do Mundial de Construtores daquele ano e levou uma multa de US$ 100 milhões, a maior já aplicada na Fórmula 1.

Com a credibilidade abalada pelo episódio, Stepney foi “saído” da Ferrari e depois juntou-se à escuderia JRM do amigo James Rumsey, para trabalhar no FIA GT e cuidar dos Nissan GT-R da equipe e posteriormente no WEC, como o engenheiro-chefe do protótipo HPD ARX-03c que a equipe alinhou no campeonato do ano retrasado.

Stepney chegou a ser condenado, há quatro anos, por sabotagem e pelo vazamento de dados confidenciais da Ferrari à McLaren. Sua pena foi de um ano e oito meses. Cumpriu-a em liberdade, além de pagar uma multa de € 600 à época.

Chuva e dobradinha da Toyota na abertura do WEC

RIO DE JANEIRO – A chuva deu o ar de sua graça nas 6 Horas de Silverstone, prova inaugural do Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC). Misturada à temperatura baixa, ela provocou uma reviravolta nas disputas que prometiam muito – e acabaram não acontecendo como todos nós gostaríamos de ver. E foi a água que caía em proporções bíblicas no correr da tarde inglesa que fez interromper a disputa antes do seu final.

toyota8

Para a Toyota, isto pouco importou. O construtor japonês conquistou uma vitória importante, para marcar território. É uma pequena amostra do quanto não será fácil a vida de Audi e Porsche e foi um triunfo que justificou o investimento: vitória em dobradinha, cabendo o primeiro posto ao novo Toyota TS040 Hybrid guiado por Anthony Davidson/Nicolas Lapierre/Sébastien Buemi e o segundo ao carro de Alex Wurz/Kazuki Nakajima/Stéphane Sarrazin.

Presente em Silverstone durante todo o fim de semana, o mau tempo foi o responsável direto pelos desígnios da sorte – e do azar – dos japoneses e das rivais Audi e Porsche na classe LMP1. O brasileiro Lucas Di Grassi, escalado para o primeiro turno no Audi #1 junto aos campeões mundiais Loïc Duval e Tom Kristensen, pareceu nervoso no começo. Depois de cometer alguns pequenos erros, o piloto se acalmou e vinha razoavelmente bem até a 24ª volta.

s1_1 (12)

Naquela altura, já chovia em vários pontos do traçado e a pista, com quase 6 km de extensão, fica traiçoeira. A Audi sabia disto e o piloto também. O erro de avaliação das condições do asfalto custou caro: Di Grassi perdeu o controle após o protótipo entrar em aquaplaning e bateu forte numa barreira de proteção, danificando toda a seção dianteira do R18 e-tron quattro.

A muito custo, Lucas levou o carro aos boxes, mas os mecânicos e engenheiros constataram um dano irremediável no monocoque, que inclusive poderá acarretar na troca do chassi para a próxima prova, as 6 Horas de Spa-Francorchamps, que se realizam em menos de duas semanas. Fim prematuro de corrida para o #1.

O dia não era mesmo da Audi pois, mais tarde, o outro R18 da equipe oficial, guiado por Bénoit Tréluyer, também saiu da pista e se chocou com a barreira de proteção. O esforço comovente do francês em regressar para o conserto foi em vão e algo jamais visto no WEC aconteceu. Os bicampeões mundiais de Construtores terminaram uma corrida sem um único ponto marcado.

Entre os LMP1, só a Toyota teve uma corrida livre de contratempos, pois a Porsche também enfrentou os seus. O 919 Hybrid #14 do trio Romain Dumas/Neel Jani/Marc Lieb fez uma longa parada de 16 minutos em decorrência da perda de uma roda e da consequente quebra da suspensão dianteira esquerda e, não obstante, o protótipo do construtor de Stuttgart seria alijado da disputa por um problema hidráulico com a transmissão.

s1_1 (13)

Menos mal que o outro carro, o #20 de Mark Webber/Timo Bernhard/Brendon Hartley teve boa atuação e cumpriu uma boa prova. Foi uma excelente estreia do ex-piloto da Red Bull na Fórmula 1, logo com um pódio numa corrida cheia de percalços.

Os muitos abandonos ajudaram o velho Lola B12/60 Toyota de Nicolas Prost/Nick Heidfeld/Mathias Beche a terminar em quarto lugar. A despedida – agora parece que definitiva – do carro foi bastante honrosa. Já o outro bólido da Rebellion Racing, guiado por Fabio Leimer/Dominik Kraihamer/Andrea Belicchi, ficou pelo caminho.

s1_1 (14)

Na LMP2, a luta pela vitória foi polarizada entre o Morgan da G-Drive Racing guiado por Olivier Pla/Julien Canal/Roman Rusinov e o Oreca da KCMG conduzido por Matthew Howson/Richard Bradley/Tsugio Matsuda. Pla teve, como de hábito, uma prestação fortíssima no início, mas a trinca do time de Hong Kong mostrou qualidades e com Howson a bordo, o carro #47 chegou a liderar com uma volta de vantagem.

Porém, a bandeira amarela e a entrada do Safety Car em decorrência da batida de Tréluyer beneficiaram a tripulação da G-Drive, que descontou a volta perdida e retomou a chance de vitória. Após um pit stop, o Oreca foi punido com um stop & go por excesso de velocidade nos boxes e a situação se resolveu em favor do #26.

A estreia da SMP Racing no WEC foi bastante atribulada. Os dois carros do time russo tiveram vários problemas mecânicos no correr da disputa e o #37 acabou nocauteado com menos de 2h30 de competição. O #27 de Nicolas Minassian/Sergey Zlobin/Maurizio Mediani, mesmo após alguns contratempos, foi até o fim, mesmo nove voltas atrás da trinca vencedora da LMP2.

92win

A LMGTE-PRO assistiu no início a uma luta titânica entre a Ferrari de Gianmaria Bruni/Toni Vilander contra os Porsches do Team Manthey. O carro #51 da AF Corse não resistiu muito tempo e os carros do fabricante alemão dominaram a disputa até o seu final. A vitória foi do trio do #92, formado por Fred Makowiecki/Marco Holzer/Richard Lietz, tendo Nick Tandy/Patrick Pilet/Jörg Bergmeister em segundo.

Após um treino modesto, Darren Turner/Stefan Mücke fizeram uma boa corrida e terminaram em 3º, superando Bruni/Vilander e também Davide Rigon/James Calado, na outra Ferrari da AF Corse. O brasileiro Fernando Rees e seus parceiros Alex MacDowall e Darryl O’Young pelo menos conseguiram concluir a disputa, embora um pouco atrasados em relação aos primeiros colocados. Acabaram em 7º na classe e em 14º na geral, com 144 voltas completadas.

s1_1 (15)

A Aston Martin bisou o triunfo na LMGTE-AM, subclasse na qual vencera ano passado. O #95 de Nicki Thiim/David Heinemeier-Hänsson/Kristian Poulsen faturou a prova em dobradinha com o #98 de Paul Dalla Lana/Pedro Lamy/Christoffer Nygaard. O pódio foi completado por Sam Bird/Steve Wyatt/Michele Rugolo.

 

Tranquilo e sereno

dcd1418ap07

RIO DE JANEIRO – Ninguém incomodou Lewis Hamilton neste domingo de GP da China. O piloto da Mercedes, pole position, fez o seu papel com competência – como, aliás, tem sido desde a Malásia. Por isso, chegou a três vitórias consecutivas em quatro corridas disputadas do Mundial de Fórmula 1, o que o deixa a quatro pontos do líder e companheiro de equipe Nico Rosberg.

Numa vitória em que o domínio do piloto do carro #44 foi tranquilo e sereno, Hamilton consegue igualar as 25 vitórias de Jim Clark e Niki Lauda, tornando-se o único piloto britânico da atualidade com número de triunfos suficiente para inclusive ultrapassar o recorde (de um piloto escocês ou inglês, evidentemente) de 31 vitórias, pertencente a Nigel Mansell desde 1994.

E foi mais fácil do que o previsto, porque Nico Rosberg só assumiu a 2ª posição na 43ª volta, após remar bastante vindo da 6ª posição. Quarto no grid, o alemão largou mal e teve que empreender uma recuperação que pelo menos o mantém na liderança do campeonato – com margem cada vez menor para “Comandante Hamilton”.

O GP da China, aliás, nos deu a certeza que a prova do Bahrein foi um ponto fora da curva da atual temporada, que começa com a imensa maioria de corridas desprovidas de emoção. É verdade que alguns fatos pontuaram este domingo, mas dar uma nota acima de 6 seria muito injusto com a corrida de Xangai.

Um fato foi a ótima atuação de Fernando Alonso. Como eu disse no post sobre o treino, mais uma vez o asturiano fez valer a competência para operar ‘pequenos milagres’ e desta vez ele conseguiu o pódio, o primeiro dele em 2014, que o levou ao 3º lugar no Mundial de Pilotos, bem longe da dupla da Mercedes. Marco Mattiacci, já apelidado de “Mister M” no paddock da Fórmula 1, deve ter gostado do que viu. Homem de poucas palavras, sério e sisudo, é ele quem comandará a equipe num processo de reconstrução da imagem vitoriosa de Maranello. Até Räikkönen mostrou algum espírito de luta e motivação, embora não tenha sido tão brilhante quanto Alonso. O finlandês pontuou com a 8ª colocação.

Outro evento digno de nota foi Daniel Ricciardo à frente de Sebastian Vettel. O “Risada” tem feito a alegria dos que detestam o alemãozinho tetracampeão e hoje foi a vez do atual número #1 da categoria ouvir um “Ricciardo is faster than you” – não com essas letras, é claro, mas vocês entenderam bem o que estou falando. Vettel nem tinha como segurar o ímpeto do companheiro de equipe que, repito, Helmut Marko não vai conseguir domesticar tão cedo.

E houve ainda a patuscada da Williams, errando tudo no primeiro pit stop do Felipe Massa e jogando o brasileiro lá pro fim da fila, em último. Claro que, por conta de um toque na largada com Fernando Alonso, lá foram os teóricos da conspiração começar a dizer que a roda traseira esquerda – que engastalhou na parada – foi a que tocou no carro do espanhol. Nada menos exato, pois o toque é de roda dianteira com roda dianteira. A FIA não considerou o incidente ilícito e segue o parador…

Massa, claro, não gostou do ocorrido nos boxes e, insatisfeito e frustrado, acabou em 15º lugar, bem distante do bravo Valtteri Bottas. Nico Hülkenberg, que começa muito bem a temporada com a Force India, terminou em sexto.

Aliás, no duelo doméstico, o alemão enquadrou mais uma vez o mexicano Sergio Perez, 9º na China, após levar um “couro” firme do parceiro de time no Bahrein. Daniil Kvyat pontuou pela terceira vez em quatro provas e já igualou Jean-Eric Vergne em pontos no Mundial.

Medíocre, mesmo, foi a McLaren. Totalmente perdida, a equipe de Ron Dennis ficou em branco de novo. O bom começo na Austrália, pelo visto, foi ilusão. Já são duas corridas seguidas fora dos pontos e a equipe volta a figurar em quinto no Mundial de Construtores, com menos pontos que a Force India, acredite quem quiser.

Agora a Fórmula 1 (graças a Deus) dá um tempo nas corridas de madrugada e volta ao horário “normal” das manhãs de domingo. No próximo dia 11, vai começar a fase europeia com o GP da Espanha, em Barcelona. E fica a pergunta: existirá alguém capaz de incomodar a supremacia da Mercedes?

Cartas para a redação.

Comandante Hamilton

4432820140419090858

RIO DE JANEIRO – Em pista seca, úmida ou molhada, ainda não tem para ninguém na Fórmula 1 em 2014. A Mercedes segue absoluta nas primeiras provas da temporada e em qualificação, todas as provas tiveram um carro prateado na pole position. Num chuvoso treino para o GP da China, em Xangai, na nossa madrugada de sábado, Lewis Hamilton mostrou que vive excelente momento e se tornou o britânico com o maior número de pole positions da história da categoria.

Dominante no Q3, o piloto do carro #44 conquistou a terceira posição de honra dele em quatro provas, a segunda em condições adversas. Lewis cravou 1’53″860 na fase decisiva do treino classificatório e foi muito superior à concorrência. E surrou Nico Rosberg, mais uma vez, no duelo interno de qualificação. Placar: 3 x 1 pró-Comandante Hamilton.

A surpresa é que, desta vez, LH não terá o alemão como parceiro de primeira fila. A honra cabe a Daniel Ricciardo e, volto a repetir o que disse a um leitor do blog, será difícil a Red Bull domesticar esse cara. O australiano não é um “mosca morta” e vai mostrando qualidades, além de fazer muita gente começar a duvidar da capacidade de Sebastian Vettel. Fato é que o australiano foi bem no treino classificatório e conseguiu o 2º tempo. O tetracampeão larga em terceiro.

Fernando Alonso fez seus pequenos milagres de sempre. Até andou bem em treinos livres, mas estes treinos hoje pouco ou nada representam de parâmetro para o desempenho de um carro durante um fim de semana de corridas – exceto ganhar quilometragem, pois na Fórmula 1 quase não se testa mais. O espanhol parece estar enfadado dentro da escuderia de Maranello e suas palavras sobre a chegada do novo chefão Marco Mattiacci foram apenas comedidas. Diante das circunstâncias, um 5º posto está bom demais da conta.

Cá pra nós, o que Alonso tem feito neste início de campeonato é um tremendo contraste com a falta de tesão do Räikkönen. O finlandês parece aéreo, acomodado e infeliz. E mais indiferente do que o companheiro de equipe com a troca de comando. Será que Mattiacci não vai dar uma sacudida no Iceman? Parece que é o que o finlandês precisa, mais do que nunca.

Enquanto isso, nas hostes da turma de Grove, a sexta e sétima posições de Felipe Massa e Valtteri Bottas são motivo de comemoração, pois o carro não é dos melhores em pistas molhadas pela chuva. O brasileiro, temos que reconhecer, fez mais um bom trabalho a bordo de seu carro e voltou a superar o finlandês. Aos poucos, o episódio da Malásia – ainda bem – vai ficando em segundo plano. Tudo o que Felipe precisa é confiança e tranquilidade para desempenhar um bom papel na pista.

Nico Hülkenberg conseguiu se destacar novamente ao levar sua Force India ao Q3 – aliás, 50% dos carros tinham motor Mercedes na fase final do treino – e o alemão obteve o oitavo tempo, à frente de Jean-Eric Vergne e Romain Grosjean.

No sábado de Aleluia, comemorado pelos cristãos, foi notória a recuperação do E22 da Lotus. O malogrado carro, que parecia ser o pior do ano – pelo menos começou de forma tenebrosa na Austrália – começa a evoluir. Mas há um ponto contra: Pastor Maldonado destoa completamente da proposta da equipe. É outro que começa a dar adeus à Fórmula 1 aos poucos. Foi protagonista de um acidente constrangedor no segundo treino livre. Larga de último porque seu carro teve problemas e dificilmente escaparia do fim do grid, pois tem uma punição retroativa à capotagem que provocou no Bahrein, quando fez de seu carro catapulta da Sauber do mexicano Estebán Gutiérrez.

E a McLaren? É, leitores… parece haver – de novo – algo errado no reino do Ron Dennis. Não adiantou trocar Martin Whitmarsh por Eric Boullier, mudar a parte técnica, trazer Sam Michael, se o carro não consegue vir no mesmo ritmo das demais. Só a estratégia e a finesse de Jenson Button poderão render frutos nesse fim de semana. Kevin Magnussen, após uma boa estreia na Austrália, desaponta um pouco na comparação, por exemplo, com Daniil Kvyat, que tem feito um início de carreira na Fórmula 1 bastante correto.

De resto, o de sempre: a Sauber não se encontrou ainda no começo do ano, Caterham e Marussia continuam emboladas e sempre nocauteadas no Q1. Meu palpite para hoje: chovendo ou no seco, dá Hamilton, na cabeça.

E vocês?