Retrô

2014581621686_temp_Penske_Castroneves_IIRIO DE JANEIRO – E aí está a pintura retrô do carro #3 de Hélio Castroneves para a disputa das 500 Milhas de Indianápolis pelo Team Penske. Além do piloto brasileiro, somente Johnny Rutherford e Rick Mears guiaram – e venceram – com esta pintura no mítico oval de 2,5 milhas em toda a história. Lembrei que Al Unser venceu também com um carro amarelo em 1987, mas o patrocínio era Holset/Cummins.

Eu achei sensacional essa ideia e, se vocês prestarem atenção, o capacete que está ali em cima do defletor lateral também remete ao “casco” de Rick Mears, o Rei dos Ovais.

Indy 500 já conta com 33 inscritos

RIO DE JANEIRO – A 98ª edição das 500 Milhas de Indianápolis, marcadas para o último domingo de maio, já contam com o tradicional total de carros que disputam a corrida mais tradicional da Fórmula Indy. Com a confirmação do australiano James Davison, de 27 anos, atingiu-se 33 pilotos inscritos para a prova. A informação veio através do jornalista Curt Cavin.

Davison, aliás, não poderia ter escolhido número mais sugestivo. Ele vai justamente com o carro #33, que é o bólido da Panther Racing presente nos testes da pré-temporada e que, com o fechamento da equipe de John Barnes estava disponível. O piloto, aliás, sabe que não pode errar naquela que pode ser sua 3ª aparição na Fórmula Indy. “Não tenho carro reserva”, confessou. “Preciso ser conservador nos treinos”. O budget também não permite que Davison participe de todas as sessões preparatórias de treinos antes dos dois dias de qualificação.

James será o quarto piloto da KV Racing Technology na Indy 500. Além dos titulares Sébastien Bourdais e Sebastián Saavedra, Townsend Bell também vai guiar para a equipe de Kevin Kalkhoven e Jimmy Vasser. A KV é a equipe atual campeã da prova, mas Tony Kanaan, que ganhou a corrida em 2013, tentará o bicampeonato agora defendendo a Ganassi.

Sete dos inscritos são rookies e a grande atração é Kurt Busch, inscrito num dos cinco carros da numerosa esquadra da Andretti Autosport. E entre os 33 pilotos, somente uma mulher. Com Bia Figueiredo na Stock Car brasileira, Simona de Silvestro contratada pela Sauber e Danica Patrick concentrada em tempo integral na Nascar, apenas Pippa Mann está inscrita, pela Dale Coyne Racing.

Os treinos oficiais da Indy 500 começam no domingo, 11 de maio. No dia anterior, será disputada uma inédita prova no circuito misto – e com largada parada.

A lista atual de inscritos das 500 Milhas de Indianápolis é esta:

#2 TEAM PENSKE
Dallara DW12 Chevrolet
Juan Pablo Montoya (W)

#3 TEAM PENSKE
Dallara DW12 Chevrolet
Hélio Castroneves (W)

#5 SCHMIDT PETERSON HAMILTON MOTORSPORTS
Dallara DW12 Honda
Jacques Villeneuve (W)

#6 KV RACING TECHNOLOGY
Dallara DW12 Chevrolet
Townsend Bell

#7 SCHMIDT PETERSON HAMILTON MOTORSPORTS WITH SMP RACING
Dallara DW12 Honda
Mikhail Aleshin (R)

#8 CHIP GANASSI RACING
Dallara DW12 Chevrolet
Ryan Briscoe

#9 CHIP GANASSI RACING
Dallara DW12 Chevrolet
Scott Dixon (W)

#10 CHIP GANASSI RACING
Dallara DW12 Chevrolet
Tony Kanaan (W)

#11 KV RACING TECHNOLGY
Dallara DW12 Chevrolet
Sébastien Bourdais

#12 TEAM PENSKE
Dallara DW12 Chevrolet
Will Power

#14 AJ FOYT ENTERPRISES
Dallara DW12 Honda
Takuma Sato

#15 RAHAL LETTERMAN LANIGAN RACING
Dallara DW12 Honda
Graham Rahal

#16 RAHAL LETTERMAN LANIGAN RACING
Dallara DW12 Honda
Oriol Serviá

#17 KV RACING TECHNOLOGY WITH AFS RACING
Dallara DW12 Chevrolet
Sebastián Saavedra

#18 DALE COYNE RACING
Dallara DW12 Honda
Carlos Huertas (R)

#19 DALE COYNE RACING
Dallara DW12 Honda
Justin Wilson

#20 ED CARPENTER RACING
Dallara DW12 Chevrolet
Ed Carpenter

#21 ED CARPENTER RACING
Dallara DW12 Chevrolet
JR Hildebrand

#22 DREYER & REINBOLD KINGDOM WITH CHIP GANASSI RACING
Dallara DW12 Chevrolet
Sage Karam (R)

#25 ANDRETTI AUTOSPORT
Dallara DW12 Honda
Marco Andretti

#26 ANDRETTI AUTOSPORT
Dallara DW12 Honda
Kurt Busch (R)

#27 ANDRETTI AUTOSPORT
Dallara DW12 Honda
James Hinchcliffe

#28 ANDRETTI AUTOSPORT
Dallara DW12 Honda
Ryan Hunter-Reay

#33 KV RACING TECHNOLOGY
Dallara DW12 Chevrolet
James Davison (R)

#34 ANDRETTI AUTOSPORT
Dallara DW12 Honda
Carlos Muñoz

#41 AJ FOYT ENTERPRISES
Dallara DW12 Honda
Martin Plowman (R)

#63 DALE COYNE RACING
Dallara DW12 Honda
Pippa Mann

#67 SARAH FISHER HARTMAN RACING
Dallara DW12 Honda
Josef Newgarden

#68 SARAH FISHER HARTMAN RACING
Dallara DW12 Honda
Alexandre Tagliani

#77 SCHMIDT PETERSON HAMILTON MOTORSPORTS
Dallara DW12 Honda
Simon Pagenaud

#83 CHIP GANASSI RACING
Dallara DW12 Chevrolet
Charlie Kimball

#91 LAZIER PARTNERS RACING
Dallara DW12 Chevrolet
Buddy Lazier (W)

#98 BRYAN HERTA AUTOSPORT
Dallara DW12 Honda
Jack Hawksworth (R)

Buschão na Indy 500

10300084_10153140834592699_4311874600477905357_nRIO DE JANEIRO – Todo mundo já sabe: Kurt Busch vai disputar as 500 Milhas de Indianápolis pela primeira vez, com um monoposto Dallara DW12-Honda da Andretti Autosport. É o carro #26 da foto acima, com layout hoje revelado e patrocínio da Suretone, uma gravadora de discos.

Buschão é o primeiro piloto desde 2004 a fazer o chamado Double Duty, que consiste em correr as 500 Milhas de Indianápolis e a Charlotte 600 da Nascar. Ambas as provas são no mesmo dia e, somadas, dão 1.100 milhas, mais de 1.600 km de percurso. “Flash Gordon” completou as duas corridas em 2002, mas foi Tony Stewart, um ano antes, o único da história a completar as 200 voltas em Indianápolis (6º colocado) e as 400 em Charlotte, onde foi terceiro.

Outro piloto que fez o Double Duty foi John Andretti. O sobrinho do campeão de Fórmula 1 e Fórmula Indy Mario Andretti disputou as duas provas em 1994. Davy Jones foi outro que tentou a façanha – mas não se classificou para a Charlotte 600 – no ano seguinte. Assim, Buschão é apenas o quarto piloto nos últimos 20 anos a tentar fazer as duas corridas.

29 pilotos confirmados em Indianápolis

A edição 2014 da Indy 500 tem, por enquanto, 29 carros confirmados para a principal prova da temporada. Além das inscrições usuais, algumas equipes têm carros adicionais. Martin Plowman, que correrá na etapa de circuito misto no sábado, 10 de maio, também está inscrito para a prova do dia 25, no carro #41 da equipe do veterano A.J. Foyt. Na Ed Carpenter Racing, o pole position do ano passado Ed Carpenter, que só correrá em ovais, volta a bordo do #20, enquanto JR Hildebrand (ele mesmo!) correrá no #21.

Sage Karam estará num quinto carro da Chip Ganassi Racing e Towsend Bell volta com um terceiro bólido da KV Racing Technology. Oriol Serviá estará num carro extra da Rahal Letterman e Alexandre Tagliani vem com um segundo carro do time de Sarah Fisher. Campeão da prova em 1996, Buddy Lazier regressa para tentar a qualificação. O piloto tem 46 anos.

E, é claro, teremos Jacques Villeneuve, pela Schmidt Peterson Motorsports. O blog já falou disso, inclusive, em fevereiro último. Isso faz com que a Indy 500 tenha seis campeões da prova na pista: Dixon, Castroneves, Kanaan, Montoya, Lazier e, por fim, Villeneuve.

Gary Bettenhausen (1941-2014)

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RIO DE JANEIRO – Luto no automobilismo dos EUA: morreu neste domingo, aos 72 anos de idade, o antigo piloto da Fórmula Indy Gary Bettenhausen. Filho do lendário Tony Bettenhausen, vice-campeão da Indy 500 de 1955 e morto num acidente em 1961, ele teve dois irmãos também pilotos: Tony Bettenhausen, que também seria dono de equipe até morrer em 2000 e Merle Bettenhausen, ainda vivo e que sofreu um terrível acidente na Michigan 500 de 1972, provocando o fim de sua carreira.

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Gary foi o mais longevo do clã nas pistas, pois sua trajetória começou nos Midgets e Sprint Cars em meados dos anos 60 e início dos 70, passando logo à USAC, que promovia as corrida do tipo Indy em território ianque. Com 27 vitórias nos Midgets, ele tornou-se bicampeão dos Sprint Cars. Em 1974, sofreu um grave acidente com este tipo de carro em Syracuse, no estado de Nova Iorque. Como consequência, perdeu os movimentos do braço esquerdo. O piloto recuperou alguns movimentos, mas nunca ficou 100% curado da batida.

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Nas provas da USAC e da Fórmula Indy, Gary Bettenhausen correu a partir de 1968 até meados dos anos 90, quando já tinha mais de 50 anos de idade. Na Indy 500, largou 21 vezes. Seu melhor resultado foi um 3º lugar em 1980, após largar da última fila do grid com um Wildcat-DGS. Oito anos antes, o piloto liderou a prova por 138 voltas – mas uma falha mecânica lhe tirou a vitória, que ficou com Mark Donohue.

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Em 1992, Gary foi uma espécie de coach do tricampeão mundial de Fórmula 1 Nelson Piquet. Inscritos pela equipe de John Menard com chassis Lola T92/00 e motores Buick, os dois se tornaram grandes amigos e o brasileiro aprendeu muito rápido com as valiosas dicas de Bettenhausen – até o grave acidente que sofreu num dos treinos livres. Gary ainda se classificou com a 5ª posição no grid e acabou na décima-sétima posição, sem completar a disputa vencida por Al Unser Júnior. No ano seguinte, o piloto terminou novamente em 17º lugar após largar em 18º.

Já aposentado, o piloto foi laureado como membro do Hall da Fama da National Sprint Car em 1993 e, cinco anos mais tarde, entrou também para o Hall da Fama da National Midget Auto Racing.

Direto do túnel do tempo (155)

02RIO DE JANEIRO – Flagrante de um dos muitos acidentes espetaculares que já aconteceram em Indianápolis nas 500 Milhas. O protagonista deste aí é Tom Sneva, que estatelou seu McLaren Offenhauser na curva 2 do oval após tocar no carro de Eldon Rasmussen. Foi a porrada mais espetacular da edição de 1975 da prova.

Por incrível que pareça, embora o motor do carro tenha produzido esse espetáculo pirotécnico, levantando uma enorme bola de fogo na pancada, Sneva saiu dos restos mortais do seu McLaren sem pouquíssimas lesões. E andando!

Há 38 anos, direto do túnel do tempo.

Direto do túnel do tempo (146)

575391_10152463449214782_1772846685_nRIO DE JANEIRO – A bordo do Penske PC1 Cosworth #28 que ilustra essa foto, está aquele que é considerado um dos grandes pilotos da história do automobilismo dos EUA: Mark Donohue.

O “Capitain Nice” nasceu em New Jersey em 1937 e chegou tarde à Fórmula 1, aos 34 anos. Mas já nos anos 60, corria nas provas do Sports Car Club of America (SCCA), sendo requisitado também para andar no Ford GT40, no Lola T70 pintado com a característica cor azul-escura da Sunoco, com Ferrari 512 e também na Trans-Am.

Como piloto da equipe de Roger Penske, disputou cinco edições da Indy 500 entre 1969 e 1973, vencendo a prova em 1972 num McLaren M16 com motor Offenhauser. Também matou a tapa na Série Can-Am a bordo de uma lenda das pistas, o Porsche 917/30 com potência estimada em 1.100 HP em banco de provas.

Sua estreia na categoria máxima foi surpreendente: numa aparição isolada durante o GP do Canadá de 1971 com um McLaren M19 Cosworth, o piloto chegou em 3º no circuito de Mosport. Depois disto, só reapareceria no fim do Mundial de 1974, nos GPs do Canadá e EUA, já com o primeiro carro construído pela Penske e desenhado por Geoff Ferris.

Após marcar o 5º lugar com o PC1 no GP da Suécia, Mark Donohue passou a dispor de um March 751 modificado, que Roger Penske rapidamente passou a chamar de Penske PC2. Infelizmente foi a bordo desse carro em que o piloto sofreu um grave acidente em 17 de agosto, durante o warm up do GP da Áustria, em Zeltweg.

O piloto largaria da 20ª posição do grid e acertava o carro para as condições de pista no dia da corrida. Subitamente, algo aconteceu com um dos pneus do PC2 de Donohue e o piloto bateu forte na curva Hella-Licht, no fim da reta. O carro atravessou as telas de proteção e passou voando pelo guard-rail, caindo num barranco.

Donohue foi retirado lúcido e alerta dos destroços do carro – que provocaram inclusive a morte de um fiscal – mas o helicóptero que o levaria de Zeltweg a um hospital das proximidades, em Graz, não era pressurizado, o que complicou as coisas. Mark sentiu fortes dores de cabeça e começou a vomitar, um claro sinal de lesão cerebral. O piloto entrou em coma e, com hemorragia, morreu em 19 de agosto de 1975.

A viúva de Mark Donohue, Eden, entrou com uma ação contra a Goodyear, culpando o fabricante de pneu pela morte do marido. Foi uma longa batalha nos tribunais, que durou mais de uma década. Apenas em 10 de abril de 1986 o tribunal de Providence, no estado de Rhode Island, sentenciou a indenização que a Goodyear teria que pagar à viúva e aos dois filhos do piloto: US$ 9,6 milhões.

Há 38 anos, direto do túnel do tempo.

George Bignotti (1916-2013)

FULL

RIO DE JANEIRO – O automobilismo estadunidense está de luto. Morreu na última sexta-feira o antigo chefe de mecânicos da Fórmula Indy George Bignotti. Ele tinha 97 anos de idade e faleceu em Las Vegas, no estado de Nevada, em sua própria residência. As causas não foram reveladas.

Nascido em 1916 na Califórnia, na cidade de San Francisco, Bignotti foi um dos maiores nomes das 500 Milhas de Indianápolis fora das pistas. Em tempos onde criatividade e organização de equipe davam as cartas, George foi um dos grandes, senão o maior chefe de equipe que o lendário oval já viu. Por isso, entrou para o Hall da Fama do circuito, em 1993.

FULL (1)

Basta dizer que entre 1961 e 1983, trabalhou com sete pilotos que venceram a Indy 500, entre eles A.J. Foyt (duas vezes), Graham Hill, Al Unser (também duas vezes), Gordon Johncock e Tom Sneva.  Tudo isso em seis equipes diferentes: Bignotti-Bowes Racing, Ansted-Thompson Racing, John Mecon, Vel’s Parnelli Jones Racing, Patrick Racing e Bignotti-Cotter Racing.

Afora esses triunfos, Bignotti poderia ter levado outros pilotos à vitória em Indianápolis, feito Johnny Boyd, Roberto Guerrero e Joe Leonard – afora a possibilidade de permitir mais triunfos a Unser, Foyt e Johncock. Entre os muitos pilotos que correram com carros preparados por ele estão Jackie Stewart, Mario Andretti, Rodger Ward, Jimmy Reece, George Amick, John Surtees, Fred Agabashian, Wally Dallenbach, Bob Veith, Bobby Marshman, Swede Savage, Jud Larson, Walt Faulkner, Kevin Cogan e Geoff Brabham.

FULL (2)

Na retaguarda de tantos bons nomes, George Bignotti só poderia ser – como de fato o é – o grande recordista de vitórias como chefe de mecânicos em provas de monopostos da USAC e da Fórmula Indy. Foram 85 triunfos no total, uma marca difícil de ser superada nos dias atuais.

“Ele era fantástico”, disse A.J. Foyt. “Estamos todos muito tristes com sua morte”, completou o tetracampeão de Indianápolis.

Emérito contador de (ótimas) histórias, fã dos Indianápolis Colts e do NY Yankees, Bignotti casou-se duas vezes e sua segunda mulher, Kay Meyer, é filha do tricampeão da Indy 500 Louis Meyer. Entre seus filhos estão a jornalista Mary Mendez e o também chefe de mecânicos William “Billy” Bignotti, que lhe deu dois netos.

Fotos: arquivo Indianapolis Motor Speedway