Direto do túnel do tempo (172)

BgdGZKrCAAAYxSPRIO DE JANEIRO – Interlagos botando gente pelo ladrão na corrida que marcou a reinauguração do traçado paulistano após uma reforma que colocou o Brasil nos trilhos da Fórmula 1. A foto é uma cortesia do mestre Ricardo Divila, que a postou no twitter e resolvi compartilhar com vocês.

Em março de 1970, a revista Quatro Rodas (nos bons tempos da publicação) fez uma bela cobertura do Torneio BUA de Fórmula Ford, que foi disputado em cinco finais de semana entre 1º de fevereiro e 1º de março, com duas corridas em Jacarepaguá, uma em Curitiba, outra em Fortaleza – digna de um post só falando das peripécias para que acontecesse o evento – e finalmente, Interlagos.

Emerson Fittipaldi, então campeão inglês de Fórmula 3, guiava um Lotus da equipe de Jim Russell e estabeleceu a pole position com o tempo de 3’11″5, média superior a 154 km/h. De quebra, venceu as duas baterias, levando o povão à loucura para faturar o título do torneio, promovido por Antonio Carlos Scavone.

O resultado final da última rodada do Torneio BUA de Fórmula Ford apresentou Emerson Fittipaldi em primeiro, Wilson Fittipaldi Jr. em segundo, Ian Ashley em terceiro, Ray Allen em quarto, Chiquinho Lameirão em quinto e Peter Hull em 6º lugar. Na classificação final, Emerson somou 42 pontos, contra 27 do vice-campeão Ian Ashley. Ray Allen foi o 3º colocado com 20, Wilsinho Fittipaldi chegou em quarto com 18, o quinto foi Luiz Pereira Bueno com quinze e o sexto foi Marivaldo Fernandes, que somou sete pontos.

Há 44 anos, direto do túnel do tempo.

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Direto do túnel do tempo (171)

ff02luizvilmar2RIO DE JANEIRO – O ano é 1982. Torneio Rio-São Paulo de Fórmula Fiat no Autódromo de Interlagos. A categoria, que herdou os antigos equipamentos da Fórmula Vê e começara um ano antes, com Maurício Gugelmin campeão, disputava em 20 de junho sua 3ª etapa do certame regional.

A propósito, o antigo carro de Gugelmin está na foto. É o #11, que foi herdado pelo catarinense Renato Naspolini, que tinha o patrocínio da Carbonífera Metropolitana. Esse carro, construído por Edson Enricone, já fora de Oswaldo dos Santos e ainda seria guiado em 1983 por Átila Sipos. Mas em primeiro plano na imagem, está Luiz Carlos Vilmar Júnior (lembram dele?), que corria com o patrocínio da concessionária Galileo e era um dos remanescentes da Fórmula VW 1300. A velha guarda há de lembrar que o carro do Vilmar era um Kaimann, construído com licença austríaca aqui no Brasil por Alexandre Guimarães e que foi um dos primeiros carros da Super Vê em 1974. Quanta sobrevida teve este carrinho…

Após as duas baterias disputadas na oportunidade em Interlagos, Naspolini venceu, com Vilmar em 2º e Aderbal Grillo em terceiro. O falecido piloto carioca Nelson Balestieri chegou em quarto, seguido por Luiz Zornig, Oswaldo Scheer Fº, Luiz Scarpin, Mário Petrelli, Flávio Pulga e Élcio Prior.

Pena que a Fórmula Fiat tenha tido vida tão curta. A categoria acabou em 1984, mas por ela, além de Gugelmin, Naspolini e Átila Sipos, passaram pilotos como o Zé David, hoje instrutor em escola de pilotagem e chefe de equipe, e o Djalma Fogaça, o “Caipira Voador”.

Há 32 anos, direto do túnel do tempo.

Copa do Mundo e F-1 fazem 6h de São Paulo ir para o fim do calendário do WEC

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RIO DE JANEIRO – Eis que, numa mudança surpreendente, o Mundial de Endurance (WEC) teve hoje definido o seu calendário para 2014. As 6 Horas de São Paulo, previstas para o fim de agosto, foram remanejadas para 30 de novembro e o que seria a 4ª etapa do campeonato, após as 24 Horas de Le Mans, ficou como a última do certame de oito corridas que se inicia em abril com as 6 Horas de Silverstone.

Segundo consta nos sites internacionais, a mudança teria sido feita a pedido do promotor nacional, o bicampeão mundial de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi, por dois motivos: a realização da Copa do Mundo, que polarizará as atenções no país e reduzirá drasticamente o investimento em quaisquer esportes neste ano de 2014, especialmente no automobilismo – e também pelas famosas obras de adequação do Autódromo José Carlos Pace para a disputa do Grande Prêmio do Brasil.

Aliás, falando em obras, pelo visto nada de boxes e paddock novos para a F-1 e tampouco para o WEC. Lá vamos nós ter que subir e descer escadas para a sala de imprensa. Pobres fotógrafos e profissionais do gênero…

As razões que fazem a corrida do Mundial de Endurance por aqui mudar para o fim do campeonato são, de certa forma, compreensíveis, mas trata-se de uma faca de dois gumes. Primeiro, porque as equipes reduzem seus investimentos após Le Mans e só virão os competidores fixos e/ou eventuais inscritos. E segundo, porque se o campeonato já estiver definido nas quatro subclasses, corremos um sério risco de ver uma corrida muito mais esvaziada do que nos dois últimos anos – e me vem à cabeça o fantasma de revivermos o que se viu nas Mil Milhas de 2007.

Espero estar errado.

E não há só isso: existe a chance de um desgaste muito grande de todos os envolvidos com a competição, posto que haverá nada menos que três etapas em novembro (China, Bahrein e Brasil), enquanto que, após Le Mans, o calendário terá nada menos que 95 dias sem qualquer corrida. De certo modo, uma mudança incompreensível.

Ah… e também foi confirmada a etapa dos Estados Unidos em 20 de setembro, no COTA, em Austin. Ela é que será a 4ª etapa do WEC e não as 6 Horas de São Paulo.

Eis as datas definitivas do Mundial de Endurance:

20 de abril – 6 Horas de Silverstone
3 de maio – 6 Horas de Spa-Francorchamps
1º de junho – Journée Test das 24 Horas de Le Mans
14 e 15 de junho – 24 Horas de Le Mans
20 de setembro – 6 Horas de Austin
12 de outubro – 6 Horas de Fuji
2 de novembro – 6 Horas de Xangai
15 de novembro – 6 Horas do Bahrein
30 de novembro – 6 Horas de São Paulo

Foto: John Dagys (Sportscar365.net)

A união faz a força

1620344_661361980593310_1659536087_nRIO DE JANEIRO – Este é o logotipo – cortesia, aliás, do craque Bruno Mantovani – de um novo campeonato que, esperamos, traga fôlego para o combalido automobilismo brasileiro.

Todo mundo sabe de que forma terminou a última temporada do Brasileiro de Grã-Turismo, que foi travestido de Sul-Americano: um certame inacabado, repleto de incertezas com relação ao seu futuro e a categoria praticamente morta, entregue ao “Deus dará”.

Chegamos a imaginar que os carros dos sonhos estariam fora de nossas pistas em 2014, mas foi feito um trabalho de bastidores onde uma das personagens mais importantes nesse processo foi o sr. Johnny Weisz, que iniciou gestões para a sobrevivência do campeonato. Deu certo.

A união fez a força – perdoem pelo dito popular batidíssimo – e a presidente da Fórmula Truck Neusa Navarro Félix confirmou a parceria com o novo campeonato GT Pro, que terá um calendário de seis rodadas duplas e 12 corridas, começando em 17 e 18 de maio com a etapa programada para Interlagos, em São Paulo. Também haverá corridas em Goiânia, Guaporé, Cascavel, Brasília e mais um autódromo no Rio Grande do Sul  – Tarumã ou Santa Cruz do Sul, a definir.

Os fãs até podem não entender como duas categorias tão díspares de conceito poderão conviver nos mesmos autódromos neste ano. A situação do automobilismo brasileiro, repito, está longe de ser a melhor. Mas nem tudo está perdido: a Fórmula Truck agrega a ela o público da GT Pro e vice-versa. Todos sairão ganhando. É o que se espera a partir de agora.

Sucesso à GT Pro nessa união com a Truck. Que renda muitos frutos para todos!

Pequeno grande campeão

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RIO DE JANEIRO – Justiça seja feita: a Stock Car teve hoje em Interlagos uma corrida como há muito tempo não víamos. Talvez a melhor em muito tempo e disparada a mais emocionante de 2013. Em jogo, o título de campeão da temporada e um prêmio extra de R$ 1 milhão. Com 35 carros na pista – um deles para Bruno Senna, a vitória coube a um piloto com passagem pela Fórmula 1, no caso o curitibano Ricardo Zonta. E o título, num final apoteótico, para Ricardo Maurício, da equipe de Rosinei Campos.

Ricardinho é aquele tipo de piloto que poderia ter ido muito longe na carreira internacional. Foi bem em tudo o que guiou: Fórmula Ford, Fórmula 3, Fórmula 3000 e testou até Fórmula Indy. Infelizmente, esbarrou num sujeito chamado Helmut Marko e precisou refazer a vida aqui no Brasil. Adaptou-se rapidamente aos carros da Stock e tornou-se um especialista da matéria. Ganhou o primeiro título em 2008 e agora conquista o segundo, numa corrida perfeita. E o piloto ainda tornou-se bicampeão da Copa Petrobras de Marcas. Dois títulos nacionais num mesmo ano. Coisa para poucos.

Thiago Camilo viu o sonho adiado mais uma vez. Vice campeão por três pontos, o piloto do carro #21 não mediu esforços para chegar ao título inédito, mas as últimas voltas foram um pesadelo para ele, já que acabaram – de uma só vez – a primeira, a segunda e a terceira marchas do câmbio de seu carro. O piloto era o líder a menos de cinco minutos para o fim da corrida. Acabou em 6º lugar e a três pontos do campeão Ricardo Maurício.

Uma pena que nem todas as corridas de 2013 tenham sido assim – sem confusões, sem brechas de regulamento ou demais bobagens que por vezes mancham a imagem da Stock Car.

Direto do túnel do tempo (150)

fnminter75RIO DE JANEIRO – Coisa linda essa foto de 1975, postada no facebook primeiro e depois pelo bróder Flavio Gomes, que deu ao escriba o devido crédito. O instantâneo mostra como a organização do GP do Brasil refrescava o povão momentos antes da largada da corrida disputada em 26 de janeiro no Autódromo de Interlagos.

Olhem só a galera! Gente pelo ladrão! E o caminhão, que barato, não é não?

Há 38 anos, direto do túnel do tempo.

Imagem da Semana

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RIO DE JANEIRO – Revivendo um tempo em que a Fórmula 1 era menos fresca e chata, onde Didier Pironi costumava fazer isso no início dos anos 80 e Gerhard Berger reviveu essa atitude em Portugal, há 24 anos, Mark Webber leva sua Red Bull (sem capacete) ao parque fechado após terminar em segundo lugar na sua última corrida na categoria. Ano que vem, o piloto australiano correrá no Mundial de Endurance (WEC) pela Porsche. Por reviver algo há muito tempo longe da nossa retina, Webber sem capacete em Interlagos é o personagem da imagem da semana.