A volta

RIO DE JANEIRO – O confrade de Fox Sports Paulo Lima foi o portador da melhor notícia que eu podia ter no mês de maio: John Pizzarelli, um dos maiores guitarristas de jazz contemporâneo, que prestou tributos sensacionais aos Beatles, Frank Sinatra e a Nat King Cole, volta ao Brasil para uma temporada e o Rio de Janeiro fará parte das apresentações do músico, que também se apresenta em São Paulo, no lendário Bourbon Street e também em Natal, Recife e Porto Alegre.

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O show de Pizzarelli no Rio será em 15 de maio, uma quinta-feira, no Teatro Bradesco Rio, na Av. das Américas, 3.900, no shopping Village Mall. O guitarrista de 54 anos, completados no último dia 6 de abril, é um habitué dos palcos brasileiros. Tive a oportunidade de assistir ao vivo a um de seus shows no finado Mistura Fina da Lagoa, em 2005. Além de um tremendo músico e de uma ótima banda de apoio, com Tony Tudesco na bateria, Martin Pizzarelli (seu irmão mais novo) no contrabaixo e Larry Fuller no piano, ele tem uma simpatia e um carisma inexcedíveis. Recebeu o público com o maior carinho no intervalo entre o primeiro e o segundo shows naquela oportunidade. Ele autografou todos os CDs que levei e tirou uma foto comigo, que reproduzo aqui acima.

Pizzarelli tem, além do mérito das grandes homenagens – considero excepcionais os discos em que ele recria os clássicos dos Beatles e de Nat King Cole – um bom humor nos palcos que é fora de série. Um de seus mais divertidos números é “I like Jersey best”. Nessa canção, ele faz imitações de Bob Dylan, Lou Reed, Beach Boys, Mel Tormé, Billie Holliday e, recentemente, incorporou à sua performance Bee Gees e Roy Orbison. As risadas da plateia são inevitáveis!

Por conta de seu regresso ao Brasil, “I like Jersey best”, com John Pizzarelli e banda é o clip da semana.

This Masquerade

RIO DE JANEIRO – George Benson, que no último dia 22 completou 71 anos bem vividos, é para mim um dos mais excepcionais músicos contemporâneos. Dono de uma belíssima e bem colocada voz, além de tudo toca uma guitarra maravilhosa, com muito balanço e personalidade.

Em 50 anos de carreira, iniciados em 1964, Benson deixou sua marca em grandes músicas, feito “On Broadway”, a clássica e suingada “Gimme The Night”, a balançada “Inside Love (So Personal)”, a romântica “In Your Eyes” e na excepcional “This Masquerade”.

Essa canção, gravada para o álbum Breezin’, foi lançada em 1976. Na época com 33 anos, Benson dava uma guinada definitiva para o pop, sem esquecer da veia jazzística que o faz, até hoje, imprimir toda sua categoria nas músicas que toca/interpeta. Gosto de vê-lo reproduzir com a voz o que ele faz nos solos de guitarra – John Pizzarelli, outra das minhas grandes admirações, é outro que faz a mesma coisa.

George Benson, que esteve no Rock in Rio duas vezes, a primeira em 1985 tocando e desfilando sua competência no grande palco do festival e ano passado no palco Sunset, dividindo uma apresentação com Ivan Lins, hoje faz shows em homenagem a Nat King Cole, um de seus ídolos. O vídeo abaixo é de 1976, no programa Midnight Special ancorado por Burt Sugarman, com um de seus grandes clássicos – “This Masquerade”, no clip da semana.

Discos eternos – Boingo Alive (1988)

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RIO DE JANEIRO – Ícone do pop-rock dos anos 80/90, o grupo Oingo Boingo completava dez anos de estrada em 1988, quando surgiu a oportunidade de lançar um álbum duplo com os grandes sucessos da banda e outras – boas – músicas compostas por Danny Elfman e cia. limitada. Nasceu Boingo Alive, um disco fundamental para conhecer e celebrar a obra do grupo que perdurou até 1995.

Na verdade, o Oingo Boingo, embora tivesse comemorado uma década de som e fúria no fim dos anos 80, nasceu mesmo em 1972. Era um grupo “performático” com o pomposo nome de The Mystic Knights of Oingo Boingo, liderado por Richard Elfman, irmão mais novo de Danny até a ascensão deste ao posto de líder em 1976.

O grupo chegou a mudar de nome mais três vezes: primeiro foi renomeado Clowns of Death, depois Mosley & The B-Men e por último Boingo. Chegou-se à conclusão que se tirassem o The Mystic Knights do nome original, soaria melhor. A banda virou Oingo Boingo desde então e foi assim que ficou mundialmente conhecida.

Explorando diversas vertentes da música, como o ska, o protopunk, a new wave e o jazz, o Oingo Boingo era um grupo incomum para sua época. Além do básico de guitarra-baixo-bateria, a proposta era agregar percussão, teclados e instrumentos de sopro, como poucos grupos de rock faziam. E a mistura deu certo, muito certo.

O grupo começou a emplacar uma música atrás da outra e fez muito sucesso, especialmente no Brasil, graças aos filmes que tinham canções do Oingo Boingo em suas trilhas, como “Fast Times At Ridgemont High” (Picardias Estudantis), “Bachelor Party” (A Última Festa de Solteiro), “Weird Science” (Mulher Nota 1000) e o impagável “Back To School” (De Volta às Aulas), este com direito a uma aparição do grupo numa megafesta na república de uma universidade, com os auspícios da personagem do hilário Rodney Dangerfield.

Boingo Alive foi um disco quádruplo de formato incomum: a banda tocou todas as 30 canções que compunham o álbum como se fosse ao vivo – só que sem plateia. O grupo fez excelentes releituras de suas músicas de 1979 até 1988 e algumas versões “alive” ficaram bem mais populares e mais interessantes de se ouvir por causa da ‘pegada’ que passaram a ter, como foi o caso de “Dead Man’s Party”, “Stay”, “Just Another Day”, “Nothing To Fear (But Fear Itself)”, “Not My Slave”, “We Close Our Eyes”, “Who Do You Want To Be” e várias outras. Houve ainda espaço para duas inéditas – “Winning Side” e uma instrumental, chamada “Return of The Dead Man”.

O álbum teve produção de Steve Bartek, um dos guitarristas do Boingo e de Danny Elfman, que já enveredava pelo caminho de produção e composição de trilhas sonoras de filmes – no que hoje, aliás, é muito bem sucedido. Com o fim do Oingo Boingo, ele tornou-se o compositor favorito de diretores como Tim Burton, para quem faz trilhas há 28 anos. Elfman também tem no currículo trabalhos para Carl Reiner, Martin Brest, Richard Donner, Sam Raimi, Warren Beatty, Howard Deutch, Barry Sonnenfeld, Gus Van Sant, Taylor Hackford e Ang Lee.

É… o cara não é fraco, não.

Ficha técnica de Boingo Alive
Selo: MCA Records / Universal Music
Gravado “ao vivo” entre 1987 e 1988
Produzido por Danny Elfman e Steve Bartek

Músicas:

Disco 1

1. Dead Man’s Party
2. Dead or Alive
3. No Spill Blood
4. Stay
5. Cinderella Undercover
6. Home Again
7. Help Me
8. Just Another Day
9. It Only Makes Me Laugh
10. My Life
11. Nothing To Fear (But Fear Itself)
12. Not My Slave
13. We Close Our Eyes
14. Elevator Man
15. Return of The Dead Man (instrumental)

Disco 2

1. Winning Side
2. Wild Sex (In The Working Class)
3. Grey Matter
4. Private Life
5. Gratitude
6. No One Lives Forever
7. Mama
8. Capitalism
9. Who Do You Want To Be
10. Sweat
11. Violent Love (Willie James Dixon)
12. On The Outside
12. Only A Lad
13. Goodbye, Goodbye
14. Country Sweat
15. Return of The Dead Man 2 (instrumental)

Um clássico do jazz

RIO DE JANEIRO – Essa eu conheci por uma versão matadora de Emerson, Lake & Palmer no Festival da Ilha de Wight, realizado em 1970. Mas o responsável definitivo pela música é Dave Brubeck, o brilhante pianista de jazz e seu sensacional quarteto.

“Blue Rondo a la Turk” é o clip da semana.

Dave Brubeck (1920-2012)

gettyimages_77398589RIO DE JANEIRO – Péssima surpresa para o blogueiro, que gosta de boa música e aprecia gêneros como o jazz: morreu no último dia 5, exatamente 24 horas antes de completar 92 anos, vítima de uma parada cardíaca, o pianista estadunidense Dave Brubeck, considerado um gênio da música, um dos grandes do cool jazz e do jazz como um todo e conhecido como “o pianista que fez o jazz sorrir”.

Com seu grupo, o Dave Brubeck Quartet, deixou uma marca na história da música, com composições sofisticadíssimas e de grandes arranjos. Paul Desmond, que tocava sax alto com ele, foi o grande responsável por dois dos grandes clássicos associados a Brubeck: “Take Five”, cultuada até hoje pelos jazzistas e “Blue Rondo à la Turk”, que recebeu uma regravação do grupo de prog rock Emerson, Lake & Palmer. A parceria Brubeck-Desmond foi uma das mais profícuas do gênero.

Outros clássicos fizeram parte das composições de Brubeck e de seu grupo, como “The Duke” e “In Your Sweet Way”. Durante toda sua carreira, o pianista desenvolveu uma grande admiração por Duke Ellington, o compositor de “Caravan”, e pela música erudita.

Entre 1949 e 2005, Dave Brubeck deixou 26 trabalhos gravados, alguns deles em apresentações ao vivo. Como homenagem póstuma, o blog coloca o vídeo de “Take Five”, para muitos uma das melhores músicas do jazz em qualquer tempo. Aqui, o pianista e seu grupo se apresentam na Alemanha, em 1966.