Quem é quem – Mundial de Endurance 2014: classe LMP1

RIO DE JANEIRO – A cereja do bolo do Mundial de Endurance (WEC) não podia faltar. Faltando poucas horas para os primeiros treinos livres das 6 Horas de Silverstone, o blog traz a apresentação das equipes que tomam parte da principal categoria, a LMP1.

Neste ano, os principais protótipos estão divididos em duas subcategorias dentro da mesma competição. Os LMP1-H (Hybrid) são os carros oficiais de fábrica dotados de ERS (Energy Recovering System). E desta vez, Audi e Toyota não estão sozinhas. A Porsche chega com um modelo dotado de motor 2 litros e quatro cilindros em linha, com turbocompressor – prometendo incomodar muito os compatriotas e aos japoneses. Os resultados do The Prologue, em Paul Ricard, mostram isso.

Em contrapartida, os carros sem ligação com times oficias de fábrica e/ou sem sistemas híbridos formam a LMP1-L (Light). Basicamente, a disputa acontecerá entre a Rebellion Racing e a Lotus, mas pelo menos em Silverstone esse confronto não vai acontecer. Além do Lotus T129 não estar ainda pronto, a Rebellion sequer estreará o novo carro, o R-One, o que acontecerá apenas em Spa, na 2ª etapa.

Fiquem de olho no carro #1 da Audi. Nele estará o brasileiro Lucas Di Grassi, que sonha em repetir o feito de Raul Boesel, até hoje o único brasileiro campeão mundial de Endurance, há 27 anos. Capacidade e condições para tanto, Lucas tem. Afinal de contas, ele será o substituto de Allan McNish, que se aposentou ao fim da última temporada.

Eis as equipes da LMP1:

AUDI SPORT TEAM JOEST
Sede: Wald-Michelbach, Alemanha
Chefe de equipe: Ralf Jüttner
Diretor técnico: Christian Reinke
Carro: Audi R18 e-tron quattro
Motor: Audi 4 litros V6 turbodiesel
Transmissão: Audi sequencial de 7 marchas
Pneus: Michelin
Pilotos: Tom Kristensen/Loïc Duval/Lucas Di Grassi (#1) e Marcel Fässler/Bénoit Tréluyer/Andre Lotterer (#2)

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O nome do carro continua o mesmo. Mas este Audi R18 e-tron quattro é muito diferente do modelo de 2013. Uma série de mudanças foram implementadas para o protótipo do construtor alemão se encaixar dentro do novo regulamento técnico. Com 45 kg a menos, o novo e-tron quattro recebeu incrementos de aerodinâmica e mecânica, agora com um motor de 4 litros de capacidade cúbica. Entretanto, os alemães tiveram problemas com o ERS-H (Energy Recovery System-Heat), que aproveitaria a energia térmica dos exaustores internos para acionar uma espécie de turboelétrico, oferecendo mais potência e o projeto teve que ser abortado. Apenas o sistema flywheel que dá tração às rodas dianteiras continua a bordo deste carro.

Por ter um modelo movido a diesel, a Audi preferiu começar na categoria 2MJ de equivalência de tecnologia, o que pode lhe custar caro no começo. Vamos ver quais serão as consequências desta decisão. No mais, a equipe tem como única novidade entre os pilotos a estreia do brasileiro Lucas Di Grassi – e logo no carro #1 dos campeões Tom Kristensen e Loïc Duval.

TOYOTA RACING
Sede: Colônia, Alemanha
Chefe de equipe: Pascal Vasselon
Diretor técnico: John Litjens
Carro: Toyota TS040
Motor: Toyota THS-R 3,7 litros V8
Transmissão: Toyota-ZF sequencial de 7 marchas
Pneus: Michelin
Pilotos: Alex Wurz/Stéphane Sarrazin/Kazuki Nakajima (#7) e Nicolas Lapierre/Anthony Davidson/Sébastien Buemi (#8)

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Em menos de duas temporadas, a Toyota conseguiu algumas vitórias no WEC, mas ainda não incomodou totalmente o poderio da Audi. Para este ano, os japoneses apostam pesado num novo projeto: o chassis TS040 Hybrid atende às especificações do regulamento para a LMP1 em 2014, com um reestudo de aerodinâmica e grandes novidades mecânicas. A adoção de um sistema híbrido capaz de gerar 480 HP extras, aliado ao motor de aspiração normal com 3,7 litros V8 de 520 HP pode fazer o protótipo alcançar 1000 HP de potência – o que para os dias de hoje é um número absurdo.

Entre os pilotos, nenhuma mudança de vulto, a não ser na formação dos trios. Alex Wurz e Kazuki Nakajima agora trabalham com Stéphane Sarrazin no carro #7. O antigo parceiro deles, Nicolas Lapierre, mudou para o #8 com Anthony Davidson e Sébastien Buemi. Será interessante ver a questão do entrosamento entre as novas formações.

PORSCHE TEAM
Sede: Weissach, Alemanha
Chefe de equipe: Andreas Seidl
Diretor técnico: Alexander Hitzinger
Carro: Porsche 919 Hybrid
Motor: Porsche 2 litros V4 turbo
Transmissão: Porsche sequencial de 6 marchas
Pneus: Michelin
Pilotos: Romain Dumas/Neel Jani/Marc Lieb (#14) e Timo Bernhard/Mark Webber/Brendon Hartley (#20)

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A Porsche volta às competições de protótipos em grande estilo. Fazendo barulho, “metendo o pé na porta” e assustando as rivais Audi e Toyota. Os vários quilômetros de teste em diversas pistas, a partir do momento em que o projeto tomou forma, pelo visto não foram em vão e o novo 919 Hybrid parece ter muito mais potencial que o esperado – apesar da solução mecânica utilizada, com um propulsor de quatro cilindros em V e apenas 2 litros.

Tal opção se baseia no fato de que a Porsche introduziu dois sistemas híbridos no seu novo carro e a acoplagem não daria certo se fosse um motor com outra configuração. O desempenho na pré-temporada foi muito bom e os tempos no The Prologue, excelentes e animadores. O plantel de pilotos mescla gente da casa e algumas novidades. A grande atração é a estreia de Mark Webber no WEC, após mais de uma década na Fórmula 1. Outras boas aquisições foram o velocíssimo Brendon Hartley e o eficiente Neel Jani. É uma equipe que, contando ainda com Romain Dumas, Timo Bernhard e Marc Lieb, promete dar muito trabalho.

LOTUS
Sede: Grëding, Alemanha
Chefe de equipe: Romulus Kolles
Diretor técnico: Paul White
Carro: Lotus T129
Motor: AER P60 V6 Biturbo
Transmissão: Ricardo sequencial de 6 marchas
Pneus: Michelin
Pilotos: Christijan Albers/James Rossiter/Thomas Holzer (#9)

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A associação Lotus-Kodewa permanece viva no WEC em 2014 apesar dos problemas envolvendo a equipe e o escritório de tecnologia ADESS AG, que pararam na justiça. Não obstante, a equipe sediada em Grëding buscou um acordo com a Audi para o uso dos motores 4 litros V8 do DTM, mas a indefinição persistiu até o fim do ano passado e o projeto do novo protótipo T129 desenhado por Paul White atrasou substancialmente por conta desta situação, contornada com um acordo costurado com a Advanced Engines Research (AER), que lançou em novembro último um motor biturbo V6 para a classe LMP1.

Como consequência, o T129 não fez nenhum teste de pré-temporada e só percorrerá suas primeiras voltas após as 6 Horas de Silverstone, buscando quilometragem para a estreia em Spa-Francorchamps. Quando entrar na pista, o carro preto terá a bordo o holandês Christijan Albers, aquele mesmo ex-Fórmula 1, ao lado de James Rossiter e Thomas Holzer.

REBELLION RACING
Sede: Derbyshire, Oriental Midlands (Inglaterra)
Chefe de equipe: Barth Hayden
Diretor técnico: Ian Smith
Carro: Rebellion R-One (Lola B12/60 em Silverstone)
Motor: Toyota RV8K 3,4 litros V8
Transmissão: Xtrac sequencial de 6 marchas
Pneus: Michelin
Pilotos: Nicolas Prost/Nick Heidfeld/Mathias Beche (#12) e Fabio Leimer/Dominik Kraihamer/Andrea Belicchi (#13)

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Para não ficar de fora da festa, a Rebellion Racing – também sem carro ainda pronto a tempo da estreia – vai para Silverstone na abertura do WEC para uma honrosa despedida do Lola B12/60 com motor Toyota. O carro, utilizado pelo time de bandeira helvética e de sede britânica, recebeu autorização especial para fazer sua despedida das pistas. Já em Spa estreia o novo carro, de visual bem mais agressivo que seu antecessor.

Sem concorrência na LMP1-L em Silverstone, a Rebellion vai aproveitar a corrida deste fim de semana para entrosar a tripulação do carro #13, na qual estarão os estreantes Fabio Leimer, Dominik Kraihamer e Andrea Belicchi. O protótipo principal do time reúne Nicolas Prost ao lado de Nick Heidfeld e Mathias Beche.

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Lotus fora das 6 Horas de Silverstone

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RIO DE JANEIRO – O site DailySportscar.com traz a notícia que era mais ou menos aguardada no Mundial de Endurance, diante da falta de informações a respeito do projeto LMP1 da Lotus: o novo protótipo T129 não será visto nas 6 Horas de Silverstone, prova de abertura do FIA WEC, marcada para o próximo dia 20 de abril.

O projeto de Paul White, totalmente novo – ao contrário do que se pensava, não é uma simples evolução do T128 da LMP2 alinhado em 2013 – foi concebido a princípio para receber um motor V8 naturalmente aspirado, mas o fornecedor “roeu a corda” e foi feito um acordo com a Advanced Engines Research (AER), que projetou um V6 turbo – o AER P60 para a classe LMP1. Esta indefinição quanto ao propulsor atrasou o desenvolvimento do carro e, posteriormente, toda a preparação para a temporada deste ano.

Boris Bermes, chefe de operações da Lotus na Endurance, diz que a equipe permanece focada no esforço de levar o novo T129 a estrear em maio, nas 6 Horas de Spa-Francorchamps.

“Foi realmente frustrante romper com o nosso fornecedor original de motor (n. do blog: o fornecedor não foi revelado pela Lotus) e nós só fomos notificados de que não teríamos os motores a tempo em dezembro. Rapidamente tomamos a decisão de trabalhar com a AER e estamos muito felizes com a colaboração atual. Desde a mudança de fornecedor, trabalhamos incansavelmente para que o novo Lotus LMP1 esteja pronto o mais rápido possível”, afiançou o dirigente.

“Decidimos optar pela cautela e nos comprometer a fazer as coisas do modo correto. Nosso shakedown será na semana seguinte à corrida de Silverstone, visando a estreia em Spa. Temos uma equipe competente e a confiança de que este atraso na estreia não vai nos deter mais”, garante Bermes.

Hamilton e Mercedes: os alvos do momento

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RIO DE JANEIRO – Como todo mundo sabe, nesta época do ano chove  –  e muito – na Malásia. São as chamadas monções tropicais, quase sempre com hora marcada. Bernie Ecclestone, teimoso como ele só, na busca de agradar a audiência europeia, coloca treino e corrida da 2ª etapa do Mundial de Fórmula 1 num horário não muito agradável – especialmente para o público sul-americano.

Resultado: choveu, como é de hábito. E o treino, com início às 5h de Brasília, teve o início adiado em 50 minutos. E haja paciência para aturar fofocas e outras bobagens.

O que vale a pena dizer é que, no seco ou no molhado, a Mercedes está à vontade. E Lewis Hamilton, mais ainda. O piloto britânico foi o melhor em todas as partes do treino classificatório e colocou seu bólido prateado na pole position. É a 33ª vez em que Lewis sai na frente numa corrida de Fórmula 1, o que o credencia a superar a marca do compatriota Nigel Mansell, que dividia com ele a primazia do britânico com o maior número de posições de honra na história. As 33 poles o deixam empatado com Jim Clark e Alain Prost e, na média, Hamilton fez uma pole a cada quatro corridas na carreira. Nada mal…

Apesar do aparente domínio dos carros do construtor alemão até agora neste fim de semana, a Red Bull pelo visto pôs as manguinhas de fora. O tetracampeão Sebastian Vettel, que parecia morto e enterrado – e muitos até queriam vê-lo assim – conseguiu um lugar na primeira fila, desbancando Rosberg e perdendo a pole por apenas 0″055. Desvantagem ínfima em relação a Hamilton, considerando que só os dois primeiros baixaram da casa de 2 minutos no Q3.

Fernando Alonso, apesar de um erro terrível dele e da equipe no Q2, quando o espanhol tocou na Toro Rosso do novato Daniil Kvyat, ainda conseguiu um brilhante quarto lugar. A bandeira amarela que se seguiu ao contato entre o piloto da Ferrari e o jovem russo foi de colher para que os mecânicos consertassem um braço de suspensão da F14-T em tempo recorde. E o piloto compensou com um belo resultado na pista, duas posições à frente de Kimi Räikkönen.

Bacana ver Nico Hülkenberg mais uma vez no Q3 com a Force India. O alemão segue como um dos bons valores da categoria e fez o 7º tempo, classificando-se com enorme tranquilidade à frente do companheiro de equipe Sergio Pérez. Também Jean-Eric Vergne foi bem e obteve a nona posição com seu Toro Rosso.

As decepções do treino foram McLaren e Williams, com erros de avaliação no uso dos pneus para as condições de pista molhada em Sepang. A McLaren errou nas duas fases decisivas da qualificação e foi por pouco que seus dois pilotos não avançaram ao Q3. Na briga pela Superpole, Kevin Magnussen esteve longe do brilhantismo do treino do GP da Austrália e Button, insistindo com pneus intermediários num piso muito molhado, só poderia terminar onde terminou: em décimo.

Já a Williams deitou por terra qualquer possibilidade de Felipe Massa e Valtteri Bottas em obter um bom resultado. Some-se a isso o agravante da chuva não favorecer o FW36, que é um carro “traseiro” e com enorme tendência a não conseguir uma boa performance em piso molhado. Por mais que os pilotos se esforçassem, não deu para conseguir uma sequência de voltas que garantisse ambos no Q3. A opção por pneus intermediários revelou-se um erro. Massa ficou apenas com a 13ª posição e Bottas foi o décimo-quinto. Depois, o finlandês acabou penalizado pelos comissários por bloquear a volta rápida de Daniel Ricciardo. Valtteri perdeu três posições no grid e larga em décimo-oitavo.

De resto, o treino mostrou também que a Sauber permanece na zona da marola e a Lotus, embora ainda tecnicamente bem desorganizada, evoluiu alguma coisa. Tanto que Romain Grosjean avançou para o Q2 e o carro de Maldonado pelo menos saiu do lugar, com o venezuelano ficando em 18º após o Q1, no qual também ficaram fora – como sempre  – os dois pilotos da Marussia e os dois da Caterham, com Jules Bianchi e Kamui Kobayashi não encontrando nenhum problema para superar seus companheiros de equipe.

Extra-oficialmente, o grid de largada do GP da Malásia é este:

1. fila
Lewis Hamilton (Mercedes W05) – 1’59″431 – Q3
Sebastian Vettel (Red Bull RB10-Renault) – 1’59″486 – Q3
2. fila
Nico Rosberg (Mercedes W05) – 2’00″050 – Q3
Fernando Alonso (Ferrari F14-T) – 2’00″175 – Q3
3. fila
Daniel Ricciardo (Red Bull RB10-Renault) – 2’00″541 – Q3
Kimi Raikkonen (Ferrari F14-T) – 2’01″218 – Q3
4. fila
Nico Hulkenberg (Force India VJM07-Mercedes) – 2’01″712 – Q3
Kevin Magnussen (McLaren MP4/29-Mercedes) – 2’02″213 – Q3
5. fila
Jean-Eric Vergne (Toro Rosso STR9-Renault) – 2’03″078 – Q3
Jenson Button (McLaren MP4/29-Mercedes) – 2’04″053 – Q3
6. fila
Daniil Kvyat (Toro Rosso STR9-Renault) – 2’02″351 – Q2
Esteban Gutierrez (Sauber C33-Ferrari) – 2’02″369 – Q2
7. fila
Felipe Massa (Williams FW36-Mercedes) – 2’02″460 – Q2
Sergio Perez (Force India VJM07-Mercedes) – 2’02″511 – Q2
8. fila
Romain Grosjean (Lotus E22-Renault) – 2’02″885 – Q2
Pastor Maldonado (Lotus E22-Renault) – 2’02″074 – Q1
9. fila
Adrian Sutil (Sauber C33-Ferrari) – 2’02″131 – Q1
Valtteri Bottas (Williams FW36-Mercedes) – 2’02″756 – Q2 (*)
10. fila
Jules Bianchi (Marussia MR03-Ferrari) – 2’02″702 – Q1
Kamui Kobayashi (Caterham CT05-Renault) – 2’03″595 – Q1
11. fila
Max Chilton (Marussia MR03-Ferrari) – 2’04″388 – Q1
Marcus Ericsson (Caterham CT05-Renault) – 2’04″407 – Q1

(*) punido com perda de três posições por bloquear Ricciardo

Treino nota 10, corrida nota 6

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RIO DE JANEIRO – O GP da Austrália mostrou evidentes contrastes entre um sábado de emoções no Albert Park e uma corrida que chegou a ser sonolenta no domingo. Depois de um treino nota 10, a prova de abertura do Mundial de Fórmula 1 em 2014 merece uma modesta nota 6, por tudo o que esperávamos acontecer – e não aconteceu.

Bem, a vitória da Mercedes era esperada. Meu favorito era Lewis Hamilton, em quem claramente apostei no BRV. Pole e vitória. Só acertei o pole. Não faz mal. Os alemães do time dirigido por Toto Wolff ganharam de qualquer jeito, graças a um Nico Rosberg que foi excepcional do começo ao fim. Ótima largada, domínio absoluto. O carro de Hamilton teve um problema técnico logo no comecinho e a equipe mandou recolher. Fica para a próxima.

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Na campeã Red Bull, o fim de semana que começou tão bem com o 2º posto de Daniel Ricciardo no grid e na corrida acabou em pesadelo. Vettel também durou pouco na pista do Albert Park. Seu carro também deu chabu cedo, assim como o de Hamilton. O australiano de nariz grande e sorriso largo fez seu papel na pista e foi ao pódio. Delírio da torcida. Mas a festa durou pouco e Ricciardo acabou excluído do resultado final.

Explico: existe uma imposição do regulamento na qual os carros da Fórmula 1 têm que respeitar uma vazão de combustível equivalente a 100 kg/hora. Pelo visto essa regra não foi respeitada pela Red Bull e o consumo de gasolina foi considerado ilegal pelos comissários. Como efeito, o piloto foi desclassificado. A equipe promete recorrer da decisão, naquele que é o pior domingo da turma do touro vermelho desde o GP da Itália de 2012 – a última vez em que nenhum dos dois carros com o logotipo Red Bull figurou na zona de pontuação.

Quem deve estar muito orgulhoso – aliás, orgulhosos – são papai Magnussen e Ron Dennis. Este último, mais do que nunca, deve estar celebrando até agora sua nova joia. O campeão da World Series by Renault estreou com o pé direito na Fórmula 1, mostrando ao próprio Ron que a decisão de dar bilhete azul a Sergio Pérez não causará constrangimentos posteriores. Jan Magnussen, que estreou pela própria McLaren no GP do Pacífico, em Aida, no distante ano de 1995, com certeza também está feliz pelo que Kevin Magnussen fez em sua estreia – aliás, mais do que o antigo piloto de McLaren e Stewart. Um pódio, transformado em 2º lugar? Que mais ele poderia querer?

Bem… Jenson Button já percebeu que vai ter trabalho com o guri nórdico. Mas o britânico, que ficara pelo caminho no treino classificatório, fez uma boa corrida. E com a desclassificação de Ricciardo, de quarto foi para terceiro. Impulsionada pelo motor Mercedes no último ano de acordo entre equipe e fabricante, a McLaren aparenta começar 2014 muito melhor que no ano passado.

Quem fez uma corrida chinfrim foi a Ferrari. Alonso fez o que lhe foi possível, chegando em quinto na pista, subindo para quarto com a eliminação do piloto da Red Bull. Kimi Räikkönen foi muito discreto. Até demais. Acabou em 7º, um resultado abaixo do que muitos esperavam.

Nota positiva também para a ótima corrida do finlandês Valtteri Bottas, que mesmo lambendo o muro com uma roda traseira de sua Williams – o que provocou a quebra da mesma e a entrada do Safety Car – ainda lutou com garra para ser premiado com a quinta posição. Nico Hülkenberg fez igualmente boa corrida e concluiu em 6º lugar. A dupla da Toro Rosso foi regular durante todo o GP da Austrália e o russo Daniil Kvyat (pronuncia-se Quíviat) entrou para a história nos compêndios da Fórmula 1: aos 19 anos, 10 meses e 18 dias, tornou-se o mais jovem piloto de todos os tempos a pontuar na categoria máxima, superando o recorde de… Sebastian Vettel, que estreou de BMW Sauber no GP de Indianápolis, em 2007, pontuando aos 19 anos, 11 meses e 14 dias.

Kvyat e Magnussen engrossam igualmente o total de pilotos que pontuaram em pelo menos uma das 898 provas disputadas na Fórmula 1 desde 1950. Agora, são 325. O último estreante que marcara pontos tinha sido Valtteri Bottas, com o 7º lugar do GP dos EUA em Austin, ano passado.

De resto, quem chegou ao fim depois dos 10 primeiros, rezou para não quebrar e as notas negativas do GP da Austrália vão para a equipe Lotus, envolta numa densa nuvem negra de crise técnica, com um E22 pífio e pouco competitivo, que inclusive quebrou nas mãos de Grosjean e Maldonado e também para Kamui Kobayashi, que em sua volta à categoria enfrentou um problema com o sistema eletrônico dos freios traseiros e bateu na Williams de Felipe Massa.

O otimismo do brasileiro, mesmo após o 9º lugar nos treinos classificatórios, era evidente e o potencial do carro em corrida pôde ser mostrado pelo que Bottas fez ao longo do GP da Austrália. Sem chance de ir ao pódio, no que era o seu grande objetivo, Felipe fez duras críticas ao piloto da Caterham e pediu uma dura punição a Kobayashi – que usou as redes sociais para pedir, humildemente, desculpas à equipe e principalmente a Felipe pelo erro. Uma atitude que poucos têm hoje na Fórmula 1.

 

Melhor do que o esperado

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RIO DE JANEIRO – A Fórmula 1 insiste em nos surpreender. Confesso que eu esperava um treino sem graça, com um monte de quebras, chato toda vida. Mas felizmente virou tudo pelo avesso. A começar que choveu. E chovendo, a coisa fica bem mais interessante. Por isso o que se viu na madrugada deste sábado foi sensacional. Eu gostei demais da qualificação para o GP da Austrália, abertura do campeonato – embora ainda tenha restrições ao barulho dos motores na nova configuração V6 1,6 litro com turbocompressor.

O treino foi surpreendente e movimentado do início ao fim. Uma novidade foi a mudança de divisão de tempo entre as três fases qualificatórias: agora o Q1 tem 18 minutos e não vinte e o Q3, a Superpole, doze ao invés de 10 minutos. É estranho, mas funcionou para a maioria.

Não para a Lotus, o desastre completo deste fim de semana até aqui. O E22 mal andou: Pastor Maldonado não completou sequer uma volta e quando tentava fazer tempo, choveu. E deu pena do desespero e do desalento do Romain Grosjean, que ficou com a 21ª posição (20º depois da punição por troca de câmbio ao mexicano Estebán Gutiérrez).

Por sinal, o cucaracha da Sauber caiu fora logo no Q1 junto com a dupla da Lotus e o estreante Marcus Ericsson, da Caterham. A dupla da Marussia também ficou pelo caminho, com Max Chilton mais rápido que Jules Bianchi – coisa rara.

Aí, com a pista já molhada pela chuva, os 16 pilotos que avançaram para o Q2 montaram pneus intermediários em seus carros. E foi um tal de esterçar na saída de curva quando os pilotos davam gás em baixa rotação que era uma beleza de se ver. Esses novos motores têm muito torque e quando os pilotos aceleram no molhado, o risco de um erro é grande. Não à toa, Kimi Räikkönen bateu após uma rodada e ficou de fora da briga pela pole.

O finlandês não esteve sozinho em matéria de campeões do mundo fora do Q3. Para espanto geral, Sebastian Vettel, lutando contra o próprio carro, ficou apenas com o 13º tempo. Desempenho e resultado que levaram os torcedores australianos, sedentos de vingança por tudo o que o alemão fez com o compatriota deles, Mark Webber, no passado, ao delírio. A Red Bull contratou outro australiano – Daniel Ricciardo que, correndo em casa, deu tudo de si e levou o carro #3 para a disputa pela pole. Jenson Button, com a McLaren, também não avançou e ainda viu Kevin Magnussen, o melhor estreante do fim de semana, ter excelente desempenho.

Favorita nas circunstâncias de piso seco, a Mercedes-Benz passou a ser dúvida para a pole quando o asfalto ficou molhado pela chuva – que no começo do Q3 caiu ainda mais forte. Hamilton e Rosberg montaram os pneus com faixa azul, os full wets e a concorrência, os intermediários. Mesmo com os pneus com mais ranhuras, os pilotos da marca da estrela de três pontas foram para a briga. E Ricciardo foi junto.

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Os três se revezaram, cronômetro já zerado, na pole position. Rosberg foi o primeiro. Ricciardo fez uma volta monstruosa e roubou a pole do alemão. Mas Lewis Hamilton frustrou todo mundo – menos a si próprio e a equipe – para conquistar sua 32ª pole position na carreira, igualando a marca do Leão Nigel Mansell.

Felipe Massa avançou ao Q3, mas o desempenho de sua Williams não correspondeu às expectativas. O brasileiro penou para superar o companheiro de equipe Valtteri Bottas e obteve o nono tempo. Um pouco frustrante, eu diria. Mas foi importante não começar perdendo no confronto interno com o colega e rival – assim como Vettel, Kimi e Button em relação aos respectivos companheiros de boxe. Bottas é outro que terá que largar cinco posições atrás, pela troca do câmbio de sua FW36, o que eleva Vettel à 12ª posição do grid.

Foi um treino ótimo. Tomara que a corrida seja assim. Preparem o café, o energético e a pipoca. O GP da Austrália, pelo visto, promete. E muito.

Eis o grid:

1. fila
Lewis Hamilton (Mercedes W05) – 1’44″231 – Q3
Daniel Ricciardo (Red Bull RB10-Renault) – 1’44″548 – Q3
2. fila
Nico Rosberg (Mercedes W05) – 1’44″595 – Q3
Kevin Magnussen (McLaren MP4/29-Mercedes) – 1’45″745 – Q3
3. fila
Fernando Alonso (Ferrari F14-T) – 1’45″819 – Q3
Jean-Eric Vergne (Toro Rosso STR9-Renault) – 1’45″864 – Q3
4. fila
Nico Hulkenberg (Force India VJM07-Mercedes) – 1’46″030 – Q3
Daniil Kvyat (Toro Rosso STR9-Renault) – 1’47″368 – Q3
5. fila
Felipe Massa (Williams FW36-Mercedes) – 1’48″079 – Q3
Jenson Button (McLaren MP4/29-Mercedes) – 1’44″437 – Q2
6. fila
Kimi Raikkonen (Ferrari F14-T) – 1’44″494 – Q2
Sebastian Vettel (Red Bull RB10-Renault) – 1’44″668 – Q2
7. fila
Adrian Sutil (Sauber C33-Ferrari) – 1’45″655 – Q2
Kamui Kobayashi (Caterham CT05-Renault) – 1’45″867 – Q2
8. fila
Valtteri Bottas (Williams FW36-Mercedes) – 1’48″147 – Q3 **
Sergio Perez (Force India VJM07-Mercedes) – 1’47″293 – Q2
9. fila
Max Chilton (Marussia MR03-Ferrari) – 1’34″293 – Q1
Jules Bianchi (Marussia MR03-Ferrari) – 1’34″794 – Q1
10. fila
Marcus Ericsson (Caterham CT05-Renault) – 1’35″157 – Q1
Romain Grosjean (Lotus E22-Renault) – 1’36″993 – Q1
11. fila
Pastor Maldonado (Lotus E22-Renault) – no time – Q1
Esteban Gutierrez (Sauber C33-Ferrari) – 1’35″117 – Q1 **

** penalizados com a perda de cinco posições por troca de câmbio

Luca Moro (1973-2014)

MOTORSPORT/GTFIA GT3 OSCHERSLEBEN 2006

RIO DE JANEIRO – Como este blog dá bastante atenção às provas de Grã-Turismo e Endurance, não estranhem este post. Morreu ontem, aos 40 anos de idade (jovem ainda) o piloto italiano Luca Moro (em pé, fora do carro, na foto acima), derrotado por um grave tumor cerebral. Ele deixou viúva e dois filhos pequenos.

Luca não era, propriamente, um dos mais brilhantes representantes de seu país e inclusive andou envolvido num rumoroso caso de doping por uso de cocaína, o que lhe deixou fora do automobilismo por suspensão. Banido por dois anos, ele foi obrigado a se tratar e voltou às pistas em 2008, após disputar duas temporadas do Mundial de FIA GT sem muito destaque.

Saltimbanco das pistas, perambulou por International GT Open, GT3 Europeia, American Le Mans Series, Formula Le Mans e Le Mans Series, até disputar o Mundial de Endurance (WEC) em 2012 pela Lotus. Sua última aparição na categoria foi nas 24 Horas de Le Mans, ao lado dos alemães Thomas Josef Holzer e Mirco Schultis, no protótipo Lola B12/80 LMP2. Largaram em 31º e acabaram por abandonar a disputa.

Direto do túnel do tempo (176)

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RIO DE JANEIRO – O piloto a bordo do carro da foto é o aniversariante do dia. Neste 8 de março, o alemão Michael Bartels completa 46 anos de idade. Muito bem-sucedido como dono de equipe especialmente nas provas de Grã-Turismo quando alinhou o Maserati MC12 por longos anos – ganhando várias corridas e títulos como piloto também, ele não teve muito sucesso na Fórmula 1.

Aliás, nenhum, uma vez que não conseguiu largar em nenhuma corrida de que tentou tomar parte em 1991.

Tudo bem: o carro, o Lotus 102B, não era grande coisa. Tinha um motor muito fraco, o Judd V-8. Mas com esse mesmo monoposto, Mika Häkkinen, outro que debutava na categoria, só não se classificou para o GP da França, em Magny-Cours e fez dois pontos no Mundial de Pilotos daquele ano. Bartels foi escalado para andar no carro #12 em quatro participações, revezando-se a bordo com Julian Bailey e Johnny Herbert. Ficou a pé na Alemanha, Hungria, Itália e Espanha e seu melhor resultado em qualificação (duas vezes) foi um 28º lugar.

Há 23 anos, direto do túnel do tempo.